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Posted on 24-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-04-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

De acordo com a autarquia, 35,6 milhões de pessoas serão beneficiadas no mês de abril


  Israel Medeiros*
 
(foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)

Começa nesta sexta-feira o pagamento da primeira parcela do 13º de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com a autarquia, 35,6 milhões de pessoas serão beneficiadas no mês de abril. O valor a ser injetado na economia será de R$ 71,7 bilhões. Desde 2006, a primeira parcela do 13º é paga na folha de agosto; já a segunda costuma ser paga entre novembro e dezembro. A antecipação, anunciada em março pelo governo federal, tem como objetivo liberar mais recursos na economia para minimizar os impactos da pandemia.

O depósito da primeira parcela, que corresponde a 50% do benefício, ocorrerá entre 24 de abril e 8 de maio para aqueles que recebem um salário mínimo. Os dias de pagamento variam de acordo com o número final da identificação de segurado, desconsiderando o dígito verificador. Aqueles que têm renda mensal superior ao piso nacional (R$ 1.045) terão o pagamento creditado entre 4/5 e 8/5. Já a segunda parcela, que tem desconto do Imposto de Renda, será paga entre os dias 25 de maio e 5 de junho.
De acordo com o INSS, têm direito a receber o 13º aqueles que recebem aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente ou auxílio-reclusão. Nos casos em que o fim do benefício está previsto para antes de 31 de dezembro de 2020, o valor a ser pago será proporcional. Não terão direito ao benefício aqueles que recebem benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social – BPC/LOAS e Renda Mensal Vitalícia – RMV) não têm direito ao abono anual.
A assessoria do INSS informou ao Correio que as agências continuam fechadas até o dia 30, como determinado por portaria expedida em 20 de março. O prazo pode ser prorrogado caso seja necessário. Porém, ainda não existem informações sobre a prorrogação. Os segurados que precisarem utilizar algum serviço precisarão recorrer aos canais digitais, como o site da autarquia, o “Meu INSS”; e o aplicativo, que pode ser baixado nas plataformas Android e iOS. Ainda é possível entrar em contato via telefone, através do 135.

50 ideias de lembrancinha mensagem na garrafa | Como fazer em casa
 Crônica

A rolha e o cartão vermelho

Gilson Nogueira

Um pote de vidro acaba de receber uma rolha de cortiça a mais. Ela junta-se às outras que lá estão, cada uma com um pedido. A minha, vinda da Espanha, em fina garrafa de vidro, cheia de puro vinho, levou uma mensagem, que não posso revelar, e que tem a ver com o morcego assassino de um mercado molhado chinês que mordeu alguém e, desse modo, espalhou o novo Coronavírus de ponta a ponta no Planeta. Há uma reportagem na BBC que mostra a origem de um dos maiores males vividos pela Humanidade. Em todos os tempos! O mundo está chocado, como nunca, nos tempos modernos, por conta desse demônio sem pátria.

Escrevo com olhos e ouvidos abertos ao drama que parece não ter fim e que, de repente, mais que antes, transformou o ser em um número ao ser enterrado, sem direito a adeus dos que sobrevivem à tragédia, na perspectiva de vir a lamentar não ter um ponto final. Por conta dela, desde logo, anuncia-se uma mudança sem precedentes nas relações pessoais. O uso de máscaras,na
tentativa de impedir que, dia após dia, os filhos de Deus testem positivo para o Covid-19, no contato com seus semelhantes e em outras formas de contágio.

O figurino vai ser parte do rosto dos sobreviventes. Seria, dentro de uma perspectiva sinistra, uma legião infinita de condenados à morte, enquanto não surgir a bula salvadora? Creio que sim. E aí, cidadão, no Brasil, especialmente, onde os óbitos avançam em proporções para lá de assustadoras, o que você faria para conter o mal? Não tenho capacidade para responder. Apenas, através deste despretensioso texto, endereçar uma pergunta aos políticos que, em um momento tão cruel para o povo brasileiro, discutem política.

