DO EL PAÍS

Economista seria primeiro ministro negro do Governo, mas deixa cargo antes da posse. “Grotesco ter como indicado alguém que mente no currículo”, diz Movimento Campanha Nacional pela Educação

Decotelli entregou carta de demissão a Bolsonaro nesta terça-feira.
Decotelli entregou carta de demissão a Bolsonaro nesta terça-feira.MARCOS CORREA / AFP

Visto por organizações da área e setores do Governo como uma correção de rota no Ministério da Educação, após a conturbada passagem de Abraham Weintraub, o nome de Carlos Alberto Decotelli da Silva chegou a gerar expectativa de pacificação dos ânimos, que derreteu antes mesmo da posse. Como o economista não conseguiu comprovar as qualificações de seu currículo, questionadas por instituições onde ele afirmara ter cursado doutorado e pós-doutorado e ainda trabalhado como professor, o presidente Jair Bolsonaro foi obrigado a recuar, adiando a nomeação. Diante da pressão pela descoberta das fraudes, o ministro, que durou apenas cinco dias no cargo, pediu demissão nesta terça-feira.

A primeira inconsistência no currículo de Decotelli surgiu da Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, que informou que o indicado ao MEC não obteve título de doutor por ter tido a tese reprovada. Na sequência, a universidade alemã de Wuppertal negou que o economista tenha cursado pós-doutorado na instituição. Já nesta terça, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) emitiu nota para esclarecer que o agora ex-ministro nunca integrou seu corpo efetivo de professores, mas somente deu aulas, como colaborador, em cursos de educação continuada vinculados à fundação. Em seu currículo Lattes, ele apontava ter sido professor da instituição entre 2001 e 2018. A FGV ainda apura denúncia de plágio da dissertação de mestrado, que será devidamente conferida após orientadores retornarem às atividades presenciais e, caso seja confirmada, pode render a abertura de um processo disciplinar e, em última instância, a anulação do título.

Por meio do MEC, Decotelli se comprometeu a revisar a dissertação, negando dolo em eventuais omissões de créditos a outros pesquisadores, e admitiu não ter concluído os trabalhos necessários para a obtenção dos títulos de doutorado e pós-doutorado. Embora tenha efetuado ajustes no currículo e recebido o apoio de Bolsonaro, que relativizou a falsificação que chamou de “inadequações curriculares” e enalteceu a “capacidade para construir uma educação inclusiva e de oportunidades para todos” do ministro, o economista não conseguiu se segurar no cargo, rifado pela alta cúpula do presidente.

Sem se comover com o voto de confiança dado por Bolsonaro a seu escolhido, parlamentares governistas bradaram publicamente pela saída de Decotelli. “O Governo precisa passar um pente fino na área responsável pela análise de informações e demitir os incompetentes. Além disso, deve repensar a nomeação de Decotelli. Um ministro da Educação não pode assumir o cargo nessa fragilidade”, postou o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), que, mais tarde, celebraria o pedido de demissão do ministro. “Melhor para o Brasil, para o presidente e para Decotelli.”

Com passagem pela Marinha, o ministro havia recebido o crivo da ala militar que tem ganhado influência sob o Governo Bolsonaro. Antes do MEC, ele presidiu o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) entre fevereiro e agosto de 2019. Sua chegada ao comando da autarquia federal vinculada ao MEC é anterior ao decreto assinado pelo presidente em 15 de março do ano passado, que estipula critérios técnicos, como experiência profissional na área ou título de doutorado, para nomeações em cargos comissionados do Governo. Entretanto, as regras preveem que as informações curriculares sejam prestadas pelos indicados ao cargo, sem obrigatoriedade de verificação, e que ministros de cada pasta podem dispensar os critérios desde que apresentem justificativas.

A falta de mecanismos de controle das qualificações segue fazendo com que critérios políticos frequentemente se sobreponham aos técnicos nas nomeações do Governo. Depois da saída de Weintraub e a prevalência da indicação dos militares, Decotelli ganhou a rejeição imediata do núcleo governista mais ligado ao filósofo Olavo de Carvalho, que havia apadrinhado os dois ministros anteriores, mas perdera a queda de braço na disputa pelo MEC. Alfinetadas públicas de aliados bolsonaristas ao novo ministro se somaram às críticas de parlamentares da oposição e entidades de educação quando as inconsistências no currículo vieram à tona.

