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“Bom dia”: encontros com João Carlos Teixeira Gomes, o Pena de Aço,
Sergio Ricardo e Sylvio Caldas…
CRÔNICA
ENCONTROS E DESPEDIDAS

Gilson Nogueira

Caso minha memória esteja, ainda, cem por cento, o título acima dá para entreter os leitores que honram-me com sua leitura ao lembrarem a canção de Fernando Brant e Milton Nascimento. A composição é daquelas que fazem parte da lista contendo as melhores do mundo e ecoa na alma dos que a ouvem em silêncio e aplaudem a dupla que a criou, especialmente, seu maior intérprete, ele, Milton, o melhor cantor de todos os tempos das Minas Gerais amada.

Espanto a mosca invasora da minha paz vespertina e lembro que minha intenção,aqui, é citar encontros, alguns, com artistas e cantores desse meu Brasil superior aos “atores” de uma chanchada republicana. Eles duelam verbalmente no noticiário do dia como se o Coronavírus não existisse no mais importante país da América do Sul.

Para eles, uma banana, diria meu velho! Bem, amigos, vou retomar o fio da meada, começando a recordar-me um encontro inesperado no silêncio apertado de um elevador em uma cidade do Nordeste. Era ele, em carne e osso, um dos primeiros fãs meus da Bossa Nova! “Bom dia!”, “Bom dia!” E Sérgio Ricardo seguiu. Vão-se alguns anos. Como aquele em que fui apresentado ao “ Caboclinho Querido”, o inesquecível Sylvio Caldas, em uma peixaria, na cidade de Santos, pelo irmão mais moço de meu pai.

Lembrei dele, tio Sylvio, ao testemunhar, está semana, sobrevoando a região serrana do Rio de Janeiro, objetos voadores não identificado, em fila. Contei quase vinte deles. Um, no meio da emoção, aumentou o brilho, no instante em que o observava. Sorri, sozinho, enquanto as estrelas pareciam-me dizer: “ Fique frio, baiano, isso deve ser coisa de Trump!” E fui dormir, recordando sonhos na Rua do Jenipapeiro. Em alguns, flutuei no ar! Verdade ou não, os homenzinhos verdes voltaram a aparecer por lá, anos depois, com direito a registro no hoje saudoso Jornal da Bahia, aquele, trincheira da Democracia, em que fui colega de Anísio Félix, Geraldo Lemos, Joca, o Pena de Aço, nascido João Carlos Teixeira Gomes, também meu ex-professor na Ufba velha de guerra.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta. ( Ah, outros encontros virão! Na próxima crônica! )

“Encontros e Despedidas”, Milton Nascimento:Com vocês, ele, Milton Nascimento!

Na plenitude da forma de cantar e emocionar!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

DO EL PAÍS

Grupo de parlamentares que negocia postos no Governo em troca de apoio almeja Ministério da Infraestrutura, que controla obras e chave na retomada, mas já garantiu postos de segundo escalão na Esplanada

Bolsonaro no dia 27 na rampa do Palácio do Palnalto.
Bolsonaro no dia 27 na rampa do Palácio do Palnalto.UESLEI MARCELINO / Reuters
 
Brasília

A crise envolvendo a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça elevou o preço do apoio do Centrão ao Governo Jair Bolsonaro (sem partido). Se, antes da queda de Moro, apenas cargos de segundo e terceiro escalão eram alvo do grupo fisiológico que se aproxima cada vez mais do presidente, agora, ele está de olho em ao menos um ministério, o da Infraestrutura. O preço do Centrão sobe proporcionalmente ao enfraquecimento do presidente da República. Pesquisa da consultoria Atlas Político mostra que 54% da população estaria a favor de seu impeachment, na primeira vez que a maioria dos brasileiros defende a saída dele do cargo de acordo com a consultoria. No Datafolha, 45% apoiam o impeachment, enquanto 48% rejeitam a ideia —na prática, um empate por causa da margem de erro de três pontos percentuais no levantamento.

