DO PORTAL UOL

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu o ex-advogado-geral da União André Luiz de Almeida Mendonça como novo ministro da Justiça e Segurança Pública e Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. As duas nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira.

Mendonça ganhou destaque no noticiário em meados do ano passado, depois que o Bolsonaro cogitou a indicação de seu nome ao Supremo Tribunal Federal e disse que ele se encaixava na definição “terrivelmente evangélico”. Quando foi anunciado pelo presidente para a AGU, Na mensagem, Bolsonaro disse que Mendonça era um “advogado com ampla vivência e experiência no setor

 

Eleitores se decepcionam com presidente com revelações do agora ex-ministro, enquanto aumenta pressão por sua saída e mercado financeiro perde o rumo

 
Moro, antes do discurso de demissão. 24/04/2020 ONLY FOR USE IN SPAIN
Moro, antes do discurso de demissão. 24/04/2020 ONLY FOR USE IN SPAINMarcello Casal/Agencia Brazil/dp / DPA / Europa Press

A saída bombástica do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, abre um novo e perigoso capítulo para o Brasil e para o Governo de Jair Bolsonaro que envenena eleitores fieis, repele potenciais investidores e fortalece o discurso dos que pedem o impeachment do presidente. A bolsa de valores de São Paulo despencava quase 10 pontos porcentuais enquanto Bolsonaro perdia seu caro fiador da bandeira da luta contra a corrupção após acusações graves de que tirou Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal, e que buscou interferir em investigações, algo que nem os arqui-inimigos de Bolsonaro haviam feito. “Imagina se durante a própria Lava Jato, a então presidente Dilma e o ex-presidente Luiz [Lula] ficassem ligando para as autoridades para obter informações?”, disse Moro, numa declaração que surpreendeu o mundo político.

Tão grave quanto a saída de Moro é a vocação persistente de Bolsonaro em disparar bombas nucleares em seu Governo, e engendrar novelos que enrolam a si próprio, enquanto o Brasil vive o pânico da pandemia do coronavírus, que matou mais de 3.000 pessoas. “Há uma aceleração de crises – [a troca de ministros da Saúde foi a mais recente], enquanto se luta com a maior de todas as já vividas nesta geração, com a pandemia do coronavírus”, observa Thiago de Aragão, cientista político da Arko Advice. “É como se um casal fosse sequestrado, e durante o sequestro a mulher resolvesse pedir o divórcio”, compara. A bolsa de apostas já começa a especular uma eventual saída do ministro Paulo Guedes na sequência, mas por ora é pura especulação.

Bolsonaro tentou contornar o terremoto Moro, apresentando-se ao lado de quase toda a equipe de ministros — incluindo Paulo Guedes —para defender-se das acusações. Mas a emenda pareceu pior que o soneto. Negou que interferisse no trabalho da PF, mas admitiu que buscava um interlocutor direto para conhecer algumas investigações. “Quero um delegado com que eu possa interagir. Porque não?”. A decepção de parte do eleitorado do presidente se cristalizou de imediato. “Bolsonaro não me representa mais, ele se desfez do único herói que o Brasil tinha”, lamentou Ulisses, administrador de Belo Horizonte, que até esta quinta era um ferrenho defensor do atual Governo. Em São Paulo, a analista financeira Debora pulou do barco assim que Moro apresentou suas justificativas para se demitir. “Eu queria o PT fora do poder de qualquer jeito por isso votei no Bolsonaro. Agora, eu acredito mais no Moro do que nele”, diz ela. Tanto Debora como Ulisses integram o grupo de eleitores que aplaudia a Lava Jato, e viu em Moro como ministro a esperança de que o cerco à corrupção seguiria firme com Bolsonaro. É esta base de apoiadores do Governo que começou a se dissolver com a saída de Sergio Moro, mais popular que o próprio presidente Jair Bolsonaro, como mostrou o instituto Atlas Político.

