DO EL PAÍS

Atlas Político mostra que gestão do presidente é considerada ruim ou péssima para 58%. Fora de ministério, Moro sofre abalo na imagem

O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira.
O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira.Joédson Alves / EFE
 Daniela Mercier
São Paulo
Em um mês em que a crise sanitária do coronavírus saiu do controle, elevando o Brasil ao segundo lugar mundial em número de casos, e em que crescem os indícios de sua interferência política na Polícia Federal para proteger sua família, o presidente Jair Bolsonaro vê a reprovação ao seu Governo aumentar: 58,1% dos brasileiros avaliam a gestão como ruim ou péssima, aponta pesquisa Atlas Político divulgada nesta quarta-feira. A imagem pessoal do presidente, porém, não segue a mesma deterioração, um indicativo de que o mandatário do país conserva apoio em suas bases.

Desde o levantamento realizado em 25 de abril, logo após o ministro Sergio Moro ter anunciado sua demissão e lançado as acusações que hoje pressionam o presidente, os índices de aprovação e desaprovação do desempenho de Bolsonaro permanecem estáveis, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na nova pesquisa, Bolsonaro mantém alta reprovação (65,1% agora, ante 64,4% há um mês) e sofre ligeiro aumento na aprovação (32,9% agora, ante 30,5% em abril).

A pesquisa —que ouviu 2.000 pessoas entre domingo e terça-feira de forma online, com amostra que reflete a população brasileira adulta— é a primeira realizada após a divulgação do vídeo de uma reunião ministerial que reforça indícios de que o presidente tentou trocar o comando da Polícia Federal para evitar investigações contra sua família e aliados, suspeita que é alvo de uma apuração no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). A gravação mostra também o descaso oficial em relação à pandemia e evidencia a dinâmica das discussões do Governo, com o uso de palavrões, insultos a autoridades e outros Poderes e defesa de agenda contra minorias e o meio ambiente.

Foi também no período entre as duas pesquisas que Bolsonaro deu uma de suas declarações mais polêmicas sobre a pandemia, ao ser questionado sobre o aumento do número de mortes em 28 de abril. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, afirmou a jornalistas. Desde então, o presidente elevou as críticas às medidas de isolamento social implantadas por Governos locais e reforçou a defesa da reabertura da economia, mediando o lobby de empresários que externaram preocupação com a “morte de CNPJs” em decorrência da crise.

O fato de esse discurso não abalar a imagem pessoal do presidente pode estar alinhado com a perda do apoio popular às medidas de contenção do vírus, como o fechamento do comércio e de escolas. Apesar de 72% dos entrevistados afirmarem concordar com esse tipo de política hoje, esse apoio caiu 10 pontos percentuais desde março, enquanto o índice dos que dizem discordar do isolamento cresceu de 13% para 24% no mesmo período.

O cientista político Andrei Roman, criador do Atlas Político, ressalta que há grande disparidade de leitura da condução da pandemia entre eleitores e não eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2018. Se entre quem votou no presidente a aprovação ao isolamento se divide (47% dizem aprová-lo, o mesmo de reprovação), esse percentual salta entre os eleitores do petista Fernando Haddad (96%). “Há uma polarização ideológica que aumenta a distinção entre esses dois grupos”, aponta. “Essa é uma dimensão-chave para a leitura dos dados [sobre o apoio às medidas de isolamento]”.

De acordo com o pesquisador, a diferença entre a estável aprovação pessoal de Bolsonaro e a queda da aprovação de seu Governo pode indicar que uma parcela da população guardava esperanças em relação à gestão, mesmo não gostando do estilo do presidente. A queda de outro ministro no período —médico Nelson Teich, da Saúde— parece ter influenciado nessa mudança de percepção.

Moro perde apoio

Pivô da investigação contra Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro perdeu apoio desde a sua saída do Governo e, pela primeira vez, tem a percepção negativa (43%) de sua imagem igualada à avaliação positiva (42%), considerando a margem de erro. Para Roman, apesar de a aprovação ao ex-juiz ainda ser considerável e maior do que a do próprio presidente, Moro vive agora sua pior situação desde o auge da Lava Jato. Em abril, a aprovação do ex-ministro chegou a 57%. No entendimento do pesquisador, a queda no apoio ao ex-ministro é natural após a sua demissão e se deve ao afastamento de parte do núcleo duro do bolsonarismo em relação a ele.

Outra baixa no Governo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta mantém a popularidade elevada mesmo após mais de um mês fora do comando da crise de saúde: 52% dos entrevistados têm uma imagem positiva do antigo titular da Saúde, percentual que era de 63% em abril, e sua imagem é apontada como negativa por 29%.

