“Hino à Brasília”: Hino do Distrito Federal com as imagens dos cartões postais da cidade.”Céu de Brasília, traço do Arquiteto, gosto tanto dela assim”(Djavan). Salve, Salve e Feliz aniversário, apesar do sufoco!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL

O petebista enxerga tentativa do Congresso de promover impeachment do presidente

Andreza Matias
 
 

BRASÍLIA – Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro aumentou os ataques ao Legislativo e ao Judiciário, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse que há uma tentativa do Congresso de promover novo impeachment no País e previu uma reação à altura. “Para derrubar Bolsonaro, só se for a bala”, afirmou ele, ao citar a possibilidade de um confronto de “sangue” entre direita e esquerda. “Vai acabar tendo de ter uma intervenção até para estabilizar”, emendou, em uma referência às Forças Armadas. A análise reverbera o que pensa a ala ideológica que cerca o presidente.

Com 37 anos na política, Jefferson já foi da tropa de choque do então presidente Fernando Collor, denunciou o mensalão do PT, acabou preso e, desde então, acompanha o cenário como um espectador privilegiado. Jefferson disse não ver um ato de desespero nas atitudes de Bolsonaro, que participou domingo de um ato que pedia o fechamento do Congresso, Supremo e a destituição de governadores. “O que o Bolsonaro está fazendo? Está botando o povo na rua, mas do lado dele”, argumentou. Para o presidente do PTB, Bolsonaro só cometeu um erro ao participar da manifestação: “Não deveria ter ido de camisa vermelha.”

O sr. insinuou, em entrevista, que o Parlamento está preparando o impeachment do presidente Bolsonaro. Com base em que o senhor disse isso?

É uma dedução minha. Deputados estão me falando que o Rodrigo (Maia, presidente da Câmara) vai acelerar o projeto de reeleição (para os comandos da Câmara e do Senado, proibido na mesma legislatura). E as atitudes do Rodrigo mostram o confronto aberto com o Executivo. Ele dá a cabeça do Bolsonaro e ganha a sua reeleição. Esse acordo pela reeleição pode ser feito independentemente de se colocar o impeachment na mesa.

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teria coragem de dar andamento ao impeachment de Bolsonaro?

O Rodrigo é muito habilidoso e está reunido com Fernando Henrique, Doria (João Doria, governador de São Paulo), Wilson Witzel (governador do Rio), com o presidente da OAB (Felipe Santa Cruz) e partidos de esquerda. O maestro dessa orquestra é o Fernando Henrique. A entrevista dele ao Estado de domingo é nítida. Eu era da CPI do Collor e vi bem o Fernando Henrique articular contra o Collor (Jefferson foi líder do governo Collor na Câmara). Ele sabe fazer. Ele era senador naquela época.

O ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema que ficou conhecido como mensalão, em foto de 2005, na capital federal.
 
O ex-deputado Roberto Jefferson, delator do esquema que ficou conhecido como mensalão, em foto de 2005, na capital federal.

Foto: Jamil Bittar / Reuters

Quais elementos o sr. vê na entrevista do Fernando Henrique sobre isso?

O pior foi ele dizer que o governo é compartido entre Senado, Câmara e Supremo. Como o presidente não tem agenda legislativa, ele não governa. E, quando ele não governa, é passível de impeachment. Ele ainda diz mais. (Diz que) O Brasil, apesar de não aceitar culturalmente o parlamentarismo, vive um parlamentarismo branco. A entrevista dele foi o prefácio do golpe. Ele diz claramente que o presidente não tem condições de governar. Diz que o (Luciano) Huck acabou e quem cresceu foi o Doria, fazendo oposição a Bolsonaro. Ele desenha o quadro totalmente (em mensagem postada no Twitter, no domingo, FHC diz que não é bom acirrar crises institucionais).

As declarações e atitudes de Bolsonaro mostram a reação de alguém acuado ou ele se perdeu?

