Território Livre – Tribuna do Norte | À Crusoé, Moro diz que ...
Moro na Crusué: largada
para 2022?
 ARTIGO DA SEMANA

Moro e o inverno (louco) de Sara Winter e Cia 

Vitor Hugo Soares

Leio (e releio), em rede social, a frase lapidar e de largo alcance do ex-juiz condutor da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, em comentário sobre os surtos provocadores e desvairados de Sara Winter nas manifestações em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, de grupos bolsonaristas ao lado do presidente, enquanto chega junho e o tempo frio se aproxima, no auge da pandemia covid-19 no país , neste desesperante 2020: “Tão loucos mas, ainda bem, tão poucos. O único inverno chegando é o das quatro estações”.

É tiro que acerta em cheio na mosca, frase demolidoramente irônica e carregada de significados em várias direções. Ou, se preferirem comparação menos bélica – e talvez mais apropriada ao estilo do autor  –  é jogada certeira de um enxadrista à espera do estribucho do adversário antes do xeque mate. Isso, somado à ampla e reveladora entrevista de capa, na revista digital Crusué desta semana, só reforça a convicção deste  jornalista, de que Moro já bateu o martelo sobre seu futuro na vida pública brasileira: não só virou político – como desconfia o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – mas entrou, de fato e pra valer, na disputa à sucessão no comando do Palácio d o Planalto, nas eleições de 2022. 

O que Moro escreve e diz, em geral, tem subentendidos – amplitude que requer leitura das entrelinhas e com atenção (a quem interessar possa). O primeiro a perceber, ou ser chamado a atenção para isso por um marqueteiro ou figura mais do peito ou da casa, foi o próprio mandatário do Palácio do Planalto. Que reagiu sem civilidade, com ira e agressividade habituais. Chamou seu ex-ministro da Justiça e Segurança de “medroso e covarde”, por ter permanecido calado e de braços cruzados durante a agressiva sucessão de palavrões e frases escatológicas, na denominada “reunião ministerial para discutir rumos do governo”. Além de ter se retirado do local antes do fim do espetáculo deprimente. Simbologias nos tabuleiros do poder.

Com habilidade e perspicácia – mais astúcia, senso de humor e sem xingamentos –, o presidente da Câmara foi direto ao ponto, ao comentar: “Não sei se Sérgio Moro é candidato. Acho que ele tem reagido como político”, sintetizou Maia. E ponto.

Considero bem provável que, nem o mais competente e criativo profissional de marketing político e eleitoral, ainda em atividade na praça, teria conseguido fazer melhor, em termos de peça de sondagem política e eleitoral. Ainda mais nestes dias cavernosos da covid-19 – e de um governo em quase completo desaprumo e re-arrumação. Bem próximo de se jogar de vez no colo do Centrão, e de seus chefes e subalternos, alguns de fichas mais que sujas na vida parlamentar e na gestão da coisa pública, na PF e na justiça. Mais ainda se o autor da frase e entrevistado da revista digital é um ex- magistrado que simboliza, como ninguém, para a sociedade, – e recentes pesquisas deixam isso evidente – a figura representativa da mais ampla e efetiva operação de combate a corruptos e corruptores na história recente do Brasil.

Mesmo que alguns se esforcem e atuem em sentido contrário, o combate à corrupção ainda será tema dominante na campanha sucessória de 2022, até pelo fiasco monumental do Governo Bolsonaro nesta área, que ele vendeu como prioridade absoluta da sua gestão. Perguntar não ofende: quem melhor que o simbólico juiz federal da Lava Jato, para conduzir adiante  esta bandeira? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br

“Tarde em Itapuã”, Os Cariocas! Melhor, só água de coco!

BOM SÁBADO!

