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Postado em 24-05-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 24-05-2020 00:18

Do Jornal do Brasil

 

 

IESA RODRIGUES, cadernob@jb.com.br

Entre as muitas discussões e desorientações que agitam o mundo da moda e da indústria do vestuário e acessórios, as soluções ainda parecem indefinidas. Durante quanto tempo as vendas pelo e-commerce vão durar? Como lançar novidades, que ninguém sabe se terão uso ou local para exibir?

Mas esta situação não é nova, nem deriva apenas da pandemia. Uma prova é o que a americana Donna Karan vem anunciando desde o final dos anos 1990.

“Por alguma razão além da minha compreensão, as lojas querem receber suéteres de cashmere em julho. Claro que as consumidoras sabem que podem esperar pelas liquidações em outubro, quando realmente começa a esfriar.Temos que vender as roupas certas no tempo certo”, ela dizia em 1997.

Em 2010, ela pensava nos lançamentos: “temos que reduzir o número de peças mostradas nos desfiles e apresentações para a imprensa. Por que antecipar as novidades cinco meses antes de irem para as lojas? Não faz sentido, quando está nevando, as pessoas não encontram botas ou um casaco quente. “ A solução dela foi criar uma marca atemporal, a Urban Zen em 2016.

Enquanto Karan dava estes palpites, os colegas de profissão fingiam que davam atenção. Até que a crise desta pandemia assustou todo o setor. Designers, empresas e fabricantes estão tentando se reunir, enfrentando falências e fechamentos de muitas lojas poderosas, como a Neiman Marcus e a Nordstrom, nos Estados Unidos. Como lançar as semanas de moda, como organizar as entregas para o varejo e competir com as redes de fast fashion, são apenas algumas questões atuais, ainda sem definições. Nesta semana, alguns anúncios parecem trazer uma volta ao consumo normal. Um exemplo é o Aventura Mall, de Miami, que reabriu na quinta-feira, dia 21.

Donna Karan não foi a única profetiza desta situação. O desfile do inverno 2020/2021da grife Maison Margiela, assinado pelo genial John Galliano, mostrou suas visões do que vamos vestir (ou já estamos vestindo): na complementação, as modelos usavam máscaras e as bolsas eram protegidas, cobertas com plástico.

Para encerrar, uma ícone da moda, a holandesa Iris Van Herpen também faz sua profecia. “ Vamos voltar à roupa on demand”. O que significaria isto? A volta às costureiras? Aguardemos as próximas iniciativas.

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