Flávio Migliaccio

 

Ancelmo  Góis em O Globo

 

 

O ator paulista Flávio Migliaccio, 85 anos, foi encontrado morto na manhã de hoje no sítio que mantinha desde a década de 1970, na Serra do Sambê, em Rio Bonito. O ator ficou muito conhecido com o seriado infantil “Shazan, xerife & cia”ao lado de Paulo José. Migliaccio deixou uma carta para os familiares.

O corpo de Flávio foi encontrado pelo caseiro, Nelson Soares da Silva, no quarto do ator, agora pela manhã. O boletim de ocorrência foi feito pela quarta companhia do 35 BPM. Agora, a perícia de Araruama vai ao local para liberar o corpo.

A última participação do ator na TV foi em 2019 na novela “Órfãos da terra”, no papel de Mamede Aud. Ele também participou do filme “Hebe”, sobre a apresentadora Hebe Camargo, ao lado de Andrea Beltrão. Flávio avisou para a afilhada, Morgana, que iria para Rio Bonito, na semana passada. Migliaccio era muito querido no município e participava ativamente da vida cultural e política da cidade.

Flávio tinha 17 irmãos. Entre eles, a atriz Dirce Migliaccio (1933-2009), que ficou muito conhecida como a Judiceia Cajazeira, de “O Bem-Amado”, e como a Emília, de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. O ator começou a carreira profissional no Teatro Arena (antes, trabalhou como balconista e como mecânico). O primeiro papel de Flávio no teatro foi o de um cadáver em “Julgue você”. O ator participou de novelas importantes para a história da TV brasileira como “Corrida do ouro”(1974), “O casarão” (1976), “O astro”( 1977), “Pai Herói” ( 1979), além de programas de humor, como “Viva o gordo” e “Chico Anysio show”.

Artistas estão se manifestando em suas redes sociais deixando mensagens de homenagem ao grande ator. Andrea Beltrão, leia aqui, disse: “Humanista, gentil e sacana. Era apaixonada por ele.”

Flávio deixa um filho, o jornalista Marcelo Migliaccio. Vá com Deus, Flávio!

 

 
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Ex-dirigente foi vereador em Salvador e secretário de Governo na Bahia, além de presidir o Bahia por duas vezes - EC Bahia/Divulgação

 

 
Ex-dirigente foi vereador em Salvador e secretário de Governo na Bahia, além de presidir o Bahia por duas vezes Imagem: EC Bahia/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

Morreu hoje (4), aos 76 anos, Fernando Roth Schmidt, ministro interino do Trabalho durante o governo Lula (2003 a 2011) e duas vezes presidente do Esporte Clube Bahia. A informação foi anunciada pelo clube em nota oficial.

De acordo com o Bahia, Schmidt estava internado desde o dia 23 de abril no Hospital Jorge Valente, em Salvador, em decorrência de problemas neurológios. Além disso, o dirigente era diabético.

 

Na política, Fernando Schmidt foi( líder estudantil vinculado ao grupo cristão de esquerda Ação Popular-AP na resistência à ditadura),  vereador em Salvador na década de 1980 e Secretário de Governo da Bahia durante a gestão de Jaques Wagner (2007 a 2015).

Além disso, em 2003, assumiu interinamente o Ministério do Trabalho e Emprego entre 31 de julho e 6 de agosto, durante o período que teve o próprio Jaques Wagner à frente da pasta (janeiro de 2003 a janeiro de 2004).

Nas redes sociais, Wagner manifestou pesar. “Foi com tristeza que Fátima e eu recebemos a notícia do falecimento do amigo Fernando Schmidt, um grande democrata e entusiasta lutador pela liberdade. Tive a honra de ter Schmidt como companheiro de trabalho no ministério e no Governo da Bahia”, registrou o senador (PT-BA).

“Ele tem longa trajetória de serviços prestados. Foi vereador de Salvador, secretário municipal e presidente do Bahia, onde foi fundamental para a democratização do clube. Em todos espaços, Schmidt exerceu com muita competência a diplomacia do diálogo e da construção de consensos”, acrescentou.

No futebol, Fernando Schmidt presidiu o Bahia pela primeira vez na década de 1970, entre 1975 e 1979. Mais tarde, foi reeleito pelos sócios do clube para um período de transição no clube, do qual foi novamente presidente entre 2013 e 2014.

