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Postado em 19-06-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-06-2020 03:52
ARTIGO
A Tragédia da Educação  baiana 2
Joaci Góes
Ao notável educador e amigo Rosival Oliveira de Carvalho!
Enganam-se os que pensam que esta série de artigos tem qualquer motivação de desgastar a imagem do Governo atual, muito bem avaliado pelos baianos. A decisão de escrevê-la é componente essencial de nosso antigo afinamento com o pensamento dominante entre as pessoas esclarecidas segundo o qual, na sociedade do conhecimento em que estamos todos inseridos, não têm futuro os povos que não tiverem acesso a uma educação de qualidade. É de estranhar, portanto, que precisamente nos governos de origem mais popular de nossa história, a Bahia tenha caído da baixa posição em que há tempos se encontrava para o último lugar, no Brasil, com a prática de uma educação avaliada entre as piores do Planeta.
Para não mencionar o quanto temos tratado do assunto, nos últimos anos, vejamos o que dissemos em discurso proferido na Câmara dos Deputados no já remoto dia 27/9/1988, quando metade dos baianos de hoje não era, sequer, nascida, e o governador Rui Costa ainda cursava a faculdade: “A educação constitui, sem dúvida, o fator mais importante para o desenvolvimento dos povos. A História é rica em exemplos de nações cuja hegemonia política e econômica baseia-se na superioridade da cultura e da educação de sua população. Essa busca de oportunidades pela via única da capacidade é fenômeno observável, como regra geral, em países ricos e desenvolvidos, cuja preocupação básica é investir na riqueza maior de uma nação: seus recursos humanos”.
Apesar de saberem todos que esta é uma verdade palmar, impressiona a passividade bovina da população, em geral, e das lideranças, em particular, diante de um quadro que condena ao atraso o futuro da população baiana, com todos os inerentes consectários que desgraçam a qualidade de sua vida e longevidade. Entre todos os assuntos de interesse comum, nenhum se iguala à educação pela interferência fundamental na conquista de todos os outros.
Pessoas bem educadas têm melhor saúde, maior renda, maior longevidade, segurança e alegria de viver. Por isso, os baianos responsáveis, e não são poucos, estão dispostos a somar com o Governo para combater a pandemia da ignorância reinante, de consequências muito mais graves para o futuro imediato de nossa gente do que o mais pessimista desdobramento da Covid 19.
Será um gesto de grandeza que o bem avaliado Governo Rui Costa, num gesto de louvável humildade cívica, reconheça o estado de calamidade de nossa educação e convoque um mutirão social, coordenado pela Secretaria da Educação, para darmos a volta por cima. Caso contrário, essa magna questão, equivocadamente tratada no Brasil, pela maioria do mundo oficial, como se fora um item secundário numa agenda repleta de prioridades, além de comprometer a biografia dos gestores, aos olhos da posteridade, ainda poderá constituir uma pedra no sapato para o alcance de legítimas aspirações de voos maiores perante a Nação, fruto da inobservância do conselho de Goethe: “O maior de todos os erros é permitir que as coisas menores impeçam a realização das maiores!”
Afinado com Heráclito, no Século V a.C., ao dizer que “Nada há de permanente, exceto a mudança”, Alvin Tofler(1928-2016) ensinou que “os analfabetos do Século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas os que não sabem aprender, desaprender e reaprender!” Veja-se a dimensão do atraso de quem sequer sabe ler ou valer-se dos rudimentos da aritmética!
Enquanto o eleitorado continuar de costas, como tem estado no Nordeste Brasileiro, para a importância da educação, como fator central de nosso desenvolvimento moral, espiritual e material, continuaremos a ver o alargamento do mar de problemas que infelicitam a nação. Basta ver que nada menos do que 70% dos pais revelam-se satisfeitos com a péssima educação dos filhos, bem assim professores e alunos. Tragédia nacional! Atitude inteiramente diferente da assumida pela Alemanha que, desde o ano 2000, se encontra em polvorosa, com pais e autoridades traumatizados pelo baixo desempenho do país no PISA daquele ano, em que o Brasil, apesar de ter ficado no penúltimo lugar, não deu mostras de maiores inquietações.
A grande mídia é também omissa, no particular, preferindo dar ênfase a questões periféricas de cunho sensacionalista. O Brasil avançaria muito se nossa mídia dedicasse às questões educacionais, uma fração do espaço que dedica ao futebol. Enquanto isso, na Finlândia, não obstante a excelência do ensino, as famílias não cessam de clamar por mais qualidade. Haverá povo que mais reclame da qualidade da culinária do seu país do que o francês?
Certamente, conformismo, sobretudo em matéria educacional, não rima com qualidade, nem com progresso, nem com paz social!
 
 Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Artigo publicado nesta quinta-feira, 18, na TB.

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Comentários

Vanderlei on 19 junho, 2020 at 20:30 #

EDUCAÇÃO!!!
É só através dela que as desigualdades poderão vir a acabar ou serem pequenas entre a população, como acontece nos país desenvolvidos. Governos têm de investir em educação básica GRATUITA e de qualidade. Ou seja, de primeiro nível internacional. Aqui os governos começam por cima, investindo em ensino superior sem ao menos conseguirem formar jovens habilitados para cursarem o ensino superior. Universidade não é para todos. Para todos são até os cursos médios e os cursos técnicos. Na Califórnia – EUA, um casal de amigos brasileiros estão com os filhos numa excelente escola de ensino básico gratuita, melhor do que a particular que eles pagavam em São Paulo. Ao mesmo tempo os pais estão aplicando dinheiro num fundo para custearem a universidade para os filhos, tudo isso com incentivo do imposto de renda.


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