(Gilson Nogueira)

jun
06
 

 

Crise sanitária agrava a frágil situação financeira do império cênico canadense. Estudada durante anos como modelo de gestão, a companhia arrasta uma dívida bilionária

Imagem do espetáculo ‘Kooza’, um dos mais longevos do Cirque du Soleil, estreado em 2010.
Imagem do espetáculo ‘Kooza’, um dos mais longevos do Cirque du Soleil, estreado em 2010.Samuel Sánchez
 Raquel Vidales
Madri

Em 8 de março deste ano, poucos dias antes da decretação das medidas de exceção na Espanha por causa do coronavírus, o comediante catalão Mateo Amieva estava voltando a Barcelona num voo procedente de Doha, onde havia atuado no espetáculo Messi 10, uma das produções mais recentes do Cirque du Soleil. Não sabia então que aquelas apresentações seriam as últimas em muito tempo. Uma semana depois, todos os teatros e tendas do planeta foram interditados pela pandemia e, paradoxalmente, a paralisação afetou com mais força a companhia, que, teoricamente, teria mais reservas para confrontá-la, como maior produtora de espetáculos do mundo, com um capital inimaginável para qualquer outra empresa do setor. Uma combinação de fatores passados e presentes se conjurou para desatar uma tempestade perfeita que desembocou numa ameaça de bancarrota que causou estupor: como é possível que um império que não parou de crescer desde sua fundação, em 1984, tenha desmoronado em apenas três meses?

A culpa não é só do coronavírus. A pandemia veio para dar a estocada final numa organização que há cinco anos arrasta uma dívida equivalente a 815 milhões de euros (cerca de 4,7 bilhões de reais na cotação atual) e protagoniza nos últimos dias um novelão empresarial que envolve o cofundador e ex-proprietário Guy Laliberté, o conglomerado midiático canadense Quebecor e as três firmas de investimentos internacionais que dividem a propriedade do grupo. Laliberté declarou na semana passada que estava disposto a recomprar a companhia para tirá-la do buraco, e o Quebecor também expressou seu desejo de injetar capital, embora por enquanto não tenha condições, segundo seus executivos, porque os atuais gestores do Cirque du Soleil se negam a revelar as verdadeiras contas. Estes, por sua vez, acusam o grupo Quebecor de estar pressionando para desvalorizar as ações e assumir a marca a preço de banana.

Mas o único que por enquanto pôs dinheiro de verdade sobre a mesa foi o Governo do Québec, que aprovou um crédito de 182 milhões de euros (cerca de um bilhão de reais) para evitar o naufrágio de um dos maiores orgulhos da região francófona, além de uma fonte de dinheiro importante para a província. O Cirque du Soleil nasceu e tem sua sede em Montreal, onde empregava quase 5.000 pessoas. A empresa demitiu, temporariamente, 95% de seus colaboradores ? incluindo artistas e técnicos dos 20 espetáculos que estão em turnê ?, aproximadamente uma centena por produção. Com o dinheiro recebido do Estado, mais outros 45 milhões de euros ( cerca de 260 milhões de reais) que os proprietários injetaram no começo de maio, a companhia mal alcança os cerca de 150 milhões de euros (algo como 870 milhões de reais) que necessita apenas para reembolsar os ingressos das apresentações canceladas.

Guy Laliberté (esquerda), fundador do Cirque du Soleil, com Mateo Amieva, em Barcelona. / CORTESIA DE MATEO AMIEVA
Guy Laliberté (esquerda), fundador do Cirque du Soleil, com Mateo Amieva, em Barcelona. / CORTESIA DE MATEO AMIEVA

Os trabalhadores, porém, mantêm a calma. O fato de o Governo quebequense ter saído ao resgate da empresa indica que não vai deixá-la cair. “Continuamos otimistas. A companhia por enquanto não cancelou nenhum espetáculo, apenas adiou as apresentações que estavam previstas para nos próximos meses”, comenta Amieva. Ele previa viajar nos próximos dias a Buenos Aires para continuar com a turnê do espetáculo Messi 10, mas já lhe comunicaram que essas apresentações foram reprogramadas. “Sempre temos épocas durante as quais não recebemos, mas os salários das turnês compensam isso. A parada agora vai ser mais longa é será preciso aguentar como der”, acrescenta o artista, que trabalhou durante 12 anos nas produções fixas do Cirque du Soleil em Las Vegas.

O site da empresa, de fato, mantém a venda de ingressos para os 20 espetáculos ativos. Já se sabe inclusive qual será o primeiro a voltar à cena na era pós-pandemia, e já está logo ali: The Land Of Fantasy retomará suas funções na cidade chinesa de Cantão nesta semana. Aparentemente, tudo continua funcionando no plano artístico.