O Bolsonaro não se perde. Para derrubá-lo só se for a bala. Ele é guerreiro. É leão. Não vai miar. Ele vai rugir. Eu não vejo nas atitudes de Bolsonaro um ato de desespero. Ele está buscando o apoio que precisa ter. O Fernando Henrique diz: falta de governabilidade, governo compartilhado e povo na rua. O que o Bolsonaro está fazendo? Está botando o povo na rua, mas do lado dele. A terceira perna do tripé para o impeachment que o Fernando Henrique constrói na entrevista ao Estado é o povo. Só falta o povo.

O discurso radical do presidente não afasta uma parcela do eleitorado dele?

Ele tem 36% do eleitorado. Não perdeu nada.

Mas a avaliação dos governadores começa a subir e o Luiz Henrique Mandetta, demitido do Ministério da Saúde, já tinha tanto apoio quanto ele.

O Mandetta tinha a caneta e estava dando dinheiro. Estava cooptando para o DEM governadores e prefeitos. Não poderia nem integrar esse governo.

Mas, quando o presidente participa de manifestação de quem defende medidas antidemocráticas, isso não mostra haver uma escalada autoritária?

A escalada autoritária está sendo feita contra ele, mas com luvas de pelica. Fernando Henrique, Rodrigo Maia, com a TV Globo todo dia dizendo que o presidente é um homem do mal. Com luva de pelica eles estão dizendo que Bolsonaro não pode continuar porque chegou a um ponto que a agenda política não pertence mais a ele. Ele reage do jeito que ele sabe. Mas ele não falou em AI-5, em fechamento do Congresso ou do Supremo. Eu achei que ele não deveria ter ido de camisa vermelha. Eu não uso camisa vermelha. Ele errou nisso. Achei horrível. (risos)

O sr. tem falado com o presidente?

Nunca conversei com ele depois da eleição ou com alguém do governo.

Os militares não gostaram da atitude do presidente. Os militares ajudam ou atrapalham?

Eles sempre foram a elite do País. E ninguém faz política sem as Forças Armadas. Assim como não há Forças Armadas sem política. Dizer que militar não sabe fazer política é brincar. Mas eles têm outro pensamento. Não pensam em se locupletar. Pensam na Pátria. E Bolsonaro, apesar de tosco, se encaixa nisso. É idealista.

Até que ponto os militares apoiam Bolsonaro?

Se o Congresso fizer isso (impeachment), nós temos que ir para as ruas e apostar em qualquer jogo. E os militares vão ser chamados a agir. Se essa turma do vermelho achar que vai mudar o jogo peitando, fazendo um golpe legislativo para tirar um governo legal, vai encontrar resistência forte, à altura da agressão. E vai acabar tendo de ter uma intervenção até para estabilizar o que está ocorrendo por parte das Forças Armadas.

Intervenção militar?

Intervenção nas ruas. Aí eu não sei como vai ser. Se a esquerda fizer qualquer ação para tirar o Bolsonaro, vai encontrar a direita na rua. Vai ter sangue.

Está faltando um bombeiro para acalmar os ânimos de ambos os lados?

Não estou vendo na classe política ou no Judiciário um bombeiro. O Fernando Henrique está botando fogo. Eu ainda não consegui ver uma figura moderadora. Isso é um problema. Toda democracia precisa do seu moderador. Um grande homem respeitado, que pudesse ser um moderador, eu não estou enxergando.

O sr. acha que o gabinete do ódio intimida quem possa tentar se colocar como essa voz moderadora?

Eu não acredito nesse gabinete do ódio.

O sr. já foi atacado nas redes pelo grupo pró-Bolsonaro?

Não. Só pelo grupo da esquerda. Ninguém é unanimidade. Eu bato e apanho e acho que está ótimo (risos).