Moro tem 53% de imagem positiva entre os brasileiros, contra 39% de Bolsonaro, segundo o mais recente levantamento do instituto. “Dentro do discurso bolsonarista, o eixo mais resiliente sempre foi relacionado ao combate à corrupção e à criminalidade”, explica Andrei Roman, cientista político da Atlas. “Como responsável pelas principais condenações do Lava Jato e pela prisão do [ex-presidente] Lula, Moro garantiu ao Governo Bolsonaro um selo de legitimidade e autenticidade em relação a esse discurso”, completa.

Seguem firmes, porém, os eleitores radicais que apoiam qualquer decisão de Bolsonaro, e que amplificam suas falas corrosivas, um grupo que lhe dará suporte por algum tempo. A aparição do presidente ao lado dos ministros, incluindo os de patente militar, também promoveram a imagem de que o presidente não está só, e que as Forças Armadas seguem firmes com ele, embora nos bastidores existam muitos sinais de desconforto. “Ainda tem lenha pra queimar. O presidente pode assumir uma narrativa ainda mais agressiva, para consolidar um apoio de 22% dos brasileiros”, avalia Thiago de Aragão, cientista político da Arko Advice. Com essa popularidade Bolsonaro manteria uma perna de sustentação, e o blindaria da pressão de um impeachment, por exemplo. O assunto voltou à baila nesta sexta, com pressão de políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para avaliar a saída do presidente do cargo. Já são mais de 20 pedidos de impeachment contra o presidente. Aragão acredita que é cedo para isso. Ele lembra que Dilma Rousseff tinha por volta de 8% de apoio quando foi destituída em 2016.

O ex-presidente Michel Temer (2016-218) também tinha apoio de menos de 10% nas pesquisas, mas contava com apoio do Congresso. Não por acaso o Governo passou a negociar com deputados do Centrão, reconhecidos pelo seu perfil fisiológico – vários deles sob investigação da Lava Jato, inclusive — para ter o apoio que hoje lhe falta. Bolsonaro decidiu bancar a aposta de se aliar a uma ala parlamentar que lhe daria maioria no Congresso para ganhar a queda de braço com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e garantiria governabilidade. Em troca, haveria repartição de cargos. A estratégia, porém, é movediça, na leitura de um experiente observador do comportamento do Centrão. “Há momentos em que não há condições de segurar absolutamente nada”, diz José Eduardo Cardozo, que ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff. “Me recordo no processo de impeachment [em 2016], como as pessoas foram saindo do barco. A sensação é a mesma”, diz Cardozo, que defendeu Dilma nesse período.

O ex-ministro da Justiça acredita que o discurso de Moro em sua saída tem um efeito demolidor para Bolsonaro, independentemente das suas negociações. “O presidente sinaliza que quer interceptar inquéritos que tentam sair, como os das fake news [conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, que pode atingir seu filho Carlos Bolsonaro, suspeito de espalhar notícias falsas para beneficiar o pai]”, diz ele. “Quando alguém quer obstar investigação, usando métodos não republicanos é porque tem algo a esconder”, completa ele, lembrando que da cultura de independência que foi construída a duras penas pela Polícia Federal.

O curto circuito promove mais estragos na imagem já frágil do presidente mundo afora. “Um investidor me disse: ‘Como posso vislumbrar no curto e médio prazo a expectativa de que decisões serão tomadas de modo racional e não emocional no Brasil?”, conta Aragão, lembrando que os donos do dinheiro buscam previsibilidade para fazer suas escolhas. Algo que definitivamente o Brasil perdeu há muito tempo.

“Diz que fui por aí”, Nara Leão:O samba antológico de Ze Keti, lançado em 1964, e a voz inimitável de Nara, em intepretação só comparável à do próprio autor. E não precisa dizer mais nada. Só escutar e se maravilhar nesses dias tão sombrios de abril de 2020 que vai chegando ao fim.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

A música e bela e a voz e um espetáculo.

