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Garça em migração no sertão da Bahia.

CRÔNICA

FÉ NO QUE VIRÁ

Gilson Nogueira

Media um metro, mais ou menos, com suas asas abertas. Branca, como a nuvem. Em silêncio, cheguei e fiquei,alí,extasiado, em pé. O Tanque do Meio, com suas águas mansas à disposição dos animais, no município de Santa Therezinha, na Bahia, deve continuar lá, suponho.

Era redondão, cercado de verde caatinga por todos os lados. Em uma tarde de um dia qualquer de um ano em que era, eu, ainda, sonhador, avistei aquela garça tomando banho de sol. Pensei mil coisas, ao vê-la, sozinha, em paz, como se estivesse fazendo escala para prosseguir seu voo livre de badogues e espingardas, para voltar às alturas e ficar mais perto de Deus. A imagem daquela ave, até hoje, desperta meus pensamentos de ontem.

E aqui estou, em volta de muito verde, tentando “conversar” com a Natureza. Quem sabe, aquela espécie animal não aconteça, por aqui, na Serra, nesses tempos bicudos! Hoje, ao acordar, vi um pássaro caçando seus semelhantes em uma árvore defronte à janela do meu quarto. Ele voava baixo. Ao aparecer na área, o silêncio toma o lugar da Sinfonia de Vida Silvestre. Por conta dele, corri, apanhei o celular de minha mulher, e cheguei à janela para fazer a foto. O bicho fugiu, veloz. E lembrei dos dias em que, na fazenda do amigo onde ficava o tanque da Garça da Paz abastecer-se, a vida era outra.

Havia uma calma voando em volta. Nem de leve, imaginava-se um vírus assassino matando a três por dois, no Planeta Terra, considerável parcela da população. A dor infinita está fazendo miséria, diria o poeta Castro Alves!

A tristeza tomou o lugar da alegria. Mas, mesmo assim, sonho em ver outras garças pousando em paz em algum lugar e sigo cantando. Tenho fé no que virá, como escreveu o saudoso Gonzaguinha!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

Canzone per Te”, Roberto Carlos: A conquista da primeira grande consagração do Rei, no festival italiano de San Remo 1968. Interpretando a maravilhosa composição de Sérgio Endrigo. Nada melhor para começar a semana de maio. Confira e aplauda que roberto e Endrigo merecem,

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 


Mulheres são 86% dos profissionais de enfermagem no Brasil — Foto: Carlos Jasso/Reuters

Mulheres são 86% dos profissionais de enfermagem no Brasil — Foto: Carlos Jasso/Reuters

 

Braulita Braga está há um mês e meio sem ver a filha, Luize.

Desde que a pandemia de Covid-19 chegou à cidade de Fortaleza, a enfermeira está isolada da família — inclusive dos pais, com quem costumava almoçar sempre que os horários pouco convencionais que a profissão permitia.

Com 20 anos de experiência como intensivista, trabalhando dentro de UTIs, ela se divide entre dois hospitais da rede privada na capital cearense.

Foi Luize, que completou 17 anos no último dia 25 de abril, que decidiu se mudar temporariamente para a casa “da mãezinha e do paizinho”, como chama os avós, para poupar a mãe de mais uma preocupação.

“Eu sinto saudade… ela me liga às vezes chorosa. Fico com o coração pequeno, me dá uma certa angústia — mas ao mesmo tempo força, porque eu sei que tudo isso vai acabar. Precisa acabar.”

Braulita faz parte de um exército de mais de 1 milhão de profissionais de enfermagem que estão na linha de frente contra o novo coronavírus. Histórias como as dela têm se repetido com frequência durante a pandemia.

Com medo de infectar os familiares, muitos desses profissionais se isolaram e têm vivido nas últimas semanas uma mistura de angústia e solidão. À sobrecarga emocional — que vem do temor de ser infectado, da hostilidade por que muitos passam no transporte público ou mesmo em casa, pelo companheiro — se somam o esgotamento que vem do trabalho em si e, em muitos casos, a alta exposição ao risco representado pelo novo coronavírus.

