maio
14
Nosso Pequeno e Valente Gordini
 
 CRÔNICA

DA MANIA DE CONTAR ESTRELAS A (MAL) PILOTO DE AUTOMÓVEL

Gilson Nogueira

O pai dizia, sempre, para seu filho que tinha mania de contar estrelas: Deixe disso, você quer enlouquecer? A empregada, sentenciava, contar estrelas faz nascer verrugas nos dedos! E eu, de repente, esqueci a mania e fui colecionar carrinhos de corrida. De plástico. Não passei da primeira prova, com meus favoritos descendo a tábua de passar roupa devagar e acabando em último lugar. O irmão mais velho ganhava todas. Desisti da brincadeira e cresci sem interesse algum em aprender a dirigir automóveis. O tempo, veloz como ele só, passou e acabei sofrendo um acidente de carro, como um dos ocupantes de um Karman Ghia TC, no Rio Vermelho da Batida de Diolino. Parei no hospital e sai vivo. Alguns anos depois, na Avenida Adhemar de Barros, em Ondina, os ocupantes de um Gordini cor de Nescau colocaram-me para fora do veículo por um motivo justo. De brincadeira. Estávamos testando o carro adquirido por um dos amigos. Aproveitei para aprender a pilotar. Na primeira volta, botando banca,coloquei o banco para trás e dei a partida, aos solavancos, ouvindo mil e uma gargalhadas. Na curva, diante do antigo Parque de Exposições Agropecuárias, em Ondina, gritaram: “ Faça a embreagem!!!” Acelerei. Fui parar na vala. O passageiro ao lado, pouco antes, puxou o freio de mão. uma voz falou: “ Saia!!!” Sorri, Sorrimos! E passei para o banco de trás, no carrinho da moda. Hoje, após viajar muito de avião e algumas vezes de carro, com quatro cilindros, não sinto saudades da oportunidade de vir a ser um Juan Manoel Fangio da vida. Recordo, isto sim, da corrida de carros que transmiti, com colegas de uma
emissora AM da Salvador de todos os campeões, realizada na Avenida Centenário, tendo na platéia as meninas mais bonitas do Brasil e, nas pistas, que margeavam o canal, hoje extinto, feras do volante soteropolitano, como os saudosos Sylvio e Clóvis Revaut, Lulu Geladeira, André Burity e outras feras da época. Os anos 60 do século passado estavam acabando. No ar, ainda, na cidade em que nasci, aquele clima de amizade e de encantamento. Não havia a violência dos dias que correm. E, até hoje, ao passar na via próxima à minha residência, ouço o ronco dos motores. Um deles, parece tocar um twist. Danço. Na imaginação. Agora. Com uma diferença, em quarentena, o faço sozinho, diante do espelho. Vale a pena! A vida é bela!

Gilson Nogueira É JORNALISTA, COLABORADOR DA PRIMEIRA HORA DO BAHIA EM PAUTA

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