“Deixe que ela se vá”, Nelson Gonçalves: A eternidade plena e gloriosa para Evaldo Gouveia , que este genial cearense merece.

SAUDADES!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Por G1 CE

Músico morreu nesta sexta-feira (29) em Fortaleza — Foto: Kid Júnior/SVM

Músico morreu nesta sexta-feira (29) em Fortaleza — Foto: Kid Júnior/SVM

 

O músico compositor, cantor e violonista cearense Evaldo Gouveia morreu aos 91 anos nesta sexta-feira (29), em Fortaleza, em decorrência da Covid-19. A informação foi confirmada pelo biógrafo do artista, Ulysses Gaspar. Autor de “Sentimental Demais” e do samba-enredo “O Mundo Melhor de Pixinguinha”, entre outras canções, Gouveia teve sua obra bastante interpretada e revisitada.

O repertório de Evaldo Gouveia foi impulsionado pelas vozes de cantores consagrados como Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Alaíde Costa e Maysa Monjardim. O cearense fez parte do lendário Trio Nagô, ao lado de Mário Alves e Epaminondas Souza.

O ápice da carreira do cantor, veio da relação com Altemar Dutra (1940-1983). O cearense levou Dutra às boates de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), e o sucesso do cantor mineiro, interpretando as composições de Evaldo, levou ambos ao auge.

Evaldo fez parte do Trio Nagô — Foto: Thiago Gaspar/Arquivo SVM

Evaldo fez parte do Trio Nagô — Foto: Thiago Gaspar/Arquivo SVM

Trajetória

Evaldo Gouveia nasceu na cidade de Orós, no sul do Ceará no dia 8 de agosto de 1928. A família se mudou para a cidade vizinha, Iguatu, quando ele tinha apenas três meses de idade. Gouveia é referência da Música Popular Brasileira da era do rádio, que teve seu auge no Brasil nas décadas de 1940 e 1950.

A base para a consagração do cantor no estado do Rio de Janeiro, no final da década de 1940, teve raízes na sua reputação pelo circuito de bares de Fortaleza e pelos prêmios em programas de calouros da extinta Ceará Rádio Clube, com sede na capital cearense. Após essa fase, Gouveia ajudou na fundação do Trio Nagô, grupo com o qual ele teve um amplo circuito de shows.

 

 

Moraes determina bloqueio de redes sociais dos investigados por ...
Alexandre Moraes autoriza combate a
agressores do STF e presidente perde
o controle e xinga…
Benedito Gonçalves: ministro de operação contra Witzel já foi ...
…Benedito Gonçalves autoriza devassa no governo do Rio e
Bolsonaro aplaude e ri: verso e reverso na PF.

ARTIGO DA SEMANA

 PF, verso e reverso: Bolsonaro do riso ao xingamento 

Vitor Hugo Soares

 Duas repentinas ações de buscas e apreensões da Polícia Federal – com autorizações divergentes, sentidos opostos e sinais trocados – fizeram o país estremecer, mais uma vez nesta semana. A primeira, no Rio de Janeiro, por ordem do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, fez o presidente sorrir irônico dos apuros dos investigados e derramar-se em elogios à PF no estado governado por Wilson Witzel, um dos maiores inimigos dele e de seus filhos. A segunda, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes – em que os agentes da lei bateram na porta das casas e escritórios de empresários, parlamentar, blogueiros, provocadores acampados em frente ao Congresso, além de celebridades, gente do peito e aliados do mandatário – deixou Bolsonaro apoplético e quase fora de controle, a ponto de, na frente do Alvorada, para seguidores, fazer o seu mais agressivo e ameaçador discurso, concluído com um insólito “Esta é a última vez.acabou.Porra”. Precisa desenhar?
 
A Operação Placebo,– que a enrolada deputada Carla Zambelli, e outros aliados dos atuais donos do poder preferem chamar de “Covidão” – se apóia na justa motivação de apurar desvios na Saúde, em tempo de pandemia covid-19, incluindo os hospitais de campanha no Rio. Ainda assim, soa estranha e cheia de lacunas à espera de explicações. “Francamente, nem parece coisa da Polícia Federal”, imagino que diria o ex-governador e frasista consagrado da política nacional, Leonel Brizola.   