Seguinte, tirem o paletó, dispensem as ideologias, arregacem as mangas e entrem em campo, unidos, para ajudar o país a poder comemorar sua maior conquista, em todos os setores. Quem não concordar com isto tem que levar cartão vermelho.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

“Solidão”, Nora Ney e Radamés Gnatalli com orquestra: Um deslumbramento de samba canção de Tom (anos 50), a voz e a interpretação impecáveis de de Nora e a luxuosa participação de Gnatalli e sua formidável orquestra. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAÍS

Nelson Teich disse que não é possível aplicar testes em massa no país e que Brasil não pode sobreviver “um ano e meio parado”. Ele apresentou o general Eduardo Pazuello como número 2 da pasta

Ministro da Saúde, Nelson Teich, durante coletiva de imprensa na quarta-feira (22/04).
Ministro da Saúde, Nelson Teich, durante coletiva de imprensa na quarta-feira (22/04).Eraldo Peres / AP
 Joana Oliveira
São Paulo

O ministro da Saúde, Nelson Teich, informou nesta quarta-feira que o Governo anunciará até a semana que vem um plano para que as cidades e Estados decidam sobre a flexibilização do isolamento social contra a pandemia de coronavírus —há poucas semanas a pasta, ainda sob Luiz Henrique Mandetta, havia anunciado diretrizes baseadas . Teich disse que serão consideradas as particularidades de cada lugar, bem como o avanço da doença em cada região, mas acrescentou que é “impossível” para um “país sobreviver um ano, um ano e meio parado”. “O afastamento [social] é uma medida natural e lógica no início, mas não pode ser aplicado sem um plano de saída”, afirmou o ministro. Teich também anunciou que o general Eduardo Pazuello será o novo secretário-executivo da Saúde, o número dois da pasta.

Depois de o ministério registrar mais 165 mortes por covid-19 —o total de óbitos chega a 2.906— e 45.757 casos confirmados no país, Teich afirmou que o “Brasil é um dos países que melhor performa em relação à covid” e que o número pessoas infectadas é baixo se comparado com o total da população brasileira. O ministro citou que o Brasil tem 8,7 de taxa de mortos por cada um milhão de habitantes, mas, pelos números oficiais mais recentes, essa taxa está em 13,7. Ainda assim, o número é, como Teich disse, muitas vezes menor que o da Espanha ou que nos EUA (135 por milhão) —embora o ministro também tenha citado as taxas desses países de forma equivocada.

O ministro acredita que, mantendo-se as taxas atuais, o Brasil não atingirá a estimativa de 70% da população em contato com a doença. Prometeu recuar em caso de erro de cálculo. “O monitoramento contínuo vai ter indicadores que dizem: ‘volta’. Quando você conhece pouco alguma coisa, você não consegue prever o que vai acontecer. Então tem que ser rápido o bastante para fazer um diagnóstico e tomar atitude”, disse. “Então uma das coisas que vai ter é: se acontecer isso aqui, recua”.

Apesar de reconhecer o déficit de testes no Brasil —e a consequente subnotificação de casos e óbitos em decorrência do coronavírus— Teich criticou os modelos matemáticos que fazem projeções sobre os números de morte por covid-19. O ministro mencionou o estudo realizado pelo Imperial College, de Londres, que estima mais de um milhão de mortes no pior cenário para o Brasil. Com medidas de isolamento social adequadas, esse número cairia para 44 mil óbitos, indica o estudo. “Isso é impossível”, disse Teich, referindo-se à grande diferença numérica entre ambos cenários. O ministro também afirmou que quando tais pesquisas “geram um número muito alarmante”, têm o efeito de aumentar o medo dos cidadãos.

