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DO CORREIO BRAZILIENSE

Senador é acusado de receber R$ 191 milhões em propina valendo-se da influência dos cargos que ocupou


 
(foto: Divulgação/Senado Federal)
(foto: Divulgação/Senado Federal)

As investigações da Polícia Federal apontam que o senador José Serra recebeu o codinome de “Vizinho” nas planilhas de pagamento de propina da Odebrecht. O parlamentar é alvo de uma ação deflagrada no âmbito da operação Lava-Jato nesta sexta-feira (03). O apelido foi dado por conta de Serra morar próximo de Pedro Novis, seu principal contato na empreiteira. O político foi prefeito de São Paulo, de 2005 a 2006, e governador do Estado entre 2007 e 2010  

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Serra recebeu, de uma só vez, R$ 4,5 milhões em propina. O nome dele aparecia principalmente em planilhas voltadas para o pagamento de repasses ilegais relacionados às obras do Rodoanel de São Paulo. A filha dele, Verônica Serra, também foi denunciada. Ao todo, parlamentar teria recebido R$ 191,6 milhões em valores atualizados.
José Serra foi delatado pelo próprio Pedro Novis, que agora colabora com a Justiça. Além disso, o apelido “Vizinho” também aparece em e-mails trocados por Marcelo Odebrecht.  “Em muitos deles, há menções expressas ao codinome “Vizinho” ligado a temas como “Dersa” e ao contato de Pedro Novis”, diz um trecho da denúncia enviada à Justiça pelo MPF.
Dersa é uma empresa que opera rodovias para o governo do estado de São Paulo. Os repasses, realizados em um banco na Suíça, eram depositados por meio da Circle Technical Company, empresa offshore, que de acordo com as diligências, servia para enganar as autoridades e dar aparente legalidade para as transações ilegais.  “E, de fato, uma planilha extraída do sistema contábil da empreiteira indica que, logo na sequência, ao longo de 2006 e 2007, numerosas transferências foram feitas, em favor de uma conta da Circle Technical no Corner Bank da Suíça, com referência ao codinome “Vizinho”, sendo a maior parte delas vinculada à obra “Rodoanel”, completa o MPF.
 
Causa estranheza e indignação a ação deflagrada pela Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo na manhã desta sexta-feira (3) em endereços ligados ao senador José Serra. Em meio à pandemia da Covid-19, em uma ação completamente desarrazoada, a operação realizou busca e apreensão com base em fatos antigos e prescritos e após denúncia já feita, o que comprova falta de urgência e de lastro probatório da Acusação. 
É lamentável que medidas invasivas e agressivas como a de hoje sejam feitas sem o respeito à Lei e à decisão já tomada no caso pela Suprema Corte, em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República.
O Senador José Serra reforça a licitude dos seus atos e a integridade que sempre permeou sua vida pública. Ele mantém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas. 

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