Bahia em Pauta » Blog Archive » Joaci Góes: Desgraçadamente, a ...
 ARTIGO/ Ponto de vista
A tragédia da educação baiana 3
Joaci Góes
À memória dos grandes brasileiros, recentemente desaparecidos, João Carlos Teixeira Gomes e Luis Henrique Dias Tavares!
Nos dois artigos anteriores, enfatizamos, como fator geratriz da péssima educação brasileira e baiana, a bovina aceitação dessa constrangedora e grave realidade pelas elites, em geral, e os atores políticos, em particular, apesar de não haver quem ignore o supremo papel da educação no avanço das pessoas e dos povos, sobretudo a partir da Revolução Digital que chegou para modificar, com intensidade sem precedentes, o teor e a qualidade das relações sociais e interpessoais, nos quatro cantos do Planeta. O melhor meio de aferição do valor do trabalho de um governante, nos dias correntes, portanto, é o seu desempenho na seara educacional. A partir desse diapasão, a avaliação do Governo Rui Costa resulta negativa, uma vez que, estando a educação baiana em último lugar, no Brasil, ela é, necessariamente, uma das piores praticadas no Planeta.
Ao longo de todo o processo histórico, as três principais fontes de poder têm sido a força, a riqueza e o saber. Da pré-história até o começo da Revolução Industrial, no Século XVIII, coube à força exercer a função de maior relevância, impondo-se sobre a riqueza e o saber. Por isso, a guerreira Esparta se impôs à culta Atenas e os indomáveis povos bárbaros dobraram o esplendor material e o vasto saber acumulados pelo Império Romano. A partir da Revolução Industrial, essa antiga supremacia da força cedeu lugar à riqueza, recurso indispensável ao aproveitamento das inúmeras oportunidades de negócios potencialmente prósperos que eclodiam nos quintais de Londres, Manchester e Liverpool.
Fortunas pipocavam da noite para o dia, em razão de investimentos relativamente pequenos dedicados a elevar a produtividade do trabalho, com a consequente redução de custos dos serviços e produtos, fenômeno que conduziu à equivocada percepção, ainda hoje vozeada por setores desinformados ou ideologicamente condicionados, desse notável avanço como um legado nefasto do capitalismo, que teria condenado ao desemprego grandes hordas de mão de obra urbana. O estrabismo dessa visãoresulta de comprometimentos ideológicos cegos ao acelerado processo de urbanização da sociedade inglesa decorrer da fuga do, então, miserável ambiente rural, invisível aos citadinos. A propagação do equívoco que sustenta o fomento da miséria pela Revolução Industrial começou com o livro cheio de ostensivas contradições The condition of the working class in England, (A condição da classe trabalhadora na Inglaterra) de Frederick Engels, publicado em 1845. É verdade que o próprio Engels, três anos antes da morte, teve a honestidade de fazer o meaculpa pelos graves equívocos que em sua imaturidade incorreu, reconhecendo os inegáveis benefícios proporcionados aos trabalhadores pela Revolução Industrial.
A riqueza atravessou os séculos XIX e XX como a mais importante fonte de poder, impondo-se sobre o conhecimento e a própria força, liderança que se afirmou incontrastável até começo da década de 1970, período em que se inicia, com a Revolução Digital, o primado do saber como a mais importante fonte de poder, colocando sob o seu domínio a força e o dinheiro. Desde então, e cada vez mais, a divisão da humanidade entre ricos e pobres, tanto no plano das comunidades como no dos indivíduos, cede lugar à distinção entre os que sabem mais e os que sabem menos, observando-se uma relação linear crescente entre conhecimento, riqueza e poder, no plano das nações, das comunidades menores e até mesmo dos indivíduos. Prova-o a vertiginosa rotatividade de posição e de nomes dos que compõem o universo dos grandes e dos melhores em todos os países. Por isso, é impróprio denominar de “milagre” a recuperação econômica de países como o Japão e a Alemanha, arrasados durante a Segunda Grande Guerra, tendo em vista o elevado padrão educacional que há muito praticam, bem como o notável desenvolvimento recente de países como a Coreia do Sul, a Finlândia ou a Noruega, país de apenas cinco milhões de habitantes e que dispõe de um Fundo Soberano de um trilhão de dólares! Além de aumentar a renda e contribuir para reduzir a violência, uma boa educação contribui para elevar a saúde física e mental dos povos. Há pesquisas que chegam a quantificar o impacto de um bom professor na renda futura dos seus alunos.
Com a péssima educação que hoje a Bahia pratica, é sombrio o futuro de sua juventude que depende do ensino público!
Daí ser imperioso repetir como um mantra que a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade, o atraso e o desenvolvimento, a barbárie e as sociedades fraternas e cultas a que aspiramos pertencer!
Joaci Góes, escritor, é presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 25, na TB.

