maio
04
Artur Xexéo - Grupo Editorial Record
ARTIGO

 

Nelson Teich, o grande pensador

Artur Xexéo

 

Ninguém pode acusar o presidente Jair Bolsonaro de provocar monotonia no dia a dia do país. Nem mesmo isolados socialmente, cada um no seu quadrado, nós temos sossego. É um ministro que cai, uma acusação contra o STF, outro ministro que cai, uma briga com o Congresso, outro minist… opa, esse ainda não caiu. Aguardemos.

No mundo inteiro, chefes de Estado aparecem todos os dias na TV para atualizar a população de como está a luta contra a pandemia de coronavírus. No Brasil, o presidente aparece, informalmente, num cercadinho à porta de um palácio brasiliense para dizer a um grupo de meia dúzia… vá lá, uma dúzia de seguidores fanáticos que a gente tem que enfrentar a epidemia como homem, que avião no chão é prejuízo para a companhia aérea e que o futebol tem que voltar. Os estádios ocupados por hospitais de campanha, e o presidente quer de volta os jogos de futebol.

A cada semana, Bolsonaro nos apresenta um novo membro de sua equipe. Ele, desde a posse, costuma dizer que armou um ministério como nunca houve antes no Brasil. Que é o melhor ministério de todos os tempos. Tão bom que, volta e meia, ele troca um ministro. Firmes mesmo, só a destemperada Damares, o incendiário Ricardo Salles do Meio Ambiente, o terrivelmente evangélico Ernesto Araújo das Relações Exteriores e o deficiente em gramática Abraham Weintraub da Educação. A mais recente novidade é o ministro da Saúde, Nelson Teich. É difícil avaliar sua competência pois o que fala é incompreensível.

Teich, em alemão, significa “lagoa”. E é com a placidez de um espelho d’água que Teich narra seus planos, projetos, estudos para uma epidemia que, quando escrevia esta coluna, já tinha contabilizado 6.329 mortes no país. Mas o ministro ainda aparece para dizer o que está planejando (ou “desenhando”, como ele prefere), como se o vírus só fosse chegar na semana que vem.

Isso quando a gente entende o que ele fala. O ministro tem alguns vícios de linguagem que dificultam a compreensão do que diz. Começa quase todas as frases com a expressão “o que tem que ficar claro…” e aí não fica nada claro. “O que é importante…” e aí diz várias coisas desimportantes. Numa entrevista recente, foi feita uma pergunta, ele engatou uma primeira — “É importante colocar” —, respirou fundo e disparou: “que esta situação é uma situação única porque a gente tem uma…” E aí, com ar disperso, como se não soubesse como concluir, experimentou: “pra buscar eficiência, você sempre tem que trabalhar no limite máximo do cuidado, equalizando o que você tem de recurso com o que você produz”. Sinto muito, ministro, mas, de todo esse elaborado pensamento, só entendi que “a situação é uma situação”.

Ele já falou sobre o relaxamento do isolamento: “A ideia é que isso seja uma diretriz onde as pessoas vão ter que pensar em todas as variáveis, em todos os pontos que têm que ser pensados pra que alguma política possa ser desenhada em algum momento no futuro quando isso for uma coisa que tenha a segurança necessária.”

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos