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Do Jornal  do Brasil

Macaque in the trees
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira, questionado sobre eventual impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, que o Parlamento não será instrumento de turbulências e crise política, o que poderia trazer mais incertezas e dar “contornos ainda mais graves” à crise da pandemia do coronavírus.

Maia acrescentou que o momento exige “paciência” e garantiu que a Câmara manterá seu foco no debate e votações de propostas de enfrentamento da crise.

“O que nós não podemos, de forma nenhuma é que o Parlamento seja mais um instrumento de crises e de incertezas, que infelizmente hoje tem sido gerado no nosso país”, disse o presidente da Câmara, após mais de uma semana sem conceder coletivas à imprensa em meio à turbulência política que envolveu, inclusive, a demissão de dois ministros de Bolsonaro.

“Acho que o nosso papel é ter paciência, é ter equilíbrio. Eu acho que é legítimo a sociedade, os parlamentares —parte deles— tentarem discutir CPIs e outros instrumentos, mas acho que a Câmara deve, sob minha presidência, respeitando a posição de outros parlamentares, acho que nós devemos ter essa paciência e esse equilíbrio para que nós possamos tratar do que é mais importante que é a vida dos brasileiros, o emprego dos brasileiros, e a renda”, defendeu.

Mais de uma vez questionado sobre o andamento que dará aos pedidos de impeachment aguardando análise na Câmara —há 30 deles protocolados—, Maia lembrou que atuará como “juiz” do processo, razão pela qual evitou entrar em detalhes. É prerrogativa do presidente da Câmara decidir se dá andamento aos requerimentos apresentados para impedir o chefe do Executivo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello pediu à Câmara na última quinta-feira informações a respeito do andamento de um pedido de autoria de dois advogados. Eles questionaram o fato de Maia ainda não ter se manifestado, mesmo depois de mais de 15 dias de o pedido ter sido apresentado.

Sobre as recentes demissões dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e da Justiça Sergio Moro, Maia comentou que são pessoas públicas com “credibilidade” e que as mudanças nas pastas durante a pandemia geram insegurança. Disse ainda que eventual desembarque do ministro da Economia, Paulo Guedes, teria impacto negativo.

Afirmou, no entanto, que a Câmara manterá seu foco no enfrentamento à crise do coronavírus, evitando, assim, ampliar “ainda mais uma crise que é do Poder Executivo”, dizendo que “lá ela deve ficar”.

O presidente da Câmara evitou tecer comentários específicos sobre as declarações de Moro ao anunciar seu pedido de demissão, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal inclusive pressionando pela mudança na direção-geral da instituição.

“Acho que esse é um tema que é um problema do governo”, afirmou Maia. “Nomear e exonerar é um problema do governo, se há problemas na forma de exonerar e de nomear, isso, inclusive tem uma ação proposta pelo procurador-geral, doutor Aras, para que se investigue essas questões.”

Na sexta-feira o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF a abertura de um inquérito criminal para apurar os “fatos narrados e as declarações” apresentadas por Moro, segundo comunicado publicado pela instituição.

Sobre as disputas relacionadas a projeto de auxílio a Estados e municípios durante o estado de calamidade por conta da crise do coronavírus, Maia defendeu o direito de o Senado debater e retificar o texto da Câmara. Para ele, o importante é que seja enviada à sanção presidencial uma solução aos entes, que estão próximos do “colapso”.

Maia disse ter convicção na solução encontrada pela Câmara que prevê a adoção de um “seguro-receita” a Estados e municípios por meio da compensação, por parte da União, das perdas de arrecadação do ICMS e ISS.

O governo, no entanto, encara a proposta como uma “bomba fiscal” e negocia a votação de outro projeto no Senado, de autoria do vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG). O relator da proposta, o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), iria se reunir nesta tarde com Guedes, para tratar do tema. (Maria Carolina Marcello/Reuters

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Bolsonaro, a “gripezinha” e o Centrão

Com o país praticamente paralisado, Jair Bolsonaro não terá de enfrentar manifestações pelo impeachment tão cedo. A “gripezinha” agora passou a ser aliada política.

Quanto à economia, o país vai se autoenganando, enquanto os urubus do Centrão, agora aliado do governo federal, deleitam-se com o que ainda resta no tacho (não muito).

Na realidade, a Aliança pelo Brasil é composta por Bolsonaro, Covid-19 e Centrão.

Do Jornal do Brasil

 

 

Uma quinzena (menos de 20% do 1º trimestre), desde que o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central definiram, em 16 de março, as medidas para ampliar a liquidez dos bancos para que pudessem enfrentar o tranco da retração econômica causada pelo novo coronavírus (Covid-19), foi o suficiente para impactar fortemente o balanço do Santander Brasil, divulgado nesta terça-feira, 28 de abril. O lucro líquido de R$ 3,853 bilhões, cresceu 3,4% sobre o 4º trimestre de 2019 (10,5% em 12 meses). Mas as provisões de R$ 3,424 bilhões para devedores duvidosos aumentaram 14,8% frente ao final de 2019 e em 19,2% em 12 meses. O banco admitiu que o 2º trimestre será muito duro.

Macaque in the trees
O lucro do Santander (Foto: Reprodução)

Como o Covid-19 chegou mais tarde nas Américas do que na Europa e particularmente na Espanha – que registrou casos já em fevereiro e acumula quase 24 mil mortes – o Brasil, mais uma vez, liderou os lucros em euros do conglomerado de Ana Botin e respondeu por 29% dos ganhos no período (694 milhões de euros). Foi mais que a soma da matriz espanhola (14% dos ganhos, ou 352 milhões de euros), que teve de fazer reforço de 1,6 bilhão de euros para cobrir perdas geradas pela pandemia e viu o lucro encolher 82% e os 304 milhões da filial espanhola SCI, que garantiu 12% dos ganhos globais. A filial nos Estados Unidos, lucrou 273 milhões de euros (11%).

O balanço trimestral da unidade brasileira mostra como as grandes empresas avançaram no crédito para reforçar o caixa, tão logo ficou claro que a crise seria devastadora. A carteira total, atingiu R$ 463,3 bilhões, com avanço de 7,1% no trimestre, em parte impactado pela disparada de mais de 25% do câmbio. As pessoas físicas, que lideram o segmento, com R$ 157,3 bilhões, só conseguiram +1,3% no trimestre. As grandes empresas (em parte devedoras em dólar e euros) aumentaram em 24,4% o saldo de suas operações, para R$ 117,9 bilhões.

As pequenas e microempresas, foco das liberações do Banco Central e do CMN, receberam + 9% (atingindo R$ 44,1 bilhões). O crédito ao consumo foi o que teve maior impacto, em 15 dias, com avanço de apenas 1,5% no trimestre, com saldo de R$ 59,1 bilhão. Daí a advertência de maior impacto no 2º trimestre. O Bradesco apresenta seu resultado na quinta-feira.

Inadimplência cresce e receitas caem

Vale lembrar que os indicadores preliminares da inadimplência apontam para graves impactos neste e nos próximos trimestres. Na métrica dos débitos com mais de 90 dias de atraso, o índice avançou de 2,9% para 30% (mas nos atrasos de 15 a 90 dias o movimento foi de 3,9% para 4,1%). Vale lembrar que se o segmento de pessoas físicas (líder dos créditos) ficou estável em 4%, nos atrasos de 15 a 90 dias, já houve salto de 5,2% em dezembro para 6%; nas Pessoas jurídicas o atraso com mais de 90 dias avançou de 1,3% para 1,6%.

No 1º trimestre as receitas de prestações de serviços caíram 6,7%, frente a dezembro, somando R$ 4,482 bilhões. Ficaram 1% abaixo do 1º trimestre de 2019. Os cartões de crédito, que lideram as receitas, tiveram queda trimestral de 11,5%. As receitas de tarifas em contas correntes caíram 5,7%, os ganhos em seguros encolheram 10% e as receitas na administração de fundos, 9,7%.

UBS pessimista: se pior acontecer, PIB cai 10%

O banco suíço UBS divulgou hoje projeções de queda de 5,5% no PIB brasileiro este ano (em linha com o CitiBrasil e o FMI), mas ressalva que, no pior cenário (a demora na retomada das atividades econômicas) o PIB pode encolher até 10%. Em 7 de abril, o Itaú, que previu queda do PIB em 2,5%, já advertia que os cenários estavam condicionados a economia retomar o ritmo em abril. O mês está acabando e não há previsões de retomada na 1ª quinzena de maio. Isto pode implicar quedas de 10% a 13,5% no PIB do 2º trimestre (se a volta das atividades ocorrer em 27 de maio). E afetar 2020.