O Centrão reúne hoje cerca de 160 deputados. É uma bancada que, aliada a um grupo de bolsonaristas-raiz (alguns membros do NOVO, PSL, PSC, MDB e de legendas nanicas), é capaz de frear um eventual processo de impeachment ou do prosseguimento de denúncias pelo Ministério Público. Para impedir a abertura de um processo de destituição presidencial são necessários 172 votos entre 513 deputados. Mesmo número para barrar uma acusação formal, como a que a Procuradoria-Geral da República pode fazer após o Supremo Tribunal Federal autorizar uma investigação contra o presidente embasada na delação feita pelo ex-ministro Moro.

Desde o segundo Governo Fernando Henrique Cardoso, no início dos anos 2000, o Centrão esteve no poder. Foi um dos responsáveis, por exemplo, por derrubar a presidenta Dilma Rousseff (PT), mesmo ocupando cargos em sua Esplanada, e por impedir a destituição de Michel Temer (MDB), que respondia a duas acusações de corrupção enquanto presidia o Brasil. Internamente, foi fundamental para as eleições de Eduardo Cunha (MDB) e Rodrigo Maia (DEM) como presidentes da Câmara.

As lideranças do Centrão também têm outra razão para se aproximar de Bolsonaro, querem evitar uma possível assunção de seu vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), com quem têm pouca ou nenhuma afinidade. Bolsonaro tem a bagagem de 28 anos de parlamento e relações próximas com vários dos deputados e ex-deputados que hoje o cortejam. Enquanto que Mourão é considerado por esses políticos um outsider, nunca ocupou nenhum cargo político antes de ser vice e estaria menos aberto às negociações. O vice tem melhor relacionamento com militares, embaixadores estrangeiros e empresários do que com parlamentares, governadores e prefeitos.

Atualmente, o alvo do Centrão, o Ministério da Infraestrutura, está sob o comando de Tarcísio Freitas, um ex-militar e servidor de carreira da Câmara dos Deputados, que é considerado técnico. O principal interessado no ministério é o Partido Liberal, que tem como articulador e eminência parda o ex-deputado Valdemar Costa Neto, um condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão do PT. Em princípio, Bolsonaro não pretende demitir Tarcísio.

Ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, o ministro da Infraestrutura é um dos que tenta frear a sanha do Centrão. Caso ele siga no Governo, terá de lidar com uma disputa pelo comando do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), um braço da infraestrutura que por anos foi um dos principais focos de corrupção no planalto central. Inclusive quando foi comandada por aliados de Costa Neto. Também tentam entrar na Valec, a empresa responsável pela construção de ferrovias que está em processo de fusão.

Promessas e impeachment

Se ainda não conseguiram adentrar nessas engrenagens, já há a sinalização de que entrarão no Porto de Santos. O cargo de direção da entidade, vinculada ao Ministério da Infraestrutura, foi oferecido ao Solidariedade, presidido pelo deputado Paulo Pereira da Silva. Mas ele diz que o momento não é de ter cargos no Governo. Costa Neto já prepara sua indicação para a função.

Inicialmente, Bolsonaro tinha desenhado a seguinte estrutura para os principais partidos do centrão: o PL ficaria com o Banco do Nordeste; o Progressistas, sob a batuta dos investigados pela Lava Jato, o senador Ciro Nogueira e o deputado Arthur Lira, ficaria com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; e o PSD, do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, caberia a Fundação Nacional de Saúde. Ainda seria preciso acomodar indicados pelo PTB, PROS, Avante e Republicanos.

A aproximação com os membros do Centrão foi descrita como algo que era necessário, pelo vice-presidente Mourão. “É importante esse movimento que o presidente está fazendo numa efetiva construção de uma base parlamentar que dê suporte às ideias do Governo isso irá operar para redução das tensões e facilitar para que a gente supere essa etapa final do combate ao coronavírus”, disse o general em entrevista ao analista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice.