 

Na estimativa mais recente da Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cerca de metade dos 2,3 milhões de enfermeiros, técnicos e auxiliares registrados no país estão atuando nos hospitais e unidades de saúde no combate à doença neste momento.

É o maior grupo de profissionais que lidam com a doença — para se ter uma ideia, há no Brasil, ao todo, cerca de 400 mil médicos.

Cento e oito profissionais de enfermagem já morreram por Covid-19
 

Cento e oito profissionais de enfermagem já morreram por Covid-19

Os profissionais de enfermagem são em sua maioria absoluta mulheres — 86,6% do total, de acordo com a pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, realizada em 2015 pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

A predominância tem sido destacada pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) em seus últimos relatórios de acompanhamento da pandemia de Covid-19 por conta da inserção desse grupo no mercado de trabalho.

São as mulheres muitas vezes as responsáveis pela criação dos filhos — quando estão separadas ou mesmo juntas dos companheiros. Com frequência, elas também acabam assumindo a maior parte das tarefas domésticas.

Segundo a OIT, as mulheres gastam em média quase 4 horas e meia por dia em chamados “trabalhos não remunerados” — o cuidado com a casa e com a família, por exemplo —, enquanto os homens despendem cerca de uma hora e 20 minutos nessas mesmas funções.

Menos de dois salários mínimos

No Brasil, além da dupla ou tripla jornada, os profissionais de enfermagem também convivem com baixos salários.

Mais de 60% ganham menos de R$ 2 mil por mês (62,2%) e mais de um terço (38,7%) têm jornadas superiores a 41 horas semanais. Cerca de 3,5% recebem mais de R$ 5 mil por mês.

“A questão da remuneração me chamou atenção — absolutamente fora de qualquer padrão ético que pudesse ser aceitável”, diz a pesquisadora da Fiocruz Maria Helena Machado, coautora do trabalho publicado em janeiro deste ano em que constam os dados sobre os salários da categoria.

“E não há muita diferença entre quem é formado e quem tem nível médio ou técnico”, acrescenta a socióloga, que coordenou o Perfil da Enfermagem no Brasil e estuda as profissões ligadas à saúde há mais de 20 anos.

Os profissionais da enfermagem assistiram a um processo de achatamento salarial nas últimas décadas em uma magnitude que os colegas médicos, odontólogos e fisioterapeutas não experimentaram, acrescenta ela.

As razões para isso vêm da própria estrutura da carreira. O fato de concentrar um enorme contingente de trabalhadores — que poderia aumentar o poder de barganha da categoria — muitas vezes joga contra no momento da negociação de reajustes.

No caso do setor público — o maior empregador, englobando cerca de 55% dos profissionais da área —, os gestores municipais e estaduais alegam com frequência que aumentos salariais mais expressivos não cabem nos cofres públicos.

No Brasil, mais de 10 mil profissionais de enfermagem foram afastados com Covid-19 — Foto: EPA

No Brasil, mais de 10 mil profissionais de enfermagem foram afastados com Covid-19 — Foto: EPA

 

A isso se une o fato de a profissão ser bastante “institucionalizada”, diz a pesquisadora. Ou seja, os profissionais de enfermagem dificilmente conseguem trabalhar fora dos hospitais e contornar a rotina de plantões e dos pagamentos “tabelados”.

A situação não se restringe ao Brasil. “É uma vocação da América Latina pagar mal os enfermeiros”, ressalta Maria Helena. Na Europa e nos Estados, acrescenta, o diferencial de rendimentos entre médicos e enfermeiros é significativamente menor.

Como resultado, grande parte dos profissionais da enfermagem no país tem dois ou três empregos e faz jornadas semanais que vão muito além das 40 horas.

Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19
 

Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19

Altas taxas de infecção

Até o dia 6 de maio, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) contabilizava mais de 10 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem afastados por Covid-19 no país.

As mortes chegam a 88, o dobro do registrado na Itália.

Para a instituição, os números refletem a escassez de equipamentos de proteção individual para os profissionais. Nas últimas semanas, o Cofen recebeu milhares de denúncias de todo o país.