Hoje, ao analisar a queda da confiança nos setores de serviços e de construção, na sondagem da FGV, o Departamento Econômico do Bradesco aponta “para forte recuo do PIB no 2º trimestre”.

Itaú prevê deflação em abril e maio

País que já viveu longos períodos de hiperinflação, mesmo após mais de 25 anos de estabilização do real, o Brasil tem a maioria de sua população sem ter noção dos riscos de uma deflação. Pois o Departamento Econômico do Itaú, com base na queda de 0,01% no IPCA-15 apurado pelo IBGE até 15 de abril –

com extremos, como alta de 3,1% dos alimentos e queda de 5,8% nos combustíveis e de 14,8% nas passagens aéreas – está prevendo deflação de 0,22% em abril e de 0,38% em maio. Deflação é boa para o consumidor e ruim para o comerciante, que pode perder na depreciação dos estoques.

O Itaú lembra que a inflação de serviços subjacente registrou ligeira alta de 0,18%, mas os preços industriais recuaram 0,62%, fazendo a média de 12 meses desacelerar de 3,0% para 2,5%. Isso abre caminho para nova e forte redução dos juros básicos pelo Copom em 6 de maio.

Senador dá apoio aos livros

Partiu do combativo senador Jean Paul Prates (PT-RN) uma bela iniciativa para proteger nossa abandonada área da cultura, tão afetada nesta pandemia. Na semana passada, no projeto de Lei 2148/2020, ele propôs alterar a política nacional do livro para socorrer editoras e livrarias (fechadas). A proposta cria incentivos para a criação de linhas de financiamento destinados à implantação de sistemas de e-commerce, para fazer a ponte com o leitor, recluso em casa.

Mudança de rota

Não será fácil para a nossa Embraer, retomar a rota após tantas turbulências. Em fins de 2017, a 3ª maior produtora de aviões comerciais do mundo, privatizada no final do governo Itamar Franco, em 1994, foi atropelada pela fusão de sua maior concorrente na aviação executiva, a canadense Bombardier, com a Airbus. Era uma escalada de fusões e incorporações visando ganhos de escala e economias de custos.

Como a americana Boeing tinha absorvido a conterrânea MC-Douglas em 1997, restavam poucos pretendentes para um casamento que desse escala e maior acesso ao crédito internacional para a empresa de São José dos Campos (SP). Iniciado o namoro em meados de 2018, os termos da transação (que seriam concluídos dia 24 de abril) foram selados em fins de 2018 no governo Temer, mas com anuência do presidente eleito Jair Bolsonaro, já que apesar de 80% do capital das operações comerciais ficarem com a empresa americana, o governo brasileiro teria uma “golden-share”, com poder de veto.

Abandonada no altar, na mais grave crise econômica mundial que atingiu em cheio o mundo da aviação comercial e do turismo, com mais de 60% das frotas das companhias aéreas no chão, a Embraer tem mais dificuldades de sobreviver sozinha. O mercado de jatos CS 100 e CS 300, que iria explorar sob as asas da Boeing, encolheu e nem a Mitsubishi japonesa nem a estatal chinesa Comac parecem estar com dote suficiente para amparar a Embraer.

Dinheiro os chineses têm. Mas assim como a Mitsubishi, falta reputação aos jatos da Comac, criada em 2008 para desenvolver um avião que pudesse brigar com as gigantes Boeing e Airbus, mais especificamente com os populares 737 e A320. A Embraer poderia dar o selo de qualidade, comprovada nas famílias CS 100, mas a experiência na CS 300 viria do casamento com a Boeing.

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Miguel, no

 

DO EL PAÍS

Enquanto ministro da Saúde, Nelson Teich, falava sobre a curva ascendente da doença, no Alvorada, presidente frisou que mortes “não são de agora” e que não faz “milagres”

 Gil Alessi

|Marina Rossi

São Paulo
O ministro da Saúde, Nelson Teich.
O ministro da Saúde, Nelson Teich.Joédson Alves / EFE

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira dados sombrios sobre o avanço da pandemia do coronavírus no Brasil, que ultrapassou a China em número de óbitos pela doença, com mais de 5.000 mortes. Só nas últimas 24 horas, o país incluiu 474 novos falecimentos pela covid-19 na contabilidade oficial, um recorde de confirmações num único dia, o que levou o novo ministro da pasta, Nelson Teich, a falar em um “agravamento da situação”no país. “É um número que vem crescendo (…). Temos a manutenção dos números crescentes, e temos que encarar como um agravamento da situação”, afirmou. De acordo com Teich, “a curva [de contágios e mortes] está aumentando”. Ao mesmo tempo em que o ministro falava à imprensa, o presidente Jair Bolsonaro, um negacionista da crise, se esquivava de responder sobre a escalada: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? (…) Sou Messias, mas não faço milagre”, disse, referindo-se a seu nome do meio.

