Nosso Pequeno e Valente Gordini
 
 CRÔNICA

DA MANIA DE CONTAR ESTRELAS A (MAL) PILOTO DE AUTOMÓVEL

Gilson Nogueira

O pai dizia, sempre, para seu filho que tinha mania de contar estrelas: Deixe disso, você quer enlouquecer? A empregada, sentenciava, contar estrelas faz nascer verrugas nos dedos! E eu, de repente, esqueci a mania e fui colecionar carrinhos de corrida. De plástico. Não passei da primeira prova, com meus favoritos descendo a tábua de passar roupa devagar e acabando em último lugar. O irmão mais velho ganhava todas. Desisti da brincadeira e cresci sem interesse algum em aprender a dirigir automóveis. O tempo, veloz como ele só, passou e acabei sofrendo um acidente de carro, como um dos ocupantes de um Karman Ghia TC, no Rio Vermelho da Batida de Diolino. Parei no hospital e sai vivo. Alguns anos depois, na Avenida Adhemar de Barros, em Ondina, os ocupantes de um Gordini cor de Nescau colocaram-me para fora do veículo por um motivo justo. De brincadeira. Estávamos testando o carro adquirido por um dos amigos. Aproveitei para aprender a pilotar. Na primeira volta, botando banca,coloquei o banco para trás e dei a partida, aos solavancos, ouvindo mil e uma gargalhadas. Na curva, diante do antigo Parque de Exposições Agropecuárias, em Ondina, gritaram: “ Faça a embreagem!!!” Acelerei. Fui parar na vala. O passageiro ao lado, pouco antes, puxou o freio de mão. uma voz falou: “ Saia!!!” Sorri, Sorrimos! E passei para o banco de trás, no carrinho da moda. Hoje, após viajar muito de avião e algumas vezes de carro, com quatro cilindros, não sinto saudades da oportunidade de vir a ser um Juan Manoel Fangio da vida. Recordo, isto sim, da corrida de carros que transmiti, com colegas de uma
emissora AM da Salvador de todos os campeões, realizada na Avenida Centenário, tendo na platéia as meninas mais bonitas do Brasil e, nas pistas, que margeavam o canal, hoje extinto, feras do volante soteropolitano, como os saudosos Sylvio e Clóvis Revaut, Lulu Geladeira, André Burity e outras feras da época. Os anos 60 do século passado estavam acabando. No ar, ainda, na cidade em que nasci, aquele clima de amizade e de encantamento. Não havia a violência dos dias que correm. E, até hoje, ao passar na via próxima à minha residência, ouço o ronco dos motores. Um deles, parece tocar um twist. Danço. Na imaginação. Agora. Com uma diferença, em quarentena, o faço sozinho, diante do espelho. Vale a pena! A vida é bela!

Gilson Nogueira É JORNALISTA, COLABORADOR DA PRIMEIRA HORA DO BAHIA EM PAUTA

“La ultima curda”, Astor Piazzolla e Roberto Goyeneche: Tango monumental em histórica apresentação ao vivo, no Teatro Regina, de Buenos Aires, em 1962. Astor Piazzolla:bandoneón. Roberto Goyeneche:voz. Aníbal Troilo:música. Cátulo Castillo:letra. Sara Facio:fotografía. Teatro Regina,1982.   Astor Piazzolla:bandoneón. Roberto Goyeneche:voz. Aníbal Troilo:música. Cátulo Castillo:letra. Perfeito!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares).

maio
14

DO EL PAÍS

A cidade dos cassinos, cuja atividade está completamente ligada ao turismo, está paralisada há dois meses por causa da pandemia e sem perspectivas de recuperação

Ciclistas na Strip de Las Vegas, excepcionalmente vazia por causa das ordens de quarentena.
Ciclistas na Strip de Las Vegas, excepcionalmente vazia por causa das ordens de quarentena.BRIDGET BENNETT / AFP

