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Posted on 23-05-2020
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Um vídeo revelador – Correio do Brasil
Bosonaro noa reunião ministerial: documento mais que revelados…
Tem Boi na Linha! - 1957 | Filmow
…”Tem Boi na Linha”: exemplar comédia
de costumes do cinema nos anos 50/60.

ARTIGO DA SEMANA

Tem boi na linha no reino de Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

A aluvião de caras manjadas e malandras da “velha política” nacional que, coincidentemente (ou não?), saiu das sombras de repente, em meio ao caos da pandemia covid-19, para assumir o palco principal da decantada “nova política” do presidente Jair Bolsonaro, após a renúncia do ministro da Justiça, Sérgio Moro, lembra, em muitos aspectos, a chanchada “Tem Boi na Linha”, filme brasileiro de grande sucesso de público nos Anos 50/60. O jeito e o tom de comédia de escracho, utilizado pelo mandatário do Palácio do Planalto para “cozinhar” em fogo alto Regina Duarte, até retirá-la do cargo de Secretária Especial da Cultura, dia 20, e mandar a atriz tomar conta da cambaleante Cinemateca Brasileira, em Sampa, só completam a semelhança. No caso dos dias que c orrem, e m tom de tragicomédia cultural, política e governamental.  

Sem falar na escolha, mais esdrúxula ainda, do ator de “Armação” (seriado juvenil da Globo), Mário Frias – recebido pelo chefe da Nação, em Brasília, juntamente com os cartolas presidentes do Flamengo e do Vasco – para substituir a “namoradinha do Brasil” no comando da política cultural do País nos dias mais bicudos de sua história. Dramática comédia de época e de costumes. Ou não?
 
Sem perder de vista, é claro, os lances cada vez mais desenvoltos e explícitos de “espertos e malandros”. A começar pela turma do Centrão, do começo deste artigo, chefiada pelo notório Waldemar da Costa Netto. E o significativo reaparecimento (para quem lê nas entrelinhas) do indefectível Carlos Marum, de hilária memória recente, que conseguiu manter a sua bem remunerada sinecura no conselho diretivo de muitas e generosas tetas da Hidrelétrica Itaipu Binacional, ao lado do baiano sempre em movimento, José Carlos Aleluia (DEM).

Foram estas “y otras cositas mas” que conduziram a memória do rodado jornalista à antiga e bem humorada comédia de costumes do cinema nacional, ajudado pelos fatos correntes da tragicomédia tosca que atualmente se desenrola no Palácio do Planalto e adjacências, sob a direção do mandatário da vez, cuja credibilidade e prestígio parece derreter a cada dia de invencionices e primarismos, somados a novas e graves contradições que o desnudam.  

O filme, de 1957, dirigido por Aloísio T. de Carvalho tem enredo simples e bem ao gosto popular, como era comum nas chanchadas. Na armação da jogada, para se casar com a filha de um milionário, um típico malandro tido como muito esperto, aceita a proposta do pai da noiva de fazer prosperar uma falida agência de publicidade, com ajuda de um amigo. Mas outros bandidos roubam o primeiro cheque recebido pela promoção de um hotel a ser inaugurado, causando enorme confusão. A graça maior fica por conta do elenco, encabeçado pelo baiano Zé Trindade  e a impagável Zezé Macedo, além de Ronaldo Lupo, Neide Landi e outros. Vale a pena rever (está na WEB e na cinemateca que Regina Duarte vai cuidar, incluído na relação dos 50 melhores filmes nacionais de todos os tempos) nestes dias amargos de isolamento do corona vírus, da política brasileira e do jogo pesado do poder em re-arrumação.

Aqui e agora cabe aquele aviso final dos letreiros das comédias de costumes do cinema brasileiro: “Qualquer semelhança com fatos e personagens da vida real pode não ser mera coincidência. Viva a chanchada e o cinema, que muito nos ensinam.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“That`s Life”, Frank Sinatra: Ouça em Casa, o imortal Frank Sinatra! Você merece viver!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAÍS

Presidente só se mostra interessado em encontrar comorbidades em casos de soldados e agentes de segurança que morreram de covid-19

Jair Bolsonaro em reunião com o vice-presidente e ministros, no dia 22 de abril de 2020.
Jair Bolsonaro em reunião com o vice-presidente e ministros, no dia 22 de abril de 2020.Marcos Correa

 Joana Oliveira|Marina Rossi

São Paulo

O vídeo da reunião de Jair Bolsonaro com seus ministros no dia 22 de abril, cujo conteúdo foi liberado nesta sexta-feira pelo ministro do STF Celso de Mello, evidencia a falta de estratégia —e até de interesse— do Governo para lidar com a pandemia do novo coronavírus no Brasil, que já provocou 21.048 mortes (com 1.001 novos óbitos notificados em 24 horas). De acordo com o Ministério da Saúde, o país já soma 330.890 casos de covid-19 (135.430 pessoas já se recuperaram da doença).

