Pazuello diz que mudança em balanço da covid-19 é 'proposta'; Maia ...

Pazzuello na comissão da covid-19 na Câmara: empáfia,

despreparo e desrespeito às vítimas da pandemia.

ARTIGO DA SEMANA

Pazzuello: o “cara” (tosco) da Saúde na Covid-19

 

Vitor Hugo Soares

Ao assistir a participação do ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, na comissão especial da Câmara dos Deputados, na terça-feira passada – a ponto de quase arrebentar de empáfia, descaso e desinformação  quanto à relevante função pública que exerce em tempos tão graves da pandemia Covid-19 – além da ignorância, tão estranha quanto lastimável, de lições primárias de Geografia e até das quatro estações do ano no País aonde nasceu, estudou e fez carreira a ponto de alcançar um dos postos mais elevados das Forças Armadas – lembrei imediatamente do coco magistral “O Secretário do Diabo”, do imortal Jackson do Pandeiro. Neste caso , o Tinhoso parece ter preferido mandar como representante um general de quatro estrelas da Infantaria do Exército Brasileiro. Uma lástima.

Meu Santo Antônio da Glória! Em plena celebração do seu dia (13/6), o jornalista – um ateu que já acreditava nos milagres do poderoso santo português desde menino da beira do São Francisco (rio da minha aldeia), muito antes de visitar seu templo maior de devoção, na italiana Pádua, e me ver ajoelhado diante de seu túmulo –, pergunta, meio desconcertado e com vergonha: O que se há de fazer, meu santo?

“O Diabo quando não vem, manda um secretário. Eu não vou nessa canoa, que eu não sou otário”, canta o insuperável ritmista da música popular brasileira, agora através do computador. Tiro e queda, diga-se a bem da verdade e do fato jornalístico, se comparado com a atuação tosca do ministro da Saúde do ponto de vista das informações e domínio dos dados e problemas específicos da pasta entregue pelo presidente da República ao general de infantaria, “eficiente cumpridor de ordens”, nesta quadra tão angustiante e temerária da saúde pública nacional. Mas, para surpresa geral, precário e sofrível até em termos de conhecimentos gerais primários, a partir do fato de que estamos falando de um oficial do mais alto rango das nossas Forças Armadas.

Na Câmara, ao tentar camuflar, jogar para debaixo do tapete e dificultar a divulgação dos dados reais de contaminados e mortos da pandemia no Brasil, o ministro Pazzuelo disse que a mudança aumenta a transparência, porque, a partir de então, os números ficariam à disposição 24 horas por dia. “Não precisa mais me perguntar que horas vai botar o dado. Na hora que o dado chega do gestor ele é colocado no BI (boletim de informação da saúde), e acabou, vai imediato. Se chegar às 16h, o nome do “cara” estará lá”.

Precisa desenhar a gravidade de tamanha grosseria e falta de sensibilidade? Se tais palavras de um ministro da Saúde, reduzindo a “caras” os mortos pelo novo corona vírus no País – quando o número já beirava os 40 mil – tivessem ficado restritas ao ambiente da comissão especial que acompanha o avanço da pandemia, já seria motivo de escândalo em qualquer lugar civilizado do planeta. Mas a fala de Pazzuello, reproduzida nos noticiários de ponta a ponta da Nação, soou como uma botinada na memória das vítimas e de suas famílias, e uma bofetada humilhante na face da sociedade brasileira.

Glorioso Santo Antonio, louvado neste seu dia de pedidos e agradecimentos por seus milagres e graças, pelos católicos do Brasil e do mundo inteiro, peço licença para terminar este artigo que é também em seu louvor, com versos do imortal Jackson do Pandeiro: “Não vou na onda nem no conto do vigário, que o diabo quando não vem, manda um secretário”. Oremos!

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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Comentários

Chico Bruno on 13 junho, 2020 at 6:37 #

Amigo, corrija o mortod por mortos. Um bom fim de semana.


Taciano Lemos de Carvalho on 13 junho, 2020 at 13:29 #

Enquanto o secretário do Diabo estava na comissão especial da Câmara, o Diabo andava por aí espalhando coronavírus e fakes.


Lucas Ribeiro on 14 junho, 2020 at 21:51 #

Pois é , Taciano . E tem Joacis e Vanderleis que ainda defendem o genocida , digo , o diabo!!!!!!


Maria Aparecida Torneros on 15 junho, 2020 at 4:13 #

Estamos vivendo ( sobrevivendo) o que já sabíamos e era perfeitamente previsível. Aqui no Rio assistimos a formação e ascensão das milícias que se entraram nos governos corrompidos para ganharem o poder a nível nacional.. Bolsonaro nunca representou o povo carioca de verdade. Sua caminhada é prova de um ultradireitista que se insurgiu dentro da sua origem militar e pautou a trajetória política pela velha prática das rachadinhas e dos conchavos do submundo. Teve ajudas de antipeistss radicais, de um ex juiz ambicioso, de igrejas cujos pastores são manipuladores de mentes e arrecadites de fortunas de fiéis. Contou com a formação de milícias digitais organizadas e financiamento metralhados para efetuar uma campanha suja que aparentemente venceu no voto. Hoje sofremos na saúde e na economia o seu desgoverno que reúne uma corja de genocidas torturadores de mentes e de corpos. A resistência se faz presente sim. Esse militar na Saúde e seus pares desmontam uma estrutura que nos orgulhava. Mas vamos virar esse jogo. Temos Lei. Sim. Temos garra. Temos um povão que sabe reagir com certeza. Apesar do momento caótico, até às nossas torcidas de futebol sabem unir-se na marcha pela defesa da Democracia. O papel das mulheres agora é crucial. Ainda espero viver para ver essa gente mentirosa pagar por sua trajetória de ódio e desmonte do país. Se. Pazuello e afins, retirem-se dos cargos na Saúde. Estão destruindo e matando. Ou saiam por bem ou serão saídos pela luta da dignidade da brava gente brasileira. A saúde e a economia caminham juntas. As milícias e o desgoverno se perdem no desgoverno “fake” que cairá brevemente. FRENTE AMPLA PELA DDMOCRACIA!


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