“Entre os feitos dos 15 meses de sua mais recente gestão, além do título baiano de 2014, pavimentou o processo de recuperação e ampliação do patrimônio azul, vermelho e branco”, registrou o Bahia em nota oficial hoje.

“Schmidt personificou a democratização do Bahia, unindo os grupos de oposição no seu entorno. Emprestou a sua experiência de vida e futebol pelo propósito de abrir o Bahia para o torcedor. Só quem viveu 2013-2014 sabe o tamanho do desafio que ele precisou enfrentar. Obrigado, Presidente. Seu nome está eternizado na história”, declarou o vice-presidente do clube, Vitor Ferraz .

Fernando Schmidt será sepultado às 15h de hoje no cemitério do Campo Santo, em Salvador.

Artur Xexéo - Grupo Editorial Record
ARTIGO

 

Nelson Teich, o grande pensador

Artur Xexéo

 

Ninguém pode acusar o presidente Jair Bolsonaro de provocar monotonia no dia a dia do país. Nem mesmo isolados socialmente, cada um no seu quadrado, nós temos sossego. É um ministro que cai, uma acusação contra o STF, outro ministro que cai, uma briga com o Congresso, outro minist… opa, esse ainda não caiu. Aguardemos.

No mundo inteiro, chefes de Estado aparecem todos os dias na TV para atualizar a população de como está a luta contra a pandemia de coronavírus. No Brasil, o presidente aparece, informalmente, num cercadinho à porta de um palácio brasiliense para dizer a um grupo de meia dúzia… vá lá, uma dúzia de seguidores fanáticos que a gente tem que enfrentar a epidemia como homem, que avião no chão é prejuízo para a companhia aérea e que o futebol tem que voltar. Os estádios ocupados por hospitais de campanha, e o presidente quer de volta os jogos de futebol.

A cada semana, Bolsonaro nos apresenta um novo membro de sua equipe. Ele, desde a posse, costuma dizer que armou um ministério como nunca houve antes no Brasil. Que é o melhor ministério de todos os tempos. Tão bom que, volta e meia, ele troca um ministro. Firmes mesmo, só a destemperada Damares, o incendiário Ricardo Salles do Meio Ambiente, o terrivelmente evangélico Ernesto Araújo das Relações Exteriores e o deficiente em gramática Abraham Weintraub da Educação. A mais recente novidade é o ministro da Saúde, Nelson Teich. É difícil avaliar sua competência pois o que fala é incompreensível.

Teich, em alemão, significa “lagoa”. E é com a placidez de um espelho d’água que Teich narra seus planos, projetos, estudos para uma epidemia que, quando escrevia esta coluna, já tinha contabilizado 6.329 mortes no país. Mas o ministro ainda aparece para dizer o que está planejando (ou “desenhando”, como ele prefere), como se o vírus só fosse chegar na semana que vem.

Isso quando a gente entende o que ele fala. O ministro tem alguns vícios de linguagem que dificultam a compreensão do que diz. Começa quase todas as frases com a expressão “o que tem que ficar claro…” e aí não fica nada claro. “O que é importante…” e aí diz várias coisas desimportantes. Numa entrevista recente, foi feita uma pergunta, ele engatou uma primeira — “É importante colocar” —, respirou fundo e disparou: “que esta situação é uma situação única porque a gente tem uma…” E aí, com ar disperso, como se não soubesse como concluir, experimentou: “pra buscar eficiência, você sempre tem que trabalhar no limite máximo do cuidado, equalizando o que você tem de recurso com o que você produz”. Sinto muito, ministro, mas, de todo esse elaborado pensamento, só entendi que “a situação é uma situação”.

Ele já falou sobre o relaxamento do isolamento: “A ideia é que isso seja uma diretriz onde as pessoas vão ter que pensar em todas as variáveis, em todos os pontos que têm que ser pensados pra que alguma política possa ser desenhada em algum momento no futuro quando isso for uma coisa que tenha a segurança necessária.”