As movimentações no primeiro escalão podem resultar também na queda da deputada federal Tereza Cristina (DEM) da pasta da Agricultura. Não para acomodar alguém do Centrão. Mas para punir o partido dela, que já teve três ministérios e não tem sido o aliado que Bolsonaro esperava no Congresso. Pelo contrário.

Nas últimas semanas, Bolsonaro tem dito que Rodrigo Maia, presidente da Câmara e a principal liderança do DEM, tem se articulado para derrubá-lo do cargo. Na prática, contudo, Maia já disse que, no momento, não pensa em dar andamento a nenhum dos quase 30 pedidos de impeachment de Bolsonaro que tramitam na Câmara. “Acho que a Câmara deve manter o seu foco no que é o principal, que é o enfrentamento ao coronavírus”, afirmou o deputado em entrevista coletiva nesta segunda. Um mandado de segurança no Supremo acusa Maia de omissão e pede que os pedidos sejam analisados —até o momento, o presidente da Câmara só foi a instado a se pronunciar sobre o caso, sem qualquer prazo imposto para análise.

O parlamentar também avaliou que não seria o momento de se instalar comissões parlamentares de inquérito para investigar se Bolsonaro quer interferir politicamente na Polícia Federal, conforme delatou o ministro Sergio Moro ao deixar o cargo. “Não podemos, de forma nenhuma, deixar que o Parlamento seja mais um instrumento de crises e incertezas que tem ocorrido no nosso país”.

Para se preservar enquanto tentava se afastar das crises do Planalto, Maia colocava ali a responsabilidade por eventuais apurações contra o presidente no colo do Judiciário. Citou diretamente um dos dois pedidos de investigação feitos pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, no qual quer apurar se Bolsonaro queria de fato interferir na Polícia Federal.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante entrevista coletiva.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante entrevista coletiva.Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Na semana passada, o procurador pediu para, primeiramente, ouvir Moro sobre os eventuais delitos de crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada que teriam sido cometidos por Bolsonaro. Caso não se comprovem esses delitos, o ex-ministro responderia por denunciação caluniosa e crime contra a honra. Na noite de segunda-feira, o ministro decano do STF, Celso de Mello, autorizou essa investigação e determinou que Moro tem de ser interrogado em até 60 dias.

Enquanto isso, Bolsonaro emplaca aliados de primeira hora tanto na PF como em substituição de Moro. O presidente oficializou o advogado André Mendonça como seu novo ministro da Justiça e Segurança Pública e o delegado Alexandre Ramagem como novo diretor-geral da Polícia Federal. Amigo dos filhos de Bolsonaro, Ramagem chega sob desconfiança no cargo, depois que Moro afirmar que o presidente queria no cargo alguém para quem pudesse ligar para obter informações da polícia. A reação, até o momento, foi apenas da oposição de centro-esquerda, que tenta derrubar as nomeações na Justiça.

abr
29
Posted on 29-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-04-2020

Do Jornal  do Brasil

Macaque in the trees
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira, questionado sobre eventual impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, que o Parlamento não será instrumento de turbulências e crise política, o que poderia trazer mais incertezas e dar “contornos ainda mais graves” à crise da pandemia do coronavírus.

Maia acrescentou que o momento exige “paciência” e garantiu que a Câmara manterá seu foco no debate e votações de propostas de enfrentamento da crise.

“O que nós não podemos, de forma nenhuma é que o Parlamento seja mais um instrumento de crises e de incertezas, que infelizmente hoje tem sido gerado no nosso país”, disse o presidente da Câmara, após mais de uma semana sem conceder coletivas à imprensa em meio à turbulência política que envolveu, inclusive, a demissão de dois ministros de Bolsonaro.