Segundo o mais recente balanço do Ministério da Saúde, o país soma 71.886 casos da doença, com 5.385 novas infecções confirmadas em um único dia. Se o ministro Teich descartou a hipótese de que o aumento recorde no número de mortes tenha sido consequência de casos antigos acumulados e não testados, o presidente o contradisse, e afirmou, sem apresentar evidências, que os óbitos “não são de agora”. O mandatário disse se solidarizar com os familiares das vítimas, mas seguiu minimizando seu papel na crise: “É a vida. Amanhã sou eu”, disse em conversa com jornalistas transmitida em sua página do Facebook. As declarações de Bolsonaro foram aplaudidas por apoiadores que geralmente acompanham as entrevistas.

Escalada em São Paulo

Em sua breve fala à imprensa, a equipe de Saúde do Governo atribuiu a piora da situação ao aumento de casos em regiões específicas, onde o quadro é de “maior dificuldade”, conforme disse Teich. O ministro não fez relação entre o relaxamento do isolamento social em algumas capitais visto nos últimos dias e o aumento nos números de mortes e contágios, mas admitiu a precariedade em alguns pontos de atendimento: “Tem a parte financeira, tem os respiradores, EPIs (equipamentos de proteção individual), recursos humanos”, disse.

De acordo com Teich, os pontos críticos da pandemia seguem sendo em São Paulo, que lidera os números de mortos e contágios no país, Manaus, Recife e Rio de Janeiro. “São Paulo pode ter uma intensidade [maior no número de casos] nas próximas semanas na região metropolitana”, afirmou Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde. A estação mais fria do ano também foi apontada por Oliveira como um fator de piora nos números do coronavírus no país. “O Brasil tem uma sazonalidade de doenças respiratórias no outono e no inverno. Estamos no outono. E não é só coronavírus, é também influenza e outras doenças”, disse. “É importante que todos reforcem as medidas de proteção.”

Antes mesmo do novo balanço nacional, o Estado de São Paulo já apontava nesta direção, com o registro na segunda-feira de 224 novas mortes. A taxa de ocupação de doentes por covid-19 nos hospitais do Estado mais populoso do país também segue uma crescente. No Estado, 61,6% dos leitos de UTI estão ocupados, assim como 44,5% das enfermarias. Já na Grande São Paulo, esse número é ainda maior, com 81% das UTIs ocupadas e 70% das enfermarias. “Estamos chegando a um limite altamente perigoso”, afirmou Geraldo Reple, secretário da Saúde do município de São Bernardo do Campo, que fica na Grande São Paulo. “A média de tempo que um paciente com covid-19 fica na UTI é de 15 dias. Portanto, conseguimos internar apenas dois pacientes por leito a cada mês”, disse ele, sobre o temor de que a região entre em colapso em breve.

DO PORTAL UOL

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu o ex-advogado-geral da União André Luiz de Almeida Mendonça como novo ministro da Justiça e Segurança Pública e Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. As duas nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira.

Mendonça ganhou destaque no noticiário em meados do ano passado, depois que o Bolsonaro cogitou a indicação de seu nome ao Supremo Tribunal Federal e disse que ele se encaixava na definição “terrivelmente evangélico”. Quando foi anunciado pelo presidente para a AGU, Na mensagem, Bolsonaro disse que Mendonça era um “advogado com ampla vivência e experiência no setor

 

Eleitores se decepcionam com presidente com revelações do agora ex-ministro, enquanto aumenta pressão por sua saída e mercado financeiro perde o rumo

 
Moro, antes do discurso de demissão. 24/04/2020 ONLY FOR USE IN SPAIN
Moro, antes do discurso de demissão. 24/04/2020 ONLY FOR USE IN SPAINMarcello Casal/Agencia Brazil/dp / DPA / Europa Press

A saída bombástica do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, abre um novo e perigoso capítulo para o Brasil e para o Governo de Jair Bolsonaro que envenena eleitores fieis, repele potenciais investidores e fortalece o discurso dos que pedem o impeachment do presidente. A bolsa de valores de São Paulo despencava quase 10 pontos porcentuais enquanto Bolsonaro perdia seu caro fiador da bandeira da luta contra a corrupção após acusações graves de que tirou Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal, e que buscou interferir em investigações, algo que nem os arqui-inimigos de Bolsonaro haviam feito. “Imagina se durante a própria Lava Jato, a então presidente Dilma e o ex-presidente Luiz [Lula] ficassem ligando para as autoridades para obter informações?”, disse Moro, numa declaração que surpreendeu o mundo político.