“I Left My Heart in San Francisco”, Beegie Adair: A Ela, Regina (ainda) no dia seguinte ao feliz aniversário.

PARABÉNS. BOM  DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Estudante mora na periferia de SP e vai cursar neurociência na Flórida (EUA). No total, conseguiu bolsa em seis faculdades


 
Isabelly Moraes Veríssimo dos Santos é moradora de Vila São José, comunidade da periferia da cidade de Cubatão (SP).
Com apenas 18 anos, a jovem realizou um grande sonho: conseguir uma vaga para estudar neurociência fora do país. Isabelly fez o processo seletivo de 10 universidades nos Estados Unidos e na Austrália, foi aprovada em sete, sendo seis nos EUA e uma na Austrália. Em seis delas, a estudante conseguiu bolsa por mérito estudantil, destinada a alunos com bom rendimento escolar.
 
Isabelly ao lado dos amigos apresentando uma pesquisa científica.(foto: Arquivo pessoal)
Isabelly ao lado dos amigos apresentando uma pesquisa científica. (foto: Arquivo pessoal)

 

Escolheu ir para a Nova Southeastern University (NSU), na Flórida (EUA). “Foi a faculdade que mais me deu apoio, foram muito acolhedores com essa questão da pandemia. Além de ser uma referência na área da saúde, também tem ênfase na diversidade (LGBTs, estrangeiros e mulheres em cargos de liderança)”, diz Isabelly. 

Tema de interesse já na graduação

A estudante se interessou por cursar neurociência no exterior porque é preciso trilhar menos etapas para chegar até a área escolhida. No Brasil, teria que, primeiro, fazer graduação em medicina. Depois, pós-graduação em neurologia para, só então, fazer a especialização em neurociência. No exterior, ela estudará a área direto na graduação. 

Desafios

As aulas nos Estados Unidos começam em 17 de agosto, mas Isabelly ainda não sabe se vai conseguir viajar até essa data. O consulado está fechado até 31 de julho devido à pandemia do novo coronavírus. “Muita gente tem tentado tirar o visto. Com a proibição da entrada de brasileiros nos Estados Unidos, talvez demore um pouco para conseguir a entrevista e tirar o visto.”
Há ainda outras dificuldades. Para estudar no exterior, é necessário que o estudante comprove que têm recursos para se manter no país pelo período de um ano. Isabelly recebeu uma bolsa de 16 mil dólares, o valor cobre a maior parte da taxa anual da faculdade, mas não é suficiente. 
Jovem vai ser neurocientista(foto: Arquivo pessoal)
Jovem vai ser neurocientista (foto: Arquivo pessoal)

Somando esse fato à alta do dólar, a estudante decidiu abrir uma vaquinha on-line para quem quiser ajudá-la a custear os estudos. A jovem precisa de R$ 73 mil para pagar plano de saúde obrigatório, compra de material didático e taxas de serviços. Em troca do dinheiro doado no site, ela oferece recompensas, como mentorias e videoaulas.