Naquela que foi a primeira reunião de Nelson Teich à frente do Ministério da Saúde —ele substituiu Luiz Henrique Mandetta e pediu exoneração no dia 15 de maio—, o então ministro não foi perguntado sobre possíveis medidas para conter a pandemia, mas foi cobrado sobre um plano de “transição” ou “saída” do isolamento social para retomar a economia, a prioridade de Bolsonaro durante a crise sanitária. “A gente está trazendo um reforço para acelerar esse processo. Porque, na verdade, a gente tá correndo contra o tempo. Enquanto a gente não conseguir controlar a percepção de que a gente hoje tem condição de cuidar das pessoas, vai ser difícil, né?”, respondeu Teich.

O agora ex-ministro da Saúde argumentou que, antes de flexibilizar as medidas de isolamento, seria preciso fortalecer o sistema hospitalar, que, segundo ele, pode sair “sucateado” da crise do novo coronavírus. “Você tem muita gente falando de covid, mas os hospitais estão diminuindo muito o atendimento. O que significa que eles vão ter problema financeiro. Se isso prorroga, esses hospitais vão ter cada vez mais dificuldades, você vai poder ter um hospital mais sucateado ou um hospital fechado. O que que tá acontecendo hoje? Vamos botar em números hoje, que a gente tenha quatro milhões de pessoas hoje com a covid. Brasil hoje tem duzentos e doze milhões de pessoas. Tem duzentos e oito milhões que não estão tendo atenção necessária. É câncer, [problema] cardiovascular. Isso tudo tá represado, é demanda reprimida. Quando você controlar a covid, o não covid vai chegar com tudo, e você pode pegar uma estrutura sucateada. Aí vai ser”… “Vai ser o caos”, completou o ministro-chefe da Casa Civil, Ernesto Braga Netto. Nenhum dos dois apontou, no entanto, soluções ou projetos para aprimorar o sistema de hospitais.

Em um outro momento da reunião, Bolsonaro, militar reformado, que já disse que não corre risco de ser infectado pelo novo coronavírus por ter “porte de atleta”, seguiu insistindo na tese, já desmentida pelos números e casos, de que apenas pessoas mais velhas ou com condições agravantes de saúde sofre com a doença. O presidente insistiu na necessidade de “não assustar a população” e pediu que ministérios notificassem comorbidades nos casos de policiais ou soldados mortos por covid-19. O presidente disse que ligou para o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal ao saber que um patrulheiro morreu pela doença e reclamou que na “nota” de óbito não constavam possíveis agravantes de saúde do indivíduo. “Então vamos alertar a quem de direito, ao respectivo ministério, pode botar covid-19, mas bota também tinha fibrose… montão de coisa, eu não entendo desse negócio não. Tinha um montão de coisa lá, pra exatamente não levar o medo à população. Porque a gente olha, morreu um sargento do Exército, por exemplo. A princípio é um cara que tá bem de saúde, né? Um policial federal, né? Seja lá o que for, e isso daí não pode acontecer. Então a gente pede esse cuidado com o colegas, tá? A quem de direito, ao respectivo ministério, que tem alguém encarregado disso, né? Pra tomar esse devido cuidado pra não levar mais medo ainda pra população”, disse o presidente.

Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, investigado por fraude ambiental, defendeu que o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitasse o foco da imprensa na cobertura da pandemia do novo coronavírus para aprovar reformas “infralegais” de todos os tipos. “A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação (…) Então, para isso, precisa ter um esforço nosso aqui (…) e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação regulam … É de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos”, disse.