Ditadura e impeachment

A pesquisa avaliou também a opinião dos brasileiros sobre um eventual retorno à ditadura militar no Brasil, em um momento em que uma intervenção militar no país entra na pauta de manifestações a favor de Bolsonaro. Segundo o Atlas Político, 83% da população é contra a implantação de um regime de exceção e 8,9% é a favor.

Já o apoio a uma destituição do presidente via impeachment vem crescendo desde março e alcança 58% dos entrevistados, ante 36% contra.

“Crazy”, Patsy Cline: esta obra prima da música country norte-americana vai direto para a Califórnia. Dedicada a minha amada sobrinha e afilhada Gabriela Vallejos Permentter, só para lembrar da sua mais recente passagem pela Cidade da Bahia que ela tanto ama. E, principalmente, da serenata que fizemos ao mar sob o luar de Guarajuba, e Gabee cantou, lindamente, esta musica da predileção de seu padrinho, que Patsy Cline consagrou. Recordar é viver. Vivamos.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

DO EL PAÍS

Esquema, turbinado por robôs, seria seria financiado por empresários próximos ao presidente. Donos da Havan e da Smart Fit estão entre os alvos e tiveram celulares e computadores apreendidos

O blogueiro Allan dos Santos, do site 'Terça Livre', ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.
O blogueiro Allan dos Santos, do site ‘Terça Livre’, ao lado de policias federais, que cumpriram mandados de busca e apreensão em seu endereço, nesta quarta, como parte de uma ação que investiga notícias falsas, conduzida pelo STF.ADRIANO MACHADO / Reuters
 Diogo Magri

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram seus endereços vasculhados na manhã desta quarta-feira, durante uma ação da Polícia Federal, que cumpria ordens judiciais determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como parte da investigação sobre as fake news (inquérito 4.781). Foram 29 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, Rio de Janeiro, em São Paulo, Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina. Entre os que foram visitados por policiais federais estão o blogueiro Allan dos Santos, do site de ultradireita Terça Livre, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-SP), o empresário Luciano Hang, dono da Havan, e a ativista bolsonarista Sara Winter.

Segundo a decisão proferida por Moraes, o objetivo do inquérito é investigar “notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal”. A justificativa também menciona o vazamento de informações sigilosas para insinuar a prática de atos ilícitos na Corte e a verificação da existência de “esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar a independência do Poder Judiciário”.

O documento traz depoimentos de deputados que fizeram parte da base de apoio ao Governo mas a deixaram nos últimos meses, como Alexandre Frota e Joice Hasselmann. “Os documentos e informações juntados até o momento aos autos fornecem sérios indícios da prática de crimes”, diz o documento, mencionando os investigados Allan dos Santos, Bernardo Kuster, Sara Winter, Filipe Barros, Leandro Ruschel, Douglas Garcia e outros donos de perfis bolsonaristas, como @carteiroreaca e @Bolsoneas. Ainda são apresentados diversos posts e conversas de WhatsApp que “apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como ‘Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições”. Carla Zambelli, Bia Kicis e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, deputados que alegaram não terem recebido os agentes federais, devem ser ouvidos pelo inquérito nos próximos 10 dias.

A conclusão de Moraes é que o chamado “Gabinete do Ódio” está sendo financiado “aparentemente por um grupo de empresários que atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. Entraram, portanto, na mira da Polícia Federal os empresários Luciano Hang e Edgard Corona, proprietários respectivos de Havan e Smart Fit, como possíveis mecenas bolsonaristas das fake news e demais discursos de ódio.

Ativista bolsonarista e líder do grupo paramilitar de apoio ao Governo federal ?“Os 300 do Brasil”?, Sara Winter foi uma das primeiras a se pronunciar nas redes sociais. Ela disse que os agentes federais estiveram em sua casa por volta das 6h e levaram seu celular e notebook. “Moraes, seu covarde, você não vai me calar!”, publicou ela em referência ao ministro que conduz as investigações. Mais tarde, Winter ameaçou o ministro em vídeo chamando-o de “filha da puta” e “arrombado”, entre outros palavrões. “A gente vai infernizar a tua vida, vai descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor… até o senhor pedir para sair”, exclamou a ativista “pró-vida”.

Outro alvo que postou uma foto do mandado de busca e apreensão no Twitter foi o político Roberto Jefferson, que teve “computadores e armas”, segundo ele, apreendidos pela PF. “Atitude soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte. CENSURA”, escreveu. Deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro usou um artigo publicado no jornal Gazeta do Povo para defender que o inquérito conduzido pelo STF é inconstitucional. Seu aliado em São Paulo, o deputado estadual Douglas Garcia foi um dos alvos da investigação que apura a disseminação de notícias falsas. Garcia se defendeu por meio de um vídeo publicado em suas redes, no qual diz que “esse nível de investigação apequena a Polícia Federal”.