É tão evidente o viés provocador e vingativo do caso, que desde já cabe recordar o famoso refrão “Vai dar bode” de um personagem de Jô Soares na comédia do nosso cinema. Principalmente se a polícia que o presidente elogia partir para cima de outros governadores. Ainda que Witzell e seu governo careçam de  confiança e até mereçam investigações sérias e judiciosas por suspeitas de desvios e malfeitos de várias ordens, incluindo malversação de dinheiro público.    

De saída, pensei comparar o caso no Rio ao extraordinário e aterrador “O Barril de Amontillado”, clássico conto sobre vingança, de Edgar Alan Poe, com o enredo da ação autorizada pelo ministro do STJ, permitindo entre  a entrada da polícia, para fazer devassa no Palácio das Laranjeiras, na antiga residência do governador e até no escritório de advocacia da primeira dama do estado, Helena Witzell. Conhecidas as primeiras informações do caso – e as suspeitas de manipulação policial em torno dele – percebi que seria um equívoco comparar a obra prima de Poe com as “batidas” saídas da caneta do ministro Benedito: no estilo, na forma e no conteúdo. Mas faço ressalva para destacar semelhança que ainda considero válida nos dois casos: o implacável sentimento de vingança que move as duas narrativas. Em “O Barril de Amontillado”, o narrador estabelece, logo nas primeiras linhas, que a vingança só é efetiva, e cumpre o seu objetivo, se a vítima tem plena noção e conhecimento do motivo da ação de quem se vinga. Neste caso, o governador Witzel, na operação Placebo, e o personagem Fortunato, no conto de Poe, emparedado vivo por Montresor, na adega de sua mansão (para onde atrai o inimigo ) se assemelham. E muito.

No reverso da moeda, a obra e arte do ministro Moraes, que levou o mandatário do Planalto ao umbral do desespero no preocupante ataque de nervos de quinta-feira, melhor e mais seguro é não fazer comparação, tão surreal se apresenta a situação. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Rosa da Gente”, Nara Leão e Edu Lobo: a mais forte e sincera emoção das coisas simples (como gostava de dizer a argentina Mercedes Sosa) para quem sabe e quiser cantar. E amar. Porque hoje é sábado.

bom dia!!!

(Vitor Hugo Soares)

maio
30

Bolsonaro demonstrou insatisfação com a PF em pelo menos 10 ocasiões desde agosto de 2019

Sergio Moro saiu do governo acusando o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir em investigações da Polícia Federal. Desde agosto do ano passado, em pelo menos dez ocasiões o presidente ou reclamou que os filhos estavam sendo investigados ou falou em trocar o superintendente da PF no Rio.

Na porta do Palácio da Alvorada, em transmissões ao vivo na internet ou em entrevistas, um tema apareceu com frequência nos últimos dez meses: a Polícia Federal.

A primeira vez que Jair Bolsonaro demonstrou insatisfação com a PF do Rio foi em agosto do ano passado. Sem o conhecimento da cúpula da corporação, ele anunciou a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio:

“Vou mudar por exemplo o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Motivo: é questão de produtividade.”

No mesmo dia, a PF afirmou que a mudança estava sendo planejada havia meses e não tinha relação com a avaliação de Saadi no cargo.

A PF anunciou o substituto: Carlos Henrique Oliveira Sousa, que era superintendente regional em Pernambuco. Mas o presidente queria outro nome. E, no dia seguinte, indicou Alexandre Saraiva, superintendente do Amazonas. E subiu o tom. Sem citar o nome de Sergio Moro, disse que quem manda é ele.

 

“O que eu fiquei sabendo, se ele resolveu mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu, deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu. Pelo o que está pré-acertado, seria o lá de Manaus. Quando vão nomear alguém, falam comigo. Ué, eu tenho poder de veto. Ou vou ser um presidente banana, agora? Cada um faz o que bem entende, e tudo bem?”

No mesmo dia, no Planalto, Bolsonaro minimizou:

“Se quiser o de Pernambuco, tem problema não. Tá há três meses programado. Acho que ele vai pro exterior o que tava lá, tá certo? Tanto faz pra mim. Eu sugeri o de Manaus, se vier o de Pernambuco não tem problema não.”

Cinco dias depois, com a repercussão sobre possível interferência na PF, Bolsonaro foi às redes sociais com um objetivo: afirmar que a escolha do diretor-geral da PF era prerrogativa dele.