Caminhos até o sonho

A jovem sempre estudou em escola pública. De família humilde, teve um ensino fundamental precário na escola municipal do bairro. A vida começou a mudar quando chegou ao Instituto Federal de São Paulo (IFSP), onde cursou o ensino médio. A escola, também pública, transformou o destino da jovem.
No IFSP, Isabelly começou a participar de atividades extraclasse. “Eu me envolvi em atividades de voluntariado, pautas que são de cunho social e científico.” Como a formação do ensino médio no IFSP é integrada ao ensino técnico, ela tinha como parte da carga horária de estudos um estágio obrigatório em uma loja de informática. Trabalhava e, com o dinheiro do estágio, ajudava em casa. 
Quando assistiu a uma palestra sobre oportunidades em faculdades internacionais com o youtuber Matheus Tomoto, passou a se interessar por estudar fora do país. Com o dinheiro ganho no estágio, pagou uma mentoria com o rapaz.
Em relação ao futuro, a estudante é cautelosa, porém decidida: “Eu nunca fui uma pessoa de muitas expectativas, mas pretendo voltar para o Brasil e trabalhar como cientista e médica”. Isabelly quer atuar no Sistema Único de Saúde (SUS) ou programa no Médico Sem Fronteiras (MSF). 
“Acho que temos que valorizar nosso sistema de saúde. Tem muita coisa para eu fazer no Brasil, para dar visibilidade ao país. Não tem como eu falar que vou estudar fora e levar esse conhecimento só para fora se eu tenho tanta coisa para fazer aqui”, afirma. “Aqui nós temos uma ciência muito forte, muito bonita. O que nos falta é a valorização do cientista, do estudante, da pesquisa, os recursos para pesquisar. Minha luta principal é levantar a bandeira para o reconhecimento dos cientistas brasileiros”, explica.
 
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá 

Meu objetivo será preservar os valores republicanos, a democracia e a independência dos Poderes

Eleito hoje para presidir o Supremo Tribunal Federal a partir de 10 de setembro, Luiz Fux diz que seu objetivo será “manter a Corte no mais alto patamar dos Poderes”.

“Meu principal objetivo será preservar os valores republicanos, a democracia e o respaldo à independência dos Poderes, nos limites da Constituição Federal”, disse, em nota, a O Antagonista.

jun
26

DO CORREIO BRAZILIENSE

O anúncio ocorreu por meio das redes sociais do chefe do Executivo


IS Ingrid Soares
 
(foto: Fundacred/Divulgação)
(foto: Fundacred/Divulgação)

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o professor Carlos Alberto Decotelli como o novo ministro da Educação. O anúncio ocorreu por meio das redes sociais. “Informo a nomeação do professor Carlos Alberto Decotelli da Silva para o cargo de ministro da Educação. Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, Mestre pela FGV, Doutor pela Universidade de Rosário, Argentina e Pós-Doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha”, escreveu Bolsonaro.

 
O nome escolhido não estava na lista das apostas elencadas pelo presidente, que passou as últimas semanas sabatinando candidatos.
Decotelli foi presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fnde) na gestão de Bolsonaro entre dezembro de 2018 e agosto de 2019.
Ele realizou pós-doutorado na Bergische Universitat Wuppertal, na Alemanha; é doutor em administração financeira pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina; mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas – FGV/EBAPE; MBA em administração pela FGV/EBAPE/EPGE e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Com domínio sobre os temas relacionados a finanças, administração e educação, Decotelli também foi criador do curso Gestão Financeira Corporativa no New York Institute of Finance e coordenador de Finanças Corporativas Internacionais na FGV.
Foi professor de Pós-Graduação em Finanças na Fundação Dom Cabral e na FGV; professor e membro da equipe de criação do curso de Pós-Graduação em Finanças na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC RS, juntamente com o juiz Sergio Moro e o professor Edgar Abreu. Como Oficial da Reserva da Marinha, o novo presidente do FNDE também atuou como professor e coordenador do Jogo de OMPS na EGN- Escola de Guerra Naval, no Centro de Jogos de Guerra, na equipe do Almirante Almir Garnier.
Decotelli é o terceiro ministro a comandar a pasta da Educação no governo Bolsonaro. Abraham Weintraub foi demitido do cargo no último dia 18 e deixou o governo após forte atrito do Executivo com o Judiciário, que se intensificou pelos insultos do ex-ministro aos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele se encontra nos EUA e foi indicado por Bolsonaro ao cargo de diretor do Banco Mundial. Weintraub havia assumido a vaga no lugar de Ricardo Vélez, que ficou no cargo até abril após protagonizar uma verdadeira batalha entre grupos ligados a militares, técnicos e olavistas. 