Mas no terreno financeiro o futuro é muito sombrio. Pouco resta daquela possante empresa que era estudada como modelo de gestão criativa e inovadora. “Era o exemplo perfeito da chamada estratégia do oceano azul, que consiste em criar novos nichos de mercado, um produto que gera uma demanda previamente inexistente. Após 20 anos crescendo sem parar, a fórmula começou a ter cada vez mais imitadores, e isso os obrigou a produzir espetáculos mais custosos para se diferenciar”, explica Bruno Cassiman, professor da escola de negócios IESE, especialista em estratégia corporativa.

Necessidade de capital

A crescente necessidade de capital empurrou Laliberté a fazer uma sociedade em 2015 com três grandes firmas de investimentos ? o fundo norte-americano TPG, o chinês Fosun e a financeira Caisse du Dépôt et Placement do Québec ?, que dividiram 90% das ações entre si. O fundador embolsou na época cerca de 1,4 bilhões de euros e ainda ficou com 10% da empresa, da qual acabou também se desfazendo dois anos depois. Essa operação fez o estilo de gestão passar a um modelo mais arriscado, mas que prometia grandes dividendos: tratava-se de aguentar a dívida de 815 milhões de euros gerada pela aquisição, enquanto se melhorava a rentabilidade em curto prazo, potencializando a marca para vender a empresa em cinco ou seis anos. “Poderia ter dado muito certo, mas a pandemia quebrou essa estratégia”, aponta Cassiman.

Diagnóstico de futuro? “Dependerá dos apoios externos que a empresa receber e de como estruturarem a dívida. Será preciso fazer uma limpeza”, prevê o especialista. Talvez nada volte a ser igual para o Cirque du Soleil depois do coronavírus.

DO EL PAÍS

Morte do menino Miguel Silva, após negligência da patroa de sua mãe, revolta trabalhadoras domésticas. Advogada adverte que punição ultrasevera agora pode se voltar contra mães no futuro

O menino Miguel em foto tirada durante a celebração de seu aniversário.
O menino Miguel em foto tirada durante a celebração de seu aniversário.Facebook
 Caê Vasconcelos (Ponte)

 

Em meio à pandemia mundial do coronavírus, Mirtes Renata Souza não pode fazer isolamento social. A empregada doméstica não foi dispensada por sua patroa, Sarí Gaspar Côrte Real. Nesta terça-feira, Mirtes precisou levar seu único filho, Miguel Otávio Santana da Silva, cinco anos, para o trabalho. Mas não voltou para casa com ele.

A pedido da patroa, Mirtes foi passear com os cachorros da casa e deixou Miguel aos cuidados de Sarí. Imagens de um vídeo do circuito interno do prédio luxuoso em São José, centro do Recife, capital pernambucana, mostram que, minutos depois, Miguel e Sarí conversaram no elevador.

A mulher, então, aperta um botão e a porta se fecha. O elevador para no 7º andar, mas Miguel só desce no 9º. Minutos depois, o menino escalou uma grade, na área dos aparelhos de ar-condicionado, que fica na ala comum do andar, fora do apartamento, e caiu. Sarí é esposa de Sérgio Hacker (PSB), prefeito de Tamandaré, litoral sul a 104,3 km de Recife.

Ela foi presa em flagrante, mas, ao pagar fiança de 20.000 reais, responderá em liberdade por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), disse o delegado Ramon Teixeira, responsável pelo caso, em coletiva virtual de imprensa nesta quinta-feira.

O prédio de onde Miguel caiu é uma das “torres gêmeas”, encravadas em local de patrimônio histórico, entre diversas construções tombadas, e que foram levantadas debaixo de disputa judicial. Os dois espigões de alto luxo de 41 andares foram alvo de protesto e apagados do filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, que tinha como um de seus temas justamente a especulação imobiliária promovida pela elite.

A historiadora Larissa Ibúmi, mestranda em história social da diáspora centro-africana, usou seu Instagram para chamar a atenção do componente racista da trágica morte de Miguel. “A história desse país de herança escravista (e esta história) mostra que, para essa patroa branca, uma criança negra não vale mais que seus cachorros. Hoje eu novamente tenho dificuldade de respirar pensando na mãe de Miguel e em todas as mães de crianças pretas nesse país”, escreveu.