Uma delas veio de uma enfermeira em Campinas (SP) que vinha recebendo uma máscara cirúrgica por turno de trabalho — as máscaras comuns devem ser trocadas de duas em duas horas ou quando ficarem úmidas.

 

“O avental também não tinha a gramatura apropriada para evitar que as gotículas passassem”, diz ela, que trabalhava em um serviço de ambulâncias e, após se queixar das condições de trabalho, foi desligada da empresa.

A entidade chegou a entrar com ações civis públicas para garantir afastamento de profissionais da rede pública e privada que estavam em grupo de risco e lidavam diretamente com pacientes infectados.

Mesmo quem conta com todo o aparato adequado de EPI, contudo, tem vivido uma rotina de angústia.

“Na hora de tirar é uma tensão, porque a hora da contaminação é quando a gente tira os EPIs”, diz Braulita.

Dias depois de conversar com a reportagem, a enfermeira foi afastada com sintomas levas de Covid-19 e espera para fazer o teste diagnóstico.

“As pessoas precisam se conscientizar da gravidade do problema. O que nós estamos vivendo é uma pandemia, gente. Fiquem em casa, quem puder. A doença hoje não escolhe idade, não são só os idosos que adoecem. A gente está perdendo tanta gente nova por falta de cuidados, por falta de conhecimento, às vezes por não querer acreditar que tudo isso está acontecendo”, desabafa Braulita.

“Fiquem em casa. Não é fácil pra vocês, mas também não é fácil pra gente que está na linha de frente”, conclui.

do correio braziliense

Vice-presidente e a esposa fizeram o exame no sábado (16/5), após contato com uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus


AB Adriana Bernardes
 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O vice-presidente da República Hamilton Mourão (PRTB) e a esposa dele, Paula Mourão, deram negativo para a covid-19. O resultado foi divulgado neste domingo (17/5), em uma nota emitida pela assessoria de imprensa da vice-presidência. Apesar disso, Mourão e Paula decidiram permanecer em isolamento social até terça-feira (19/5). 

 
De acordo com a nota, Hamilton Mourão pretende retomar os compromissos da agenda oficial somente na quarta (20/5), se os exames de contraprova testarem negativo para o novo coronavírus. 
O vice-presidente e a esposa tomaram a decisão de adotar o isolamento social após Mourão ter tido contato próximo com um assessor que testou positivo para a doença na quarta-feira (13/5). No sábado (16/5), o casal se submeteu ao teste e se isolou. 

Veja a íntegra da nota oficial

Nota Informativa nº 8/2020/VPR-ASCOM
Assunto: Resultado negativo do exame para covid-19 do Vice-Presidente da República
Negativo foi o resultado dos exames a que o Senhor Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, e sua esposa, Paula Mourão, foram submetidos ontem para o covid-19. O Vice-Presidente da República e sua esposa permanecem em isolamento na residência oficial do Jaburu, só devendo o Vice-Presidente Hamilton Mourão retornar ao expediente normal na quarta-feira, caso os exames de contraprova assim o autorizem.
 
Brasília, 17 de maio de 2020.
Atenciosamente,
SÉRGIO PAULO MUNIZ COSTA
Chefe da Assessoria de Comunicação Social da Vice-Presidência

No UOL, Thaís Oyama (autora do livro Tomenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos) diz que o delegado que vazou as informações não é Alexandre Ramagem.

“O policial (que, como Ramagem, atuou na Operação Furna da Onça) é conhecido na corporação por um apelido.

Na época, ele contou à família também que o relatório da Coaf que dera origem à investigação havia identificado a passagem de quantias milionárias na conta do assessor de Flávio Bolsonaro.”

maio
18

Por Deutsche Welle

"O trabalho dos jornalistas deve ser respeitado, valorizado e apoiado", disse Angela Merkel, chanceler da Alemanha, neste sábado (16) — Foto: Abdulhamid Hosbas/Anadolu Agency via AFP

“O trabalho dos jornalistas deve ser respeitado, valorizado e apoiado”, disse Angela Merkel, chanceler da Alemanha, neste sábado (16) — Foto: Abdulhamid Hosbas/Anadolu Agency via AFP

 

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, destacou neste sábado (16) a importância da liberdade de imprensa – e de uma imprensa crítica – para o funcionamento da democracia, especialmente nos tempos atuais, quando o mundo enfrenta uma pandemia.