Feder

Um dos fortes candidatos ao cargo era o secretário estadual de Educação do Paraná, Renato Feder, Por outro lado, pesava que o também empresário do setor de tecnologia tenha sido um dos maiores doadores na campanha de João Doria em 2016, destinando R$ 120 mil ao tucano, principal desafeto político do presidente.
O filho número “02” do presidente da República, Carlos Bolsonaro, também era contra a indicação de Renato Feder. Na avaliação de Carlos Bolsonaro, “não é hora de nomear aliados de inimigos do governo”.

Por G1 SP

A cineasta Suzana Amaral, diretora do filme "A hora da estrela" (1985). — Foto: Reprodução/Youtube

A cineasta Suzana Amaral, diretora do filme “A hora da estrela” (1985). — Foto: Reprodução/Youtube

A cineasta Suzana Amaral morreu no final da tarde desta quinta-feira (26) no Hospital Sírio-Libanês, no Centro de São Paulo.

Há registros na imprensa do nascimento de Suzana em 1928 e 1932, mas ela dizia em entrevistas que não gostava de falar qual era sua idade.

O Hospital informou que não tem autorização da família para falar a causa da morte. Segundo o hospital, ano passado, ela teve um AVC e ficou com a saúde fragilizada.

Suzana Amaral dirigiu três longas de ficção durante mais de 35 anos de carreira, e com eles teve uma presença marcante no cinema brasileiro.

Todos os filmes foram adaptações de obras literárias. A estreia foi em “A hora da estrela”, de 1985, baseado no texto original com mesmo nome de Clarice Lispector.

“A hora da estrela” foi consagrado no festival de Berlim, e levou dois prêmios paralelos de direção (o OCIC e o C.I.C.A.E. Award), um Urso de Prata de melhor atriz para Marcelia Cartaxo e uma indicação ao Urso de Ouro para Suzana.

Em 2001, ela lançou o filme “Uma vida em segredo”, baseado na obra homônima de Autran Dourado.

Ela também dirigiu diversos documentários e programas para a TV Cultura. Em 2009 saiu “Hotel Atlântico”, com roteiro adaptado de um romance de João Gilberto Noll, estrelado por Júlio Andrade.

Os dois filmes mais recentes renderam diversos prêmios nacionais, como o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e no Festival do Rio, e estrangeiros, como nos festivais de Lima e Cartagena.

Suzana Amaral nasceu em São Paulo e se formou em cinema pela Escola de Comunicação Social e Artes da USP, cursado entre 1968 e 1971. Sua estreia como diretora se deu em 1971 com o curta “Sua majestade piolim” sobre o famoso palhaço e suas ligações com o teatro popular; e com “Semana de 22”, um panorama da Semana de Arte Moderna.

jun
26
Posted on 26-06-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-06-2020



 

Zé Dassilva, NO

 

DO EL PAÍS

Insetos avançam 150 quilômetros por dia e podem devastar plantações. Rio Grande do Sul já calculava 36 bilhões de reais em perdas por causa da seca nesta temporada

A nuvem de gafanhotos se desloca próximo a um avião de pequeno porte.
A nuvem de gafanhotos se desloca próximo a um avião de pequeno porte.

 Federico Rivas Molina

Buenos Aires | Porto Alegre

O alarme disparou no dia 11 de maio no Paraguai e dez dias depois já soava na Argentina. Uma nuvem de gafanhotos de cerca de 20 km2 havia entrado pelo norte e avançava para o sul a uma velocidade de 150 km por dia. Agora, está na província de Corrientes (percorreu 1.000 km) e, ao contrário de invasões anteriores, a nuvem se instalou muito perto da fronteira com o Brasil. No sul do gigante sul-americano se teme que finalmente cruze a fronteira e destrua as plantações produtivas.

