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Postado em 23-05-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 23-05-2020 01:37
Um vídeo revelador – Correio do Brasil
Bosonaro noa reunião ministerial: documento mais que revelados…
Tem Boi na Linha! - 1957 | Filmow
…”Tem Boi na Linha”: exemplar comédia
de costumes do cinema nos anos 50/60.

ARTIGO DA SEMANA

Tem boi na linha no reino de Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

A aluvião de caras manjadas e malandras da “velha política” nacional que, coincidentemente (ou não?), saiu das sombras de repente, em meio ao caos da pandemia covid-19, para assumir o palco principal da decantada “nova política” do presidente Jair Bolsonaro, após a renúncia do ministro da Justiça, Sérgio Moro, lembra, em muitos aspectos, a chanchada “Tem Boi na Linha”, filme brasileiro de grande sucesso de público nos Anos 50/60. O jeito e o tom de comédia de escracho, utilizado pelo mandatário do Palácio do Planalto para “cozinhar” em fogo alto Regina Duarte, até retirá-la do cargo de Secretária Especial da Cultura, dia 20, e mandar a atriz tomar conta da cambaleante Cinemateca Brasileira, em Sampa, só completam a semelhança. No caso dos dias que c orrem, e m tom de tragicomédia cultural, política e governamental.  

Sem falar na escolha, mais esdrúxula ainda, do ator de “Armação” (seriado juvenil da Globo), Mário Frias – recebido pelo chefe da Nação, em Brasília, juntamente com os cartolas presidentes do Flamengo e do Vasco – para substituir a “namoradinha do Brasil” no comando da política cultural do País nos dias mais bicudos de sua história. Dramática comédia de época e de costumes. Ou não?
 
Sem perder de vista, é claro, os lances cada vez mais desenvoltos e explícitos de “espertos e malandros”. A começar pela turma do Centrão, do começo deste artigo, chefiada pelo notório Waldemar da Costa Netto. E o significativo reaparecimento (para quem lê nas entrelinhas) do indefectível Carlos Marum, de hilária memória recente, que conseguiu manter a sua bem remunerada sinecura no conselho diretivo de muitas e generosas tetas da Hidrelétrica Itaipu Binacional, ao lado do baiano sempre em movimento, José Carlos Aleluia (DEM).

Foram estas “y otras cositas mas” que conduziram a memória do rodado jornalista à antiga e bem humorada comédia de costumes do cinema nacional, ajudado pelos fatos correntes da tragicomédia tosca que atualmente se desenrola no Palácio do Planalto e adjacências, sob a direção do mandatário da vez, cuja credibilidade e prestígio parece derreter a cada dia de invencionices e primarismos, somados a novas e graves contradições que o desnudam.  

O filme, de 1957, dirigido por Aloísio T. de Carvalho tem enredo simples e bem ao gosto popular, como era comum nas chanchadas. Na armação da jogada, para se casar com a filha de um milionário, um típico malandro tido como muito esperto, aceita a proposta do pai da noiva de fazer prosperar uma falida agência de publicidade, com ajuda de um amigo. Mas outros bandidos roubam o primeiro cheque recebido pela promoção de um hotel a ser inaugurado, causando enorme confusão. A graça maior fica por conta do elenco, encabeçado pelo baiano Zé Trindade  e a impagável Zezé Macedo, além de Ronaldo Lupo, Neide Landi e outros. Vale a pena rever (está na WEB e na cinemateca que Regina Duarte vai cuidar, incluído na relação dos 50 melhores filmes nacionais de todos os tempos) nestes dias amargos de isolamento do corona vírus, da política brasileira e do jogo pesado do poder em re-arrumação.

Aqui e agora cabe aquele aviso final dos letreiros das comédias de costumes do cinema brasileiro: “Qualquer semelhança com fatos e personagens da vida real pode não ser mera coincidência. Viva a chanchada e o cinema, que muito nos ensinam.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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Comentários

Maria Aparecida Torneros on 23 Maio, 2020 at 6:45 #

Tudo está mesmo se transformando neste planeta onde perdemos o fio da meada. Como entender e aceitar o momento por que passa o Brasil? Por exemplo? Um caos de desgoverno e extremismos. Desrespeito e corrupção. Sim, muita. O troca troca continua. O Centrão está comprado para impedir o impeachment do Bolsonaro. Este é um psicótico manipulador de um gado que ele e seu grupo condizem com esperteza. Quer a população armada. Quer a guerra a despeito da fome e da pandemia. Quer proteger filhos criminosos. Nem se dá conta do quanto suas eleições na base das fake News e fanatismo de segmentos religiosos, com ajuda ilícita do ex juiz Moro, na verdade, trouxeram para o comando do Executivo, a falácia assassina das milícias tanto físicas quanto digitais. Tenho sorte com a chegada da minha neta Lua. Só ela pra me fazer agarrar uma pontinha de esperança no futuro. Com certeza, embaralhei toda a cabeça. Vou ver o filme mencionado no seu artigo. Em tempos de Ministro do Meio Ambiente sugerir mudar regras aproveitando que a mídia está ocupada com a pandemia, talvez seja melhor mesmo voltar aos bois dos anos 50. Talvez devêssemos dar-lhes nomes: insensato 01, incapaz 02, desecudador 03, dissimulado 04, cara de pau 05, militante 06 e assim por diante. Do 100 em diante, para nos poupar neurônios, chamaríamos todos de rebanho adestrado para desconstruir uma nação que já foi melhor ou mais promissora. A propósito, eu não odeio o termo “povos indígenas “. Eu amo essa gente vilipendiada através de séculos. Amo ainda mais os negros injustiçados por uma escravidão ambiciosa das elites fazendeiras, amo em maior grau os habitantes imprensados nas comunidades periféricas ou favelização que se espremem entre a violencia do tráfico, chantagem truculenta do mikicianato e a sobrevivência de valores de um bom senso latente de gente humilde que ainda sonha com esmolas e cestas básicas. Se eu tivesse que odiar, o faria direcionando à minha total incapacidade de mudar o rumo dessa prosa. Num arroubo onírico ainda ia esperar uma solução. Mas só saberia compor mais uma rima como fez Drummond. ” mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução “.
Como Vitor reoete: a conferir!


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