“Acho que o nosso papel é ter paciência, é ter equilíbrio. Eu acho que é legítimo a sociedade, os parlamentares —parte deles— tentarem discutir CPIs e outros instrumentos, mas acho que a Câmara deve, sob minha presidência, respeitando a posição de outros parlamentares, acho que nós devemos ter essa paciência e esse equilíbrio para que nós possamos tratar do que é mais importante que é a vida dos brasileiros, o emprego dos brasileiros, e a renda”, defendeu.

Mais de uma vez questionado sobre o andamento que dará aos pedidos de impeachment aguardando análise na Câmara —há 30 deles protocolados—, Maia lembrou que atuará como “juiz” do processo, razão pela qual evitou entrar em detalhes. É prerrogativa do presidente da Câmara decidir se dá andamento aos requerimentos apresentados para impedir o chefe do Executivo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello pediu à Câmara na última quinta-feira informações a respeito do andamento de um pedido de autoria de dois advogados. Eles questionaram o fato de Maia ainda não ter se manifestado, mesmo depois de mais de 15 dias de o pedido ter sido apresentado.

Sobre as recentes demissões dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e da Justiça Sergio Moro, Maia comentou que são pessoas públicas com “credibilidade” e que as mudanças nas pastas durante a pandemia geram insegurança. Disse ainda que eventual desembarque do ministro da Economia, Paulo Guedes, teria impacto negativo.

Afirmou, no entanto, que a Câmara manterá seu foco no enfrentamento à crise do coronavírus, evitando, assim, ampliar “ainda mais uma crise que é do Poder Executivo”, dizendo que “lá ela deve ficar”.

O presidente da Câmara evitou tecer comentários específicos sobre as declarações de Moro ao anunciar seu pedido de demissão, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal inclusive pressionando pela mudança na direção-geral da instituição.

“Acho que esse é um tema que é um problema do governo”, afirmou Maia. “Nomear e exonerar é um problema do governo, se há problemas na forma de exonerar e de nomear, isso, inclusive tem uma ação proposta pelo procurador-geral, doutor Aras, para que se investigue essas questões.”

Na sexta-feira o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF a abertura de um inquérito criminal para apurar os “fatos narrados e as declarações” apresentadas por Moro, segundo comunicado publicado pela instituição.

Sobre as disputas relacionadas a projeto de auxílio a Estados e municípios durante o estado de calamidade por conta da crise do coronavírus, Maia defendeu o direito de o Senado debater e retificar o texto da Câmara. Para ele, o importante é que seja enviada à sanção presidencial uma solução aos entes, que estão próximos do “colapso”.

Maia disse ter convicção na solução encontrada pela Câmara que prevê a adoção de um “seguro-receita” a Estados e municípios por meio da compensação, por parte da União, das perdas de arrecadação do ICMS e ISS.

O governo, no entanto, encara a proposta como uma “bomba fiscal” e negocia a votação de outro projeto no Senado, de autoria do vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG). O relator da proposta, o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), iria se reunir nesta tarde com Guedes, para tratar do tema. (Maria Carolina Marcello/Reuters

abr
29
Posted on 29-04-2020
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Bolsonaro, a “gripezinha” e o Centrão

Com o país praticamente paralisado, Jair Bolsonaro não terá de enfrentar manifestações pelo impeachment tão cedo. A “gripezinha” agora passou a ser aliada política.

Quanto à economia, o país vai se autoenganando, enquanto os urubus do Centrão, agora aliado do governo federal, deleitam-se com o que ainda resta no tacho (não muito).

Na realidade, a Aliança pelo Brasil é composta por Bolsonaro, Covid-19 e Centrão.