“É um cenário no mínimo grotesco termos como indicado para o Ministério da Educação alguém que mente no currículo —e que comete, portanto, um crime— e ainda por cima tendo chegado ao ministério se dizendo técnico e tentando se descolar do caráter político e ideológico vergonhoso do Governo para o qual aceitou entrar. Desde sua confirmação já dissemos que nenhum técnico não é político, e agora isso se comprova”, manifestou o movimento da Campanha Nacional pela Educação.

Porém, antes da polêmica sobre o currículo, o nome de Decotelli foi inicialmente bem assimilado por lideranças do setor. Organizações não governamentais como o Todos Pela Educação se surpreenderam de forma positiva com o perfil mais técnico que ideológico do economista, ao contrário de Weintraub. A primeira impressão, no entanto, caiu por terra em meio à desconstrução de seu currículo. “Muita mentira junta é grave. Ministro da Educação mentir formação acadêmica, é gravíssimo. Ministro que não é mais confiável para restabelecer as pontes com Estados, Municípios, Congresso e sociedade, não consegue exercer suas funções frente à profunda crise na educação”, afirmou Priscila Cruz, presidente do Todos Pela Educação.

Para Luiz Carlos de Freitas, pesquisador e professor aposentado da Unicamp, a miragem de que Decotelli poderia ser um ministro técnico e conciliador, apesar de sua curta experiência na área de políticas públicas para a educação, foi facilitada pela repulsa generalizada a seu antecessor no cargo. “Depois de uma gestão tão tensa como a do Weintraub, qualquer nome soa como um alívio, uma esperança de que, finalmente, alguém vai propor um grande debate nacional”, diz Freitas. O pesquisador entende que o substituto de Decotelli, independentemente de perfil ou currículo, deve se guiar por uma visão mercantilista da educação. “O Governo Bolsonaro foi loteado pelas forças que lhe dão suporte. Na medida em que uma delas ganha mais relevância que outra, a direção do Governo muda, mas elas ainda compartilham a ideia radical de reduzir o Estado a qualquer custo. E, na educação, esse apelo por reformas de caráter empresarial naturalmente se reproduz.”

Única baixa por falsificação de currículo no Governo

Carlos Alberto Decotelli não foi o primeiro integrante do Governo Bolsonaro exposto por exagerar ou fraudar qualificações curriculares. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, dizia-se mestre em Direito Público pela Universidade Yale até uma reportagem do The Intercept Brasil desmascarar o falso mérito. Salles atribuiu a informação a um “equívoco de assessoria”. Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, indicava possuir o título de mestre em Educação e Direito Constitucional e da Família, embora nunca tenha feito mestrado, sem especificar que se tratava de uma distinção religiosa.

Os antecessores de Decotelli na pasta também turbinaram seus currículos. Primeiro ministro da Educação de Bolsonaro, o colombiano naturalizado brasileiro, Ricardo Vélez Rodríguez, apresentou pelo menos 22 erros em seu currículo Lattes, incluindo a autoria de livros que não havia escrito, de acordo com levantamento do portal Nexo. Por sua vez, Abraham Weintraub foi anunciado pelo presidente como doutor, sendo que só possui o título de mestre em Administração. A Folha de S. Paulo ainda verificou que o ex-ministro ostentava no currículo artigos idênticos, publicados em dois veículos diferentes, em prática conhecida como autoplágio.

Em que pese a sequência de desmentidos de instituições onde Decotelli informava ter trabalhado ou se graduado, ele foi o único membro do alto escalão do Governo a sair do cargo após ser flagrado por fraude curricular. Até então, o economista também era o único ministro negro nomeado por Bolsonaro ao longo de seu mandato. “Comecei a desenhar um projeto para implementar no MEC. Esse projeto, porém, foi questionado pelo fato da minha inconsistência curricular, que, no mundo acadêmico, é explicável”, justificou Decotelli em entrevista à CNN Brasil. Ele foi o ministro que permaneceu menos tempo no cargo, superando a passagem-relâmpago de Nelson Teich (28 dias) pelo Ministério da Saúde.

