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Posted on 19-06-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-06-2020
ARTIGO
A Tragédia da Educação  baiana 2
Joaci Góes
Ao notável educador e amigo Rosival Oliveira de Carvalho!
Enganam-se os que pensam que esta série de artigos tem qualquer motivação de desgastar a imagem do Governo atual, muito bem avaliado pelos baianos. A decisão de escrevê-la é componente essencial de nosso antigo afinamento com o pensamento dominante entre as pessoas esclarecidas segundo o qual, na sociedade do conhecimento em que estamos todos inseridos, não têm futuro os povos que não tiverem acesso a uma educação de qualidade. É de estranhar, portanto, que precisamente nos governos de origem mais popular de nossa história, a Bahia tenha caído da baixa posição em que há tempos se encontrava para o último lugar, no Brasil, com a prática de uma educação avaliada entre as piores do Planeta.
Para não mencionar o quanto temos tratado do assunto, nos últimos anos, vejamos o que dissemos em discurso proferido na Câmara dos Deputados no já remoto dia 27/9/1988, quando metade dos baianos de hoje não era, sequer, nascida, e o governador Rui Costa ainda cursava a faculdade: “A educação constitui, sem dúvida, o fator mais importante para o desenvolvimento dos povos. A História é rica em exemplos de nações cuja hegemonia política e econômica baseia-se na superioridade da cultura e da educação de sua população. Essa busca de oportunidades pela via única da capacidade é fenômeno observável, como regra geral, em países ricos e desenvolvidos, cuja preocupação básica é investir na riqueza maior de uma nação: seus recursos humanos”.
Apesar de saberem todos que esta é uma verdade palmar, impressiona a passividade bovina da população, em geral, e das lideranças, em particular, diante de um quadro que condena ao atraso o futuro da população baiana, com todos os inerentes consectários que desgraçam a qualidade de sua vida e longevidade. Entre todos os assuntos de interesse comum, nenhum se iguala à educação pela interferência fundamental na conquista de todos os outros.
Pessoas bem educadas têm melhor saúde, maior renda, maior longevidade, segurança e alegria de viver. Por isso, os baianos responsáveis, e não são poucos, estão dispostos a somar com o Governo para combater a pandemia da ignorância reinante, de consequências muito mais graves para o futuro imediato de nossa gente do que o mais pessimista desdobramento da Covid 19.
Será um gesto de grandeza que o bem avaliado Governo Rui Costa, num gesto de louvável humildade cívica, reconheça o estado de calamidade de nossa educação e convoque um mutirão social, coordenado pela Secretaria da Educação, para darmos a volta por cima. Caso contrário, essa magna questão, equivocadamente tratada no Brasil, pela maioria do mundo oficial, como se fora um item secundário numa agenda repleta de prioridades, além de comprometer a biografia dos gestores, aos olhos da posteridade, ainda poderá constituir uma pedra no sapato para o alcance de legítimas aspirações de voos maiores perante a Nação, fruto da inobservância do conselho de Goethe: “O maior de todos os erros é permitir que as coisas menores impeçam a realização das maiores!”
Afinado com Heráclito, no Século V a.C., ao dizer que “Nada há de permanente, exceto a mudança”, Alvin Tofler(1928-2016) ensinou que “os analfabetos do Século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas os que não sabem aprender, desaprender e reaprender!” Veja-se a dimensão do atraso de quem sequer sabe ler ou valer-se dos rudimentos da aritmética!
Enquanto o eleitorado continuar de costas, como tem estado no Nordeste Brasileiro, para a importância da educação, como fator central de nosso desenvolvimento moral, espiritual e material, continuaremos a ver o alargamento do mar de problemas que infelicitam a nação. Basta ver que nada menos do que 70% dos pais revelam-se satisfeitos com a péssima educação dos filhos, bem assim professores e alunos. Tragédia nacional! Atitude inteiramente diferente da assumida pela Alemanha que, desde o ano 2000, se encontra em polvorosa, com pais e autoridades traumatizados pelo baixo desempenho do país no PISA daquele ano, em que o Brasil, apesar de ter ficado no penúltimo lugar, não deu mostras de maiores inquietações.
A grande mídia é também omissa, no particular, preferindo dar ênfase a questões periféricas de cunho sensacionalista. O Brasil avançaria muito se nossa mídia dedicasse às questões educacionais, uma fração do espaço que dedica ao futebol. Enquanto isso, na Finlândia, não obstante a excelência do ensino, as famílias não cessam de clamar por mais qualidade. Haverá povo que mais reclame da qualidade da culinária do seu país do que o francês?
Certamente, conformismo, sobretudo em matéria educacional, não rima com qualidade, nem com progresso, nem com paz social!
 
 Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Artigo publicado nesta quinta-feira, 18, na TB.

