ARTIGO

São João vem aí

Gilson Nogueira

” Isso é música?”, ouvi meu pai perguntar, carregando no tom, a desaprovação ao modo de cantar de João Gilberto. Ele incluía, certamente, o violão do gênio. E eu, ali, começando a derrubar argumentos dos mais velhos na base do se você pode falar eu também posso. De calças curtas para calças compridas foi um pulo. Na rua, a fama do cantor “desafinado” corria solta e quem tinha sensibilidade musical cantava a pedra: ” Esse cara vai modificar o modo de cantar e de tocar violão!”

Até que, da noite para o dia, começaram a dizer que eu era Bossa Nova. Uau! Os velhos, para mim, faziam comparações com Dilermando Reis, Orlando Silva, Sylvio Caldas, Albertinho Fortuna e, dentre outros, Vicente Celestino. Caladinho da silva, o menino batia nas portas de madeira à procura do som e cantava baixinho, improvisando algo como um bolero bêbado ou um samba cansado.

A bossa daquele baiano de Juazeiro entrava pelos meus ouvidos e ia direto ao coração. A moda pegava, sem que eles, os coroas, dessem conta. Em batuques para imitar a batida da Bossa fui imitando a forma dele cantar. “Tá muito anasalado, Gilsinho, cante normal!” E o colega de Raul no São Bento ia sendo advertido para não batucar nas carteiras. Os padres não sabiam que aquilo era Bossa Nova. Cresci em sintonia com o que vinha para ficar marcado como um divisor de águas na maneira de cantar e na forma de compor. Chutei a lata de lixo. A BN era uma revolução!

Em 1958, na euforia do Brasil campeão do mundo, gritei viva ele. Imitava João! Djalminha Fernandes, que tratava o pinho como Baden, sapecava: ” Seo Nôga, esse seu filho vai longe! Tem um ouvido fabuloso!” E hoje choro a ausência do criador da batida que embriagou o mundo da música. Em 6 de Julho do ano passado, o violão chorou com razão, João partiu para o andar de cima, sem levar o gato. O Planeta Bossa Nova, onde o silêncio dele encanta, precisa de um João Gilberto Dois. Há, somente, um detalhe: Tem que combinar com o Mestre dos mestres. Será difícil. Deus não permitirá. Joåo Gilberto merece mais. Um monumento dele na Cidade da Bahia seria mais que uma homenagem. Ele poderia ressucitar!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

“Maria”, Nara Leão: Saudosa, original, intransferível e única. Viva a Bossa Nova e Viva Nara. Eternamente.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

“Maria”, Nara Leão

DO EL PAÍS

Após o voto do relator do caso, STF adia para o dia 17 a decisão sobre legalidade de apuração sobre ameaças à Corte; tendência é dar continuidade à investigação que atinge bolsonaristas

O ministro Edson Fachin, em 11 de março, no plenário do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Edson Fachin, em 11 de março, no plenário do Supremo Tribunal Federal.Rosinei Coutinho/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou para o próximo dia 17 o julgamento da ação que pede o arquivamento do inquérito das fake news, que apura a disseminação de boatos e ameaças em redes sociais contra membros da Corte. Nesta quarta-feira, apenas o relator Edson Fachin votou, para defender a legalidade do inquérito. Faltam outros dez ministros para votar.

No entendimento de Fachin, a apuração tem de ser acompanhada pelo Ministério Público e devem ser investigadas apenas as manifestações que denotem riscos ao funcionamento do poder Judiciário, assim como o dos outros poderes, Executivo e Legislativo. “Atentar contra um dos poderes, incitando o seu fechamento, incitando a morte, incitando a prisão de seus membros, incitando a desobediência civil, o vazamento de informações sigilosas não são manifestações protegidas pela liberdade de expressão na Constituição”.

Seguiu o ministro em seu extenso voto, que foi lido por quase três horas: “O dissenso é inerente à democracia. O dissenso intolerável pela Constituição é justamente aquele que visa impor com violência um suposto consenso”. Na visão de Fachin, parte dos ataques à Corte representavam um abuso por parte dos investigados. “Não há direito no abuso de direito. O antídoto à intolerância é a legalidade democrática”.

O inquérito, até o momento, teve como alvos 29 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra quem foram cumpridos mandados de busca e apreensão no mês passado. É uma das principais preocupações do Palácio do Planalto, já que, conforme o andamento das apurações, pode influenciar em ao menos quatro das oito ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral e que pedem a cassação da chapa presidencial. A suspeita é que um grupo de empresários, parte deles com os sigilos fiscal e bancário quebrados, financiava o disparo de mensagens falsas em benefício de Bolsonaro. Essa atitude ocorreria desde a eleição de 2018, quando Bolsonaro e Hamilton Mourão foram eleitos presidente e vice.

A ação foi proposta pelo partido Rede Sustentabilidade. Conforme interlocutores do Judiciário, a tendência é que o STF entenda que o inquérito é válido, mas podem ser estabelecidos limites a ele, como abrangência, objeto e tempo de investigação. A apuração foi aberta depois que foram intensificadas nas redes sociais críticas a ministros da Corte, boa parte delas feita por bolsonaristas. Os ataques perpassaram o ambiente virtual e passaram a ser frequentes nas manifestações de apoio ao Governo Bolsonaro, em que é comum notar pedidos de fechamento do Supremo e do Congresso Nacional.