Os filhos do presidente atrapalham? O ex-presidente Fernando Henrique disse que Bolsonaro não entendeu seu papel ao colocar os filhos dentro do governo…

Os filhos do Fernando Henrique não tinham mandato. Os do Bolsonaro foram eleitos pela vontade do povo e muito bem votados.

abr
21
Posted on 21-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-04-2020

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the trees
Bolsonaro: mais um recuo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Após ser alvo de críticas de diversos setores políticos e judiciais, o presidente Jair Bolsonaro recuou, mais uma vez, e afirmou, nesta segunda-feira (20), que não é a favor do fim da democracia.
“No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo. Não tem que fechar nada. Aqui é democracia. Aqui é respeito às instituições. Supremo aberto e transparente. Congresso aberto e transparente. Não vamos aceitar colocações baixas”, disse aos jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.
Neste domingo (19), o presidente discursou em um ato pró-ditadura militar em frente ao QG do Exército e disse que “não ia negociar nada” com ninguém, dizendo que os manifestantes podem “contar”

abr
21
Posted on 21-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-04-2020

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the treesBolsonaro participou de manifestação em Brasília pedindo o fechamento do Congresso Nacional (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag.Brasil)

Por meio de carta, 20 dos 27 governadores do país expressaram apoio aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e contestaram críticas de Jair Bolsonaro aos dois.

O documento diz que o “Fórum Nacional de Governadores” está ao lado de Maia e Alcolumbre “diante das declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do Parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação”.

Na quinta-feira (16), dia em que Bolsonaro demitiu Luiz Henrique Mandetta do cargo de ministro da Saúde, Bolsonaro deu entrevista à rede CNN Brasil criticando por várias vezes Rodrigo Maia. O chefe de Estado disse que a atuação do parlamentar era “péssima” e parecia que tinha a intenção de “tirar” Bolsonaro do “governo”.

Neste domingo (19), Bolsonaro participou de ato em Brasília pedindo o fim do isolamento social para combater a disseminação do coronavírus, mas que também defendia pautas como uma intervenção militar e o fechamento do Congresso.

Em 15 de março, início da crise da epidemia no Brasil, o presidente também participou de ato contra a Câmara e o Senado. Após críticas de Maia e Alcolumbre, ele disse que os dois deveriam “ir às ruas” para ver como seriam “recebidos”.

‘Atenção às necessidades dos estados e municípios’

A carta assinada pelos governadores elogia o “empenho” dos presidentes da Câmara e do Senado na crise do coronavírus.

“Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises, temos testemunhado o empenho com que os presidentes do Senado e da Câmara têm se conduzido, dedicando especial atenção às necessidades dos estados, do Distrito Federal e dos municípios brasileiros”, afirma o comunicado.

O Congresso tem discutido maneiras de minimizar os efeitos econômicos da crise provocada pela COVID-19, por exemplo prestando socorro financeiro a estados e municípios, medida criticada por Bolsonaro.

O documento diz ainda que as ações diante da epidemia são pautadas pela “ciência” e “orientações de profissionais da saúde”.

“Nossa ação nos estados, no Distrito Federal e nos municípios tem sido pautada pelos indicativos da ciência, por orientações de profissionais da saúde e pela experiência de países que já enfrentaram etapas mais duras da pandemia, buscando, neste caso, evitar escolhas malsucedidas e seguir as exitosas”, afirma a carta.

Governadores defendem ações de ‘salvaguarda da população’

Além disso, o comunicado diz que não existem “conflitos inconciliáveis” entre proteger a população e a economia.

“Não julgamos haver conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos”, afirma a carta.

O documento é assinado pelo governador de Alagoas, Renan Filho; do Amapá, Waldez Goés; da Bahia, Rui Costa; do Ceará, Camilo Santana; do Espírito Santo, Renato Casagrande; de Goiás, Ronaldo Caiado; do Maranhão, Flávio Dino; do Mato Grosso, Mauro Mendes; do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja; do Pará, Helder Barbalho; da Paraíba, Paulo Câmara; de Pernambuco, Wellington Dias; do Rio de Janeiro, Wilson Witzel; do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra; do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; de Santa Catarina, Carlos Moisés; de São Paulo, João Doria; de Sergipe, Belivaldo Chagas; e do Tocantins, Mauro Carlesse.(Sputnik Brasil)

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“No segundo semestre nós estamos voltando ao combate”

Por Redação O Antagonista
Paulo Guedes afirmou nesta segunda-feira (20) que o Brasil deve começar a retomada econômica no segundo semestre deste ano.