DO EL PAÍS

Celso de Mello, decano da Corte, atendeu a pedido de procurador-geral, Augusto Aras, que também deixou a porta aberta para acusar ex-ministro. Ex-juiz da Lava Jato terá de depor

O ministro Celso de Mello, decano do STF.
O ministro Celso de Mello, decano do STF.Reprodução / TV Justiça
 Afonso Benites
Brasília

Celso de Mello, ministro decano do Supremo Tribunal Federal, autorizou, a pedido da Procuradoria-Geral da República, a instauração de um inquérito para apurar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro agiu para interferir politicamente na Polícia Federal. De acordo com decisão, divulgada na noite desta segunda-feira, a PF tem 60 dias para tomar as providências pedidas pelo procurador-geral Augusto Aras, entre elas ouvir o ex-juiz da Lava Jato em depoimento.

No documento enviado ao STF, Aras argumentou que, se comprovadas as acusações, o presidente pode estar cometendo os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada. O pedido do procurador-geral, indicado em setembro por Bolsonaro, também pode ser uma espécie de bumerangue que pode se voltar contra Moro. Caso ele não apresente provas, ele pode acabar sendo acusado de denunciação caluniosa e crime contra a honra. O ex-juiz da Lava Jato diz tê-las e e até agora apresentou ao Jornal Nacional, da TV Globo, um par de mensagens que diz ter trocado com o presidente. Numa delas, Bolsonaro pede para trocar o diretor-geral da PF, Marcelo Valeixo, estopim da crise, por causa de um inquérito que tem como alvo “deputados bolsonaristas”.

Com a autorização de Mello, agora os holofotes se voltam para Aras e para a Polícia Federal, justamente quando Bolsonaro está prestes a mudar o comando da corporação. Caso, após a finalização do inquérito, o PGR decida oferecer uma denúncia contra o presidente, quem decide se ele pode ser processado por crime comum é a Câmara, que precisa autorizar o procedimento com dois terços dos votos dos deputados que Bolsonaro vire réu.

abr
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DO SITE O ANTAGONISTA
O apoio a Sergio Moro, que havia caído nos últimos meses, subiu novamente.

Na pesquisa do Atlas Político, 57,3% dos entrevistados o avaliaram de maneira positiva e 31,2% de maneira negativa.

Luiz Henrique Mandetta continua popular, e Jair Bolsonaro despencou.

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the trees
A Bayer registrou faturamento de 12,8 bilhões de euros no primeiro trimestre, uma alta de 5,7%. (Foto: AFP / Ina Fassbender)

O grupo alemão Bayer anunciou nesta segunda-feira (27) uma forte alta de mais de 20%, equivalente a 1,5 bilhão de euros, no lucro do primeiro trimestre de 2020, devido ao “aumento da demanda” na área de saúde em consequência do novo coronavírus.

Ao mesmo tempo, o gigante da indústria química e farmacêutica informou que sua filial americana Monsanto enfrenta 52.500 ações judiciais pelo herbicida glifosato.

A Bayer registrou faturamento de 12,8 bilhões de euros no primeiro trimestre, uma alta de 5,7%.

A empresa teve um lucro líquido, excluindo os efeitos excepcionais (EBITDA), de 4,4 bilhões de dólares, uma alta de 10,2%.

A divisão de saúde do grupo registrou alta de 13,5% no faturamento, “um forte crescimento devido a um aumento da demanda” causada pela pandemia de COVID-19.

A empresa, no entanto, indicou que ainda não pode medir o impacto do novo coronavírus para o conjunto de 2020, já que muitas medidas adotadas na luta contra a pandemia tiveram um impacto negativo.

A divisão agroquímica teve alta de 6,1% no faturamento e continua se beneficiando da compra do grupo americano Monsanto em 2017, que permitiu a Bayer assumir a liderança mundial no setor.

Mas a compra também provoca problemas para a Bayer nos Estados Unidos devido ao produto “Round’up”, um herbicida fabricado com glifosato, classificado como potencialmente cancerígeno em 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), um organismo vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Monsanto enfrenta nos Estados Unidos um total de 52.500 demandas judiciais, contra 48.600 em fevereiro.

Depois de ser condenada em primeira instância em vários casos, a Bayer deseja “seguir participando de maneira construtiva no processo de mediação” que, em consequência da pandemia, não avançou muito.(AFP

DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE LISBOA)

Em comunicado, consulado refere que os brasileiros que se juntaram no aeroporto de Lisboa não preenchiam os requisitos para regressar ao país e que lhes disponibilizou alojamento e apoio que, no entanto, foi recusado por algumas pessoas.

O consulado-geral do Brasil em Lisboa esclareceu esta segunda-feira (27 de abril), em comunicado, que já procedeu ao repatriamento de 1494 cidadãos brasileiros em cinco voos, estando previsto que mais 300 pessoas sejam abrangidos por esta medida nos próximos dias, com a realização de mais uma ligação aérea.

O consulado refere, na sequência de reportagens sobre brasileiros em filas de espera no aeroporto de Lisboa, que o principal critério adotado para a repatriação foi a identificação de “viajantes que se viram retidos em território português devido ao cancelamento de voos comerciais, no contexto da epidemia da covid-19”, razão pela qual o regresso ao Brasil de residentes em Portugal que não chegaram a adquirir bilhetes de avião “se fez apenas em atenção a circunstancias humanitárias excecionais”. Nesse sentido, garante que foram identificadas as pessoas que se enquadrassem neste último critério, em sintonia com os consulados do Porto e de Faro.

Além destas duas situações, o consulado geral do Brasil em Lisboa diz que para apoiar cidadãos brasileiros que se viram em “situação de dificuldades económicas” por causa da pandemia foi disponibilizado, “com verbas próprias ou mediante a cooperação de entidades beneficentes (notadamente igrejas próximas à comunidade), alojamento, alimentação e medicamentos para os casos mais urgentes”.

DO EL PAÍS

Rumores sobre a saúde do dirigente norte-coreano desencadeiam conjecturas sobre quem assumiria as rédeas do regime. Nesta segunda, Coreia do Sul desmentiu categoricamente que ditador esteja doente

 Macarena Vidal Liy
Pequim
Kim Yo-Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-Un, durante uma cerimônia no Mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói, Vietnã, em março de 2019
Kim Yo-Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-Un, durante uma cerimônia no Mausoléu de Ho Chi Minh, em Hanói, Vietnã, em março de 2019Jorge Silva / Reuters

Os boatos sobre a saúde de Kim Jong-un, que começaram desde que o líder norte-coreano não compareceu aos atos de um importante feriado nacional, em 15 de abril, alimentam as especulações sobre sua possível sucessão. E um nome aparece em quase todas as apostas: o de sua irmã mais nova e braço direito, Kim Yo-jong. Tem vantagens óbvias. Pode se orgulhar de pureza do sangue. Tem a confiança absoluta do irmão. E conhece os círculos de poder. Mas alguns especialistas expressem cautela: os antecessores de Kim Jong-un também se apoiaram durante seu mandato em um irmão, que não teve um bom final após a morte do líder, e é difícil pensar que uma mulher possa liderar um regime tão patriarcal como o norte-coreano.

Kim está doente? É a dúvida que está no ar há uma semana. Nesta segunda-feira a Coreia do Sul, o país com mais informações e credibilidade para contar o que acontece no hermético vizinho do Norte, quis retirar a importância da questão e fez o mais categórico pronunciamento até agora. O conselheiro de Segurança Nacional em Seul, Moon Chung-in, declarou à rede de televisão CNN que o líder norte-coreano “está vivo e em bom estado de saúde”, na cidade litorânea de Wonsan desde 13 de abril. Segundo a mídia norte-coreana, ele enviou uma mensagem de agradecimento aos trabalhadores que construíram o gigantesco complexo turístico de Wonsan-Kalma. Mas Kim continua sem se mostrar ao público, o que impede que as suposições sejam completamente dissipadas.

