Weintraub ganhará US$ 250 mil ao ano no Banco Mundial; diplomatas ...
Weintraub: queda humilhante e patética na Educação, mas
com “agrado” de sinecura no Banco Mundial.

ARTIGO DA SEMANA

 

Weintraub tenta pular fogueiras (e cai)

Vitor Hugo Soares

Ninguém de sã consciência – ou com o mínimo de informação e senso de realidade política e dos signos do poder –  ainda duvidava que a cabeça do ministro da Educação do governo Bolsonaro estava por um triz e os sinais mais robustos sempre foram os de que os atuais detentores do mando deveriam se livrar do estorvo o mais breve possível. A novidade no desfecho desta etapa deprimente e desabonadora de uma pasta de história expressiva na vida educacional, política, social e cultural do País – por onde passaram nomes da estatura de Darcy Ribeiro (criador da UNB) e Oliveira Brito (autor da Reforma de Base) – é que poucos suspeitavam que a queda seria tão veloz, patetica e melan cólica. Em um vídeo, com a presença do mandatário do Planalto, Abrahan Weintraub anunciou, quinta-feira, que está deixando o ME, e irá ocupar uma diretoria no Banco Mundial, em Washington, arranjada pelo colega de ministério, Paulo Guedes, da Economia, o Posto Ipiranga de Jair Bolsonaro.

Pela notória falta de saber e de conhecimentos básicos, até da língua portuguesa, Weintraub seguramente ocupará uma sinecura paga com dinheiro público, como já se comenta a boca pequena no próprio banco internacional. Um prêmio régio ao cabeça dura do grupo mais insinuante nos círculos de mando, “homem de confiança do chefe” e, por isso, pescoço valioso no jogo de re-arrumação dos comandos no governo onde o notório Centrão e seus donos, de muitas contas a acertar na polícia e na justiça, mandam e transitam cada vez com maior desenvoltura e ganas.

Tributo mais que aguardado em razão das acintosas e insolentes agressões antidemocráticas que praticou: a maior, na malfadada “reunião de ministros” com o mandatário da vez, no Palácio do Planalto,  e Wauntraub abriu suas baterias de consumado língua solta (e suja) contra o que qualificou de “bando de vagabundos do outro lado da praça (dos Três Poderes), a começar pelos ministros do  Supremo, que por mim estariam na cadeia”.

Desde então, ele não fez praticamente mais nada, a não  ser causar polêmicas, ameaçar e criar tumultos. Além de pular fogueiras, cada vez maiores e mais fumegantes, na tentativa de escapar do encontro com o ajuste de contas que se prenunciava e saltava aos olhos em quase todos os ambientes de Brasília, mesmo os mais aparentemente invulneráveis e escuros. Mesmo em vésperas de São João, dava para desconfiar que o primeiro baque moral e político se aproximava para o ministro boquirroto. Em síntese, a situação chegava àquela hora do “pega pra capar”, no dizer soteropolitano. Ou como se falava ironicamente na fervilhante redação, em dias de fechamento da edição, da VEJA, há anos (e eu trabalhava por lá), quando algum poderoso valentão (bola da vez) começava a tropeçar e não conseguia mais controlar os pulos: “Ele está subindo para baixo”.

Geralmente acertava na mosca. Tiro e queda, mas neste junho cavernoso de foguetes lançados sobre o palácio do Supremo (e o ministro Weintraub fazendo troça no meio dos 300 da desordem) alguns imaginavam que poderia ser diferente. Não foi. Weintraub tentou pular além do que as pernas lhe permitiam. E caiu fragorosamente, mesmo que polpuda sinecura no Banco Mundial lhe aguarde na capital dos Estados Unidos. Boa viagem e bom proveito , enquanto não chegar a segunda onda.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br
 

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