“Confio plenamente em meus ministros. A eles conferi total autonomia. Aos setores da imprensa que me acusam de interferir na PF, lembro que, de acordo com a lei, a escolha do diretor-geral dessa exemplar instituição é de competência exclusiva do presidente da República.”

No dia seguinte foi ainda mais taxativo:

“Se eu trocar hoje, qual o problema? Tá na lei. Eu que indico e não o Sergio Moro, e ponto final. Não depende da vontade dele. E outra, ele é subordinado a mim, não ao ministro, deixar bem claro isso aí, eu que indico, tá na lei, o diretor-geral. Se eu não posso trocar um superintendente, eu vou trocar o diretor-geral, aí não se discute isso aí.”

Dois meses depois, Bolsonaro falou sobre a Polícia Federal no contexto da reportagem do Jornal Nacional que revelou, no dia 29 de outubro, que o porteiro do condomínio do Rio onde o presidente tem casa afirmou que no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes um dos acusados do crime, Élcio Queiroz, entrou no condomínio dizendo que ia para a casa 58, que pertence ao presidente, então deputado federal. Na mesma reportagem o JN informou que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia. Em uma transmissão ao vivo na internet, o presidente anunciou uma diligência da investigação. Disse que a PF iria colher o depoimento do porteiro do condomínio:

“Fiquei sabendo dia 9 de outubro, uma quarta-feira, que eu estava no processo, estava no processo, através do governador Witzel, do Rio de Janeiro. Ele teve acesso ao processo que seguia, corria em segredo de Justiça. E fiquei sabendo também que ele estava interessado em meu nome estar lá. Muita coisa mais aconteceu, mas lamento o delegado que presta serviço diretamente para o Witzel. Não é de forma apenas administrativa. Pelo que estamos sabendo ele reporta-se ao governador tudo que acontece. E ouviu o porteiro, o porteiro assinou, não sei se o porteiro leu o que estava assinando ou não. Se o porteiro falou aquilo mesmo, tá? Eu espero que o porteiro, que vai ser ouvido agora pela Polícia Federal juntamente com o MP federal, vai ser ouvido e ele fale a verdade, o que aconteceu.”

Em novembro o JN mostrou que o porteiro voltou atrás nas declarações que tinha dado à PF.

Bolsonaro também falou de investigações envolvendo a família toda, como seus filhos e também o amigo deputado Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão. E acusou o governador Wilson Witzel.

“Pensei que ele estava agindo, quer dizer, eu já sabia do que ele já fazia contra Flávio Bolsonaro, a força que ele dá pra que esse processo do Flávio Bolsonaro aí chegue ao ponto, de quem sabe, incriminar meu filho. A exemplo, o que ele queria agora com essa sua, eu não tenho dúvida, a sua participação na confecção do inquérito do caso Marielle com o meu nome também fosse pros tribunais um dia. Como um outro filho meu, o Carlos, é investigado também no Rio de Janeiro. Como minha família toda, lá no Vale do Ribeira, a sua vida já foi levantada pela Receita, toda levantada. Como tentaram incriminar o Hélio Negão, como se fosse um grande fraudador de INSS uns 15 anos atrás. Eu já conhecia o governador. Falei pro pessoal dos parlamentares, os ministros, porque tinha obrigação de falar. Porque a informação que eu passei a ter é que ia estourar na minha viagem.”

 

Em janeiro de 2020, Bolsonaro reuniu secretários estaduais de Segurança para falar da possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública, sem a presença de Sergio Moro, o ministro da pasta.

A leitura era que o movimento do presidente poderia, na prática, tirar o comando da Polícia Federal de Moro.

“A gente vai estudar, estudaremos essas questões aqui e daremos uma resposta o mais rápido possível.”

Dois dias depois, Bolsonaro anunciou que, naquele momento, o ministério comandado por Moro não seria dividido, mas que não sabia sobre o futuro.

“A chance no momento é zero. Tá bom ou não? Acho que tá bom, né? Mas não sei amanhã, na política tudo muda, mas não há essa intenção de dividir, não há essa intenção.”
Repórter: “Na conversa, o senhor tranquilizou o ministro?”
Bolsonaro: “Eu nem conversei com o Moro, ele nem precisou ligar pra mim, mandar mensagem pra mim. Simplesmente está ignorado o fato.”