Tão grave quanto a saída de Moro é a vocação persistente de Bolsonaro em disparar bombas nucleares em seu Governo, e engendrar novelos que enrolam a si próprio, enquanto o Brasil vive o pânico da pandemia do coronavírus, que matou mais de 3.000 pessoas. “Há uma aceleração de crises – [a troca de ministros da Saúde foi a mais recente], enquanto se luta com a maior de todas as já vividas nesta geração, com a pandemia do coronavírus”, observa Thiago de Aragão, cientista político da Arko Advice. “É como se um casal fosse sequestrado, e durante o sequestro a mulher resolvesse pedir o divórcio”, compara. A bolsa de apostas já começa a especular uma eventual saída do ministro Paulo Guedes na sequência, mas por ora é pura especulação.

Bolsonaro tentou contornar o terremoto Moro, apresentando-se ao lado de quase toda a equipe de ministros — incluindo Paulo Guedes —para defender-se das acusações. Mas a emenda pareceu pior que o soneto. Negou que interferisse no trabalho da PF, mas admitiu que buscava um interlocutor direto para conhecer algumas investigações. “Quero um delegado com que eu possa interagir. Porque não?”. A decepção de parte do eleitorado do presidente se cristalizou de imediato. “Bolsonaro não me representa mais, ele se desfez do único herói que o Brasil tinha”, lamentou Ulisses, administrador de Belo Horizonte, que até esta quinta era um ferrenho defensor do atual Governo. Em São Paulo, a analista financeira Debora pulou do barco assim que Moro apresentou suas justificativas para se demitir. “Eu queria o PT fora do poder de qualquer jeito por isso votei no Bolsonaro. Agora, eu acredito mais no Moro do que nele”, diz ela. Tanto Debora como Ulisses integram o grupo de eleitores que aplaudia a Lava Jato, e viu em Moro como ministro a esperança de que o cerco à corrupção seguiria firme com Bolsonaro. É esta base de apoiadores do Governo que começou a se dissolver com a saída de Sergio Moro, mais popular que o próprio presidente Jair Bolsonaro, como mostrou o instituto Atlas Político.

Moro tem 53% de imagem positiva entre os brasileiros, contra 39% de Bolsonaro, segundo o mais recente levantamento do instituto. “Dentro do discurso bolsonarista, o eixo mais resiliente sempre foi relacionado ao combate à corrupção e à criminalidade”, explica Andrei Roman, cientista político da Atlas. “Como responsável pelas principais condenações do Lava Jato e pela prisão do [ex-presidente] Lula, Moro garantiu ao Governo Bolsonaro um selo de legitimidade e autenticidade em relação a esse discurso”, completa.

Seguem firmes, porém, os eleitores radicais que apoiam qualquer decisão de Bolsonaro, e que amplificam suas falas corrosivas, um grupo que lhe dará suporte por algum tempo. A aparição do presidente ao lado dos ministros, incluindo os de patente militar, também promoveram a imagem de que o presidente não está só, e que as Forças Armadas seguem firmes com ele, embora nos bastidores existam muitos sinais de desconforto. “Ainda tem lenha pra queimar. O presidente pode assumir uma narrativa ainda mais agressiva, para consolidar um apoio de 22% dos brasileiros”, avalia Thiago de Aragão, cientista político da Arko Advice. Com essa popularidade Bolsonaro manteria uma perna de sustentação, e o blindaria da pressão de um impeachment, por exemplo. O assunto voltou à baila nesta sexta, com pressão de políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para avaliar a saída do presidente do cargo. Já são mais de 20 pedidos de impeachment contra o presidente. Aragão acredita que é cedo para isso. Ele lembra que Dilma Rousseff tinha por volta de 8% de apoio quando foi destituída em 2016.