“Doce Presença”, Nana Caymmi: Formidável interpretação da filha dileta de seu Dorival – doce quando precisa ser doce. firme quando é necessário ser firme – para começar maravilhosamente o mês de julho, musicalmente, no BP.Viva!!!

BOM DIA!!!

( Vitor Hugo Soares)

Pelo segundo ano consecutivo, Colégio Pódion lidera entre os colégios do DF. Instituições de Ceará e Minas Gerais se destacam na listagem nacional


 
Vitória Silva*
Com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na última sexta-feira (26/6), consultorias tabularam o desempenho de escolas públicas e particulares de todo o país no Exame Nacional do Ensino Médio 2019 (Enem), considerando as médias das provas objetivas e da redação.
Os 10 primeiros colocados do país de acordo com a ZBS(foto: ZBS / Reprodução)
Os 10 primeiros colocados do país de acordo com a ZBS (foto: ZBS / Reprodução)
Fortaleza (CE) aparece logo nas duas primeiras colocações do ranking nacional preparado pela empresa de tecnologia ZBS
Assim como no ano passado, os primeiros lugares são, em sequência, do Farias Brito Colégio de Aplicação e do Ari de Sá Cavalcante Sede Mario Mamede Colégio. As instituições têm, respectivamente 35 e 33 alunos.
Com 284 estudantes, o Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte (MG), ocupa a terceira colocação no ranking nacional. A quarta e a quinta posições também estão ocupadas por escolas da capital mineira: Fibonacci Colégio e o Coleguium, com 57 e 34 estudantes, respectivamente. No sexto lugar está o Objetivo Colégio Integrado, de São Paulo (SP). Na sétima posição, aparece o Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte, com 144 alunos.
Na sequência, em oitavo lugar, está a primeira instituição de ensino pública: o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Coluni, com 155 discentes. A nona colocação fica para o Vital Brazil Colégio, com 56 alunos. O Vertice Colégio Unidade II, com 43 estudantes, fecha o top 10 da lista. As duas últimas escolas são de São Paulo.

Critérios

São excluídos da contagem os alunos que fizeram o Enem, mas não estavam cursando o 3º ano do ensino médio no ano passado. Ficam de fora também os estudantes que não preencheram em qual instituição estudavam. Além disso, são consideradas apenas as escolas com 30 ou mais alunos. Estudantes da Educação Especial e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) estão inclusos, assim como aqueles que zeraram a redação ou alguma das provas objetivas.

Desempenho brasiliense

No Distrito Federal, de acordo com a listagem fornecida pela ZBS, o primeiro lugar foi o mesmo do Enem 2018. Mais uma vez, a lista é liderada pelo Colégio Pódion. Em segundo e terceiro lugares, estão o Colégio Olimpo, da 913 Sul, e o Colégio Olimpo de Águas Claras. As três escolas têm, em sequência, 95, 104 e 48 alunos, respectivamente. O Centro Educacional Leonardo da Vinci da Asa Sul, com 63 estudantes, ficou em quarto lugar, e o Colégio Galois, com 113 alunos, em quinto.
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal de acordo com a ZBS(foto: ZBS / Reprodução)
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal de acordo com a ZBS (foto: ZBS / Reprodução)
O Leonardo da Vinci aparece novamente com as unidades Asa Norte, em sexto, e Taguatinga, em sétimo. As instituições têm 194 e 195 alunos, respectivamente. Duas unidades do Centro Educacional Sigma ocupam o oitavo e o 10º lugar, com 215 e 148 estudantes. Entre eles, o Único Educacional ocupa a nona colocação.

Rede pública

Quanto às instituições de ensino públicas do Distrito Federal, o Colégio Militar de Brasília, que é federal, teve a melhor colocação, sendo o 484º do país. Ao se considerar apenas a rede distrital, o Colégio Militar Dom Pedro II é o primeiro a aparecer, ocupando o 821° lugar no ranking nacional. Em sequência, estão o Colégio Militar Tiradentes e o Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional do Gama (Cemi-Gama).