Em 22 abril, Bolsonaro decidiu sobre a troca no comando da Polícia Federal. Foi horas antes da reunião ministerial divulgada na última sexta (22).

Conversas por mensagens, que fazem parte do inquérito sobre tentativa de interferência na PF, mostram que às 6h20 da manhã Bolsonaro avisa Moro:

“Moro, o Valeixo sai nessa semana. Isto está decidido. Você pode decidir apenas a forma. A pedido ou ex oficio.”

Na reunião, o presidente reclamou diversas vezes do serviço de inteligência. E mais uma vez citou a PF:

“E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou. Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações.”

No dia seguinte à reunião, o presidente manda uma notícia: PF está na cola de dez a 12 deputados bolsonaristas. E afirma: “Mais um motivo para a troca.”

 

Sergio Moro respondeu ao presidente explicando que a investigação não tinha sido pedida pelo então diretor da PF, Maurício Valeixo: “Esse inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre no STF”, se referindo ao ministro Alexandre de Moraes.

A conversa ocorreu antes de uma reunião privada dos dois em que Bolsonaro comunicou Moro que iria trocar Valeixo. Moro disse então que sairia do governo se Valeixo fosse demitido.

No dia seguinte, 24 de abril, Moro foi surpreendido com a demissão de Valeixo no Diário Oficial da União.

Depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial pelo Supremo Tribunal Federal, o presidente deu uma longa entrevista na porta do Alvorada. Afirmou ter recebido de antemão informações sobre operações policiais no Rio que envolveriam um de seus filhos.

“Possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas. Levantei, graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro, o que estava sendo armado para cima de mim. Moro, eu não quero que me blinde. Mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso para nada.”

maio
30
Posted on 30-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2020

 

DO SITE O ANTAGONISTA

 

O silêncio de Abraham Weintraub em seu depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, 29, foi combinado com o Planalto, relata Igor Gadelha na Crusoé.

Sem perspectiva de uma análise do HC preventivo impetrado por André Mendonça, o ministro recorreu ao “plano B” de ficar em silêncio, sob o argumento de que o inquérito do STF é inconstitucional.

maio
30
Posted on 30-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2020

 

Segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, presidente sancionou projeto sem barrar pontos que estabelecem limites tanto para prisão preventiva quanto para acordos de colaboração premiada


postado em 29/05/2020 13:54

 
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.)

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro voltou a criticar a falta de empenho do presidente Jair Bolsonaro no combate à corrupção e disse que o mandatário deixou de vetar itens do projeto anticrime para defender o senador  e filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Em entrevista à revista Crusoé divulgada, nesta sexta-feira (29/5), Moro comentou que Bolsonaro sancionou a lei no fim de 2019 sem barrar alguns dispositivos que tratam sobre a limitação de prisões preventiva e de acordos de colaboração premiada. Moro sugeriu os vetos, mas o presidente não o atendeu.

“Me chamou a atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente, houve algumas alterações no texto que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Propusemos vetos, e me chamou a atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente”, comentou o ex-ministro.

Na entrevista, Moro também disse que outro sinal de que Bolsonaro não está comprometido com a agenda anticorrupção são as recentes alianças dele com políticos do Centrão “que não se destacam exatamente pela imagem de probidade” em troca de apoio do parlamento a seu governo. O ex-ministro garantiu que Bolsonaro quer se defender contra um eventual processo de impeachment.

“No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o Centrão e agora ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: “Olha, foi preciso fazer aliança com o Centrão por causa da saída do Moro”. Não, isso precedeu a minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”, afirmou.

“Planalto não é soberano”

Moro ainda comentou sobre os recentes ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). A relação entre Executivo e Judiciário começou a se estremecer no fim de abril, quando o ministro Alexandre de Moraes impediu a posse de Alexandre Ramagem para a Direção-Geral da Polícia Federal, e ficou pior devido aos inquéritos que investigam se o presidente interferiu politicamente na Polícia Federal e que apuram eventuais crimes de apoiadores do mandatário e parlamentares pró-governo por produção de notícias falsas e ofensas aos magistrados da Corte.

“Não tem nenhum motivo para o Planalto se insurgir e o Planalto sabe disso. O problema é que o Planalto não consegue entender esses limites, que ele não é um Poder soberano. É claro que, eventualmente, pode-se criticar algumas decisões judiciais, mas tem que respeitar a atuação das Cortes de Justiça”, defendeu Moro.