Mordaça”, Paulo Cesar Pinheiro e Eduardo Gudin: Marcante interpretação em trio de artistas maravilhosos da MPB. Faixa final que combina com grande intensidade de emoção – que corre solta – o poema Cautela e a música Mordaça. Do antológico disco “O importante é que a nossa emoção sobreviva” de Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro. Espetáculo gravado ao vivo em 1975. Bravíssimo!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 
 
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Marina Rossi

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve hoje em ato que seus apoiadores fizeram contra o Supremo Tribunal federal (STF) e o Congresso, em Brasília. Em vídeo ao vivo em frente aos manifestantes, o presidente disse que não admitirá mais interferências em seu Governo. “Queremos a independência verdadeira dos três poderes, não apenas uma letra da Constituição”, disse. “Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência”. No final do vídeo, de cerca de uma hora, ele voltou a dar o recado. “Chegamos no limite. Não tem mais conversa. Daqui para a frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição”. Em seguida, ele afirmou que a Constituição tem “dupla mão. Não é de um lado só não”. E prometeu nomear amanhã o novo diretor da Polícia Federal.

Bolsonaro afirmou também que seu Governo está unido e que “as Forças Armadas também estão do nosso lado”. Sem usar máscara ou qualquer outro equipamento de proteção, o presidente falou muito próximo de vários apoiadores. E voltou a criticar governadores pelas medidas de isolamento social adotadas nos Estados. “A distribuição dos empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível. O preço vai ser muito alto pra gente”, disse. “O povo quer voltar ao trabalho”.

Alé, do STF e do Congresso, ex-ministro da Justiça Sergio Moro e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM) também foram alvos do protesto deste domingo, que incluiu um acampamento em frente ao Palácio e uma carreata.

maio
04

Bolsonaro diz que vai nomear novo chefe da PF amanhã

 

Jair Bolsonaro disse neste domingo que vai nomear o novo diretor da PF nesta segunda-feira.

Na semana passada, o presidente chegou a nomear Alexandre Ramagem para o cargo. O ministro Alexandre de Moraes, porém, suspendeu a posse dele e Bolsonaro teve de recuar.

“Vocês sabem que o povo está conosco. As Forças Armadas, ao lado da lei, da ordem, da democracia, da liberdade e da verdade, também estão ao nosso lado. Deus acima de tudo. Quanto aos algozes, peço a Deus que não tenhamos problema esta semana, porque chegamos no limite. Não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos. Faremos cumprir a Constituição. Será cumprida a qualquer preço. E ela tem dupla mão. Não é só de uma mão, não. Amanhã, nomeamos novo diretor da PF. E Brasil segue seu rumo.”

 DO JORNAL DO BRASIL

Macaque in the trees
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters/Adriano Machado (11/06/2019))

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro afirmou na manhã deste domingo em sua conta no Twitter que “há lealdades maiores do que as pessoais”, em sua primeira manifestação pública após ter prestado depoimento na véspera no inquérito para apurar acusações feitas por ele de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal.

Moro depôs por oito horas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba quando, segundo uma fonte, reafirmou as acusações e apresentou provas de que Bolsonaro tentou interferir na PF diante da preocupação com investigações.

No sábado, sem citar o nome de Moro, o presidente havia criticado o ex-ministro, comparando-o a um traidor. “O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse?”, questionou ele, também em sua conta no Twitter.

A um grupo de apoiadores à frente do Palácio do Planalto, Bolsonaro disse no sábado pela manhã que não será alvo de nenhum “golpe”. “Ninguém vai fazer nada ao arrepio da Constituição”, disse Bolsonaro. “Ninguém vai querer dar o golpe para cima de mim, não”, reforçou.

Mais uma vez, também na véspera, Bolsonaro contrariou orientações de autoridades sanitárias de fazer isolamento e visitou um posto de gasolina perto da cidade goiana de Cristalina. Na ocasião, ele cumprimentou apoiadores, posou para fotos e voltou a defender a retomada do comércio.

DEPOIMENTO

Moro pediu demissão do governo na sexta-feira retrasada após revelar, em pronunciamento, que o presidente o avisou que queria mudar o comando da PF usando como uma das alegações preocupação com o andamento de investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que serão conduzidas pela corporação. Nesse encontro, Bolsonaro disse a Moro que iria trocar o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo.

Na ocasião, Moro contou também que Bolsonaro disse-lhe que queria que fosse escolhido um diretor-geral da PF com o qual ele pudesse ter um contato pessoal, “que pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência”.

As declarações feitas por Moro levaram o procurador-geral da República, Augusto Aras, a pedir a abertura de inquérito pelo STF. O ministro do Supremo, Celso de Mello, autorizou a investigação.

O depoimento de Moro foi prestado no sábado à equipe da PF e de procuradores designada por Aras para acompanhar o caso. O ex-ministro —que ficou internacionalmente conhecido por sua atuação à frente da Operação Lava Jato— não falou com a imprensa.

Em frente à sede da PF em Curitiba, houve confronto entre apoiadores de Moro e de Bolsonaro.

Aliados do presidente têm questionado o que consideram pressa com as investigações. Antes do depoimento, o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro questionou em rede social o fato de a oitiva de Moro ser feita por delegados indicados pelo atual diretor em exercício da PF, Disney Rosseti.

“Isso é vontade de esclarecer os fatos ou impedir q Moro seja ouvido pela equipe do próximo DG-PF?”, afirmou Eduardo. O STF barrou a indicação de Alexandre Ramagem feita pelo presidente para o comando da PF por, entre outras razões, proximidade entre ambos.

Neste domingo, Eduardo Bolsonaro novamente contestou as circunstâncias do depoimento. “Realmente é preciso muito tempo dando depoimentos a delegados amigos para ver se acham algo contra Bolsonaro”, disse ele, na rede social. “Moro não era ministro, era espião”, completou.

Neste domingo, uma carreata de apoiadores do presidente tomou as ruas do centro de Brasília. Os manifestantes protestaram contra o STF, que tem tomado uma série de decisões adversas a Bolsonaro e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).(Reuters

maio
04

Jornal do Brasil

 

Coisas da Política

 

GILBERTO MENEZES CÔRTES

Entramos em maio, e as duas maiores regiões metropolitanas do país – a Grande São Paulo (21,5 milhões de habitantes) e Grande Rio (13 milhões), as que concentram os maiores registros de contaminação e mortes pelo novo coronavírus (Covid-19) – completam neste domingo, 3 de maio, 50 dias de semi-isolamento. As duas regiões têm população semelhantes às do Chile e da Holanda, ambas com 17 milhões de habitantes, e aos 12 milhões da Bélgica. A Holanda teve quase 5 mil mortos pelo Covid-19 e Bélgica, 7,7 mil mortes (um dos maiores índices em relação à população total na Europa).

A estratégia de isolamento não impediu que o Brasil atinja, em breve, 100 mil casos (as secretarias de saúde municipais e estaduais só vão trazer dados mais confiáveis na terça-feira, pois enquanto médicos e enfermeiros se esfalfam e perdem a vida na frente de batalha, na burocracia, salvo exceções, não há plantão num feriadão como o do 1º de maio). Já assumimos a vice-liderança em novos casos, após os Estados Unidos. Nas mortes, que em breve chegarão a 10 mil, estamos em 4º em baixas diárias (450 na média dos últimos quatro dias), perdendo só para os Estados Unidos (+ de 7 mil), Itália (+ de 740) e Reino Unido (+ de 620). “E daí?”, diria o presidente Jair Bolsonaro, que no regime presidencialista é Chefe de Estado (Brasil) e de Governo (comanda o Executivo), mas ainda não entendeu a diferença entre chefe de Estado e de Governo. Se vier a fazer uma visita oficial de Estado aos EUA vai perceber…

Há sinais de esperança no ar. As pesquisas para a descoberta de vacinas eficazes avançam em todos os continentes com colaboração de todos. Idem a descoberta de aparelhos mais simples de ventilação, como os desenvolvidos em Israel e até no Brasil. A questão é testar os protótipos e dar escala às linhas de produção. Isso requer tempo e dinheiro, luxos que a urgência não permitem. Na globalização, buscando produzir a custos baixos, multinacionais dos países ricos transferiram linhas de produção para a China, Índia e outras nações asiáticas. Agora, com todos necessitados, muitos países travam entre si uma luta feroz por equipamentos e remédios. O Brasil já teve muitos negócios frustrados, o que se explica pela alta volatilidade dos preços em dólar.

