DO CORREIO BRAZILIENSE


postado em 07/05/2020 19:20

 
(foto: Reprodução/CNN Brasil)
(foto: Reprodução/CNN Brasil)

A secretária especial de Cultura, Regina Duarte, surpreendeu ao cantar, durante entrevista à CNN Brasil, nesta quinta-feira (07/05), uma música em homenagem à ditadura militar (1964-1965) e minimizou as inúmeras mortes ocorridas no período. “Na humanidade, não para de morrer [gente]. Por que as pessoas ainda ficam ó [chocadas]? Não quero arrastar um cemitério de mortos nas costas”, afirmou.

Durante entrevista exclusiva à emissora, direto do seu gabinete em Brasília, a ex-atriz da Globo disse que não pretende sair do governo, apesar do momento de crise vivido entre ela e o presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas. Ao longo da entrevista, ela começou a cantar Pra Frente Brasil, musica associada ao regime militar. “Não era gostoso cantar isso?”, perguntou a secretária de Cultura, há 60 dias no cargo.
Constrangido, o entrevistador, o jornalista Daniel Adjuto, tentou argumentar que muitas pessoas foram torturadas, censuradas e até mortas. “Se você falar da vida, do lado tem a morte. Sempre houve tortura, censura. Sou leve, estou viva. Estamos vivos, vamos ficar vivos? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões”, afirmou a atriz.
No estúdio da CNN em São Paulo, até o âncora Reinaldo Gottino decidiu intervir na entrevista. “Acho que a gente não pode minimizar a questão da ditadura, isso tem que ficar Claro”, disse.
Ainda durante a entrevista, a secretária de Cultura negou os rumores de que estaria deixando o governo após dias de crise com Bolsonaro. “Parece que as pessoas têm um ansiedade em me ver fora. Em nenhum momento [senti que ia sair], estava um clima superbom, ele estava animado, leve, rindo. A gente brinca, ele brinca mesmo. E ele estava num desses momentos leves, descontraídos, foi muito bom”, disse a atriz.
Regina Duarte também revelou que foi o próprio presidente que recomendou que ela ficasse longe das redes sociais para não ver as críticas à sua gestão à frente da secretaria. “Eu evito me contaminar com as redes sociais. O presidente me avisou. Ele disse: ‘Tem certeza que você quer aceitar isso que estou te propondo? O jogo é muito pesado, você vai virar vidraça, vai levar muita pedrada’. Mas eu tenho minha consciência limpa. Se eu ficar longe, essas pedradas não vão me atingir. Eu tenho uma história, estou tranquila”, disse.
A respeito das críticas do filósofo Olavo de Carvalho, conselheiro do presidente e que a atacou varias vezes nas redes sociais, a secretária afirmou: “Se existe [resistência], não chega até mim. Li dois livros [dele], no terceiro achei que tinha muito palavrão e parei de ler, não li mais. Não perdi o respeito. Mas não me interessei pelas coisas dele, fala muito palavrão, nomes feios”, afirmou.
“Não sinto resistência do governo, sinto resistência da burocracia, a dificuldade das coisas andarem. Uma nomeação leva quatro semanas, tem que passar por filtros, e filtros burocráticos, não é o que estão pensando”, declarou.
Questionada sobre o fato de a Secretaria Especial de Cultura não ter emitido nenhuma nota de pesar após as mortes de figuras importantes do meio artístico, a atriz respondeu que tem mandado mensagens para as famílias das vítimas. “Será que eu vou ter que virar obituário? Quantas pessoas a gente está perdendo? Teve uma semana que foram três. Tem pessoas que eu não conheço. Aldir Blanc eu admiro, mas não conheci”, disse.
“O país está cultuando a memória deles, não precisa da Secretaria de Cultura. Pode ser que eu esteja errando, vou me corrigir. Não fiz por mal, peço desculpas, falei com as famílias, lamentei a perda…Nessa hora a pessoa que está mais constrangida pela perda é a família, e eu queria falar com elas diretamente, não por um papel timbrado da Secretaria”

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