Na primeira etapa do julgamento, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República defenderam a validade do inquérito. Também solicitaram a delimitação de parâmetros mais transparentes para a investigação. O procurador Augusto Aras destacou que defendia a suspensão do inquérito não para que fosse arquivado, mas para que o Ministério Público passasse a participar de todas as etapas dele. “Concordamos com o inquérito porque nós queremos ter o direito de participar, sobre atos e diligências previamente”.

 Já o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior, que é subordinado a Bolsonaro, surpreendeu ao defender a continuidade das apurações. No entanto, ele disse que haveria dificuldade em delimitar o que é fake news e defendeu a liberdade de expressão. “A democracia exige fontes alternativas e independentes de informação para que os cidadãos tenham a necessária compreensão esclarecida dos negócios públicos”.

Em sua fala, Levi também fez uma alusão ao ato institucional número 5 ?aquele da ditadura militar que fechou poderes e cassou mandatos políticos? e defendeu a participação de outros poderes no processo. O advogado ponderou que, caso isso não ocorresse, poderia parecer que o Supremo teria interesse em ser ao mesmo tempo o acusador e o julgador, o que é ilegal. “A própria Suprema Corte estaria a editar mecanismo de exceção análogo ao famigerado AI-5. Dispondo de ferramental para intimidar livremente, como juiz e parte a um só tempo, todo aquele que ousar questionar a adequação moral dos atos de seus membros. Não faço nesse momento, juízo de valor.”

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Pesquisa nova do Instituto Gallup divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que a aprovação a Donald Trump caiu dez pontos percentuais.

O presidente americano, cuja gestão era aprovada por 49% no país desde janeiro, agora está com 39%. É a primeira vez desde outubro do ano passado que a aprovação de Trump fica abaixo dos 40%.

Analistas acreditam que, além dos protestos pela morte de George Floyd, o modo errático com que Trump conduziu o país durante a pandmia do coronavírus influiu na queda –o país tem hoje mais de 115 mil mortos pela Covid-19.

 DO CORREIO BRAZILIENSE

Segundo profissionais que trabalham no local, suspeito pedia para falar com a jornalista Renata Vasconcellos


CB Correio Braziliense

postado em 10/06/2020 15:25 / atualizado em 10/06/2020 17:18

 
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

Uma repórter da TV Globo foi feita refém por um homem que invadiu a sede do jornalismo da emissora no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (10/6). A polícia foi acionada. Após negociação, o suspeito se rendeu.

Profissionais que trabalham no local confirmaram a informação ao Correio. Segundo eles, o homem pedia para falar com a jornalista Renata Vasconcellos, apresentadora do Jornal Nacional, que teria ajudado na negociação. O clima na redação foi de terror.
 
Ainda conforme as testemunhas, a repórter feita refém é Marina Araújo, filha dos também jornalistas Paulo Cesar Araújo, que foi da TV Globo e do Jornal do Brasil, e Graça Monteiro, que também trabalhou no Jornal do Brasil. Ela prestou depoimento à polícia na tarde de ontem.
 
A reportagem teve acesso a um vídeo que circula em grupos de funcionários da emissora no WhatsApp e mostra a repórter em poder do suspeito:
 
 
Uma outra gravação mostra o momento em que o suspeito se rende:
 
 

Globo: “Obra de alguém com distúrbios mentais”

Em nota, a Globo informou que ninguém se feriu e repudiou o caso com veemência. A emissora ainda classificou o ataque como “obra de alguém com distúrbios mentais, sem nenhuma conotação política”. Confira a íntegra da nota:

 

“Na tarde desta quarta-feira, um homem invadiu a sede da TV Globo, no Jardim Botânico, portando uma faca. Ele fez a repórter Marina Araújo refém. A segurança da Globo rapidamente agiu, isolou o local e chamou a PM. O comandante do 23° batalhão da corporação, coronel Heitor Henrique Pereira, compareceu rapidamente à emissora e conduziu a negociação. O homem, que ameaçava a jornalista, liberou a repórter após alguns minutos. Marina e todos os funcionários que estavam no local não se feriram e passam bem. A Globo repudia com veemência todo tipo de violência. Foi obra de alguém com distúrbios mentais, sem nenhuma conotação política. Um homem que exigia ver a jornalista Renata Vasconcellos. Seguindo instruções do comandante Heitor, Renata compareceu ao local onde estava Marina e o invasor. Tão logo ele a viu, largou a faca e libertou Marina. Foi preso imediatamente. A TV Globo agradece à PM, ao coronel Heitor e a todos os policiais, cuja condução foi exemplar. Marina se comportou com coragem, serenidade e firmeza, sendo fundamental para o desfecho da situação. Renata foi corajosa, desprendida, solidária e absolutamente imprescindível para que tudo acabasse bem. As duas profissionais estão bem. E foram recebidas pelos colegas com carinho e emoção.”

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Posted on 11-06-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-06-2020



 

Bira, NO PORTAL DE HUMOR

 

DO EL PAÍS

O presidente Jair Bolsonaro anunciou no fim desta noite que recriou o Ministério das Comunicações, que vai ser comandado pelo deputado Fabvio Faria (PSD-RN), de um dos partidos que compõem o famigerado Centrão. Ao se justificar nos comentários do post no Facebook em que anunciou a decisão, o presidente escreveu: “Creio ser consenso nossa falha nas comunicações”.

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