Redação altera colocações

Os resultados da ZBS apresentados até aqui são baseados na média somada pela nota objetiva e da redação das instituições de ensino. Ao analisar esses dados separadamente, as colocações podem variar. Considerando apenas a redação, o Centro Educacional Leonardo da Vinci da Asa Sul foi o colégio do DF com melhor pontuação, 880,32 pontos, classificando-se como a 80ª melhor do país no texto.
As 10 primeiras escolas colocadas do país sem a nota da redação de acordo com a ZBS(foto: ZBS / Reprodução)
As 10 primeiras escolas colocadas do país sem a nota da redação de acordo com a ZBS (foto: ZBS / Reprodução)
Tirando a redação da conta e considerando apenas a prova objetiva, os três primeiros colocados do DF permanecem os mesmos, apesar de variação nas pontuações. Considerando apenas a nota objetiva, o Pódion foi o 18º melhor do Brasil.
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal sem a nota da redação de acordo com a ZBS(foto: ZBS / Reprodução)
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal sem a nota da redação de acordo com a ZBS (foto: ZBS / Reprodução)

Outra tabulação

Baseada também nos microdados liberados pelo Inep, a tabulação feita pela startup de educação Evolucional, apesar de muito semelhante, concluiu alguns resultados diferentes da análise da ZBS.
A avaliação segue também dois critérios de classificação, nota objetiva e nota objetiva+redação. A startup considerou apenas alunos cursando e concluindo o ensino médio em 2019 que tiraram nota superior a zero na redação e nas provas objetivas. Diferentemente da ZBS que incluiu no ranking apenas colégios com 30 estudantes ou mais a Evoluciona considerou instituições com número de alunos a partir de 10.
 
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal com a nota da redação de acordo com a Evolutiva(foto: Evolutiva / Reprodução)
As 10 primeiras escolas colocadas do Distrito Federal com a nota da redação de acordo com a Evolutiva (foto: Evolutiva / Reprodução)
No ranking nacional, os nomes dos 10 primeiros colocados são os mesmos, mas as posições variam, com exceção do top 3. No top 10 do DF, apesar de diferença nas pontuações, a ordem de classificação das escolas permanece a mesma.

Liderança consolidada

O Colégio Pódion estreou como o primeiro colocado no ranking de desempenho entre as escolas do Distrito Federal no Enem de 2018. No exame de 2019, a instituição repetiu o feito. Fundada em 2001, a instituição, além de conquistar a primeira colocação local, garantiu o melhor desempenho do Centro Oeste. A conquista foi celebrada por alunos e professores. “Desde a fundação do ensino médio, o Pódion visava ser uma escola de resultados”, afirma George Gonçalves, coordenador-geral da instituição.
 
Turma do terceiro ano de 2019 do Colégio Pódion (foto: Pódion / Reprodução)
Turma do terceiro ano de 2019 do Colégio Pódion (foto: Pódion / Reprodução)

 

O colégio trabalha com uma carga horária estendida e mantém o foco dos estudos nos principais exames nacionais. De acordo com George, no primeiro e no segundo ano do ensino médio, os estudos são voltados para o Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB). É no terceiro ano, em especial no segundo semestre letivo, que os alunos focam o Enem.
“Acompanhando esse ritmo de conteúdo, também trabalhamos com os alunos o programa denominado disciplina consciente. Nele, nós motivamos o estudo por uma consciência de propósito do que eles querem alcançar, para que não fiquem estudando de maneira robotizada”, explica o coordenador.
Trabalhar os conteúdos profundamente, estimular o senso de responsabilidade e, ao mesmo tempo, privilegiar a saúde mental do estudante, segundo George, são os principais cuidados que garantem o bom desempenho da instituição. Durante a pandemia do novo coronavírus, o Pódion deu continuidade às aulas de maneira remota, a fim de obter os mesmos resultados no Enem deste ano.
No início, foi disponibilizado aos alunos apenas um roteiro de estudos, confeccionado pelos professores de cada disciplina. Em 13 de abril, a instituição passou a contabilizar a presença e voltou com a carga mais intensa de estudos. “Todos os dias são disponibilizadas sete aulas para que consigamos manter o foco e os objetivos, tanto para o PAS quanto para o Enem”, explica o coordenador. “Estamos preparados para qualquer situação de calendário”, acrescenta.

