DO EL PAÍS

Celso de Mello, decano da Corte, atendeu a pedido de procurador-geral, Augusto Aras, que também deixou a porta aberta para acusar ex-ministro. Ex-juiz da Lava Jato terá de depor

O ministro Celso de Mello, decano do STF.
O ministro Celso de Mello, decano do STF.Reprodução / TV Justiça
 Afonso Benites
Brasília

Celso de Mello, ministro decano do Supremo Tribunal Federal, autorizou, a pedido da Procuradoria-Geral da República, a instauração de um inquérito para apurar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro agiu para interferir politicamente na Polícia Federal. De acordo com decisão, divulgada na noite desta segunda-feira, a PF tem 60 dias para tomar as providências pedidas pelo procurador-geral Augusto Aras, entre elas ouvir o ex-juiz da Lava Jato em depoimento.

No documento enviado ao STF, Aras argumentou que, se comprovadas as acusações, o presidente pode estar cometendo os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada. O pedido do procurador-geral, indicado em setembro por Bolsonaro, também pode ser uma espécie de bumerangue que pode se voltar contra Moro. Caso ele não apresente provas, ele pode acabar sendo acusado de denunciação caluniosa e crime contra a honra. O ex-juiz da Lava Jato diz tê-las e e até agora apresentou ao Jornal Nacional, da TV Globo, um par de mensagens que diz ter trocado com o presidente. Numa delas, Bolsonaro pede para trocar o diretor-geral da PF, Marcelo Valeixo, estopim da crise, por causa de um inquérito que tem como alvo “deputados bolsonaristas”.

Com a autorização de Mello, agora os holofotes se voltam para Aras e para a Polícia Federal, justamente quando Bolsonaro está prestes a mudar o comando da corporação. Caso, após a finalização do inquérito, o PGR decida oferecer uma denúncia contra o presidente, quem decide se ele pode ser processado por crime comum é a Câmara, que precisa autorizar o procedimento com dois terços dos votos dos deputados que Bolsonaro vire réu.

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