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Celso de Melo: decano do Supremo é o grande
juíz do maior jogo de xadrez jurídico e político
atual do País.

  ARTIGO DA SEMANA

Xadrez de Moro e Aras: Bolsonaro descompensado

Vitor Hugo Soares

 
É bom não perder o foco do tabuleiro de xadrez no qual mexem as pedras em suas respectivas estratégias, nestes temerários dias de maio do ano da covid-19, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, e o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. Este último, reconhecidamente, um enxadrista de mão cheia desde o tempo de juiz condutor da Lava Jato. São relevantes e ganham cada dia maior significado jurídico, político e jornalístico, os lances desta sutil e empolgante partida iniciada com as denúncias de conduta irregular do mandatário do Palácio do Planalto – lançadas, ao deixar o governo, pelo até então mais bem avaliado membro do primeiro escalão  de mando – , sob arbitragem do surpreendentemente ágil e incisivo decano ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Melo,  que  às vésperas da aposentadoria compulsória, como magistrado, parece decidido a dar um lustre especial em sua biografia, na despedida da corte suprema do País.

É preciso esperar um pouco mais para tirar conclusões, mas este é o cenário factual já possível de verificação, desde o depoimento de Moro há uma semana, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba; da rápida liberação de seu conteúdo integral;  além dos novos pedidos investigativos de Aras. Mexidas rápidas e tudo divulgado na terça-feira, 5, com girândolas de fogos na CNN e no JN (TV Globo). Mais surpreendente e emblemático só a entrevista da secretária especial da Cultura, Regina Duarte na CNN.
  
Estes fatos cobram atenção maior da sociedade em geral e da imprensa em particular – mesmo diante das agressões físicas, pressões até gritos arrogantes e autoritário de “cala a boca”, dirigidos a jornalistas no exercício profissional –,  a começar por menos notas corporativas e mais pautas de jornalismo investigativo, das quais não podemos nem devemos nos desacostumar de produzir e cobrar.

Isso sem sem tirar olhos e ouvidos do barulho e das tensões que são plantadas, cultivadas, crescem e se fortalecem como ervas venenosas, no Palácio do Planalto e adjacências. Espaços minados por gente de coturnos, ao lado de estranhos e manjados agentes provocadores em permanente tessitura de redes de intrigas e brigas intestinas de poder, a partir do estreitamento cada vez maior dos períodos de transtornos do habitante do Alvorada. A senadora Eliziane Gama, líder do Cidadania, diagnosticou no Jornal Nacional: “É muito claro para todos que o presidente Bolsonaro está descompensado”. Pode ser, o problema é saber até onde pode chegar esse distúrbio do chefe da Nação em seus arrancos descontrolados de mando. E que na segunda-feira, 5, alcançaram um ponto além da curva, para ficar com a expressão  de Joaquim Barbosa, ex-ministro presidente do STF.

Se não bastassem todas essas coisas, o notório Centrão – formado por partidos e chefes políticos de larga folha de vida pregressa na PF e na justiça, mas que só funciona na base do “agrado com dinheiro público”, acaba de desembarcar no governo com fome de anteontem. Já começa a beliscar, aqui e ali, nacos cada vez mais generosos de cargos e de poder, a exemplo do DNOCS, agarrado esta semana.
Seja como for e o que for, é bom saber: De passagem por Brasília nestes dias temerários do mês de maio, aquele irônico viajante francês, foi visto falando em voz acima do tom com os seus botões: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas!”. Olho vivo!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Simplesmente”, Paulinho Nogueira: preciosidade da música brasileira nascida de um de seus maiores instrumentas e compositores, nesta gravação também em interpretação primorosa e sob medida para a verdade da poesia da canção. Vale ouvir e ouvir outra vez e pensar no que cante, diz e ensina este formidável artista.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

Bahia em Pauta » Blog Archive » Gilson Nogueira: o Cambacica volta ...
CRÔNICA

Cambacica meu amigo, um beijo

Gilson Nogueira

 

Minha neta caçula acaba de enviar-me um presente de valor incalculável! Antes, ela recebeu do vovô uma foto do Cambacica, que parece ter-me acompanhado na viagem de Salvador para o Rio, em final de março último. Flagrei o passarinho ypiranguense bebendo água na beira da piscina da casa de minha filha, aos pés da Serra dos Órgãos, no quase inverno fluminense, hoje, após o almoço. Chove. Tempo feio, diria meu velho. Em repouso, acordei com minha mulher dizendo: “ Vou lhe mostrar uma coisa que você não vai aguentar! “

E aqui estou, flutuando na felicidade e, ao mesmo tempo, profundamente abalado pela tragédia mundial provocada pelo Novo Coronavírus.Eu e o resto da Humanidade. Diria o orador pouco inspirado: “Faltam-me palavras…” No meu caso, mais que palavras, falta-me o que acreditar no momento que se assemelha a uma explosão de uma bomba com tantos megatons que seria capaz de não deixar um ser humano vivo na face da Terra. E se for esse o caso? Pergunto-me, sob o cobertor, em sonho interrompido pela voz de uma flor menina no celular.