Em princípio, a ideia de uma mulher à frente do país seria complicada. Poucas mulheres no regime conseguiram alcançar altos níveis de poder: a vice-ministra das Relações Exteriores Choe Son Hui, uma dura crítica dos Estados Unidos, é uma das exceções mais notáveis. Os líderes da dinastia fundada por Kim Il-sung sempre foram homens.

Mas não há homens à vista que possam se vangloriar de carregar o sangue da dinastia Kim. Acredita-se que Kim Jong-un tenha um filho homem, mas jovem demais para assumir o comando. O único irmão vivo do líder norte-coreano, Kim Jong-chul —um entusiasta da guitarra e de Eric Clapton, de acordo com o ex-número dois da Embaixada da Coreia do Norte em Londres e agora, como desertor, deputado eleito na Coreia do Sul, Thae Jong –ho—, era considerado muito “afeminado” por seu pai, Kim Jong-il. E o irmão mais velho, Kim Jong-nam, foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur em fevereiro de 2017, em um ato orquestrado pelos serviços secretos do Norte. Outros parentes estão no exílio ou distantes dos círculos de poder.

Talvez seja significativo que a última aparição pública de Kim Jong-un até agora tenha sido para presidir, no dia 11, uma reunião do Politburo do Partido dos Trabalhadores da Coreia, a espinha dorsal do regime norte-coreano, na qual foi confirmada a nomeação de sua irmã como membro suplente desse poderoso órgão. A designação demonstrou a relevância na linha de frente desta mulher de 32 anos, após o fiasco no ano passado da cúpula de Hanói (Vietnã) entre Kim e o presidente dos EUA, Donald Trump.

Nos últimos dois anos, Yo-jong tem sido uma figura onipresente ao lado de seu irmão mais velho. Viajou com ele para todas as cúpulas de que participou durante a fase de distensão e negociações nucleares com Trump e outros líderes mundiais. Na primeira reunião com o inquilino da Casa Branca em Cingapura, foi vista no último momento trocando a caneta com a qual o líder norte-coreano assinaria a declaração conjunta por outra que levava no bolso. No caminho para a segunda, em Hanói, ela recolheu cuidadosamente em um cinzeiro a bituca de cigarro que seu irmão havia fumado, para não deixar vestígios de DNA. Durante esse encontro, observou meticulosamente todos os movimentos do irmão, meio escondida atrás de colunas ou até das plantas.

Foi justamente nessa cúpula que ela pareceu ter sofrido as consequências: já nomeada como membro substituto do Politburo, parece que a posição lhe foi retirada depois que a reunião terminou em fracasso retumbante, e o líder norte-coreano e sua comitiva retornaram de mãos vazias em uma jornada de 56 horas a bordo do seu trem pessoal.

Mulher mais poderosa do regime, responsável pela propaganda —e com ela, pela imagem do irmão no país e no exterior— e vice-diretora do Partido dos Trabalhadores, ela nunca desapareceu nos bastidores. Recuperou a nomeação para o Politburo depois de emitir sua primeira declaração pública no mês passado, acusando o Sul, no estilo altissonante da propaganda norte-coreana, de ser um “cão assustado que late”, por protestar contra manobras militares do Norte. Em março, elogiou publicamente Trump por enviar uma carta a Kim Jong-un oferecendo ajuda contra o coronavírus e manifestando interesse em manter boas relações.

Sua estreia diante da comunidade internacional veio com os Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, Coreia do Sul, em 2018, o marco escolhido pelo regime norte-coreano para explorar o degelo nas relações entre as duas Coreias oferecido pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in. Kim Yo-jong foi como representante pessoal do irmão, em uma visita que abriria o caminho para a primeira reunião de líderes coreanos em mais de uma década e lançaria as bases para a histórica reunião entre Kim Jong-un e Donald Trump em um hotel da ilha de Sentosa, em Cingapura.