“Catavento e Girassol”, Leila Pinheiro e Nelson Faria: A interpretação mais que primorosa de Leila, com acompanhamento do mestre Nelson Faria, na maravilhosa composição de Guinga e Aldir. Mistura completa e perfeita para uma sexta-feira junina.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e amigo da família do presidente da República, Jair Bolsonaro, foi encontrado no escritório de um advogado da família


LC Luiz Calcagno
 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
 

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro comentou, no twitter, a prisão de Fabrício Queiroz. O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e amigo da família do presidente da República, Jair Bolsonaro, foi encontrado no escritório de um advogado da família Bolsonaro, em Atibaia (SP). Na postagem, Moro destacou a importância da atuação independente das polícias.

De acordo com Moro, “o  importante é que polícias, Ministério Público e Cortes de Justiça possam trabalhar de maneira independente e que todos os fatos sejam esclarecidos”. A mensagem faz referência a pressão que o presidente da república teria feito, sobre o então ministro pela troca da chefia da Polícia Federal.

Segundo Moro, o presidente queria proteger os filhos e precisava de um diretor geral que o atendesse quando o presidente quisesse. A troca do comando da Polícia Federal foi a rusga final entre Moro e o presidente, e levou à saída do ministro em 24 de abril. O ex-juiz também acusou o presidente da república de usar, sem o consentimento dele, a assinatura da exoneração do então chefe da PF, Maurício Valeixo. 

Prisão de Queiroz

Queiroz é policial militar aposentado e suspeito de integrar o esquema de rachadinha que teria sido promovido por Flávio Bolsonaro quando o parlamentar era deputado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Queiroz se refugiava na propriedade de Frederick Wassef, que representa o senador e o presidente da República. Wassef já foi questionado, em entrevistas, sobre o paradeiro de Queiroz, mas disse que não sabia.

O ex-assessor e amigo dos Bolsonaro foi preso na Operação Anjo, e será levado de volta para o Rio de Janeiro. Caseiros do imóvel disseram à polícia que o ex-assessor estava no imóvel há um ano

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 Zé Dassilva, NO

 

O Jornal Nacional acabou de mostrar declarações do então porta-voz Otávio Rêgo Barros e de Jair Bolsonaro confirmando que Frederick Wassef era advogado do presidente no caso de Adélio Bispo de Oliveira, o esfaqueador de Bolsonaro.

Hoje, Karina Kufa divulgou uma nota, aprovada pelo Planalto, em que diz que seu escritório é o único que representa o presidente juridicamente.

O JN também lembrou que há menos de um mês, em entrevista ao UOL no dia 20 de maio, Wassef disse não saber onde estava Fabrício Queiroz e afirmou: “Eu também acho que ele poderia aparecer.”

DO EL PAÍS

Abatido, presidente diz no Facebook que ex-assessor da família não era foragido e critica prisão “espetaculosa”. Nas redes, bolsonarismo ensaia reação

Bolsonaro fala em sua transmissão semanal no Facebook.
Bolsonaro fala em sua transmissão semanal no Facebook.
 
Brasília

Um abatido Jair Bolsonaro iniciou sua live semanal no Facebook nesta quinta-feira com uma breve referência à prisão de Fabrício Queiroz: “Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra. Mas que a Justiça siga o seu caminho. Repito, não estava foragido e não tinha nenhum mandado de prisão contra ele”, disse o presidente, comedido, em contraste com suas vociferações frequentes. Apesar da linha de defesa, Bolsonaro frisou não ter relação nenhuma com o caso que investiga a participação de Queiroz, amigo e assessor da família há 30 anos, e de nada menos que seu filho primogênito, o senador Flávio Bolsonaro, em um suposto esquema de desvio de dinheiro de verba pública do salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio. Depois de um ano e meio de avanço lento, táticas legais para congelar as investigações e o sumiço de Queiroz da vista pública e da Justiça, o ex-assessor dos Bolsonaro foi detido em Atibaia, no interior de São Paulo, na casa de Frederick Wasseff, advogado da família. Agora, os desdobramentos do caso tiram o sono do Planalto que já em batalha aberta com o Supremo Tribunal Federal e em plena crise econômica e sanitária.

Queiroz já está no complexo penitenciário de Bangu, no Rio, sem data para sair, dado que se trata de uma prisão preventiva autorizada pela Justiça. A principal preocupação da família Bolsonaro é que Queiroz faça delação premiada e envolva diretamente o senador Flávio. As 46 páginas do pedido de prisão contra o ex-assessor e contra a mulher dele, Márcia Oliveira de Aguiar (que também é investigada, mas não foi encontrada), deixam claro que os promotores do Rio consideram Queiroz um “operador financeiro” do filho do presidente, a ponto de até pagar as mensalidades escolares das filhas de Flávio. Ao contrário das declarações dos Bolsonaro de que mantinham distância do ex-assessor, o faz-tudo da família seguia com atuação política no grupo.