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Ministro afirma que existe esquema de disseminação em massa de mensagens com o intuito de atacar as instituições


 
(foto: RosineiCoutinho/SCO/STF)
(foto: RosineiCoutinho/SCO/STF)

Na decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos de espalharem fake news e promoverem ataques pelas redes sociais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus integrantes, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que investigações da Polícia Federal apontam a existência do chamado “Gabinete do Ódio”.

 

Moraes aponta que a rede criada para propagar notícias falsas e atacar as instituições é financiada por empresários e tem forte indicativo de que se trata de uma “associação criminosa”. De acordo com Moraes, “as provas colhidas e os laudos periciais apresentados nos autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como “Gabinete do Ódio”, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, disse.

  • Moraes cita depoimentos de parlamentares como Joice Hasselmann e Alexandre Frota, que narram a eventual estrutura do Gabinete do Ódio. Joice afirma que a estrutura utilizada para atacar adversários do governo é organizada de dentro do próprio Palácio do Planalto. “Como se vê de tudo até então apresentado, recaem sobre os indivíduos aqui identificados sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito”, afirma o ministro no despacho.
O magistrado afirma que as investigações da Polícia Federal apontam o uso de mensagens e massa e até de robôs contra as instituições. “Relatório técnico pericial encartado nestes autos, constatou a existência de um mecanismo coordenado de criação e divulgação das referidas mensagens entre os investigados”, completou Moraes.

maio
28
Posted on 28-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-05-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

O senador afirmou que o presidente rompeu com ele ”de forma pessoal” e que sairá da política ao fim do mandato


AE Agência Estado
 
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
 

Eleito em 2018 com mais de 9 milhões de votos, o senador Major Olimpio (SP), líder do PSL no Senado, afirmou, nessa terça-feira (26/5), que está sendo pressionados por colegas da Polícia Militar a ter “lealdade cega” ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que, por isso, decidiu abandonar uma eventual candidatura ao governo de São Paulo e a política após o término de seu mandato, em 2026. O senador afirmou que Bolsonaro rompeu com ele “de forma pessoal” para “proteger filho bandido”.“Todo mundo sabe que meu sonho era disputar o governo em 2022, mas estou fora”, disse Olimpio ao Estadão. “Não quero mais me candidatar. Estou enojado com essa situação. Policiais militares estão me cobrando lealdade cega ao presidente. Me chamaram de traíra. Não sou traíra. Quem está desviando conduta é o presidente.”

 

A indignação do senador, que foi eleito na esteira do bolsonarismo, se difundiu entre policiais após Olimpio responder o áudio de um colega que o procurou. “Era um conversa privada, mas ele resolveu dar publicidade”, disse o parlamentar. Olimpio preferiu não revelar o nome do colega, que na gravação é chamado de Azevedo. O senador ingressou na Polícia Militar há 42 anos e entrou na política tendo como base a categoria.

O motivo do rompimento com Bolsonaro, diz Olimpio, foi o fato de ele ter sido um dos senadores que assinaram o requerimento para a criação da CPI da Lava-Toga. “Quem se desviou foi o presidente (Bolsonaro), que não quis que eu assinasse a CPI da Lava-Toga para proteger filho bandido. Eu não tenho bandido de estimação. Isso de palavrão em reunião (ministerial) é besteira”, disse Major Olímpio na gravação.

 

Na época, Flávio Bolsonaro, que hoje está no Republicanos, foi o único dos quatro senadores do PSL que não assinaram a petição pela abertura da comissão. A CPI era defendida principalmente por parlamentares classificados como “lavajatistas”. 

maio
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Posted on 28-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-05-2020



 

 Sponholz, NO

 

DO SITE O ANTAGONISTA
Por Redação O Antagonista
 

A relatora da CPMI das Fake News, Lídice da Mata (PSB-BA) emitiu uma nota nesta quarta-feira (27) em que afirma que a operação da Polícia Federal de hoje “comprova a linha de investigação” da comissão.

“As ações promovidas pela Operação da PF, reafirmam o que já era conhecido pelos membros da CPMI através de depoimentos e documentos recebidos pela Comissão: uma rede financiada por alguns empresários e com recursos públicos – integrada por vários políticos e agentes públicos – para disseminação de informações falsas no Brasil com o objetivo de manchar biografias, espalhar o caos e o medo e influenciar pleitos eleitorais.”

A relatora afirmou que a operação de hoje trará “importantes novos elementos” que poderão ser usados para “desmontar essa rede de ódio, inverdades e impunidades que vem ameaçando a própria existência da democracia”.

E concluiu:

“Gostaríamos de ter acesso às informações que estão sendo colhidas no dia de hoje pelo STF. A CPMI poderá juntar aos documentos que já possui e, certamente, serão fundamentais para instruir nossas investigações.”

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