Ex-estudantes se orgulham

Valentia Roque, 18 anos, aprovada para estudar jornalismo na UnB, conta que conseguiu alcançar o objetivo graças ao apoio oferecido pela instituição. “O Pódion é bem puxado e tem modelo conteudista. Eu tinha aula todos os dias, das 7h30 às 16h30. Eram 10 aulas por dia”, conta. A estudante relata ainda, que quando aprovada, sentiu enorme felicidade por todo o esforço que foi investido. “A sensação de dever cumprido foi incrível”, diz.
Ingrid Vellasco, 17, aprovada em engenharia química na Universidade de São Paulo (USP), também vivenciou o ritmo puxado como aluna do Pódion. “Nunca foi fácil, mas temos muito apoio e profissionais excelentes à nossa disposição”, assegura. Apesar da rotina de estudos pesada, ela também priorizou momentos de descanso aos fins de semana. “Tirava os sábados para descansar, algo que acho primordial para um estudante.”
Tanto Ingrid quanto Valentina compartilham do mesmo sentimento de gratidão à instituição. “Por causa de todo esforço que eu, meus colegas, professores e todos os funcionários fizemos em 2019, minha escola ficou em primeiro lugar no DF e isso é algo honestamente emocionante”, relata Ingrid.

jul
01
Posted on 01-07-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-07-2020

Por Redação O Antagonista

O presidente elogiou os presidentes da Câmara e do Senado e os convidou para uma viagem.

“Prezado Alcolumbre, Maia, é uma satisfação tê-los aqui. É um sinal que juntos nós podemos fazer muito pela nossa pátria. Se Deus quiser, outros momentos teremos juntos. Para o bem de todos nós.”

E acrescentou:

“Eu quero convidar a partir de agora Alcolumbre e ao Maia numa próxima viagem minha, como tive o prazer de estar em Araguari e ao retornar, pousamos em um pequeno vilarejo de forma inopinada. Tinha umas 30 casinhas lá e vimos muita gente humilde lá.”

jul
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Embora não tenha citado diretamente o ex-ministro da Educação Carlos Decotelli, a manifestação ocorreu horas depois do mesmo ter entregue a carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro


IS Ingrid Soares
 
(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)

O general Augusto Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou, por meio das redes sociais na noite desta terça-feira (30/6), que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) checa a vida pregressa de ocupantes de cargos no governo, mas que cada ministro é responsável pelo seu currículo. Embora não tenha citado diretamente o ex-ministro da Educação Carlos Decotelli, a manifestação ocorreu horas depois do mesmo ter entregue a carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro.

“Aos desinformados: o GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de ministros, cada um é responsável pelo seu currículo”, afirmou, em sua conta no Twitter.

 

 

 Bolsonaro aceitou a demissão de Decotelli, exatamente no mesmo dia em que havia sido agendada a cerimônia de posse dele na pasta.
 
Durante a passagem relâmpago de Decotelli como ministro, foram reveladas fraudes sobre os títulos descritos no currículo disponibilizado na plataforma Lattes. A situação, no entanto, ficou insustentável após a Fundação Getulio Vargas (FGV) informar que Decotelli não foi pesquisador ou professor efetivo da instituição, mas sim professor colaborador.
 

O mais cotado para comandar o cargo é o professor e reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Ribeiro Correia. Ele é ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Foi integrante do Conselho Deliberativo e é atual pesquisador do CNPQ, nível 1B. Atuou na equipe de transição entre os governos Temer e Bolsonaro, na área de educação. Também constam no páreo o nome do assessor especial do MEC, Sérgio Sant’Anna, aliado de Abraham Weintraub; o do secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim; o do secretário estadual de Educação do Paraná, Renato Feder, e Ilona Becskeházy.

Do Jornal do Brasil

 

CadernoB

O Cirque du Soleil Entertainment Group entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira, depois que a pandemia de Covid-19 forçou o famoso operador de circo a cancelar apresentações e demitir seus artistas.
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Acrobatas do Cirque du Soleil se apresentam na Letônia (Foto: Reuters/Ints Kalnins)

A empresa de entretenimento com sede em Montreal, que administra seis shows em Las Vegas, tem tido dificuldades para manter seus negócios funcionando em meio a restrições por causa do coronavírus que começaram em março, forçando-a a demitir cerca de 95% de sua força de trabalho e a suspender temporariamente as apresentações.

