Músicas e paixão pela barba emocionam, diz filha de Raul Seixas
Raul Seixas:  o encontro e o beijo na barba na frente da Reitoria da UFBA.

CRÔNICA

OUTROS ENCONTROS

Gilson Nogueira

 

Em um dia qualquer, menino, na Salvador dos bondes e das mulheres mais bonitas do mundo na Rua Chile, com pinta de quem poderia ser jornalista, inventei um jornal em tamanho A 4 e reproduzido em folhas de papel carbono. A circulação de O Pioneiro não passava da porta da rua da minha casa e limitava-se a meia dúzia de exemplares.

Tenho o primeiro número dele, com uma torre de petróleo como logotipo, entre os trecos que guardo desde que nasci. O tempo passou e vim a receber o canudo sonhado por meus pais, no Dia 11 de Dezembro de 1971, com o orgulho de quem havia puxado ao velho, jornalista de nascimento, que exerceu o cargo de redator-chefe em jornais do interior de São Paulo e da Bahia. Grande festa, imagino, deverá acontecer, em Salvador, ano que vem, quando a Turma de 1971, da Ufba velha de guerra, comemorar os 50 Anos de Formatura em Jornalismo.

Desde já, na minha imaginação, vejo Fábio Paes, Gereba, Waltinho Queiroz, Paulinho Boca de Cantor e outros artistas de peso no meio do salão em um abraço redondo nos coroas que fizeram parte da revolução, para melhor, da arte de fazer jornalismo na terra que pariu Batatinha e Ederaldo Gentil, como exemplos, no campo da música popular. Não toquei no assunto com a galera mais irreverente em sala de aula que a Universidade Federal da Bahia conheceu, nem, tampouco, com os artistas citados.

Ao saberem da idéia, irão, certamente, erguer um brinde antecipado aos donos da farra. João Carlos Teixeira Gomes, o famoso Pena de Aço, na intimidade, Joca, Florisvaldo Mattos, Samuel Celestino, Cid Teixeira, Paulo Roberto Sampaio, Antônio Mattos, meu chefe de sempre, que levou-me para a Tribuna da Bahia, José de Jesus Barreto, Mário Freitas, Carlos Olímpio Pinto de Azevedo Neto, que indicou-me para a Manchete do Titio Adolpho, o guru de todos os que trabalham na Imprensa escrita, Vítor Hugo Soares,Renato Pinheiro,Tasso Franco, Sérgio Mattos e outros bambas,
que engrandeceram e engrandecem a profissão, serão convidados (as)para partir o bolo de aniversário e cantarão,juntos, aos cinquentões, o Hino Nacional e o Parabéns Para Você, até o Sol raiar ou a Lua aparecer.

Na oportunidade, lembrarei dele, o Maluco Beleza, que foi meu colega no São Bento e, após alguns anos sem vê-lo, encontrei-o defronte à Reitoria para umas fotos, em preto e branco, que ilustrariam materinha minha no Jornal Universitário, da Ufba, que tinha como editor o jornalista Ailton Sampaio. Minha coluna Gil – Son, de música, com ênfase a lançamentos de discos, os célebres LP de vinil, deve ter publicado a foto dele. Não lembro. Recordo, vivamente,como se tivesse ocorrido ontem, o abraço de Raul Seixas, chamando-me de Gilsinho e eu dando um beijo naquela barba que deve, agora, estar fazendo o Céu tremer de emoção com ele gritando cá prá baixo: “ Migué, vai rolar um fuminho aê?”

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

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