Do Jornal do Brasil

 

 

Uma quinzena (menos de 20% do 1º trimestre), desde que o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central definiram, em 16 de março, as medidas para ampliar a liquidez dos bancos para que pudessem enfrentar o tranco da retração econômica causada pelo novo coronavírus (Covid-19), foi o suficiente para impactar fortemente o balanço do Santander Brasil, divulgado nesta terça-feira, 28 de abril. O lucro líquido de R$ 3,853 bilhões, cresceu 3,4% sobre o 4º trimestre de 2019 (10,5% em 12 meses). Mas as provisões de R$ 3,424 bilhões para devedores duvidosos aumentaram 14,8% frente ao final de 2019 e em 19,2% em 12 meses. O banco admitiu que o 2º trimestre será muito duro.

Macaque in the trees
O lucro do Santander (Foto: Reprodução)

Como o Covid-19 chegou mais tarde nas Américas do que na Europa e particularmente na Espanha – que registrou casos já em fevereiro e acumula quase 24 mil mortes – o Brasil, mais uma vez, liderou os lucros em euros do conglomerado de Ana Botin e respondeu por 29% dos ganhos no período (694 milhões de euros). Foi mais que a soma da matriz espanhola (14% dos ganhos, ou 352 milhões de euros), que teve de fazer reforço de 1,6 bilhão de euros para cobrir perdas geradas pela pandemia e viu o lucro encolher 82% e os 304 milhões da filial espanhola SCI, que garantiu 12% dos ganhos globais. A filial nos Estados Unidos, lucrou 273 milhões de euros (11%).

O balanço trimestral da unidade brasileira mostra como as grandes empresas avançaram no crédito para reforçar o caixa, tão logo ficou claro que a crise seria devastadora. A carteira total, atingiu R$ 463,3 bilhões, com avanço de 7,1% no trimestre, em parte impactado pela disparada de mais de 25% do câmbio. As pessoas físicas, que lideram o segmento, com R$ 157,3 bilhões, só conseguiram +1,3% no trimestre. As grandes empresas (em parte devedoras em dólar e euros) aumentaram em 24,4% o saldo de suas operações, para R$ 117,9 bilhões.

As pequenas e microempresas, foco das liberações do Banco Central e do CMN, receberam + 9% (atingindo R$ 44,1 bilhões). O crédito ao consumo foi o que teve maior impacto, em 15 dias, com avanço de apenas 1,5% no trimestre, com saldo de R$ 59,1 bilhão. Daí a advertência de maior impacto no 2º trimestre. O Bradesco apresenta seu resultado na quinta-feira.

Inadimplência cresce e receitas caem

Vale lembrar que os indicadores preliminares da inadimplência apontam para graves impactos neste e nos próximos trimestres. Na métrica dos débitos com mais de 90 dias de atraso, o índice avançou de 2,9% para 30% (mas nos atrasos de 15 a 90 dias o movimento foi de 3,9% para 4,1%). Vale lembrar que se o segmento de pessoas físicas (líder dos créditos) ficou estável em 4%, nos atrasos de 15 a 90 dias, já houve salto de 5,2% em dezembro para 6%; nas Pessoas jurídicas o atraso com mais de 90 dias avançou de 1,3% para 1,6%.

No 1º trimestre as receitas de prestações de serviços caíram 6,7%, frente a dezembro, somando R$ 4,482 bilhões. Ficaram 1% abaixo do 1º trimestre de 2019. Os cartões de crédito, que lideram as receitas, tiveram queda trimestral de 11,5%. As receitas de tarifas em contas correntes caíram 5,7%, os ganhos em seguros encolheram 10% e as receitas na administração de fundos, 9,7%.

UBS pessimista: se pior acontecer, PIB cai 10%

O banco suíço UBS divulgou hoje projeções de queda de 5,5% no PIB brasileiro este ano (em linha com o CitiBrasil e o FMI), mas ressalva que, no pior cenário (a demora na retomada das atividades econômicas) o PIB pode encolher até 10%. Em 7 de abril, o Itaú, que previu queda do PIB em 2,5%, já advertia que os cenários estavam condicionados a economia retomar o ritmo em abril. O mês está acabando e não há previsões de retomada na 1ª quinzena de maio. Isto pode implicar quedas de 10% a 13,5% no PIB do 2º trimestre (se a volta das atividades ocorrer em 27 de maio). E afetar 2020.