Fake news e ameaças a governadores

Ainda no contexto da pandemia, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se mostrou mais uma vez alinhada com o presidente. Fez críticas a governadores e prefeitos que defendem o isolamento social, ameaçando-os, inclusive, com prisão. “A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão a processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos”, afirmou na reunião ministerial. “E nós estamos subindo o tom e discursos estão chegando. Nosso ministério vai começara pegar pesado com governadores e prefeitos”, afirmou.

Damares também informou que mais de 5.000 ações e procedimentos estariam sendo elaborados por seu ministério contra os governantes, mas não mencionou com quais motivos jurídicos e nem mesmo contra quem exatamente seriam essas ações.

A ministra então usou uma notícia distorcida para afirmar que o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), “determinou que a polícia poderá entrar nas casas. Vocês não… imagina o que ele vai fazer! Poderá entrar na ca…”, disse, ao ser interrompida pelo presidente Bolsonaro, que pergunta: “Ele assina? Ele assi… Ele assina?”. Damares então responde: “Assinou! A polícia poderá entrar na casa sem mandado. Então, assim, as maiores violações estão acontecendo nesses dias”.

Na realidade, o Governo do Piauí decretou, no dia 16 de abril, calamidade pública no Estado. No decreto, fica autorizada, dentre outras coisas, que “agentes da defesa civil, diretamente responsáveis pelas ações de resposta ao desastre, e, em caso de risco iminente” a “penetrar nas casas para prestar socorro ou para determinar a pronta evacuação”.

Já o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio apresenta ao presidente um projeto “muito bem elaborado” para fazer com que hotéis abriguem profissionais de saúde. E coloca como “um projeto que pode, sobretudo, trazer pro Governo Federal uma boa visibilidade com essa preocupação de quem está na linha de frente do combate, que são os profissionais de saúde”. A iniciativa já havia sido tomada por diversos municípios pelo Brasil. Em sua fala, o ministro do Turismo aproveita para criticar a ausência de interesse do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por sua ideia. “A gestão do… anterior do ministério, por duas vezes eu mandei mensagem, não se manifestou, não se interessou”.

DO EL PAÍS

Comentários do ministro do Meio Ambiente são tradução literal de suas políticas para a preservação, que incluem incentivo a grileiros, desmatadores e madeireiras

 Gil Alessi

São Paulo
Ricardo Salles (dir.) e o presidente Jair Bolsonaro.
Ricardo Salles (dir.) e o presidente Jair Bolsonaro.ADRIANO MACHADO / Reuters

Para o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a pandemia do coronavírus —que já matou 21.048 pessoas no Brasil—, é uma “oportunidade” para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas [ambientais] (…) de baciada”. A expressão “boiada” é emblemática até se lida literalmente, tendo em vista o alinhamento do ministro com o agronegócio. “Estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid[-19]”, complementou o ministro durante reunião realizada em 22 de abril, mas cujo vídeo foi tornado público nesta sexta-feira. Salles fala que as atenções estão voltadas para a pandemia, logo abre-se uma “oportunidade que nós temos, que a imprensa (…) está nos dando um pouco de alívio nos outros temas (…) e passar as reformas infralegais de desregulamentação”.

Na reunião Salles defende um esforço conjunto no sentido de alterar a legislação vigente. “De IPHAN [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], de Ministe?rio da Agricultura, de Ministe?rio de Meio Ambiente, de ministe?rio disso, de ministe?rio daquilo. Agora e? a hora de unir esforc?os pra dar de baciada a simplificac?a?o de regulamentos”. Salles também criticou a atuação da Justiça, que segundo ele age para barrar as tentativas de alterações normativas propostas por ele. “Tudo que a gente faz é pau no Judiciário, no dia seguinte”, afirmou. Segundo ele, a estratégia seria passar novas desregulamentações ambientais “e deixar a AGU [Advocacia-Geral da União] de stand by [prontidão] pra cada pau que tiver”.

Além de se indispor com o Judiciário, o ministro também minimizou o papel do Congresso com relação à proteção do meio ambiente. “Não precisamos de Congresso. Porque coisa que precisa de Congresso também, nesse fuzuê que está aí, nós não vamos conseguir aprovar. Agora tem um monte de coisa que é só, parecer, caneta, parecer, caneta”, afirmou.