“ Controle seus pensamentos!”, sugere a primogênita em pausa no trabalho em casa, através do emprego do computador. Êpa, taí o maior contraste que o velho repórter da Tribuna da Bahia flagrou nos seus quase 75 anos de atividade jornalística. A ciência, a tecnologia, os múltiplos avanços da ciência, em todos os setores da atividade humana e fora deles,jamais poderiam supor que o inimigo surgido na China fosse capaz de matar mais que guerras civis e de estar ameaçando a sobrevivência do homem enquanto não for identificado o remédio que o elimine para sempre.

Dias de temor absoluto, de angústia, de desesperança, de aflição, na fantasmagórica quadra que o planeta vive. Além desse martírio propulsor de inquietações filosóficas há a cruel constatação da falta de caráter universal das chamadas autoridades que governam os países agonizantes. Nem todas, graças a Deus, como, por exemplo, algum prefeito de uma cidadezinha perdida no mapa que, neste momento, esteja pedalando em estrada de terra para oferecer aos pobres moradores máscaras feitas com retalhos de camisas,toalhas,lençóis e pedaços das faixas de sua campanha.

Acordo, de olhos para o vazio, e vejo nuvens cinzentas. Acima delas, mora o azul! A Cor de Deus!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

Por Márcio Falcão, Fernanda Vivas e Isabela Camargo, TV Globo e GloboNews — Brasília


STF recebe gravação de reunião citada por Moro, e Celso de Mello impõe sigilo temporário
 

STF recebe gravação de reunião citada por Moro, e Celso de Mello impõe sigilo temporário

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu nesta sexta-feira (8) a gravação de uma reunião citada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Relator do caso, o ministro Celso de Mello decretou sigilo temporário ao material entregue pelo governo.

Segundo a Advocacia Geral da União (AGU), foi entregue ao Supremo a íntegra do material. Celso de Mello havia dado 72 horas para o governo entregar a gravação.

Sergio Moro anunciou a demissão do cargo em 24 de abril. No anúncio, acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal. Diante das declarações, a Procuradoria Geral da República pediu, e o STF abriu um inquérito para investigar as acusações. Bolsonaro nega ter cometido irregularidades.

Em depoimento, prestado à PF no último dia 2, Sergio Moro disse que, na reunião do conselho de ministros de 22 de abril, Bolsonaro cobrou a substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro e do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, além relatórios de inteligência e informação da PF.

Antes de entregar os registros da reunião citada por Moro, a AGU chegou a:

  • pedir a Celso de Mello que reconsiderasse a ordem dada ao governo para encaminhar o material à Corte;
  • solicitar que somente uma parte dos registros, que tivessem relação com o inquérito, fosse disponibilizada;
  • pedir ao STF que estabelecesse previamente as autoridades responsáveis pela guarda do material.
 

Nos pedidos, o ministro da AGU, José Levi Mello do Amaral Junior, argumentou que, na reunião de 22 de abril, “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de relações exteriores, entre outros”.

Ao fazer o pedido ao STF, a AGU, indiretamente, reconheceu a existência do vídeo.

No dia 28 de abril, Bolsonaro fez menção ao vídeo. Ele disse a jornalistas que tinha pedido autorização dos ministros que participaram da reunião para divulgar o conteúdo.

“Eu comecei hoje a reunião de ministros pedindo uma autorização para eles, porque a nossa reunião é filmada. E fica no cofre lá, o chip. Eu falei ‘senhores ministros, eu posso divulgar o que eu falei na última reunião de ministros?’. Ninguém foi contra. Eu falei, tá certo”, disse o presidente na ocasião.

Governo diz que enviou ao STF a íntegra da gravação da reunião citada por Moro em depoimento — Foto: Reprodução Governo diz que enviou ao STF a íntegra da gravação da reunião citada por Moro em depoimento — Foto: Reprodução

Governo diz que enviou ao STF a íntegra da gravação da reunião citada por Moro em depoimento — Foto: Reprodução

‘Inteiro teor, sem qualquer edição’

O documento do STF que registra o recebimento do material informa que o HD entregue pelo governo apresenta “inteiro teor, sem qualquer edição” .

Documento relativo à entrega do material pelo governo ao STF — Foto: Reprodução Documento relativo à entrega do material pelo governo ao STF — Foto: Reprodução

Documento relativo à entrega do material pelo governo ao STF — Foto: Reprodução

DA coluna de Lauro Jardim, em O Globo, reproduzido do espaço da autora teatral e cronista Aninha Franco no Facebook.