“A gente hoje tem 43,5 mil casos do coronavírus no Brasil. Se a gente imaginar que pode ter uma margem de erro grande, digamos, hipoteticamente, de 100 vezes, estamos falando em quatro milhões de pessoas. Nós hoje somos 212 milhões. Então, fora da covid-19 tem 208 milhões de pessoas que continuam com as suas doenças, com os seus problemas, e que têm que ter isso tratado. E o que é que representam, hoje, quatro milhões de pessoas num país como esse? 2% da população”, argumentou. Sem citar as situações do Amazonas e do Ceará, considerados em estado de emergência pelo contágio em relação ao número populacional, anunciou envio de respiradores e a esses pontos do país.

Sem detalhar seus planos de controle da epidemia à frente do ministério, Teich limitou-se a seguir em um tom de otimismo: “Temos condição de deixar o sistema de saúde mais forte para o pós-covid-19”, disse o novo ministro da Saúde.

Braço direito

O braço direito escolhido pelo novo ministro da Saúde para a missão de combate ao coronavírus é o general Eduardo Pazuello, que comandou, de 2018 até o início deste ano, a Operação Acolhida, de apoio humanitário a refugiados venezuelanos em Roraima. Depois disso, Pazuello assumiu o comando militar do Exército na Amazônia, em Manaus. “Ele tem muita experiência em logística, compra e distribuição, algo muito importante para o ministério neste momento”, afirmou Teich.

Ex-comandante da Base de Apoio Logístico do Exército, o novo secretário-executivo da Saúde —que assume o cargo no lugar de João Gabbardo, chefe do posto na gestão de Luiz Henrique Mandetta— também trabalhou como coordenador logístico das tropas do Exército na Olimpíada de 2016.

Pazuello converte-se, assim, no mais recente reforço do Governo de Jair Bolsonaro, que celebrou, em fevereiro, o fato de haver montado um governo “todo militarizado”.

Ramos critica imprensa por cobertura da Covid-19: “Não está ajudando”

Segundo o ministro da Secretaria de Governo, jornais estão fazendo uma cobertura maciça dos fatos negativos da covid-19 e falando de “caixão, corpo e número de mortes” 24 horas por dia


Augusto Fernandes

 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar dos jornais brasileiros e chamou a imprensa de “canalha”, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, também criticou a mídia nacional pela cobertura da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, os veículos de comunicação estão levando pânico à população por divulgar apenas fatos ruins relacionados à crise sanitária e deixar de noticiar acontecimentos positivos.

 Apesar de dizer que o governo Bolsonaro “respeita muito” a liberdade de imprensa e entenda que ela é “fundamental num processo democrático de qualquer país”, Ramos reclamou que desde o início da pandemia “há uma cobertura maciça dos fatos negativos”. “Todos sabem que os noticiários entram nos lares brasileiros todos os dias, e os senhores hão de convir que nós temos pessoas que são muito suscetíveis a essas notícias. Com todo o respeito, no jornal da manhã, é caixão e corpo. Na hora do almoço, é caixão, novamente, e corpo. No jornal da noite, é caixão, e é corpo e o número de mortes”, ponderou.
Ramos ainda questionou: “como é que os senhores acham que uma senhora de idade, uma pessoa humilde ou uma pessoa que sofre de alguma outra enfermidade se sente com essa maciça divulgação desses fatos negativos? Não está ajudando. Ninguém aqui está dizendo que tem que esconder. Mas eu conclamo, peço encarecidamente, tem tanta coisa positiva acontecendo. Vamos começar a divulgar o número de curados. 50%, 56% foi curado”, declarou o ministro.
Apesar da fala de Ramos, apenas na semana passada, em 14 de abril, o Ministério da Saúde começou a informar a quantidade de pessoas no país que já se curaram da Covid-19. Portanto, com 48 dias de atraso desde o primeiro registro da doença no Brasil, em 26 de fevereiro. De todo modo, muitos veículos de comunicação se basearam nas informações das Secretarias Estaduais de Saúde durante esse intervalo para noticiar o número de curados do novo coronavírus.

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DO CORREIO BRAZILIENSE
O ministro da Saúde, Nelson Teich, participou nesta quarta-feira (22/4), de sua primeira coletiva de imprensa no Palácio do Planalto ao lado de outros ministros do governo Bolsonaro sobre as ações de enfrentamento no combate do novo coronavírus. Na ocasião, Teich defendeu uma diretriz para que estados e cidades possam retornar do isolamento e reforçou que não há como uma sobreviver um ano parado.
 
 “É impossível um país sobreviver um ano parado. O afastamento é um pedido natural e lógico na largada, mas ele não pode não estar acompanhado de um programa de saída. Isso é o que gente vai desenhar e dar suporte para estados e municípios”, afirmou.
 
De acordo com o ministro, o Ministério da Saúde desenhará uma diretriz que vai dar suporte aos estados e cidades, para estes que desenhem seus programas em relação ao isolamento e ao distanciamento social.
 
Ao falar sobre os números da Covid-19 no país Teich ainda se confundiu e errou o número de casos confirmados no Brasil. Atualmente, o país tem 45.757 pessoas infectadas. “A gente hoje tem 43.500 casos do coronavírus no Brasil”, disse o ministro.
 
Teich anunciou ainda que as coletivas técnicas voltarão a acontecer na semana que vem. Desde a saída de Luiz Henrique Mandetta do cargo, na última quinta-feira (16/4), as coletivas técnicas, que contavam com a presença do secretário-executivo do MS, João Gabbardo, e do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, não são mais realizadas.
 
O ministro também voltou a falar de pontos, que já tinha citado no discurso da posse. O novo ministro ressaltou a falta de informação da doença e a integração do Ministério da Saúde com outras pastas do governo.
 

Base de dados

 
Ele detalhou que elabora uma base de dados conjunta a outros ministérios para elucidar melhor os números relacionados à pandemia. “Vai ser Ministério da Saúde, Casa Civil e outros ministérios. Vamos buscar a integração cada vez maior com outros grupos do governo,  também estamos trabalhando com a iniciativa privada. Tudo isso vai ser consolidado”.
 
Em sua fala inicial, o ministro da Saúde citou três frentes de trabalho. “A gente tem três braços que vamos trabalhar e focar. O lado da informação, o da infraestrutura e o terceiro é a criação de uma diretriz que permita que estados e municípios abordem e criem política, projetos, em relação ao isolamento e ao distanciamento”, disse.
 
Teich destrinchou a atenção à informação tanto para os dados relacionados ao Covid-19 quanto para outras doenças. “A gente sabe que doentes com outras doenças, como câncer, não estão chegando. E não é que a doença tenha sumido. É que as pessoas não estão procurando os hospitais, os ambulatórios. A gente sabe que doença cardiovascular também é um problema, tem pessoas morrendo em casa com enfarto porque não vão a tempo para uma emergência”, problematizou.

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Para infelicidade do SBT, a opinião de Roberto Cabrini sobre o coronavírus repercutiu mais nas redes sociais do que na televisão.

Exibida anteontem, a edição do “Conexão Repórter” em que o jornalista afirmou que “o Brasil apresenta o segundo maior caso de sucesso de controle de coronavírus até aqui, atrás apenas da Coreia do Sul” deu apenas 4,5 pontos de audiência na Grande São Paulo. A “Tela Quente”, da Globo, registrou 18,1.

No Rio de Janeiro, a média foi ainda menor: 3,1 pontos.

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Posted on 23-04-2020
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 4ª- feira 22/04/2020

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Duke, no jornal O Tempo (MG)

DO EL PAÍS

Geórgia será o primeiro Estado a iniciar a “nova normalidade”, na próxima segunda-feira. Outros três feudos conservadores relaxam as restrições para frear o coronavírus, diz jornal espanhol El País.

Funcionários da Forza Storico organizam refeições para os profissionais de saúde dias antes da reabertura gradual de empresas e restaurantes em Atlanta, na Geórgia.
Funcionários da Forza Storico organizam refeições para os profissionais de saúde dias antes da reabertura gradual de empresas e restaurantes em Atlanta, na Geórgia.ELIJAH NOUVELAGE / Reuters
 Antonia Laborde
Washington

A partir da próxima sexta-feira, as academias de ginástica da Geórgia, no sudeste dos EUA, poderão voltar a receber seus clientes, e a partir de segunda os restaurantes e cinemas também começarão a funcionar. Na Carolina do Sul, as livrarias e lojas já têm autorização para abrir suas portas, e também o acesso às praias foi liberado. No Tennessee, a partir de 1º de maio não vigora mais o decreto estadual que obriga a população a ficar em casa, e o governador da Louisiana está seguro de que até essa data já terá condições de seguir as diretrizes da Casa Branca para restaurar a atividade comercial. A Flórida trabalha a todo vapor para apresentar o plano de abertura até o final desta semana.

O sul dos Estados Unidos inicia assim a transição para a chamada “nova normalidade”, após semanas de confinamento para frear a expansão do coronavírus, num processo contaminado pela polarização política: o republicano Donald Trump estimulou os protestos contra as medidas de isolamento, convocados sobretudo por suas bases mais radicais em Estados com governadores democratas. Embora a propagação da covid-19 tenha se desacelerado, houve quase 200.000 novos contágios e 13.000 mortes em uma semana. E os primeiros Estados a se movimentarem para reativar sua economia são conservadores, embora alguns, como a Louisiana, concentrem graves focos de contágio.

O republicano Brian Kemp, governador da Geórgia, foi um dos últimos a imporem a ordem de ficar em casa. Menos de três semanas depois, decidiu dar início à reabertura da atividade no Estado com um plano agressivo: a partir de sexta-feira, as academias de ginástica e as barbearias, entre outros negócios, poderão voltar a funcionar. Para isso, devem seguir pautas de distanciamento social e examinar seus funcionários para evitar a propagação do vírus. As salas de cinema e os restaurantes farão o mesmo a partir de 27 de abril. Nesta terça, o Estado, com 10 milhões de habitantes, registrou mais de 400 novos contágios, já beirando os 20.000 no total, e o número de mortes chegou a 799. “Provavelmente veremos que os casos continuam aumentando”, antecipou o governador nesta segunda-feira. “Se uma comunidade começar a se transformar em um ponto quente [de contágio], então tomarei mais medidas”, acrescentou.

As diretrizes da Casa Branca para a reabertura gradual incluem três fases, cada uma delas de 14 dias. Os especialistas recomendam que o Estado avance no plano à medida que obtenha uma trajetória descendente nas doenças com sintomas semelhantes à gripe e ao coronavírus; e que também caiam os casos registrados e os exames de diagnóstico com resultados positivos em relação à percentagem total de exames feitos. Keisha Lance Bottoms, a prefeita democrata de Atlanta, capital da Geórgia, rejeitou o anúncio do governador porque “os números continuam subindo”. “É prerrogativa do governador tomar esta decisão para o Estado, mas continuarei insistindo a Atlanta para que fique em casa”, afirmou em nota. Mas Kemp desacreditou a ordem dela: “Não se podem tomar medidas locais que sejam mais ou menos restritivas” em relação às estaduais.

A disputa de poder também é travada entre Trump e os governadores. Num primeiro momento, o mandatário, que se mostrou ansioso por reativar a economia o quanto antes (no domingo de Páscoa, chegou a dizer), arrogou-se uma “autoridade total”, mas em seguida recuou. Depois, anunciou o plano elaborado pelos especialistas em saúde da Casa Branca, mas esclareceu que eram os governadores que deviam decidir quando iniciá-lo. Entretanto, 24 horas depois, o presidente se somou ao apelo por “liberdade” reivindicado por pequenos grupos em Wisconsin, Michigan e Virgínia, três Estados governados pelos democratas.

O epidemiologista Anthony Fauci advertiu a quem pede a reabertura dos comércios e serviços que não haverá recuperação econômica enquanto o vírus não estiver “sob controle”. Suspender as medidas de “fique em casa” pode ser “contraproducente” se os Estados não seguirem as recomendações, acrescentou ele nesta segunda-feira no programa Good Morning, America. O vice-presidente Mike Pence afirmou várias vezes que há “suficiente” capacidade de testes para diagnosticar o coronavírus em todos os Estados do país, o que lhes permitiria tomar a decisão de relaxar as restrições impostas. Mas vários governadores dizem precisar de mais kits.

O republicano Larry Hogan, de Maryland, anunciou nesta segunda-feira que adquiriu meio milhão de exames da Coreia do Sul. Mais tarde, em sua entrevista coletiva diária, Trump disse haver Estados que têm muito mais capacidade do que “realmente compreendem”. Acusou em particular os governadores J.B. Pritzker, de Illinois, e Hogan de “não entenderem” o assunto dos exames. Pela manhã, o governador de Maryland defendeu a compra, afirmando que “o presidente disse que os governadores estavam sozinhos e que devíamos nos centrar em obtermos nossos próprios testes, e isso foi exatamente o que fizemos”.

Enquanto a Geórgia, o Tennessee e a Carolina do Sul já anunciaram seus respectivos cronogramas de reabertura, o governador da Flórida, Ron DeSantis, ainda não especifica datas, mas deixou claro que quer divulgá-las o quanto antes. O republicano formou nesta segunda-feira um comitê, liderado por empresários, que terá cinco dias para apresentar uma proposta, e anunciou que serão feitos 100.000 testes rápidos adicionais de Covid-19 nesta semana. Paralelamente, há três grupos regionais – na Costa Leste, na Costa Oeste e no centro do país – que estão trabalhando de maneira conjunta para a reabertura, mas ainda não publicaram um calendário.

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DO EL PAÍS

Aqueles que têm tudo de sobra atravessam a tempestade com menos sacrifícios do que os pobres, para os quais a epidemia é apenas um elemento a mais da dor em que já vivem

Um barbeiro da favela de Mandela, no Rio de Janeiro, trabalha com máscara de proteção durante pandemia de coronavírus.
Um barbeiro da favela de Mandela, no Rio de Janeiro, trabalha com máscara de proteção durante pandemia de coronavírus.Antonio Lacerda / EFE
 Juan Arias
Já se escreveu muito sobre como a tragédia do coronavírus nos iguala a todos porque quando golpeia não conhece classes nem ideologias. Mata ricos e pobres. Isso é, no entanto, uma meia-verdade, porque, como sempre na história, aqueles que têm tudo de sobra atravessam a tempestade com menos sacrifícios do que os pobres, para os quais a epidemia é apenas um elemento a mais da dor em que já vivem.

Pode parecer, mas não é uma blasfêmia dizer que os pobres sofrem menos do que os ricos nestas tragédias porque estão acostumados a conviver com a dor, a frustração e a morte.

Talvez por isso, os que mais se opõem ao confinamento que pode salvar muitas vidas são aqueles para quem não faltará nada durante a quarentena, nem mesmo um bom hospital caso o bicho chegue a pegá-los, como afirmou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Não vimos, de fato, multidões de pobres saírem às ruas para protestar contra o isolamento, apesar de serem eles os mais martirizados por essa medida, pois ela os impede até de sair para ganhar o pão para sua família. Os pobres não têm cadernetas de poupança, e sim dívidas, e a epidemia os deixa mais desprotegidos do que ninguém.

Estão sendo, paradoxalmente, os mais ricos que estão forçando as manifestações contra o isolamento —que, segundo a ciência, é em todo o mundo o único antídoto até hoje para salvar vidas. Sim, o vírus não é classista, mas as tremendas desigualdades da nossa sociedade cruel continuam vivas e até se agigantam durante a epidemia.

Para os mais ricos, os da Casa Grande, o que interessa é que a máquina da produção seja posta em marcha o quanto antes para que a Bolsa volte a subir.

Talvez seja por isso que personagens políticos como o presidente Jair Bolsonaro se revelem desprovidos de sentimentos humanos elementares de compaixão pelos que mais sofrem as consequências da epidemia, e cheguem a negá-la.

Isso explica por que esses pequenos aprendizes de tiranos não se preocupam com aqueles que mais vão morrer com o vírus. Sabemos que são os idosos e os que já sofrem de alguma doença crônica. E essas vítimas são as que menos interessam a todos que veem o mundo sob o prisma do mero lucro ou do mero interesse político. Para eles, idosos e doentes são improdutivos em nossa sociedade do consumo e da vertigem da produtividade a qualquer preço.

Os psicólogos e psiquiatras estão apontando as consequências negativas que terá, para nosso cérebro, a crise mundial que afeta a humanidade inteira. E é aterrador. É um rio de angústias profundas que nossa psique está acumulando, e ainda não sabemos quais serão suas consequências finais.

Mas, dentro de tanta dor, angústia e morte, há um aspecto esquecido que poderia nos ajudar a resgatar um sentimento perdido em nossa sociedade, infectada pelo ódio político e social. Refiro-me a um certo despertar do mundo das emoções, as mais positivas, as que nos curam das psicoses e pareciam adormecidas em uma sociedade contagiada por ódios e discriminações.

É como se o mundo do dinheiro frio e até o do tédio daqueles que têm a mesa farta tivesse se apoderado de um mundo que já é incapaz de emoções humanas profundas.

No entanto, a emoção nos redime de nossos pessimismos estéreis, nos aproxima, nos faz descobrir algo que acreditávamos ter perdido para sempre imersos, como estamos, na sociedade do egoísmo e da inveja. As emoções são o oxigênio da nossa vida interior.

A epidemia, com suas dores, está nos devolvendo, por exemplo, o gosto pela emoção gerada pela solidariedade e pela empatia com os demais, que nos parecem mais próximos e iguais do que nunca.

É verdade que as sequelas psiquiátricas provocadas pelo desespero da separação física podem aumentar durante a crise, como se vê pelo aumento da violência doméstica em algumas famílias. Mas também é possível que o confinamento forçado sirva para que muitos casais e famílias valorizem e reconquistem a intimidade perdida e a alegria de estar juntos.

São essas emoções que o isolamento desperta repentinamente em nós, fazendo com que nos sintamos mais amigos e receptivos à dor e à alegria alheias.

Cenas como a de idosos até de cem anos que saem dos hospitais curados do vírus, sob aplausos de médicos e enfermeiros, eram inéditas até ontem.

Não podemos esquecer, nem mesmo nestes momentos trágicos, que a perda das emoções cria mundos paralelos de ódio e incompreensão da dor e da pobreza alheias.

As emoções, em vez disso, afastam os demônios da vingança. A emoção positiva está mais disposta ao perdão do que ao castigo e nos prepara melhor para compreender a dor e a solidão dos outros.

Quem é incapaz de abrigar emoções diferentes das criadas pela violência e pela morte nunca entenderá o que a ternura e o abraço significam.

O que os nazistas, que arrastavam mães com seus filhos para os crematórios nos campos de concentração, sabiam sobre emoções como a compaixão pelos outros?

Os incapazes de emoções são os mais próximos dos psicopatas que matam com a maior frieza do mundo. Onde estava a emoção nos interrogatórios policiais sob tortura ou nos pelotões de fuzilamento das ditaduras?

Se o coronavírus nos servir para despertar os melhores sentimentos de emoção diante da felicidade alheia, sentimentos que a luta política envenenada aniquilou, a pandemia não terá sido inútil.

Nada seria mais positivo para nosso mundo amargurado e cada vez mais injusto e com maior capacidade de segregação que nascesse um rio de emoções reprimidas capaz de nos redimir de tantos ódios acumulados.

Só aqueles que têm a alma seca de emoções não conseguem entender certas correntes de emoções positivas que só apreciamos quando as perdemos.

É por isso que todos os ditadores ou aspirantes são sempre os mais alérgicos às emoções que salvam e unem a humanidade na busca de uma felicidade que não precisaria matar nem humilhar para se sentir em paz com os outros

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