Hoje, ao analisar a queda da confiança nos setores de serviços e de construção, na sondagem da FGV, o Departamento Econômico do Bradesco aponta “para forte recuo do PIB no 2º trimestre”.

Itaú prevê deflação em abril e maio

País que já viveu longos períodos de hiperinflação, mesmo após mais de 25 anos de estabilização do real, o Brasil tem a maioria de sua população sem ter noção dos riscos de uma deflação. Pois o Departamento Econômico do Itaú, com base na queda de 0,01% no IPCA-15 apurado pelo IBGE até 15 de abril –

com extremos, como alta de 3,1% dos alimentos e queda de 5,8% nos combustíveis e de 14,8% nas passagens aéreas – está prevendo deflação de 0,22% em abril e de 0,38% em maio. Deflação é boa para o consumidor e ruim para o comerciante, que pode perder na depreciação dos estoques.

O Itaú lembra que a inflação de serviços subjacente registrou ligeira alta de 0,18%, mas os preços industriais recuaram 0,62%, fazendo a média de 12 meses desacelerar de 3,0% para 2,5%. Isso abre caminho para nova e forte redução dos juros básicos pelo Copom em 6 de maio.

Senador dá apoio aos livros

Partiu do combativo senador Jean Paul Prates (PT-RN) uma bela iniciativa para proteger nossa abandonada área da cultura, tão afetada nesta pandemia. Na semana passada, no projeto de Lei 2148/2020, ele propôs alterar a política nacional do livro para socorrer editoras e livrarias (fechadas). A proposta cria incentivos para a criação de linhas de financiamento destinados à implantação de sistemas de e-commerce, para fazer a ponte com o leitor, recluso em casa.

Mudança de rota

Não será fácil para a nossa Embraer, retomar a rota após tantas turbulências. Em fins de 2017, a 3ª maior produtora de aviões comerciais do mundo, privatizada no final do governo Itamar Franco, em 1994, foi atropelada pela fusão de sua maior concorrente na aviação executiva, a canadense Bombardier, com a Airbus. Era uma escalada de fusões e incorporações visando ganhos de escala e economias de custos.

Como a americana Boeing tinha absorvido a conterrânea MC-Douglas em 1997, restavam poucos pretendentes para um casamento que desse escala e maior acesso ao crédito internacional para a empresa de São José dos Campos (SP). Iniciado o namoro em meados de 2018, os termos da transação (que seriam concluídos dia 24 de abril) foram selados em fins de 2018 no governo Temer, mas com anuência do presidente eleito Jair Bolsonaro, já que apesar de 80% do capital das operações comerciais ficarem com a empresa americana, o governo brasileiro teria uma “golden-share”, com poder de veto.

Abandonada no altar, na mais grave crise econômica mundial que atingiu em cheio o mundo da aviação comercial e do turismo, com mais de 60% das frotas das companhias aéreas no chão, a Embraer tem mais dificuldades de sobreviver sozinha. O mercado de jatos CS 100 e CS 300, que iria explorar sob as asas da Boeing, encolheu e nem a Mitsubishi japonesa nem a estatal chinesa Comac parecem estar com dote suficiente para amparar a Embraer.

Dinheiro os chineses têm. Mas assim como a Mitsubishi, falta reputação aos jatos da Comac, criada em 2008 para desenvolver um avião que pudesse brigar com as gigantes Boeing e Airbus, mais especificamente com os populares 737 e A320. A Embraer poderia dar o selo de qualidade, comprovada nas famílias CS 100, mas a experiência na CS 300 viria do casamento com a Boeing.

abr
29
Posted on 29-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-04-2020


 

Miguel, no

 

DO EL PAÍS

Enquanto ministro da Saúde, Nelson Teich, falava sobre a curva ascendente da doença, no Alvorada, presidente frisou que mortes “não são de agora” e que não faz “milagres”