“Os jornalistas devem poder ter um olhar crítico sobre um governo e todos os atores políticos”, disse a chefe de governo em seu podcast em vídeo semanal, que neste sábado marca os 75 anos da publicação do primeiro jornal após o fim da Segunda Guerra Mundial e do nazismo.

Segundo Merkel, uma democracia “precisa de fatos e informação”, “precisa ser capaz de distinguir a verdade da mentira”. Também exige uma “esfera pública em que se possa argumentar e expressar diferentes opiniões, a fim de desenvolver soluções conjuntas para problemas”.

“Isso requer tolerância com a opinião dos outros. Mas também requer a habilidade de olhar com criticismo para as próprias opiniões”, continuou a chanceler federal.

Ela afirmou que ser capaz de observar a realidade a partir de diferentes perspectivas e de formar opiniões a partir delas é crucial em tempos de crise de coronavírus. “Especialmente neste contexto, informação bem apurada é de grande importância para todos nós.”

Merkel ainda condenou os ataques a jornalistas durante protestos contra o isolamento na Alemanha. Segundo ela, o estado da liberdade de imprensa serve como “um indicador do estado de nossa democracia como um todo”. “Por isso é ainda mais lamentável quando, mesmo aqui, em nossa sociedade democrática, repórteres e jornalistas são atacados”, afirmou. “O trabalho dos jornalistas deve ser respeitado, valorizado e apoiado.”

Os ataques a equipes de reportagem de televisão em Berlim trouxeram preocupações sobre a liberdade de imprensa na Alemanha. Grupos de extrema direita, teóricos da conspiração e antivacina têm direcionado sua fúria ao que chamam de “Lügenpresse” (“imprensa da mentira” – um termo usado desde os anos 1800, mas empregado com maior destaque pelos nazistas), acusando os jornalistas de não cobrirem todo o espectro de opiniões ao informar sobre a pandemia.

Em seu podcast, a chanceler federal rejeitou essa crítica sobre a parcialidade da imprensa, afirmando “não ver dessa forma, pelo contrário”.

“Aprendemos todos os dias, especialmente sobre ciência, e ela nos fornece novos conhecimentos. É absolutamente importante que entendamos isso e que muitas pessoas aprendam sobre isso. As ofertas da mídia, tanto pública como privada, garantem isso.”

Ao lembrar os 75 anos do surgimento da mídia livre após o fim da Segunda Guerra, Merkel observou que apenas a Alemanha Ocidental se beneficiava da liberdade de imprensa.

“Não havia liberdade de imprensa na RDA [República Democrática Alemã]”, afirmou, acrescentando: “Sabemos ainda hoje que, quando regimes autoritários chegam ao poder, antes de tudo a liberdade de imprensa é suprimida, e o jornalismo livre não é mais possível.”

maio
18
Posted on 18-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-05-2020
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Quinho, no Diário da Tarde (MG)

Do  Jornal do Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro reconduziu para novos mandatos quatro conselheiros da hidrelétrica binacional de Itaipu, parceria entre Brasil e Paraguai, e nomear o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para uma vaga no colegiado.

Todos os nomeados, incluindo os reconduzidos, terão mandato até maio de 2024, segundo decretos publicados em edição extra do Diário Oficial da União na noite de sexta-feira.

Entre os conselheiros reconduzidos estão o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr. A estatal é responsável pela gestão de Itaipu no Brasil e comercialização de sua energia, o que é feito no Paraguai pela também estatal Ande.

Também tiveram os mandados renovados os conselheiros Clélio Faria Júnior, Carlos Marun e José Carlos Aleluia.

Marun foi ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Michel Temer, que o indicou para o conselho de Itaipu, enquanto Aleluia é ex-deputado federal (DEM-BA) e ex-presidente da Chesf.(Reuters)

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