Os comentários feitos pelo ministro são a tradução literal de uma série de políticas da pasta que se aceleraram em meio à pandemia, e que vão no sentido contrário à proteção ambiental. Durante a crise do coronavírus, por exemplo, ele deu sinais de que não irá tolerar repressão aos garimpos de ouro (atualmente ilegais) em terras indígenas. Em 13 de abril ele exonerou dois servidores de carreira do Ibama que apareceram em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, que mostrava o combate aos garimpeiros, inclusive com a destruição de seus equipamentos, prevista por lei —e criticada por Bolsonaro.

Durante a pandemia, Salles também acenou aos desmatadores. No final de abril ele recomendou aos órgãos de fiscalização que desconsiderassem a Lei da Mata Atântica, legislação que determina a recuperação de áreas desmatadas irregularmente antes de 2008. Após ser criticado pela medida, ele enviou ao presidente uma nova versão da lei, com o objetivo, segundo ele, de “afastar a instabilidade técnica e jurídica”. O texto de sua lavra permite o desmate de áreas menores de 150 hectares sem autorização do Ibama, dentre outros retrocessos. O Ministério Público Federal reagiu, e pediu que o Ibama “desconsidere” o ato administrativo do ministro, e “mantenha interdições, autos de infração e outras sanções aplicadas por ocupação ilegal e degradação da Mata Atlântica no Estado de São Paulo”.

Além disso, Salles era um defensor da Medida Provisória 910, apelidada de “MP da Grilagem”. Na prática esta legislação estendia o marco temporal de legalização fundiária, tendo como resultado a anistia a grileiros que tomaram terras até dezembro de 2018, quando a lei anterior previa como limite dezembro de 2011. A MP também aumentou o tamanho do terreno que poderia ser regularizado por autodeclaração, ou seja, sem parecer de fiscalização, para áreas de até 15 módulos fiscais (antes eram 4). Em 11 de maio o ministro elogiou a MP, e afirmou haver “necessidade de avançar na regularização fundiária, no zoneamento econômico-ecológico, no pagamento pelos serviços ambientais e na agenda da bioeconomia”. A MP caducou, e não foi renovada pelo Congresso, que deve apresentar em breve um projeto de lei sobre a matéria.

A repercussão às declarações do ministro foram imediatas. O Observatório do Clima, rede que reúne dezenas de entidades brasileiras ligadas à questão ambiental, divulgou nota pedindo o afastamento de Salles. “Esperamos que Ministério Público federal, STF e Congresso tomem medidas imediatas para o afastamento do ministro Ricardo Salles. Ao tramar dolosamente contra a própria pasta, demonstra agir com desvio de finalidade”, diz o texto. A ONG ambientalista WWF-Brasil também se posicionou, e afirmou que “a fala do Ministro Ricardo Salles expõe sua consciência de que o que está propondo é ilegal, e que portanto se ressente da ameaça que a Justiça pode trazer às suas intenções”. Mais à frente o texto afirma não ser “surpresa” que Salles “venha trabalhando, desde o início de seu mandato, para fragilizar as regras e as instituições criadas para defender nosso patrimônio ambiental”.

 Na porta do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro confessou que pediu a Sergio Moro para protegê-lo. “É obrigação dele me defender”, disse.

“O tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filhos meus, onde provas seriam plantadas. Levantei… graças a Deus tenho amigos policiais civis e militares no Rio de Janeiro… que estava sendo armado para cima de mim”.

“Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso para nada. É obrigação dele me defender. Não é me defender de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior. Não, é defender o presidente para que possa trabalhar, possa ter paz”, disse.

Bolsonaro queria que Moro fosse o seu Márcio Thomaz Bastos, o ministro da Justiça que servia como advogado de defesa para Lula e que abusava da PF para salvar a pele do petista.

Veja:

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Sponholz, NO

 

Por G1

Bolsonaro olha na direção de Moro ao falar em 'interferência'

Bolsonaro olha na direção de Moro ao falar em ‘interferência’

O presidente Jair Bolsonaro olhou para o lado em que está sentado o então ministro Sergio Moro ao falar em “interferir” durante a reunião ministerial de 22 de abril. Veja no vídeo acima.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello divulgou nesta sexta-feira (22) o vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro, que integra o inquérito que investiga suposta interferência do presidente da República na Polícia Federal.

Dois dias depois da reunião, em 24 de abril, Moro pediu demissão sob o argumento de Jair Bolsonaro interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral do órgão, Maurício Valeixo, e insistir na troca do comando da PF no Rio de Janeiro.