 Gil Alessi

|Marina Rossi

São Paulo
O ministro da Saúde, Nelson Teich.
O ministro da Saúde, Nelson Teich.Joédson Alves / EFE

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira dados sombrios sobre o avanço da pandemia do coronavírus no Brasil, que ultrapassou a China em número de óbitos pela doença, com mais de 5.000 mortes. Só nas últimas 24 horas, o país incluiu 474 novos falecimentos pela covid-19 na contabilidade oficial, um recorde de confirmações num único dia, o que levou o novo ministro da pasta, Nelson Teich, a falar em um “agravamento da situação”no país. “É um número que vem crescendo (…). Temos a manutenção dos números crescentes, e temos que encarar como um agravamento da situação”, afirmou. De acordo com Teich, “a curva [de contágios e mortes] está aumentando”. Ao mesmo tempo em que o ministro falava à imprensa, o presidente Jair Bolsonaro, um negacionista da crise, se esquivava de responder sobre a escalada: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? (…) Sou Messias, mas não faço milagre”, disse, referindo-se a seu nome do meio.

Segundo o mais recente balanço do Ministério da Saúde, o país soma 71.886 casos da doença, com 5.385 novas infecções confirmadas em um único dia. Se o ministro Teich descartou a hipótese de que o aumento recorde no número de mortes tenha sido consequência de casos antigos acumulados e não testados, o presidente o contradisse, e afirmou, sem apresentar evidências, que os óbitos “não são de agora”. O mandatário disse se solidarizar com os familiares das vítimas, mas seguiu minimizando seu papel na crise: “É a vida. Amanhã sou eu”, disse em conversa com jornalistas transmitida em sua página do Facebook. As declarações de Bolsonaro foram aplaudidas por apoiadores que geralmente acompanham as entrevistas.

Escalada em São Paulo

Em sua breve fala à imprensa, a equipe de Saúde do Governo atribuiu a piora da situação ao aumento de casos em regiões específicas, onde o quadro é de “maior dificuldade”, conforme disse Teich. O ministro não fez relação entre o relaxamento do isolamento social em algumas capitais visto nos últimos dias e o aumento nos números de mortes e contágios, mas admitiu a precariedade em alguns pontos de atendimento: “Tem a parte financeira, tem os respiradores, EPIs (equipamentos de proteção individual), recursos humanos”, disse.

De acordo com Teich, os pontos críticos da pandemia seguem sendo em São Paulo, que lidera os números de mortos e contágios no país, Manaus, Recife e Rio de Janeiro. “São Paulo pode ter uma intensidade [maior no número de casos] nas próximas semanas na região metropolitana”, afirmou Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde. A estação mais fria do ano também foi apontada por Oliveira como um fator de piora nos números do coronavírus no país. “O Brasil tem uma sazonalidade de doenças respiratórias no outono e no inverno. Estamos no outono. E não é só coronavírus, é também influenza e outras doenças”, disse. “É importante que todos reforcem as medidas de proteção.”

Antes mesmo do novo balanço nacional, o Estado de São Paulo já apontava nesta direção, com o registro na segunda-feira de 224 novas mortes. A taxa de ocupação de doentes por covid-19 nos hospitais do Estado mais populoso do país também segue uma crescente. No Estado, 61,6% dos leitos de UTI estão ocupados, assim como 44,5% das enfermarias. Já na Grande São Paulo, esse número é ainda maior, com 81% das UTIs ocupadas e 70% das enfermarias. “Estamos chegando a um limite altamente perigoso”, afirmou Geraldo Reple, secretário da Saúde do município de São Bernardo do Campo, que fica na Grande São Paulo. “A média de tempo que um paciente com covid-19 fica na UTI é de 15 dias. Portanto, conseguimos internar apenas dois pacientes por leito a cada mês”, disse ele, sobre o temor de que a região entre em colapso em breve.

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