Bahia em Pauta republica neste sábado amargo de junho, sem João Carlos Teixeira Gomes, Joca – que morreu ontem, no hospital onde estava internado há uma semana – publicado originalmente em março de 2016, quando o gigante pena de aço da Bahia,comemorava seus 80 anos e lançava seu livro de memórias jornalísticas, Brava Travessia. Quatro anos depois, choramos a sua ausência, ao tempo que louvamos a sua vibrante, indobrável, brilhante e gloriosa passagem pelo jornalismo, pela literatura,  ensino e cultura da cidade e do estado em que nasceu, e da história de seu País que sempre honrou com inteligência e independência crítica. Sejamos dignos de sua memória e lições.Morre Joca, Viva Joca! Saudades!!! (Vitor Hugo Soares, editor do Bahia em Pauta, eternamente grato pelo convívio profissional e amizade pessoal na larga e brava travessia)
Menorah na TV 2012-04-18 JOAO CARLOS TEIXEIRA GOMES - JORNALISTA ...
João Carlos Teixeira Gomes: gigante do jornalismo, da literatura, do
ensino e cultura da Bahia encerrou brava e marcante travessia de vida.
 ARTIGO

 

BRAVA TRAVESSIA DE JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES (JOCA)

Vitor Hugo Soares

 

Bate vigorosamente na porta dos 80 o jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes. “Dito assim parece à toa”, mas o verso do samba famoso, sobre feitiço e paixões, me vem providencialmente à memória na incrível sexta-feira (4), da Operação Aletheia (a busca da verdade): vigésima quarta etapa da Lava Jato..

E o que tem a ver com isso Teixeira Gomes, filho orgulhoso e homônimo do lendário goleiro do Esporte Clube Bahia, nos tempos de glória do antigo e extinto Campo da Graça, dos grandes embates do futebol baiano? Perguntarão alguns leitores mais apressados e menos informados. Muito a ver, respondo e garanto.

Conheço tão de perto, e de tão longa data, o personagem principal deste artigo que não tenho dúvidas em afirmar: Joca (assim é chamado, com carinho e admiração), será o primeiro a entender e aceitar as justificativas para a divisão do espaço dedicado a ele, com a operação da PF que mexe com os nervos do PT, do Planalto e do País . Ainda que resmungue, ele conhece, proclama e acata, como poucos da sua profissão e crença no jornal, no livro e na verdade (ontem e hoje ) a força de “Sua Excelência, o Fato”, na sábia denominação de Charles De Gaulle.

Ontem (4) fui tirado da cama, bem cedo, pelo telefonema da vibrante irmã jornalista, que avisa sobre a movimentação “da Federal”. Ligo de imediato a TV no canal privado Globo News.Começo, então, a acompanhar a cobertura nervosa mas eficiente (imagens, informações, comentários opinativos). Logo em seguida, helicópteros começam a sobrevoar bem diante da janela do apartamento onde moro, em um bairro de classe média de Salvador, a poucos metros do heliporto de uma unidade do Exército, na VIª Região. Ultimamente, para mim, este tem sido um termômetro seguro da temperatura política e social. Sinal barulhento de que alguma coisa de grave acontece ou repercute na Cidade da Bahia, de onde escrevo estas linhas semanais.

Na mosca! Ou tiro e queda, se preferirem.

Assim, em meio à tensão e ambiência tão comuns e recorrentes na profissão que abracei, preparo-me para acompanhar, mais uma vez, outra encrenca nacional, com passagem por meu portão. E, ao mesmo tempo, cumprir a pauta que havia me proposto na véspera: compor um perfil pessoal da figura, do caráter profissional e da trajetória de vida de João Carlos Teixeira Gomes, o teimoso e inveterado resistente da imprensa, da cultura, do ensino e das letras em sua terra.

Mestre do discurso impresso da Bahia e do Brasil, que festeja semana que vem (09/03) seu aniversário de nascimento do modo e jeito que ele mais gosta: produtivo, irrequieto, barulhento, provocativo e cercado de polêmicas por todos os lados. O evento comemorativo coincide com o lançamento do novo livro e acontece a partir das 16h30, na Livraria Cultura, do Salvador Shopping.

O último dos moicanos da imprensa de resistência, antes da invasão dos meios de comunicação, em geral, pelos “hunos marqueteiros” (primeiro na Bahia dos anos 70/80 e depois no País), tornando cada vez mais difícil separar o que é informação e o que é propaganda. Notícias ou fofocas. Economia ou negociatas vulgares. Políticos, governantes e homens públicos e estadistas ou meras celebridades e aventureiros de ocasião. Embusteiros, palavra preferida de sua pena implacável para fustigar canalhas. Desvios eticamente intoleráveis, contra os quais JC Teixeira Gomes (como ele assina seus textos ultimamente) briga e se insurge desde sempre.

E assim ele festeja a chegada aos oitenta. Na quarta-feira, 9, coincidindo com a nova idade, vai lançar “A Brava Travessia”: Memórias, Viagens e Artigos do Pena de Aço”.

Gregório de Mattos, o Boca de Brasa, de quem Joca Teixeira Gomes é um dos maiores e mais reconhecidos estudiosos da obra, não teria feito melhor.

“É um longo percurso, marcado por muitos momentos difíceis, pois grande parte da minha militância verificou-se sob a ditadura militar, quando eu chefiava o “Jornal da Bahia”, definiu Joca em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia. Encurto o caminho para não me tornar cansativo e repetitivo. Outros dirão mais e melhor sobre o poeta, o romancista, o ensaísta, o contista, o acadêmico e o professor de inúmeras gerações na UFBA. Vibrante, inspirado, fulgurante no que fala e no que escreve, como assinalou Joaci Góes em artigo brilhante, sobre o aniversariante, publicado na TB.

