maio
28
Postado em 28-05-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-05-2020 00:13

DO EL PAÍS

Esquema, turbinado por robôs, seria seria financiado por empresários próximos ao presidente. Donos da Havan e da Smart Fit estão entre os alvos e tiveram celulares e computadores apreendidos

O blogueiro Allan dos Santos, do site 'Terça Livre', ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.
O blogueiro Allan dos Santos, do site ‘Terça Livre’, ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.ADRIANO MACHADO / Reuters
 Diogo Magri

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram seus endereços vasculhados na manhã desta quarta-feira, durante uma ação da Polícia Federal, que cumpria ordens judiciais determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como parte da investigação sobre as fake news (inquérito 4.781). Foram 29 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, Rio de Janeiro, em São Paulo, Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina. Entre os que foram visitados por policiais federais estão o blogueiro Allan dos Santos, do site de ultradireita Terça Livre, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-SP), o empresário Luciano Hang, dono da Havan, e a ativista bolsonarista Sara Winter.

Segundo a decisão proferida por Moraes, o objetivo do inquérito é investigar “notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal”. A justificativa também menciona o vazamento de informações sigilosas para insinuar a prática de atos ilícitos na Corte e a verificação da existência de “esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar a independência do Poder Judiciário”.

O documento traz depoimentos de deputados que fizeram parte da base de apoio ao Governo mas a deixaram nos últimos meses, como Alexandre Frota e Joice Hasselmann. “Os documentos e informações juntados até o momento aos autos fornecem sérios indícios da prática de crimes”, diz o documento, mencionando os investigados Allan dos Santos, Bernardo Kuster, Sara Winter, Filipe Barros, Leandro Ruschel, Douglas Garcia e outros donos de perfis bolsonaristas, como @carteiroreaca e @Bolsoneas. Ainda são apresentados diversos posts e conversas de WhatsApp que “apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como ‘Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições”. Carla Zambelli, Bia Kicis e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, deputados que alegaram não terem recebido os agentes federais, devem ser ouvidos pelo inquérito nos próximos 10 dias.

A conclusão de Moraes é que o chamado “Gabinete do Ódio” está sendo financiado “aparentemente por um grupo de empresários que atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. Entraram, portanto, na mira da Polícia Federal os empresários Luciano Hang e Edgard Corona, proprietários respectivos de Havan e Smart Fit, como possíveis mecenas bolsonaristas das fake news e demais discursos de ódio.

Ativista bolsonarista e líder do grupo paramilitar de apoio ao Governo federal ?“Os 300 do Brasil”?, Sara Winter foi uma das primeiras a se pronunciar nas redes sociais. Ela disse que os agentes federais estiveram em sua casa por volta das 6h e levaram seu celular e notebook. “Moraes, seu covarde, você não vai me calar!”, publicou ela em referência ao ministro que conduz as investigações. Mais tarde, Winter ameaçou o ministro em vídeo chamando-o de “filha da puta” e “arrombado”, entre outros palavrões. “A gente vai infernizar a tua vida, vai descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor… até o senhor pedir para sair”, exclamou a ativista “pró-vida”.

Outro alvo que postou uma foto do mandado de busca e apreensão no Twitter foi o político Roberto Jefferson, que teve “computadores e armas”, segundo ele, apreendidos pela PF. “Atitude soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte. CENSURA”, escreveu. Deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro usou um artigo publicado no jornal Gazeta do Povo para defender que o inquérito conduzido pelo STF é inconstitucional. Seu aliado em São Paulo, o deputado estadual Douglas Garcia foi um dos alvos da investigação que apura a disseminação de notícias falsas. Garcia se defendeu por meio de um vídeo publicado em suas redes, no qual diz que “esse nível de investigação apequena a Polícia Federal”.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos