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Postado em 21-05-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 21-05-2020 00:16
 

DO EL PAÍS

Empresário que rompeu com clã presidencial depõe por cinco horas à PF e diz que suas revelações vão “ao encontro” das de Moro. Delegados desmentem presidente

O presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Brasília.
O presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Brasília.Joédson Alves / EFE

Foi como acender um rastilho de pólvora. A decisão do empresário e presidente do PSDB no Rio de Janeiro, Paulo Marinho, de romper de vez com Jair Bolsonaro e afirmar que soube que integrantes da Polícia Federal atuaram para beneficiá-lo na campanha presidencial de 2018 incendiou de vez a investigação sobre as supostas tentativas do mandatário de interferir politicamente no trabalho da PF. Por cinco horas na tarde desta quarta-feira, Marinho, que é suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e foi seu aliado até meados de 2019, prestou depoimento à Polícia Federal dentro do inquérito que investiga se o presidente cometeu cinco crimes ao tentar interferir politicamente na corporação. A investigação, aberta após a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça no final de abril, se baseou nos relatos feitos pelo ex-juiz da Lava Jato.

Ao sair do depoimento, Marinho não revelou aos jornalistas o teor do que disse, alegando que poderia atrapalhar as investigações. Limitou-se a dizer que suas palavras iam ao “encontro” das acusações de Moro. Foi a sequência esperada do capítulo que ele abriu no fim de semana, quando, em entrevista à Folha de S. Paulo, trouxe novos elementos e personagens para a trama que enrola a família Bolsonaro. O empresário diz ter provas do que revelou ao jornal. Segundo esse antigo aliado de Bolsonaro, Flavio lhe contou numa reunião em sua casa que fora avisado, antes do segundo turno da eleição de 2018, que dois assessores dos Bolsonaro estariam entre os alvos da Operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato que, no dia 8 de novembro daquele ano, resultou na prisão de dez deputados estaduais suspeitos de receberem uma mesada ilegal dos governos de Sergio Cabral e de Luiz Fernando Pezão. A informação antecipada teria vindo de um delegado simpatizante do então candidato Jair Bolsonaro. Um dos alvos da investigação era o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, suspeito de administrar um esquema milionário de apropriação de parte dos salários dos servidores do gabinete – a rachadinha.

O episódio narrado por Marinho acabou implicando outros personagens que terão de prestar depoimento. Segundo ele, Flávio esteve em sua casa junto com o o advogado Victor Granado Alves em dezembro de 2018. Alves foi o interlocutor de Flávio no encontro com o delegado que antecipou a operação que atingiria a família Bolsonaro em outubro de 2018, duas semanas antes do segundo turno. A justificativa do delegado que, segundo o relato, vazou a informação era de proteger a campanha eleitoral de Bolsonaro, favorito a vencer a eleição. Alves confirmou ao jornal O Globo a reunião que teve com Flavio na casa de Marinho no final de 2018.

Assessor próximo de Flávio, o escritório de Granado Alves recebeu 500.000 reais provenientes do fundo partidário do PSL entre fevereiro de 2019 e março de 2020 por prestar serviço de assessoramento jurídico ao diretório estadual do Rio de Janeiro —a legenda diz que vai cobrar os valores do advogado de volta. Flávio era quem dirigia o partido no Estado. O valor é proveniente de recursos públicos, algo que toda a família Bolsonaro costuma dizer que não precisava usar em sua campanha eleitoral. O advogado, que também é investigado no esquema da rachadinha, já defendeu o senador em casos envolvendo a uma franquia de chocolates do parlamentar e possui duas lojas da mesma rede.

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