 Diante do quadro, o presidente parece ter sentido o golpe. Eleito como paladino anticorrupção e acostumado a ser entusiasta das prisões “espetaculosas” da Operação Lava Jato, ele sabe que a detenção de Queiroz pode ser mais danosa para a imagem de sua família do que qualquer outra investigação que o envolva. Todo o enredo dessa apuração circula única e exclusivamente os laços familiares do presidente. Queiroz é seu amigo há mais de 30 anos. E a apuração começa no gabinete de Flávio na Assembleia do Rio, onde foi deputado estadual por quatro mandatos, e envolve até a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que recebeu 24.000 reais de Queiroz.

As demais investigações, como a do inquérito das fake news, que acaba de receber a chancela do Supremo Tribunal Federal e apura ameaças contra a Corte, ou a que rastreia atos antidemocráticos, têm vinculações com seu grupo político, empresários ou com ativistas radicais. Ou seja, ele pode eventualmente driblar reveses e dividir a responsabilidade. Na de Queiroz, não. Sobra ainda o inquérito que apura se ele interferiu na Polícia Federal, como acusa o ex-ministro Sergio Moro, e que pode, no limite, se ligar ao caso Queiroz, já que um ex-aliado do presidente diz que ele foi avisado da operação contra o então assessor da família durante a campanha eleitoral

Um dos sintomas de que a prisão de Queiroz desnorteou o bolsonarismo foram as redes socias, seu campo predileto de batalha. Os apoiadores do presidente demoraram a reagir. Apesar de a detenção ter ocorrido no início da manhã, foi só no fim da tarde que começaram a aparecer as primeiras postagens nos grupos de WhatsApp bolsonaristas que são monitorados pela reportagem desde a campanha eleitoral. A maioria delas apenas replicava uma queixa do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que cobrava que a Justiça deveria dar o mesmo tratamento concedido ao ex-assessor de seu irmão a outros 20 deputados e ex-deputados estaduais suspeitos de dividirem os salários dos servidores no Rio.

Na Câmara, o líder do Governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), também só se manifestou no fim do dia e seguiu na mesma linha de Eduardo. “Essas operações não atingem em nada as ações do presidente Jair Bolsonaro no passado”. Antigo membro da base bolsonarista, o senador Major Olímpio (PSL-SP), disse que a prisão de Queiroz traz uma “tempestade desnecessária” para o colo do presidente. “Quando um de seus filhos reage colando sua imagem com a do presidente, isso só aumenta a pressão contra o próprio presidente”, afirmou. Era uma referência a uma postagem de Flávio Bolsonaro no Twitter na qual ele dizia: “Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto”.

Derrotas e demissão de Weintraub

A prisão de Queiroz acentua os cenários políticos e jurídicos que já não têm sido nada animadores para o chefe do Executivo. Enquanto o Brasil se prepara para confirmar oficialmente nesta sexta um milhão de casos e 50.000 mil mortes por covid-19, o presidente persiste na estratégia negacionista e está, há quase um mês, sem ministro da Saúde. Ao mesmo tempo, tem sido emparedado pelo Supremo Tribunal Federal que, em inquéritos distintos, autorizou investigações de ao menos 50 militantes e empresários bolsonaristas, além de onze parlamentares suspeitos de financiarem atos antidemocráticos. O Planalto também mira com preocupação o caminhar de ações pela cassação de sua chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral por disseminação de desinformação nas eleições de 2019.

Ainda que nada tenha desfecho imediato, o cerco ajuda a minar a estabilidade do Governo, que viu-se obrigado a demitir seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, que além da gestão caótica em uma pasta estratégica já havia defendido a prisão de ministros do STF, a quem chamou de “vagabundos”. A exoneração do ministro foi pensada com uma sinalização ao Judiciário de que o Planalto pretende arrefecer o clima bélico que incentivou nos últimos meses, mas ainda é cedo se será suficiente para convencer a cúpula do Judiciário.

Apesar da demissão, Weintraub, contudo, “cairá para cima”. Economista de formação e considerado pelos opositores como o pior ministro da Educação que o país já teve, ele foi indicado por Bolsonaro para um cargo de diretor-executivo no Banco Mundial, onde terá um salário aproximado de 90.000 reais. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu com ironia ao ser instado a comentar a indicação de Weintraub para o novo cargo. “É porque não sabem que ele trabalhou no Banco Votorantim, que quebrou em 2009 e ele era um dos economistas do banco”, afirmou. ]

Para além das frases de efeito de Maia, é no Congresso que ainda está um bastião seguro para Bolsonaro, desde que ele começou uma agressiva tática para angariar o apoio do chamado Centrão, para blindá-lo de eventuais problemas na Câmara. Um bom termômetro nas próximas semanas será ver se o bolsonarismo segue incólume no Parlamento ou se haverá chance de a oposição emplacar processo no Conselho de Ética contra Flávio Bolsonaro no Senado.

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