Diante dos fatos nacionais referidos na abertura deste artigo  escolho, antes do ponto final,o João Carlos Teixeira Gomes tempestuoso e profético, o jornalista ao lado do qual caminhei muitas léguas e de cujos ensinamentos e exemplos bebo anos a fio. Orgulhosamente.

O Teixeira Gomes, por exemplo, deste trecho do discurso de saudação na cerimônia de posse de Joaci Góes na Academia de Letras da Bahia (presente o saudoso João Ubaldo Ribeiro), em setembro de 2009:

“O poder no Brasil nunca está a serviço da sociedade e sim de grupos que o detém… Predomina hoje no país, mais do que nunca, a ideologia do oportunismo, acintosa e corrosiva, promovida por conhecidos e diariamente citados políticos desavergonhados, íntimos dos cofres públicos e privados. Só não os cito nominalmente aqui, porque além de notoriamente conhecidos, não pretendo perturbar com revelações óbvias este clima de confraternização e de festa”.

“Mas todo momento é importante quando se trata de denunciar e combater as fraudes das instituições e o esvaziamento da Democracia. A consciência social não pode acomodar-se e deve agir como instrumento de libertação”…

Bravo! Esse é Joca, Pena de Aço, que a Bahia conhece e aprendeu a querer bem e admirar. O Brasil também, mais ainda nesta encruzilhada da travessia de combate contra a corrupção, o embuste e busca da verdade.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

“Symphony Número 5 de Mahller (Adagietto), World Orchestra for Peace: Vídeo da magistral apresentação da Orquestra Mundial pela Paz em seu concerto em Londres. Um tributo ao jornalista João Carlos Teixeira Gomes, aue conhecia e amava a boa música como poucos.

SAUDADES!!!

(Vitor Hugo Soares)

Weintraub ganhará US$ 250 mil ao ano no Banco Mundial; diplomatas ...
Weintraub: queda humilhante e patética na Educação, mas
com “agrado” de sinecura no Banco Mundial.

ARTIGO DA SEMANA

 

Weintraub tenta pular fogueiras (e cai)

Vitor Hugo Soares

Ninguém de sã consciência – ou com o mínimo de informação e senso de realidade política e dos signos do poder –  ainda duvidava que a cabeça do ministro da Educação do governo Bolsonaro estava por um triz e os sinais mais robustos sempre foram os de que os atuais detentores do mando deveriam se livrar do estorvo o mais breve possível. A novidade no desfecho desta etapa deprimente e desabonadora de uma pasta de história expressiva na vida educacional, política, social e cultural do País – por onde passaram nomes da estatura de Darcy Ribeiro (criador da UNB) e Oliveira Brito (autor da Reforma de Base) – é que poucos suspeitavam que a queda seria tão veloz, patetica e melan cólica. Em um vídeo, com a presença do mandatário do Planalto, Abrahan Weintraub anunciou, quinta-feira, que está deixando o ME, e irá ocupar uma diretoria no Banco Mundial, em Washington, arranjada pelo colega de ministério, Paulo Guedes, da Economia, o Posto Ipiranga de Jair Bolsonaro.

Pela notória falta de saber e de conhecimentos básicos, até da língua portuguesa, Weintraub seguramente ocupará uma sinecura paga com dinheiro público, como já se comenta a boca pequena no próprio banco internacional. Um prêmio régio ao cabeça dura do grupo mais insinuante nos círculos de mando, “homem de confiança do chefe” e, por isso, pescoço valioso no jogo de re-arrumação dos comandos no governo onde o notório Centrão e seus donos, de muitas contas a acertar na polícia e na justiça, mandam e transitam cada vez com maior desenvoltura e ganas.

Tributo mais que aguardado em razão das acintosas e insolentes agressões antidemocráticas que praticou: a maior, na malfadada “reunião de ministros” com o mandatário da vez, no Palácio do Planalto,  e Wauntraub abriu suas baterias de consumado língua solta (e suja) contra o que qualificou de “bando de vagabundos do outro lado da praça (dos Três Poderes), a começar pelos ministros do  Supremo, que por mim estariam na cadeia”.

Desde então, ele não fez praticamente mais nada, a não  ser causar polêmicas, ameaçar e criar tumultos. Além de pular fogueiras, cada vez maiores e mais fumegantes, na tentativa de escapar do encontro com o ajuste de contas que se prenunciava e saltava aos olhos em quase todos os ambientes de Brasília, mesmo os mais aparentemente invulneráveis e escuros. Mesmo em vésperas de São João, dava para desconfiar que o primeiro baque moral e político se aproximava para o ministro boquirroto. Em síntese, a situação chegava àquela hora do “pega pra capar”, no dizer soteropolitano. Ou como se falava ironicamente na fervilhante redação, em dias de fechamento da edição, da VEJA, há anos (e eu trabalhava por lá), quando algum poderoso valentão (bola da vez) começava a tropeçar e não conseguia mais controlar os pulos: “Ele está subindo para baixo”.

Geralmente acertava na mosca. Tiro e queda, mas neste junho cavernoso de foguetes lançados sobre o palácio do Supremo (e o ministro Weintraub fazendo troça no meio dos 300 da desordem) alguns imaginavam que poderia ser diferente. Não foi. Weintraub tentou pular além do que as pernas lhe permitiam. E caiu fragorosamente, mesmo que polpuda sinecura no Banco Mundial lhe aguarde na capital dos Estados Unidos. Boa viagem e bom proveito , enquanto não chegar a segunda onda.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br
 

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