Bolsonaro fazia comparações com o sistema de informação estrangeiros e criticava o sistema de informações que o abastece. E, ao falar em interferir, se virou em direção ao lado de onde está Moro:

“E me desculpe, o serviço de informações nosso, todos, é uma … são uma vergonha, uma vergonha! Que eu não sou informado! E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma … extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, né? Dei os ministérios pros senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar, pô.”

 Moro estava à esquerda de Bolsonaro. Da direita para a esquerda do presidente, estavam os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o ministro da Casa Civil, Braga Netto e o vice-presidente, Hamilton Mourão. Ao lado de Mourão, no lado esquerdo de Bolsonaro, está Moro. E, depois, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo (veja abaixo).
Bolsonaro em trecho de vídeo da reunião ministerial olha em direção à Moro; à direita, a posição do ministro em relação ao presidente — Foto: Reprodução e Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro em trecho de vídeo da reunião ministerial olha em direção à Moro; à direita, a posição do ministro em relação ao presidente — Foto: Reprodução e Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro já disse publicamente que a interferência dizia respeito, na verdade, à necessidade de trocar a segurança da sua família no Rio, e não à troca na Polícia Federal. O responsável pela segurança do presidente é o Gabinete de Segurança Institucional, comandado pelo general Augusto Heleno. Mas Heleno está do lado oposto ao qual Bolsonaro olha quando fala em “interferir”.

Após a divulgação do vídeo da reunião, Bolsonaro disse que as imagens desmontam mais uma “farsa” e mostram que não há “indício de interferência na Polícia Federal”.

Trechos

Nesses trechos da reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro disse:

  • externa, por diversos momentos, sua insatisfação com as informações que recebe dos serviços de inteligência, que, segundo ele, o desinformam. Ele diz que na?o pode ser surpreendido com noti?cias, e menciona a Polícia Federal: “Po?, eu tenho a PF que na?o me da? informac?o?es”;
  • revelou ter um “sistema “particular” de informações que, segundo ele, funciona, e reclamou que o sistema oficial “desinforma” –em entrevista à rádio Jovem Pan na noite desta sexta, o presidente disse que o “sistema particular” é formado por conhecidos dele;
  • disse ter “o poder” de “interferir em todos os ministe?rios, sem excec?a?o”;
  • menciona preocupação de que familiares e amigos dele sejam prejudicados porque não pode “trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa”.
 

Menção à PF

Na reunião, o presidente reclamou da falta de informações que julga que deveria receber. Este é um dos trechos cuja transcrição já havia sido divulgada pela Advocacia-Geral da União (AGU). Nele, Bolsonaro deixa clara sua insatisfação com os relatórios de informações que a PF, as Forças Armadas e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) fornecem à Presidência.

Bolsonaro diz:

“E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministe?rios, sem excec?a?o. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu na?o posso ser surpreendido com noti?cias. Po?, eu tenho a PF que na?o me da? informac?o?es”.

“Eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação.”

Veja a transcrição deste trecho.

Enta?o e? um apelo que eu fac?o a todos, que se preocupem com poli?tica, pra na?o ser surpreendido. Eu na?o vou esperar o barco comec?ar a afundar pra tirar a?gua. Estou tirando a?gua, e vou continuar tirando a?gua de todos os ministe?rios no tocante a isso. A pessoa tem que entender. Se na?o quer entender, pacie?ncia, po?! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministe?rios, sem excec?a?o. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu na?o posso ser surpreendido com noti?cias. Po?, eu tenho a PF que na?o me da? informac?o?es.

Eu tenho as … as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info … co … quem é que nunca ficou atrás do … da … da … da … da … da … da … da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá … tá comentando. Tem que ver pra depois que e … depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes … depois que o moleque encheu os cornos de … de droga, já não adianta mais falar com ele, já era. E informação é assim.