Gafanhotos não são perigosos para os seres humanos, mas são uma catástrofe para a agricultura. Na Argentina eram um problema grave até a década de cinquenta, quando uma férrea política de controle reduziu o surgimento de nuvens. Em 2015, sem que os especialistas soubessem muito bem o porquê, voltaram. A nuvem deste ano é a terceira invasão registrada desde então. “Há cinco anos Argentina, Bolívia e Paraguai estão em emergência. A diferença é que desta vez a nuvem está mais no leste da Argentina. Fazia 73 anos que não chegava à província de Corrientes e é por isso que há um alerta no Uruguai e no Brasil. Como se desloca 150 quilômetros por dia, pode atravessar a fronteira devido à proximidade”, explica Héctor Medina, coordenador do Programa Nacional de Gafanhotos da Senasa, a agência argentina de saúde e qualidade animal.

As nuvens de gafanhotos se deslocam durante o dia e se assentam durante a noite. Quando a temperatura está muito baixa ou chove, os insetos não voam. Os especialistas esperam que a nuvem não avance para o sul porque o rigor do inverno aumenta à medida que se aproxima de Buenos Aires. No entanto, nada a impede de avançar em direção ao Brasil. As autoridades argentinas estão em contato permanente com as brasileiras, mas antecipar a direção da nuvem é difícil. “Desde quarta-feira estamos procurando o local exato onde a nuvem está agora. Para onde irá e quanto avançará dependerá da direção e da intensidade do vento”, diz Medina.

Como até agora se deslocou por campos nativos, não houve danos às colheitas. Mas tudo pode mudar. Quando a nuvem escolhe um campo semeado, pode arrasá-lo em questão de horas. Esse é o medo do lado brasileiro, especialmente na cidade fronteiriça de Barra do Quaraí, onde uma frente fria manteve, pelo menos até agora, os gafanhotos afastados. “O fator determinante é o clima. Como esperamos chuva e uma queda de temperatura nos próximos dias, a tendência é que o problema não piore. Mas ainda existe um risco, estamos atentos”, explica Ricardo Felicetti, chefe de defesa sanitária do Departamento de Agricultura do Rio Grande do Sul.

A praga pode danificar plantações e pastagens em uma região onde a economia se se movimenta principalmente em torno dos cultivos de arroz e soja e da pecuária. “Se a nuvem entrar no Rio Grande do Sul, será uma desgraça. Eles comem de tudo, só deixam tocos”, resume Antônio Sartori, diretor da Brasoja Consultoria. A ansiedade aumenta desde o início da semana, quando começaram a surgir os relatórios da Argentina. Para se antecipar à nuvem foi criada uma rede de cooperação entre as autoridades brasileiras e argentinas. Quem não pode participar dessa rede se junta aos grupos informais de WhatsApp, compostos por consultores de agronegócio, sindicatos rurais e produtores. “Temos fontes de informação nas entidades, nos institutos de meteorologia e não apenas no Brasil, mas também na Argentina e no Uruguai. Todos postam no WhatsApp”, diz Sartori.

A seca é o problema

Apesar das imagens aterrorizantes que circulam nas redes sociais brasileiras, os gafanhotos não são a principal preocupação do agronegócio na região. A seca que afeta o Rio Grande do Sul causou a perda de mais da metade da safra de soja e 40% da de milho, culturas que fazem do Estado o terceiro maior produtor de grãos do Brasil. “Como brincadeira, posso dizer que os gafanhotos chegaram à fronteira, observaram as lavouras devastadas e foram embora porque não tinham nada para comer aqui. É uma metáfora que expressa nossa realidade”, lamenta Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul.

O cálculo da entidade é que as perdas em toda a cadeia, incluindo a indústria alimentícia e outras relacionadas ao campo, atingem 36 bilhões de reais. “Antes das perdas causadas pela pandemia, já calculávamos que o PIB do Estado seria negativo apenas devido à seca”, exemplifica o economista. Os gafanhotos podem trazer ainda mais danos a esse cenário.

  • Arquivos