 Pablo Ximénez de Sandoval

Las Vegas

Sempre haverá um Elvis na capela de casamentos rápidos Viva Las Vegas. Resta ver se voltará a haver casamentos. O dono, Ron Decar, viu o negócio desaparecer de um dia para o outro. Não decair; desaparecer mesmo. Nestes dois meses de fechamento por causa do coronavírus, deixou de celebrar 600 uniões. Na quarta-feira passada, Decar mostrava as modificações que precisou fazer neste clássico estabelecimento de Las Vegas. Tem a intenção de reabrir no dia 15, de acordo com as fases de desescalada da quarentena no Estado de Nevada. Pôs adesivos no piso para medir a distância entre os convidados, que se sentarão nos bancos da capela separados por dois metros. Haverá gel desinfetante. Decar continuará se vestindo de Elvis, mas com máscara. “Nosso negócio é juntar as pessoas, não separá-las”, lamentava-se.

O conceito de normalidade em Las Vegas já era discutível antes da pandemia. Normal, não é. Mas a imagem dos últimos dias beira o surrealismo. Todos os cassinos da cidade estão fechados por ordem do Estado. Os poucos hotéis que funcionam não têm serviços e operam com 5% da sua capacidade. A comida só é servida em domicílio. O aeroporto está deserto. Na famosa Strip, a rua dos hotéis e cassinos, famílias de moradores passeiam de bicicleta com as crianças no meio da pista. Os adolescentes fazem corridas de skate entre os cassinos. Não há música, nem fontes, nem nada para anunciar. É como se alguém tivesse largado um enorme cenário, vazio e silencioso, no meio do deserto.

Por trás desse cenário está sendo gestada uma catástrofe econômica e, possivelmente, humana. A região de Las Vegas concentra dois dos três milhões de habitantes de Nevada. A Strip de Las Vegas é o coração econômico do Estado. A autoridade de turismo da cidade calcula que 368.000 empregos (37%) dependem do turismo. Las Vegas tem 150.000 leitos de hotel (mais que Nova York) com uma média de ocupação de 90%. O turismo gerou 57,6 bilhões de dólares em 2018, 51% do PIB do sul de Nevada.

A cidade inteira depende de atividades que estão paralisadas e, além disso, não voltarão em um futuro próximo: hotéis, restaurantes, jogos e shows. O que em outros lugares é uma parte da economia em Las Vegas é a economia, ponto. Alan Feldman, ex-executivo da MGM e especialista em Jogo Internacional da Universidade de Nevada, qualifica a situação como “devastação total”. “É um fechamento completo. Tento tomar cuidado com as palavras, porque começam a me faltar. ‘Sem precedentes’ já não vale. É uma destruição completa de tudo.”

Ron Decar, dono da capela Viva Las Vegas, viu o seu negócio desaparecer de um dia para o outro.
Ron Decar, dono da capela Viva Las Vegas, viu o seu negócio desaparecer de um dia para o outro.P. X.

No caso da capela Viva Las Vegas, depende em 29% do turismo internacional para sobreviver. “Eu casei a Alaska e o Mario [Vaquerizo], vestido de Elvis, duas vezes”, conta Decar. A cantora e o jornalista ? duas celebridades na Espanha ? se casaram nesta capela durante um reality show, e desde então o destino se popularizou entre os visitantes ibéricos. Alaska e Vaquerizo aparecem no luminoso da rua. “Neste verão não virão espanhóis”, lamenta-se. Nem europeus em geral. O empresário recebeu uma ajuda federal de 10.000 dólares (573.300 reais), mas está consciente de que é um remendo. “O dinheiro não vai tirar o medo de viajar das pessoas.”

As cifras de desemprego nos EUA são pavorosas. Nesta semana chegou a 14,7%. Las Vegas inveja essa cifra. O índice em Nevada passou de 4% para 22% entre fevereiro e maio, e 80% das baixas são na região de Las Vegas. Ninguém se livra da situação. Uma porta-voz da empresa Caesars Entertainment relata que 90% dos funcionários foram para casa. “Não estamos gerando faturamento”, afirma. O Caesars é um gigante do turismo, dono do Caesar’s Palace e do hotel Paris, dentre outros. Dos 60.000 filiados ao Sindicato da Culinária, que reúne os trabalhadores de hotelaria de Las Vegas, 98% estão sem trabalho, segundo sua porta-voz Bethany Khan. Algumas grandes marcas, como Wynn, aceitaram continuar pagando os salários, mas a maioria, não.