O ex-ministro, que saiu do governo após acusar Bolsonaro de querer intervir na autonomia da Polícia Federal por motivos pessoais, acrescentou que as razões do presidente para promover mudanças na PF são “perturbadoras”.

“Me perguntam se valia tanto a pena manter o (ex-diretor-geral da PF Maurício) Valeixo, mas não era uma questão de quem está lá. A questão era o porquê a troca e por que o presidente precisava de uma pessoa de confiança, de relacionamento direto com ele. As razões que foram externadas pelo presidente são perturbadoras. Não dá pra submeter a PF a esse tipo de vontade”, ponderou.

Moro disse que se sentia “desconfortável” no governo, sobretudo pela “agressividade” e pelo “estímulo à violência” de Bolsonaro e do alto escalão. “Não posso mentir. Eu me sentia desconfortável em vários aspectos do governo: pela agressividade contra a imprensa, pelo estímulo à violência, ao ódio e, mais recentemente, pela descoordenação completa em relação ao combate ao coronavírus. Eu sempre defendi o isolamento”, destacou.

maio
30

O fundador do site ‘Catraca Livre’ e ganhador de prêmios literários enfrentava um câncer desde 2019

O escritor e jornalista Gilberto Dimenstein.
O escritor e jornalista Gilberto Dimenstein.Reprodução/Redes sociais
 Joana Oliveira
São PauloEm um vídeo postado numa rede social em abril, o jornalista disse que vivia o momento mais difícil de sua vida. “Meu nome é Gilberto Dimenstein, sou fundador do Catraca Livre, sou presidente do Conselho da Orquestra Sinfônica Heliópolis, e vivo o momento mais difícil da minha vida. Estou há oito meses lutando contra um câncer de pâncreas que criou metástase. Estou lutando, ainda vou vencer, mas estou lutando”, afirmou.

Autor de mais de dez livros, principalmente focados em problemas sociais, Gilberto Dimenstein venceu as principais premiações brasileiras de jornalismo, inclusive o prêmio Esso, em mais de uma ocasião. Em 1994, ganhou o prêmio Jabuti por O Cidadão de Papel, obra de ficção em que relaciona o assassinato de crianças, a violência, a fome e a falta de escola com o desenvolvimento da economia, a crise da educação e o desemprego para denunciar o desrespeito aos direitos humanos na sociedade brasileira. Centrada no papel dos jovens como cidadãos e seus direitos e deveres, a obra é um retratado das desigualdades social e econômica do país.

O jornalista também escreveu livros como Aprendiz do Futuro – Cidadania Hoje e Amanhã (2005), Quebra-Cabeça Brasil – Temas de Cidadania na História do Brasil (2003) e Meninas da Noite (1992), que resultou em uma série de investigações sobre prostituição infantil na Amazônia, no início da década de 1990, após o escritor receber uma bolsa de estudos da MacArthur Foundation (considerada uma bolsa para “gênios”).

Formado em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Gilberto Dimenstein começou a trabalhar na revista Shalon, da Comunidade Judaica do Brasil, e passou por algumas das principais Redações do país. Foi colunista da Folha de S. Paulo, diretor da sucursal de Brasília e correspondente em Nova York pelo mesmo jornal, foi comentarista da Rádio CBN e também trabalhou n’O Globo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora e nas revistas Educação, Visão e Veja.

Sempre ligado à reflexão e engajamento sobre problemas sociais, o jornalista e escritor também foi um dos fundadores da ONG Agência Nacional de Direitos da Infância (Andi), que busca ampliar e aprimorar a abordagem do tema da infância e da adolescência na grande imprensa. Em reconhecimento ao trabalho ganhou, junto com o cardeal Paulo de Evaristo Arns, o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

maio
30
Posted on 30-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-05-2020


Charge atualizada direto no site pelo próprio autor, ontem às 14:28 h

 

Sponholz, NO

 

Derek Chauvin, o ex-policial de Minneapolis que pressionou com o joelho o pescoço de George Floyd e o matou, foi preso e acusado de assassinato em terceiro grau e homicídio culposo

Mulher repreende policial durante os protestos em Minneapolis.
Mulher repreende policial durante os protestos em Minneapolis.Mark Vancleave / AP
 Antonia Laborde
Washington

Os protestos pelos abusos da polícia contra a população negra norte-americana, que explodiram em Minneapolis depois da morte, na segunda-feira, de George Floyd, que teve seu pescoço pressionado com o joelho por um policial durante vários minutos enquanto reclamava que não podia respirar, espalharam-se nesta quinta e sexta-feira pelos Estados Unidos. Em várias cidades do país, grupos de manifestantes saíram às ruas para exigir justiça. Em Minneapolis, aonde chegaram mais de 500 membros da Guarda Nacional, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar pessoas que estavam saqueando lojas e incendiando edifícios. No final da sexta-feira, um grupo de manifestantes se reuniu no entorno da Casa Branca, que ficou isolada.