Em entrevista ao G1 de Pernambuco, Mirtes lamentou a morte do filho: “Ela [Sarí] confiava os filhos dela a mim e a minha mãe. No momento em que confiei meu filho a ela, infelizmente ela não teve paciência para cuidar, para tirar [do elevador]. Eu sei, eu não nego para ninguém: meu filho era uma criança um pouco teimosa, queria ser dono de si e tudo mais. Mas assim, é criança. Era criança”.

Mirtes também contou que Miguel era uma criança cheia de sonhos. Queria ser jogador de futebol e policial. Seu aniversário de cinco anos trouxe a primeira paixão do menino: a bola.

A advogada criminalista Priscila Pamela dos Santos, integrante do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) e presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo), considera que o caso não poderia ser enquadrado em homicídio doloso (quando se há intenção de matar).

“O caso é muito triste. Uma criança morta é uma tragédia irreparável. Não dá para expressar em palavras o sentimento de tristeza. Como técnica, não dá para gente ir para um lado punitivista. É um caso de homicídio culposo e ele é ainda mais complexo porque não se trata de uma ação. A pessoa não empurrou a criança, mas é uma conduta omissiva no sentido de não ter impedido essa criança”, explica.

Priscila explica como, judicialmente, a omissão pode ser configurada. “A mãe, ao deixar a criança com a patroa, passa a ela os cuidados. De forma negligente, ela [a patroa] deixa que essa ausência de cuidado gere o resultado morte”, continua a advogada.

Para Priscila, é perigoso pedir uma punição mais severa nesse caso, pois isso poderia prejudicar mães e trabalhadoras em outras ocasiões. “Quantas mães precisam trabalhar e deixam seus filhos sozinhos? A criança tem que pegar um elevador para ir para a escola [e se coloca] em risco. Temos que tomar muito cuidado porque, quando for a babá negra cuidando da criança, vão legitimar os discursos para homicídio doloso”, argumenta.

jun
06

Um levantamento divulgado pela CNN nesta sexta-feira mostra que Joe Biden aparece à frente de Donald Trump na corrida pela Casa Branca.

Segundo a média das últimas cinco pesquisas nacionais feitas por telefone, o democrata tem a preferência de 51% dos eleitores registrados a votar. Trump tem 41%.

Em relação a abril, Biden subiu três pontos percentuais (tinha 48%), e Trump perdeu dois pontos (43%).

Três dos cinco levantamentos consultados pela CNN foram feitos após a morte de George Floyd — que deflagrou uma série de manifestações de rua nos Estados Unidos.

Importante lembrar que os institutos de pesquisa americanos erraram feio nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Reportagem de Duda Teixeira na edição desta semana da Crusoé mostra que as manifestações contra o racismo e a violência policial ganharam contornos eleitorais a cinco meses da votação que definirá quem ocupará a Casa Branca a partir de 2021..

jun
06
Posted on 06-06-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-06-2020



 

Fraga, NO portal

 

jun
06

Presidente dos Estados Unidos disse que, se tivesse feito como Brasil, teria mais de 2 milhões de mortos pela doença


postado em 05/06/2020 15:07 / atualizado em 05/06/2020 15:30

 
(foto: MANDEL NGAN / AFP)
(foto: MANDEL NGAN / AFP)
 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou, nesta sexta-feira (5/6), a forma como o Brasil tem lidado com a pandemia da covid-19, e disse que o país “está num momento difícil com o coronavírus”. “Se tivéssemos agido assim, teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez 2,5 milhões ou até mais”, comparou.  O presidente americano lembrou que o Brasil tem usado a Suécia como exemplo para não adotar medidas rigorosas de isolamento. “E, falando nisso, continuam falando da Suécia. A Suécia também está passando por dificuldades terríveis”, falou. 

A Suécia, assim como o Brasil também tinha feit críticas a medidas mais duras de isolamento para enfrentamento da doença. Nesta semana, o país reconheceu que, caso tivesse adotado tais medidas, poderia ter evitado mortes

Nesta quinta-feira (4/6), o Brasil superou a Itália em número de mortos, passando a ser o terceiro país no mundo com mais óbitos pela doença. Os Estados Unidos, por sua vez, seguem sendo o país mais atingido pela pandemia. Os números norte-americanos, contudo, têm começado a mostrar uma queda, tanto em casos quanto em mortes.  

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