“Com receita zero desde o fechamento forçado de todos os nossos shows devido à Covid-19, a diretoria teve que agir decisivamente para proteger o futuro da empresa”, disse o CEO Daniel Lamarre.

A empresa assinou um acordo com seus investidores, o fundo de private equity TPG Capital, a chinesa Fosun International e o fundo de pensão canadense Caisse de depot et placement du Québec, segundo o qual o grupo assumirá o passivo do Cirque e investirá 300 milhões de dólares em apoio para uma reinicialização.

Como parte do investimento, o órgão governamental Investissement Québec fornecerá 200 milhões de dólares em financiamento de dívidas.

Mas é improvável que os credores aceitem o acordo, o que poderia resultar em detentores de dívida existentes com aproximadamente 45% do patrimônio da empresa reestruturada, disse uma fonte. (Com agência Reuters)

jul
01
Posted on 01-07-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-07-2020



 

Zé Dassilva, NO

 

DO EL PAÍS

Revisão de monumentos nos EUA como parte da onda antirracista acende o debate sobre a conveniência de julgar o passado com os olhos do presente

Imagem de Harriet Tubman projetada sobre uma estátua do general confederado Robert E. Lee em Richmond, na Virgínia, em 20 de junho.
Imagem de Harriet Tubman projetada sobre uma estátua do general confederado Robert E. Lee em Richmond, na Virgínia, em 20 de junho.JAY PAUL / Reuters

 Pablo Ximénez de Sandoval

Los Angeles / Cidade do México

Na sexta-feira passada, foi a vez de John Wayne. O Partido Democrata do condado de Orange, um reduto republicano ao sul de Los Angeles, na Califórnia, apresentou uma resolução para pedir que o aeroporto regional deixe de se chamar John Wayne. O ator, argumentam, era racista e deixou isso muito claro em uma conhecida entrevista em que disse: “Acredito no supremacismo branco enquanto os negros não forem educados até alcançar certo nível de responsabilidade”. O condado de Orange é hoje um lugar diverso, que não tem nada que ver com o que era em 1979, quando batizou seu aeroporto com o nome do ator, pondo no saguão uma estátua dele vestido de caubói. Não é a primeira vez que o nome do Aeroporto John Wayne é questionado. Mas, pela primeira vez, é pertinente se perguntar por quanto tempo mais a estátua permanecerá naquele local.

Porque o pedido surge num contexto em que uma maioria nos Estados Unidos parece não estar disposta a tolerar a mínima ambiguidade em relação à discriminação racial. A onda de indignação provocada pela morte de George Floyd desatou uma corrente de denúncias e protestos similar ao Me Too, só que antirracista. O resultado mais visível está sendo a queda dos pedestais ou a destruição de estátuas que simbolizam um racismo institucional que está enraizado nos EUA desde a sua fundação. Ataca-se o racismo em sua vertente mais monstruosa, a escravidão, representada pelas estátuas dos líderes confederados que lutaram na Guerra de Secessão; e também em sua vertente mais anedótica, como poderiam ser vistas essas opiniões xenófobas de um ator.

A estátua de John Wayne no aeroporto em homenagem a ele em Santa Ana, Califórnia.
A estátua de John Wayne no aeroporto em homenagem a ele em Santa Ana, Califórnia.MARIO TAMA / AFP

“Há uma espécie de fúria coletiva”, diz Roberto Ignacio Díaz, professor de Literatura Hispânica da Universidade do Sul da Califórnia e especialista na herança espanhola na América do Norte. “Não em um sentido negativo. É uma rebelião em sentido positivo e épico.”

Nesta rebelião, todas as homenagens públicas estão sendo questionadas. Começou-se atacando figuras racistas óbvias, como o general Robert E. Lee (líder do Exército confederado que se rebelou contra Washington para manter a instituição da escravidão). Mas logo se estendeu a outras mais ambíguas. Agora estão sendo questionadas figuras como George Washington e Thomas Jefferson, que foram donos de escravos. A Universidade de Princeton decidiu no sábado retirar o nome do presidente Woodrow Wilson de uma de suas faculdades, pois esse presidente norte-americano que assinou o Tratado do Versalhes tinha posições racistas indefensáveis. Uma estátua equestre de Theodore Roosevelt em frente ao Museu de História Natural de Nova York será retirada por mostrar o ex-presidente acompanhado de um indígena e um negro seminus.