Laboratórios sonham que remédios testados em outros males demonstrem eficiência (o que impulsionaria suas ações nas bolsas – motivo para que a OMC entre em campo para liberar patentes, como o Brasil conseguiu no combate à AIDS). A cloroquina, normalmente usada contra malária, lúpus e artrite reumatoide, não se revelou tão eficaz. Nos Estados Unidos, Europa, China e Japão seus efeitos colaterais, como a taquicardia, causaram mais problemas que soluções ante o Covid-19. O nitazoxanida, vulgo anita, anunciado pelo ministro astronauta Marcos Pontes, ainda não pousou na Terra para mostrar resultados. Velho conhecido do combate à AIDS, o remdesevir, é a nova tábua de salvação, para felicidade dos acionistas do Gilead Science Inc. Os EUA já autorizaram seu uso e o Japão quer apressar trâmites do registro.

Voltando à dura realidade brasileira, o isolamento retardou, mas não conteve a explosão temida pelo ex-ministro Henrique Mandetta. Devido à pregação diária e demonstrações práticas contra a medida por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro (que no 1º de Maio disse que gostaria de ver os trabalhadores de volta ao batente), o máximo que se conseguiu de isolamento vertical ficou na faixa de 65% (com índices inferiores a 50% nas comunidades e cidades da periferia). Assim, com a disseminação sem controle da Covid-19 (não há testes sequer para os profissionais da saúde) prefeitos e governadores, em pânico pelo virtual colapso de seus sistemas de saúde, com poucos leitos e respiradores, prorrogam por mais 15 dias ou até fim de maio o isolamento.

Se a dubiedade na orientação geral, que deveria ser articulada e unida entre o governo federal, estados e municípios (onde, enfim, mora o cidadão) para o país superar com menos dores físicas e econômicas a pandemia, desorienta os mais conscientes, o que dizer do povão? Ou daqueles antes invisíveis, por falta de cadastro, que têm de ser expor nas filas da Caixa Econômica Federal e outros bancos para pegar os R$ 600 do auxílio de emergência?

Há mais de duas semanas no cargo, tímida e até covardemente, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, para se curvar aos desejos do chefe, esvaziou as entrevistas coletivas, nas quais Mandetta mobilizava a população, e ainda não deixou clara a orientação do ministério para a continuação do isolamento social. Isso só fez aumentarem os tristes registros. As mortes e os caixões que o secretário de Governo, general Luiz Eduardo Ramos quer que a mídia não exponha. Essa falta de clareza vai acabar gerando o que Bolsonaro queria evitar com o isolamento (cuja intensidade local, de fato, tem de ser decidida por cada um dos 5.570 prefeitos do país, a maioria com população de menos de 20 mil habitantes, onde não há adensamento): a necessidade de mais demora para a volta às atividades, como já ocorreu na Europa e EUA.

Ou seja, o círculo vicioso do processo recessivo – que já se manifestou nos Estados Unidos (queda de 4,8% no PIB) e na Europa (queda de mais de 5% em alguns países) – deve se agravar. Na terça-feira, o IBGE divulga os dados de produção industrial de março (quando só meio mês foi afetado). Mas já na quinta –feira a Anfavea anuncia os dados da produção nacional de veículos em abril, com uma capotagem frente a março e os meses anteriores. Por isso, na terça e quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne (já com informações sobre a inflação de abril que o IBGE divulga sexta-feira) para decidir nova queda dos juros básicos.

Em condições normais, o Copom olharia a tendência da inflação (aumento dos preços de bens e serviços) e pediria mesa ou encaminharia proposta de baixa de 0,25 pontos percentuais. Os manuais de política monetária dizem que as taxas de juros devem acomodar a tendência da inflação, do crescimento e da massa salarial. Tudo foi para o espaço com a Covid-19. A demanda sumiu (com forte queda do PIB em menos de um mês de impacto; o grande coice será no 2º trimestre). O emprego idem (nos EUA os desempregados saltaram de 5 para 28 milhões) e a massa dos salários também sofreu um grande baque no Brasil (apesar da incipiência das pesquisas com a resistência ao uso mais amplo das facilidades de contato dos celulares). O jogo barato da política, numa manobra patrocinada por vários partidos, privou o uso dos celulares (negociado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações com as operadoras) para que se medisse o grau de deslocamento e concentração da população (que implica em risco de aumento das contaminações) alegando que isso violaria a liberdade do cidadão. De quebra, os pesquisadores do IBGE (sem poder visitar as várias regiões e cidades brasileiras nas pesquisas por amostra de domicílios – PNADs) também não podem fazer uso do contato do celular para aferir emprego e demais indicadores econômicos e sociais. O apagão atinge saúde e economia.

