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Apoiadores de Bolsonaro hostilizam jornalistas em frente ao Alvorada

Gritos e xingamentos começaram pouco depois de o presidente afirmar que não falaria com os jornalistas


IS Ingrid Soares

postado em 25/05/2020 17:52 / atualizado em 25/05/2020 18:25

 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Apoiadores de Jair Bolsonaro que foram ver o presidente na entrada do Palácio da Alvorada, nesta segunda-feira (25/5), hostilizaram os jornalistas que trabalhavam no local com gestos, gritos e xingamentos de “lixo”.

A ação dos populares ocorreu pouco depois de Bolsonaro deixar o local, após ficar quase 16 minutos conversando com os simpatizantes e ter dito que não falaria com a imprensa. “No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, disse o presidente, recebendo imediato apoio de alguns simpatizantes.

 
Na hora das agressões verbais, os manifestantes se uniram em coro para chamar a imprensa de “lixo”, enquanto outros gritavam e batiam no peito. “Nossa bandeira jamais será vermelha”, “fechada com Bolsonaro”, “imprensa golpista” e “Bolsonaro até 2050” foram algumas das frases ditas. Houve também quem chamasse os profissionais de “comunistas”, “safados”, “sem vergonha”, “escória”, e “ratos”.
 

O espaço reservado aos jornalistas fica próximo ao destinado aos apoiadores que vão ao palácio para ver o presidente. As manifestações hostis são frequentes, mas, nesta segunda-feira, foram mais virulentas.

Como os ataques vêm aumentando, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) instalou duas grades para aumentar o espaço entre os dois grupos. No entanto, nos últimos dias, das duas grades, apenas uma estava no local, além de uma fita de contenção, geralmente ignorada pelos bolsonaristas.

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Hostilidade e agressões

Os jornalistas que cobrem o presidente Bolsonaro têm sido alvos constantes de assédio. Em uma ocasião, um humorista que estava com o presidente no Alvorada ofereceu bananas aos repórteres, depois de o próprio presidente cruzar por duas vezes os braços, em um gesto que significa “dar uma banana”.

 No domingo 17, uma repórter da TV Bandeirantes foi atingida por uma bandeirada ao cobrir um ato de apoio ao presidente. A mulher que segurava o objeto, uma servidora pública, alegou ter sido um acidente.

Na manhã do último dia 10, dois simpatizantes do governo reviraram o lixo deixado pelos profissionais para filmar notas fiscais e exibir dados como nomes e CPF. Durante o vídeo, um dos homens chamava os repórteres de “porcos” e “sujos”.

E, no início do mês, o fotógrafo Dida Sampaio, do jornal O Estado de S. Paulo, foi agredido por bolsonaristas. Segundo consta na ocorrência da Polícia Civil, o repórter fotográfico informou que fazia a cobertura de uma manifestação e estava tirando fotos do presidente da República quando começou a ser hostilizado. Algumas pessoas teriam colocado bandeiras na frente da câmera, tentando impedir os registros.
 
Na sequência, os manifestantes começaram a colocar a mão na lente da câmera e a agredir o profissional. O homem, que usava uma escada pequena para ter uma visão melhor, acabou sendo empurrado, caiu e bateu a cabeça no chão. A partir daí, ele se levantou para tentar sair da aglomeração e começou a ser agredido com socos e chutes.

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