Molestina Rivera, imigrante dominicana de 57 anos, trabalha arrumando quartos no hotel Bellagio, onde ganha 20 dólares por hora. Foi mandada para casa em 16 de março com duas semanas de pagamento. Não tem economias e não recebeu nenhuma renda desde então. “O escritório de desemprego de Las Vegas não atende o telefone”, queixa-se. Todos os seus colegas estão na mesma. “Deixei de pagar o aluguel e o carro. Só pago a luz e a água, o básico para sobreviver.” Rivera deseja voltar a trabalhar, mas por outro lado teme estar na primeira fila dos contágios. “Vem gente de todo o mundo. Nós estamos mais em risco porque passamos o dia todo nos quartos, mexemos nos travesseiros e nos lençóis, falamos com os hóspedes.” O Sindicato Culinário pediu a todos os hotéis que reforcem a segurança sanitária antes de reabrirem.

Molestina Rivera, funcionária do hotel Bellagio, está parada em sua casa em Las Vegas, sem receber.
Molestina Rivera, funcionária do hotel Bellagio, está parada em sua casa em Las Vegas, sem receber.P. X.

Rivera começou a buscar comida no banco de alimentos do sindicato. As filas de gente como ela começam a surgir por toda Las Vegas. Os três cassinos da rede Station viraram centros de distribuição de comida enquanto estão fechados. Larry Scott, diretor-executivo da ONG Three Square, que organiza essas entregas de alimentos, conta que nos primeiros dias do fechamento receberam “centenas de toneladas” de comida perecível dos cassinos. Depois, uma remessa de não perecíveis. “Agora já não recebemos mais nada deles.” Os alimentos continuam sendo oferecidos graças a doações, por enquanto. A Three Square distribui mais de 500 toneladas de produtos por semana.

“A principal mudança que vimos é nas marcas dos carros que fazem fila para receber comida”, diz Scott. “Isso nos diz que todas as classes sociais foram afetadas.” Segundo Scott, 12% da população de Nevada está com dificuldades para obter alimentos. “As análises dizem que pode subir para 14%. O que veremos são muitos meses em que os trabalhadores pobres cairão na pobreza severa”.

O refúgio Rescue Mission, em Las Vegas, reúne diariamente a face mais miserável da cidade dos cassinos, gente cronicamente sem lar, que vai até lá buscando uma cama e um prato de comida. Heather Enge, diretora-executiva da organização, conta que são oferecidas 1.000 refeições diárias. O número de necessitados subiu em março, mas baixou em abril, quando as pessoas começaram a receber as ajudas federais. “Em umas duas semanas os números voltarão a subir”, prognostica. “Se formos honestos, nenhum de nós está a mais de um par de pagamentos de uma vida diferente”. É esse o tempo que Las Vegas está sem renda: dois meses.

A Strip de Las Vegas, vazia desde o dia 5 de maio.
A Strip de Las Vegas, vazia desde o dia 5 de maio. Tom Donoghue / Europa Press

Recuperar a atividade econômica na cidade passa por uma condição básica: recuperar o jogo. Não se pode levantar o resto da economia sem esse pilar. “O jogo é 30% a 40% do negócio da Strip”, afirma Feldman, o ex-executivo da MGM. “Os bons hotéis e os shows existem por causa do jogo. Ninguém mais pode se permitir montar produções assim.” Mas como se joga sem tocar em cartas, fichas ou dados, ou sentado a metros de distância, ou sem poder ver o rosto dos outros jogadores? Toda a economia da cidade repousa sobre uma atividade aparentemente incompatível com o distanciamento físico. O hotel-cassino Wynn foi o primeiro a publicar um protocolo sobre como pretende reabrir. As fichas e caça-níqueis serão desinfetados. Os assentos serão retirados. Haverá gel desinfetante nas mesas, os hóspedes usarão máscara…