Como o resto da dinastia Kim, pouco se sabe ao certo sobre a irmã do líder supremo. Casada com o filho de um vice-presidente do partido, ela nasceu em 1987, de acordo com o site especializado NKleadershipwatch. Como o irmão, completou os primeiros anos de escola na Suíça e depois retornou à Coreia do Norte, onde estudou na Universidade Kim Il-sung, o centro de estudos superiores da elite em Pyongyang. É possível que tenha completado sua formação em uma instituição na Europa Ocidental após a morte de sua mãe, em 2004. Dois anos antes, diz o site, seu pai, Kim Jong-il, já havia mencionado aos representantes estrangeiros o interesse da filha pela política e seu desejo de seguir uma carreira dentro do sistema político do país.

abr
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Posted on 28-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-04-2020


 

Sponholz, NO

 

Por Sara Resende, TV Globo — Brasília

Alcolumbre pode apresentar projeto alternativo de ajuda a estados e municípios

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), informou nesta segunda-feira (27) que incluirá uma contrapartida de estados e municípios no projeto de ajuda financeira da União, que deve ser votado ainda nesta semana. Para receber, governos terão de bloquear salários de servidores por 18 meses.

Segundo Alcolumbre, essa proibição poderá alcançar servidores municipais, estaduais e federais.

Uma proposta de ajuda, sem essa contrapartida, já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. A ideia é que o governo federal ajude estados e municípios a recompor as perdas causadas pela pandemia na arrecadação de ICMS (imposto sobre mercadorias, arrecadado pelos estados) e do ISS (sobre serviços, arrecadado pelas prefeituras).

O projeto que recebeu aval dos deputados pode gerar um impacto de ao menos R$ 93 bilhões nas finanças públicas, estimou o Ministério da Economia. A União considera o valor alto e, por isso, negocia mudanças com os senadores.

A estratégia do Ministério da Economia é propor limitações aos estados e municípios, como o congelamento dos salários do funcionalismo, para possibilitar o custeio dessa ajuda.

Nesta segunda-feira (27), Alcolumbre se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para discutir o texto. O presidente do Senado será o relator dessa proposta alternativa à da Câmara.

O cronograma previsto por Alcolumbre prevê que o substitutivo – a nova versão do projeto – seja apresentado na quinta-feira (30) e votado no sábado (2), em sessão remota. Como há previsão de mudanças, o texto terá que retornar à Câmara dos Deputados em seguida.

“Eu falei que quero, na quinta, dividir com os senadores essa minuta. Acho que seria um gesto evitarmos o reajuste por 18 meses, e em contrapartida termos o recurso para ajudarmos os estados e municípios. Na quinta, tentar entregar [o parecer] para que se delibere sábado de tarde”, afirmou Alcolumbre.

Segundo o presidente do Senado, a restrição poderá gerar uma economia de R$ 130 bilhões.

“A proposta é não reajustar salário de municípios, estados e União. A conta que me deram hoje, a gente está falando de economia, recursos que vão sobrar para os cofres da União, dos estados e dos municípios na monta de R$ 130 bilhões em 18 meses. Então, isso vai entrar na equação”, explicou.

O presidente do Senado disse que se encontrará ainda nesta segunda com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com membros da equipe econômica do governo nos próximos dias para tratar do tema.

A versão da Câmara

O projeto aprovado pela Câmara estabelece que o governo federal deverá recompor a perda de estados e municípios com a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e com o Imposto Sobre Serviços (ISS). Essa ajuda, pelo texto, vigoraria por seis meses.

Esse texto usa como critério, para distribuição do dinheiro, a queda de arrecadação de cada estado em comparação com a receita do ano passado.

O Senado estuda uma mudança neste parâmetro, para que o tamanho da população de estados e municípios seja levado em conta. Até o momento, Alcolumbre não divulgou detalhamento desse novo cálculo.

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