O ex-presidente Michel Temer (2016-218) também tinha apoio de menos de 10% nas pesquisas, mas contava com apoio do Congresso. Não por acaso o Governo passou a negociar com deputados do Centrão, reconhecidos pelo seu perfil fisiológico – vários deles sob investigação da Lava Jato, inclusive — para ter o apoio que hoje lhe falta. Bolsonaro decidiu bancar a aposta de se aliar a uma ala parlamentar que lhe daria maioria no Congresso para ganhar a queda de braço com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e garantiria governabilidade. Em troca, haveria repartição de cargos. A estratégia, porém, é movediça, na leitura de um experiente observador do comportamento do Centrão. “Há momentos em que não há condições de segurar absolutamente nada”, diz José Eduardo Cardozo, que ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff. “Me recordo no processo de impeachment [em 2016], como as pessoas foram saindo do barco. A sensação é a mesma”, diz Cardozo, que defendeu Dilma nesse período.

O ex-ministro da Justiça acredita que o discurso de Moro em sua saída tem um efeito demolidor para Bolsonaro, independentemente das suas negociações. “O presidente sinaliza que quer interceptar inquéritos que tentam sair, como os das fake news [conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, que pode atingir seu filho Carlos Bolsonaro, suspeito de espalhar notícias falsas para beneficiar o pai]”, diz ele. “Quando alguém quer obstar investigação, usando métodos não republicanos é porque tem algo a esconder”, completa ele, lembrando que da cultura de independência que foi construída a duras penas pela Polícia Federal.

O curto circuito promove mais estragos na imagem já frágil do presidente mundo afora. “Um investidor me disse: ‘Como posso vislumbrar no curto e médio prazo a expectativa de que decisões serão tomadas de modo racional e não emocional no Brasil?”, conta Aragão, lembrando que os donos do dinheiro buscam previsibilidade para fazer suas escolhas. Algo que definitivamente o Brasil perdeu há muito tempo.

“Diz que fui por aí”, Nara Leão:O samba antológico de Ze Keti, lançado em 1964, e a voz inimitável de Nara, em intepretação só comparável à do próprio autor. E não precisa dizer mais nada. Só escutar e se maravilhar nesses dias tão sombrios de abril de 2020 que vai chegando ao fim.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

A música e bela e a voz e um espetáculo.

DO EL PAÍS

Celso de Mello, decano da Corte, atendeu a pedido de procurador-geral, Augusto Aras, que também deixou a porta aberta para acusar ex-ministro. Ex-juiz da Lava Jato terá de depor

O ministro Celso de Mello, decano do STF.
O ministro Celso de Mello, decano do STF.Reprodução / TV Justiça
 Afonso Benites
Brasília

Celso de Mello, ministro decano do Supremo Tribunal Federal, autorizou, a pedido da Procuradoria-Geral da República, a instauração de um inquérito para apurar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro agiu para interferir politicamente na Polícia Federal. De acordo com decisão, divulgada na noite desta segunda-feira, a PF tem 60 dias para tomar as providências pedidas pelo procurador-geral Augusto Aras, entre elas ouvir o ex-juiz da Lava Jato em depoimento.

No documento enviado ao STF, Aras argumentou que, se comprovadas as acusações, o presidente pode estar cometendo os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada. O pedido do procurador-geral, indicado em setembro por Bolsonaro, também pode ser uma espécie de bumerangue que pode se voltar contra Moro. Caso ele não apresente provas, ele pode acabar sendo acusado de denunciação caluniosa e crime contra a honra. O ex-juiz da Lava Jato diz tê-las e e até agora apresentou ao Jornal Nacional, da TV Globo, um par de mensagens que diz ter trocado com o presidente. Numa delas, Bolsonaro pede para trocar o diretor-geral da PF, Marcelo Valeixo, estopim da crise, por causa de um inquérito que tem como alvo “deputados bolsonaristas”.

Com a autorização de Mello, agora os holofotes se voltam para Aras e para a Polícia Federal, justamente quando Bolsonaro está prestes a mudar o comando da corporação. Caso, após a finalização do inquérito, o PGR decida oferecer uma denúncia contra o presidente, quem decide se ele pode ser processado por crime comum é a Câmara, que precisa autorizar o procedimento com dois terços dos votos dos deputados que Bolsonaro vire réu.

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DO SITE O ANTAGONISTA
O apoio a Sergio Moro, que havia caído nos últimos meses, subiu novamente.

Na pesquisa do Atlas Político, 57,3% dos entrevistados o avaliaram de maneira positiva e 31,2% de maneira negativa.

Luiz Henrique Mandetta continua popular, e Jair Bolsonaro despencou.

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