A taxa Selic está em 3,75% ao ano e o Itaú está calculando que o núcleo da inflação está despencando da faixa de 3,0% para 2,5% em 12 meses. A alta especulativa nos alimentos vem sendo compensada pela forte queda nos preços dos combustíveis, Assim, o Itaú prevê queda da Selic para 3,25% [eu baixaria a 3%] e acredita que as próximas leituras do IPCA devem seguir baixas e projeta deflação de 0,22% em abril e de 0,38% em maio. O Bradesco, também prevê que a “deflação deverá se intensificar nos próximos meses”. Para o banco, o “ambiente, de inflação corrente e expectativas abaixo do piso da meta de inflação em 2020, continua dando amplo espaço para o Banco Central prosseguir com cortes de juros”. O Bradesco espera que a Selic encerre 2020 em 2,25%, ficando assim em 2021.

Diante da ausência de inflação no horizonte, o Federal Reserve dos EUA, que já tinha aberto os cofres, renovou na semana passada a manutenção dos juros básicos na faixa de 0% a 0,25% ao ano. Mas em artigo no “New York Times” de 23 de abril, a economista Cláudia Sahn, que integrou o staff de economistas do Fed de 2008 a 2019 (viveu a grande crise econômica anterior, de 2008-09) defendeu claramente que não há qualquer problema para que o Fed, que já recomprou papéis de dívidas de bancos, empresas, estados e municípios (nos EUA é comum a emissão de bônus municipais por cidades que sequer são capitais de estado), emitar dinheiro para salvar cidades, pois “à medida que o Congresso se atrapalha [para aprovar ajudas] (…) a capacidade ilimitada do Fed de criar dinheiro pode ser a única salvação que restou para salvar as comunidades”.

Provavelmente, Paulo Guedes, ou alguém de sua equipe, leu o artigo. O que explica a mudança de posição do ortodoxo seguidor da Escola de Chicago. Se antes, como disse o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, o governo via, em fevereiro, a crise do Covid-19 na China, como um “problema na cadeia de suprimentos da indústria e do comércio”. O impacto da crise na Itália gerou mudança de 190 graus. Guedes disse, em conferência virtual no Senado, esta semana, que podia cogitar a emissão de dinheiro, diante da retração dos bancos para assumirem os riscos de socorro às empresas de grande a micro portes nas áreas de indústria, comércio e serviços.

Na minha experiência de 48 anos de cobertura de economia, já escrevi que “dinheiro na mão é vendaval”, como ocorreu com o Refinanciamento Compensatório em 1975-76. Dinheiro pode gerar incêndio inflacionário quando há oxigênio da demanda ou da especulação. Como a demanda sumiu, creio que Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, que “é a única voz da economia”, como disse o presidente Jair Bolsonaro, para prestigiar seu ministro da Economia, diante das ameaças de gastança fiscal do programa Pró-Brasil, não corre risco de contradizer sua biografia. O problema é que o presidente, que já se disse “uma metamorfose ambulante”, domingo, em Goiás, ao provocar aglomeração numa visita a um posto Petrobras, na Br, desautorizou o isolamento e o seu ministro da Economia, “Posto Ipiranga”.

maio
04
Posted on 04-05-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-05-2020


 

Quinho, no

 

maio
04
Posted on 04-05-2020
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Ontem, Moro concluiu um depoimento de oito horas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba após acusações de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, teria tentado intervir em investigações da Polícia Federal


AE Agência Estado

postado em 03/05/2020 19:49

 
(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comentou o depoimento deste sábado (2) do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e afirmou que o ex-juiz “certamente mostraria quatro anos de (conversa de) Whatsapp se seguisse no mandato até o final de 2022”. “O Moro está se mostrando um excelente sujeito político traindo o presidente da República”, disse o parlamentar.

Ontem, Moro concluiu um depoimento de oito horas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba após acusações de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, teria tentado intervir em investigações da Polícia Federal. Segundo Eduardo Bolsonaro, “quem tem provas não precisa de horas fazendo depoimento”.
De acordo com o parlamentar, “quem convivia nos bastidores já conseguia perceber de maneira mais forte que ele fez um bom papel no combate à corrupção e um bom papel na Lava Jato, mas como ministro estava complicado”.

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