39 min

O ex-comandante do Exército, general Villas Boas, resolveu fazer agora o que nenhum integrante do governo havia feito: saiu em defesa da polêmica entrevista de Regina Duarte ontem na CNN.

Em um post publicado  no Twitter, Villas Boas disse que ficou “encantado com a demonstração de humanismo, grandeza, perspicácia, inteligência, humildade, confiança, doçura, autoconfiança que nos transmitiu”.

O ex-comandante do Exército não especificou em que trecho Regina demonstrou humanismo. Se quando minimizou a citação aos torturados na ditadura ou quando disse “a humanidade não para de morrer”.

O general disse também ter apreciado o modo como Regina teria se desvencilhado “das armadilhas que os entrevistadores tentaram colocar”. E, por fim, atacou a imprensa:

— Questiono de qual instância alguns jornalistas retiram a autoridade de agirem como membros de um tribunal de inquisição.

O ex-comandante do Exército, general Villas Boas, resolveu fazer agora o que nenhum integrante do governo havia feito: saiu em defesa da polêmica …

maio
09
Posted on 09-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-05-2020


direto no site pelo próprio autor, ontem às 16:25 h

 

 Sponholz, NO

 

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS , DE PORTUGAL

Regina Duarte, secretária de cultura do governo de Jair Bolsonaro, abandonou nesta quinta-feira uma entrevista ao vivo na televisão depois de ouvir, sem estar à espera, um vídeo com críticas da também atriz Maitê Proença.

“Quem é você que está desenterrando uma fala da Maitê, quem é você? Eu tive que dar um chilique aqui, vocês estão desenterrando mortos, trazem um cemitério nas costas, sejam leves”, afirmou Regina, dirigindo-se à âncora Daniela Lima, nos estúdios da CNN Brasil em São Paulo.

Lima argumentou que o vídeo tinha sido enviado por Maitê à emissora horas antes.

Ao repórter que a entrevistava no gabinete dela em Brasília, a secretária manteve o tom de protesto: “Daniel [Adjuto], isso não foi combinado. O combinado foi uma entrevista com você!”

Mas a CNN deu por encerrada a conversa.

Maitê criticava a falta de ação do governo de Bolsonaro e da secretária em particular por não emitir nenhuma nota pela morte recente de ícones da cultura brasileira, como os músicos Moraes Moreira e Aldir Blanc, o ator Flavio Migliaccio e os escritores Garcia-Roza ou Rubem Fonseca, por exemplo. Mas não só.

“É inexplicável o silêncio de uma política pública para a cultura. Nós estamos sobrevivendo de vaquinhas”, afirmava.

Horas mais tarde, abordada pela revista Veja, Maitê reagiu a ter sido chamado de “morta” por Regina: “Como a Regina foi ontem conversar com o presidente, a CNN me ligou e eu topei falar. Achei que estava na hora de fazer alguma coisa como classe. Eu acho que ela não quis ouvir. Ela presumiu que era uma coisa do passado, não era. Eu estou absolutamente viva. A cultura está perplexa com esse silêncio abissal em relação à política pelo setor, nós estamos vivendo de vaquinhas. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar, pois nosso trabalho pressupõe uma aglomeração”.

E prosseguiu: “Nossos grandes estão morrendo, como Rubem Fonseca e Flávio Migliaccio, e ela e o presidente não dizem uma palavra. Eu fui a primeira pessoa a defender a Regina por ter o direito de pensar diferente. Mas agora estou clamando para ela mostrar os feitos e para conversar com a sua classe. Eu pedi para ela, mas ela não quis escutar. É isso que nós temos para hoje. Eu gosto dela. Eu penso diferente dela, mas eu respeito o direito de enxergar o mundo de forma diferente. Eu acredito que a Regina é bom caráter.”

Antes da interrupção abrupta, Regina Duarte foi questionada sobre a sua posição em relação à ditadura militar, período de que Bolsonaro é assumido admirador. “Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 1960, 1970, 1980… Gente, é para frente que se olha”, disse a ex-atriz.

Sobre a quantidade de mortes resultantes desse regime argumentou que “pessoas sempre morrem”.

“Se você falar vida, do outro lado tem morte. Sempre houve tortura. Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Não quero arrastar um cemitério de mortes nas minhas costas. Não quero isso para ninguém”, disse a secretária, minimizando as vítimas do regime.

“Para quê olhar para trás”, insistiu a secretária, criticando o que chamou de “morbidez” que a Covid-19 “tem trazido para o Brasil”.

Ontem o Brasil foi responsável por quase 10% das mortes por covid-19 registadas em todo o mundo: morreram 610 pessoas e o número total de óbitos já ultrapassa os 9000.

A pequena entrevista decorreu pouco depois de numa reunião com Bolsonaro ficar acertada a continuidade da atriz na secretaria da cultura apesar dos indicadores em sentido contráriO.

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