É uma realidade. Não adianta esconder mais, tapar o sol com a peneira, né? Tem, não é … em vá … em alguns ministérios tem gente deles~ aqui dentro, né? Então não queremos brigar com [trecho com tarja] , zero briga com a [trecho com tarja]· Precisamos deles pra vender? Sim. Eles precisam também de nós. Porque se não precisassem não estariam comprando a soja da gente não. Precisam. E é um negócio, pô. E devemos aliar com quem tem umas … alguma afinidade conosco. Pra gente poder faz … fazer valer a nossa vontade naquele momento. Não adianta se esconder aqui, depois tem um problema, daí liga pro tio, “O tio”. Vou falar “Pô cara, você me ignorou até hoje!”. Você só não me chamou de imperialista, igual a esquerdalha e o FHC falavam no passado, no resto … agora não dá mais. Então essa é a preocupação que temos que ter. A questão estratégica, que não estamos tendo. E me desculpe, o serviço de informações nosso, todos, é uma … são uma vergonha, uma vergonha! Que eu não sou informado!

E não dá pra trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô! Não é ameaça, não é uma … urna extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, né? Dei os ministérios pros senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar, pô. E eu quero, é realmente, é governar o Brasil. Não, é o problema de todos aqui, como disse o Marinho, né? É o mesmo barquinho, é o mesmo barco. Se alguém cavar o fu … cavar no porão aqui, vai, vai todo mundo pro saco aqui, vai todo mundo morrer afogado. Então ess … isso que a gente precisa, é pensar além do que tem que fazer internanente aqui. Quando explodiu o INMETRO, conversei com o Paulo Guedes. Uma, desculpe o linguajar, uma putaria! Putaria o INMETRO! Trocar tacógrafo, trocar taxímetro, botar chip na bomba de combustível, putaria! Igualzinho a tomada de três pinos. Tá muito bem agora lá. A imprensa enfiou a porrada. “A, botou um coronel” . Coronel é formado pelo IME. Num ia botar um coronel sem u … sem uma formação, tá?

 

Sistema ‘particular’

Ainda na reunião, Bolsonaro revela que tem um sistema “particular” de informações que funciona e que o sistema oficial desinforma. Ele também afirmou que já tentou trocar gente “da segurança nossa” no Rio de Janeiro, e que não conseguiu. E que “isso acabou”.

Em seguida, disse que não iria “esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa”.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

Assista ao trecho abaixo:

'Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio e não consegui', diz Bolsonaro
 

‘Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio e não consegui’, diz Bolsonaro

Ainda na reunião, Bolsonaro xingou governadores, criticou ações contra a Covid-19, entre outras afirmações: veja ponto a ponto o que o presidente e os ministros disseram.

A reunião ministerial

A reunião ministerial citada por Moro aconteceu em 22 de abril. Além do presidente Bolsonaro, estavam presentes o vice, Hamilton Mourão, Moro e outros ministros. Ao todo, 25 autoridades participaram do encontro.

 

Conforme diálogos do encontro, que já tinham sido transcritos pela Advocacia-Geral da União no último dia 14, Bolsonaro reclamou da falta de informações da Polícia Federal e afirmou que iria “interferir”. A declaração, no entanto, não deixa claro como ele faria isso.

A defesa de Moro pediu ao STF que divulgue a íntegra do material. Celso de Mello, então, pediu pareceres à AGU e à PGR.

As respostas foram:

Procuradoria Geral da República: Defendeu a divulgação somente de falas do presidente. Queria que o recorte seja dos trechos que tratam da atuação da Polícia Federal, da “segurança”, do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e da alegada falta de informações de inteligência das agências públicas.

Mudança no governo põe em xeque versão

Até o momento, o presidente insiste que as queixas que fez, ameaçando até demitir ministro, se referiam à segurança dele, da família e de amigos no Rio de Janeiro e à tentativa frustrada de substituir pessoas do setor.

O presidente mesmo disse que a segurança dele é responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Mas uma apuração do Jornal Nacional, publicada no dia 15 de maio, mostra que o presidente tinha promovido o responsável pela segurança 28 dias antes da reunião — em vez de demiti-lo. E ainda promoveu, para o lugar dele, o número dois da diretoria.

E, mesmo no Rio de Janeiro, houve troca na chefia do escritório do GSI menos de dois meses antes da reunião ministerial.

O general André Laranja Sá Correa é o comandante da Oitava Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, localizada em Pelotas (RS), desde o dia 31 de março deste ano. É uma posição importante na estrutura do Exército, já ocupada, entre outros, pelo atual ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

 

Mas, até o dia em que foi promovido, o general Sá Correa era diretor do Departamento de Segurança Presidencial, cargo que ocupava desde o começo do ano passado. O Departamento de Segurança Presidencial faz parte da Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

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