A delegacia em que trabalhava Derek Chauvin, o policial branco que pressionou com o joelho o pescoço de Floyd, foi incendiada na noite de quinta-feira. Chauvin e outros três policiais foram demitidos. O advogado do condado de Hennepin, Mike Freeman, acusou Chauvin de assassinato em terceiro grau e homicídio culposo na manhã desta sexta. O ex-policial foi preso.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse à CNN que a decisão de acusar Chauvin é apenas um “primeiro passo”. “Somos uma nação em uma encruzilhada, e a decisão de hoje do advogado do condado é um primeiro passo essencial em um caminho mais longo em direção à justiça e à cura de nossa cidade”, disse em comunicado nesta sexta-feira. “Para a nossa comunidade negra que, durante séculos, foi forçada a suportar a injustiça em um mundo simplesmente relutante em corrigi-la ou reconhecê-la, sei que qualquer esperança que você sente hoje é temperada com ceticismo e uma indignação justa”, disse Frey.

Depois da explosão de violência, o presidente Donald Trump ameaçou enviar militares à cidade de Minnesota e chamou de “bandidos” os manifestantes. “Assumiremos o controle se começarem as dificuldades, mas, quando começam os saques, começam os disparos”, escreveu o mandatário no Twitter. Suas palavras lhe custaram um alerta da rede social, que considerou que a mensagem “glorifica a violência”. Os distúrbios continuaram durante a madrugada desta sexta, na qual o correspondente da CNN Omar Jimenez, um repórter negro, foi detido juntamente à sua equipe, enquanto fazia uma transmissão ao vivo para a TV. Todos já estão em liberdade.

“Esses bandidos estão desonrando a memória de George Floyd e não vou deixar que isso ocorra. Acabo de falar com o governador [do Estado] Tim Walz e lhe disse que o Exército está com ele até o fim. Assumiremos o controle se começarem as dificuldades mas, quando começam os saques, começam os disparos. Obrigado!”, escreveu depois da uma hora da madrugada o presidente americano.

As centenas de pessoas que foram às ruas clamando justiça após a morte de Floyd na segunda-feira se multiplicaram com o passar dos dias. Na quinta-feira ocorreram protestos em uma dezena de cidades, entre elas Los Angeles, Memphis e Nova York. Nesta última houve um confronto com a polícia, que acabou com a detenção de 40 manifestantes. Os protestos foram organizadas por movimentos de defesa dos direitos dos negros, como Black Lives Matter, que denunciam o racismo policial.

As manifestações começaram depois da divulgação de um vídeo em que Floyd, detido por suspeita de fraude, chora e geme de dor enquanto está imobilizado no chão pelo policial: “Dói tudo… Água ou algo, por favor. Por favor, por favor. Não posso respirar, agente, não posso respirar”, dizia Floyd a Chauvin, sem que este aliviasse a pressão. Em alguns minutos, ele ficou inconsciente e, depois de ser levado para um hospital, morreu.

Depois que o vídeo começou a circular, a polícia informou que Floyd, um guarda de segurança de 46 anos, morreu devido a um “incidente médico”. Um relatório do Departamento de Bombeiros publicado na quinta-feira detalhou que os paramédicos da ambulância que o transportaram verificaram seu pulso “várias vezes”, mas sem resultado. O Departamento de Justiça anunciou que a investigação federal sobre a morte de Floyd tem “prioridade máxima”. A investigação se concentrará em descobrir se os quatro policiais envolvidos, todos demitidos após a morte de Floyd, “privaram deliberadamente [o falecido] de um direito ou privilégio protegido pela Constituição ou pelas leis dos Estados Unidos”, segundo uma declaração da Divisão do FBI em Minneapolis.

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