Nesse contexto, a herança espanhola nos Estados Unidos também está sendo apontada. No fim de semana retrasado, uma manifestação contra o racismo derrubou uma estátua do frade Junípero Serra (fundador das primeiras missões da Califórnia) em San Francisco. No dia seguinte, um pequeno grupo fez o mesmo em Los Angeles. Dias antes, um grupo havia tentado tirar à força a estátua do conquistador Juan de Oñate em Albuquerque, no Novo México. Os que atacam estas estátuas são ativistas indígenas que vêm há anos pedindo sua retirada. “Os povos indígenas sentem que eles também são parte dessa história de repressão, embora seja menos visível”, observa Díaz.

A estátua de Serra no centro de Los Angeles foi derrubada por um pequeno grupo em 30 segundos, amarrando uma corda ao pescoço da figura. Entre esses ativistas estava Jessa Calderón, artista e ativista indígena. “Isto é só o começo do fechamento das feridas do nosso povo”, disse ela quando a estátua caiu. Calderón considera que a história das missões católicas na Califórnia é de horror, brutalidade e opressão para impor aos indígenas a religião e as leis de outro Continente. “Para nós, ver essa estátua é como se um judeu fosse obrigado a passar todos os dias diante de uma estátua de Hitler. Isso é Serra para mim”, diz Calderón ao EL PAÍS.

A estátua de Junípero Serra no Golden Gate Park, em San Francisco, depois de ser demolida.
A estátua de Junípero Serra no Golden Gate Park, em San Francisco, depois de ser demolida.DAVID ZANDMAN / Reuters

O movimento contra frei Junípero pode ser pequeno, mas ocorre no contexto de uma mudança profunda na forma como os Estados Unidos homenageiam seus personagens históricos e a forma como escuta as vozes minoritárias desse relato. Serão algumas dezenas de pessoas as que derrubam as estátuas, mas estão fazendo isso num momento tão intenso que nem a Prefeitura de Los Angeles, nem o condado, nem o Estado da Califórnia se pronunciaram sobre a destruição de propriedade pública transmitida via Twitter. Nem um só agente de polícia apareceu na manifestação. O mesmo está acontecendo com os símbolos confederados. Quando Donald Trump se mostra indignado e ameaça os manifestantes, está muito sozinho.

Manisha Sinha, professora de História da Universidade de Connecticut e autora de um livro sobre a abolição da escravatura nos EUA, participa há anos do movimento para retirar as estátuas da Confederação. “A única coisa que elas representam é o triunfo do supremacismo branco no Sul depois da Guerra de Secessão”, diz Sinha. “Depois a discussão foi se ampliando e passou a incluir outras figuras que tiveram um papel notório na escravidão dos nativos norte-americanos, como a do conquistador do Novo México, Oñate. O que estamos fazendo nos Estados Unidos é revisar as estátuas que temos do século XIX e pensar se representarem a democracia multicultural que são os EUA hoje.”

Há um elemento de caos em tudo isto que não responde a nenhuma lógica. Quem derruba as estátuas muitas vezes são pequenos grupos que, embora tenham começado protestando contra a brutalidade policial, têm uma motivação cada vez mais ampla e difusa. Em San Francisco, por exemplo, o grupo que derrubou a estátua de frei Junípero danificou de passagem com pichações todo o conjunto ornamental do Golden Gate Park, que inclui um monumento a Miguel de Cervantes. Não consta que ninguém tenha nada contra o autor de Dom Quixote. Em Madison, Wisconsin, os manifestantes derrubaram uma estátua de Hans Christian Heg, um abolicionista que lutou contra a escravidão e morreu lutando ao lado da União contra os Confederados.

