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CRÔNICA

Cambacica meu amigo, um beijo

Gilson Nogueira

 

Minha neta caçula acaba de enviar-me um presente de valor incalculável! Antes, ela recebeu do vovô uma foto do Cambacica, que parece ter-me acompanhado na viagem de Salvador para o Rio, em final de março último. Flagrei o passarinho ypiranguense bebendo água na beira da piscina da casa de minha filha, aos pés da Serra dos Órgãos, no quase inverno fluminense, hoje, após o almoço. Chove. Tempo feio, diria meu velho. Em repouso, acordei com minha mulher dizendo: “ Vou lhe mostrar uma coisa que você não vai aguentar! “

E aqui estou, flutuando na felicidade e, ao mesmo tempo, profundamente abalado pela tragédia mundial provocada pelo Novo Coronavírus.Eu e o resto da Humanidade. Diria o orador pouco inspirado: “Faltam-me palavras…” No meu caso, mais que palavras, falta-me o que acreditar no momento que se assemelha a uma explosão de uma bomba com tantos megatons que seria capaz de não deixar um ser humano vivo na face da Terra. E se for esse o caso? Pergunto-me, sob o cobertor, em sonho interrompido pela voz de uma flor menina no celular.

“ Controle seus pensamentos!”, sugere a primogênita em pausa no trabalho em casa, através do emprego do computador. Êpa, taí o maior contraste que o velho repórter da Tribuna da Bahia flagrou nos seus quase 75 anos de atividade jornalística. A ciência, a tecnologia, os múltiplos avanços da ciência, em todos os setores da atividade humana e fora deles,jamais poderiam supor que o inimigo surgido na China fosse capaz de matar mais que guerras civis e de estar ameaçando a sobrevivência do homem enquanto não for identificado o remédio que o elimine para sempre.

Dias de temor absoluto, de angústia, de desesperança, de aflição, na fantasmagórica quadra que o planeta vive. Além desse martírio propulsor de inquietações filosóficas há a cruel constatação da falta de caráter universal das chamadas autoridades que governam os países agonizantes. Nem todas, graças a Deus, como, por exemplo, algum prefeito de uma cidadezinha perdida no mapa que, neste momento, esteja pedalando em estrada de terra para oferecer aos pobres moradores máscaras feitas com retalhos de camisas,toalhas,lençóis e pedaços das faixas de sua campanha.

Acordo, de olhos para o vazio, e vejo nuvens cinzentas. Acima delas, mora o azul! A Cor de Deus!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

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