Mas uma roda de pôquer com máscaras e desinfetante sobre a mesa é, no mínimo, anticinematográfico. A realidade é que “o conceito de normal já não existe mais”, afirma Feldman. “Os cassinos terão que pensar até que ponto se pode usar a tecnologia, para jogar por vídeo com um dealer, por exemplo.” Feldman acredita que será preciso “ser criativo” e imaginar esse futuro para o setor. “Também havia quem achasse que os leitores de jornais jamais renunciariam à experiência do papel”, raciocina Feldman. “Temos que fazer 20 anos de inovação nos próximos 2 anos.”

maio
14

O Tribunal de Contas da União determinou nesta quarta-feira que os mais de 70 mil militares que receberam o auxílio emergencial de R$ 600 — o coronavoucher — devolvam o valor aos cofres públicos.

Caso isso não aconteça até a data de fechamento da folha de pagamento do mês de maio, os valores terão de ser descontados dos salários dos militares que receberam o benefício.

A decisão, em caráter liminar, foi tomada pelo ministro Bruno Dantas.

O Ministério da Defesa terá 15 dias para informar ao TCU quais medidas foram tomadas em relação aos militares. Além disso, o Ministério da Cidadania terá de identificar cada um dos que receberam indevidamente o coronavoucher e encaminhar a lista completa ao tribunal.

Mais cedo, como noticiamos, ao ser perguntado sobre o caso, Jair Bolsonaro chamou os militares que receberam o auxílio irregularmente de “garotada”.

“Mais ou menos 3% da garotada presta o serviço militar obrigatório, e são pessoas oriundas das classes mais humildes da população. São os mais pobres. Estão servindo o Exército no corrente ano, Marinha e Aeronáutica, e alguns se inscreveram. Como no ano passado, filho de pobre, sem renda, não tinha renda nenhuma, acabaram recebendo.”

maio
14

DO CORREIO BRAZILIENSE

“Pleitear que seja divulgado, inteiramente, o vídeo de uma reunião ministerial, com assuntos confidenciais e até secretos, para atender a interesses políticos, é um ato impatriótico”, disse


IS Ingrid Soares
 
(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)

O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), se mostrou contrário à divulgação na íntegra do vídeo da reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, realizada em 22 de abril. Ele ainda classificou o pedido como “quase um atentado à segurança nacional”.

“Pleitear que seja divulgado, inteiramente, o vídeo de uma reunião ministerial, com assuntos confidenciais e até secretos, para atender a interesses políticos, é um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional”, escreveu nas redes sociais.

 Os advogados do ex-ministro da Justiça Sergio Moro pediram oficialmente ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta (13/5), que o mesmo autorize a divulgação, na íntegra, do vídeo gravado na reunião ministerial. De acordo com Moro, as gravações não registram assuntos que representam “segredo de Estado”, como alega o governo.
A solicitação foi realizada no âmbito de um inquérito aberto no Supremo para apurar as declarações de Moro, que acusa o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal com interesses políticos e pessoais. O vídeo, com pouco mais de duas horas de duração, registra o encontro de Bolsonaro com o corpo de ministros, no Palácio do Planalto.

maio
14
Posted on 14-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-05-2020



 

J. Bosco, NO JORNAL

 

 

Exames para coronavírus de Bolsonaro apresentam resultados negativos

Laudos de três análises enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que o presidente não foi infectado pelo causador da covid-19


postado em 13/05/2020 15:26 / atualizado em 13/05/2020 16:13

(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro testou negativo para o novo coronavírus em três exames a que foi submetidos e entregues pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) por determinação da Justiça. O resultados foram tornados públicos nesta quarta-feira (13/5). 

Dois dos testes foram realizados pelo Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, e um pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), no Rio de Janeiro. A data do último teste é 19 de março deste ano, e nenhum traz o nome do presidente. Segundo a AGU, trata-se de codinomes (

Após longa batalha judicial, em que o presidente pedia para não ter os resultados exibidos, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu por encerrada a ação e determinou a ampla publicidade dos exames.

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