“Sou parte do movimento para retirar as estátuas e sempre nos criticaram por isso de que acabaríamos derrubando todas. Usam incidentes isolados. Mas o movimento é só contra as figuras realmente problemáticas”. Essas, para Sinha, “são as da Confederação”. “Eu poria o limite nas estátuas de Jefferson e Washington. Fizeram coisas em vida que têm valor. Se essas estátuas representarem algo no legado dessa gente que podemos valorizar como país em nossa época, devem ser conservadas.”

A estátua do Presidente Theodore Roosevelt no Museu de História Natural de Nova York.
A estátua do Presidente Theodore Roosevelt no Museu de História Natural de Nova York.David Dee Delgado / AFP

Entre os personagens mais perseguidos nos EUA nos últimos dias está Cristóvão Colombo, que, apesar de nunca ter posto os pés na América do Norte, é considerado um símbolo de todo o sofrimento que o choque com a conquista europeia trouxe para os indígenas do continente. Nos EUA, Colombo não é um símbolo espanhol, e sim italiano (nasceu em Gênova), e a maioria de suas estátuas foi erguida na década de 1920. Era uma maneira de a comunidade italiana se integrar à história do país. Já na América Latina ele é visto como um símbolo espanhol, e não é tão polêmico.

No caso da herança espanhola nos EUA, os valores variam inclusive de um lado a outro do país. “Minha mãe está em Miami preocupadíssima de que derrubem a estátua de Ponce de León [explorador espanhol da Flórida]”, conta o professor Díaz, de origem cubana. O ex-embaixador espanhol Javier Vallaure serviu como cônsul nos dois extremos, Miami e Los Angeles, e concorda que “certamente, com relação ao legado da Espanha, Miami é mais cômoda e tranquila, e LA é mais agitada e hostil”. Em sua experiência, “a primeira é menos revisionista e a segunda é mais indigenista ?curiosamente, que grande paradoxo, atiçada por descendentes de colonos brancos”.

O movimento revisionista é muito difuso e não faltam exemplos de paradoxos como o que Vallaure aponta, dependendo de quem estiver à frente da manifestação. A Universidade Stanford decidiu em 2018 retirar o nome de Junípero Serra de seu campus. Entretanto, os pitorescos claustros do campus foram construídos justamente tendo as missões católicas da Califórnia como inspiração. Além disso, o governador Leland Stanford promoveu e financiou caçadas a indígenas quase um século depois de Serra. Não há planos de que a universidade mude de nome.

Todos os professores consultados estão de acordo em aceitar a ira que leva à derrubada das estátuas, pois o debate nunca pôde ser aberto por outros canais democráticos. E o fenômeno não é exclusivo dos EUA. A Espanha precisou de 30 anos de digestão democrática, até 2005, para retirar uma estátua equestre do ditador Francisco Franco do centro de Madri. Ativistas poderiam ter passado um laço no pescoço da estátua para derrubá-la? Talvez. Possivelmente a reação majoritária teria sido semelhante à reação do establishment dos Estados Unidos diante da retirada dos monumentos confederados: já era hora. Não é a forma ideal, mas ninguém se opõe. Não parece que alguém esteja disposto a brigar para devolvê-las aos seus pedestais.

Assim foi, também, em 2019, com a exumação de Franco do Vale dos Caídos, um mausoléu construído com o trabalho forçado de prisioneiros políticos e profundamente ofensivo para muitos espanhóis. O corpo do caudilho passou 44 anos ali. Quase um ano depois da exumação, é como se nunca tivesse acontecido. “Quem se ocupa da história deve ser revisionista sempre”, resume Erika Pani, historiadora do Colégio do México. A história se atualiza, “como se atualiza a medicina”.

“Olhando friamente, derrubar estátuas é vandalismo”, conclui o professor Díaz. “Mas a história pode fazer que isto acabe sendo como a Revolta do Chá de Boston, que também era vandalismo, mas hoje é um fato épico”. Para Díaz, a reflexão a ser feita é “até que ponto se pode continuar vendo as estátuas como monumentos. Derrubá-las não é apagar a história. A história se escreve nos livros. O monumento, em geral, serve para homenagear os fatos dos quais um país está orgulhoso e sobre os quais deseja refletir”. A professora Sinha resume a questão em uma frase: “A História é muito complexa, e as estátuas são a pior forma de contá-la”.

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