Em videoconferência do BTG Pactual, Guedes disse que o Brasil deve sair “para o lado de lá” da crise em dois ou três meses.

“Nossa ideia é que no segundo semestre nós estamos voltando ao combate. A primeira onda está nos abafando agora. Estamos lutando ainda contra a primeira onda, mas a segunda já está batendo. Nós achamos que daqui a dois ou três meses a gente já está saindo para o lado de lá. Não sabemos em que estado, mas estamos saindo do lado de lá.”

Guedes é um pouco mais otimista que Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que espera a retomada econômica a partir do último trimestre deste ano.

abr
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Posted on 21-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-04-2020



 

Sinovaldon no

 

DO EL PAÍS

Reitor da Universidade Federal de Pelotas, que conduz análise estatística de disseminação da covid-19, torce para que Ministério da Saúde libere mais exames para poder duplicar as fases da pesquisa que apontará o percentual de assintomáticos e real letalidade da doença no país

Profissionais de saúde na linha de frente do combate ao coronavírus no hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, na sexta-feira, 17 de abril.
Profissionais de saúde na linha de frente do combate ao coronavírus no hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, na sexta-feira, 17 de abril.DIEGO VARA / Reuters
 Naira Hofmeister
Porto Alegre

Entre esta semana e o mês de junho, cerca de 100.000 pessoas no Brasil serão submetidas a testes da covid-19, como parte do maior estudo em andamento sobre a disseminação do novo coronavírus na população brasileira. Realizada pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), no Rio Grande do Sul, a pesquisa terá três etapas, em uma modelagem amostral que vai permitir calcular com precisão o índice de contágio do vírus, algo que ainda não foi feito em escala nacional. “É o maior estudo do mundo. Na Áustria, foi feito um com 1.500 pessoas, em Santa Clara, nos Estados Unidos, testaram cerca de 3.000 pessoas. Houve outra pesquisa em Gangelt, na Alemanha, mas bem menor, e na Itália foram feitos 3.300 testes em um levantamento”, compara Pedro Hallal, reitor da Ufpel e epidemiologista.

Em cada uma das três etapas serão testadas 33.250 pessoas em 133 municípios brasileiros. Serão aplicados tanto testes ra?pidos, que detecta a presenc?a de anticorpos IgM (de infecc?a?o mais recente), e IgC (de infecc?a?o mais antiga) a partir de amostras de sangue coletadas. Os exames devem começar a ser aplicados logo depois do feriado de Tiradentes, em 21 de abril. Mas o reitor da instituição espera poder duplicar as fases do levantamento, caso receba mais testes do Ministério da Saúde. “Essa é uma doença desconhecida. O que está em jogo é a decisão sobre se vamos acompanhar sua evolução através de um filme curta-metragem ou de um longa-metragem.”

Nelson Teich defendeu a realização de testes em massa, ao tomar posse como novo ministro da Saúde do Governo Jair Bolsonaro, na semana passada. “Quanto mais a gente entender da doença, maior vai ser a nossa capacidade de administrar o momento, planejar o futuro e sair desta política do isolamento e do distanciamento. Para conhecer a doença, a gente vai ter que fazer um programa de testes”, afirmou, referindo-se à hipótese de ampliar o volume de exames que indiquem o percentual de contágio entre os brasileiros. O epidemiologista e reitor da Upfel vê com otimismo a declaração do novo ministro e espera ter condições para que o estudo se estenda por seis fases, como previsto originalmente, e não precise limitar-se apenas as três aprovadas pela pasta.

O Ministério da Saúde havia anunciado apoio ao levantamento da Ufpel ainda sob a gestão de Luiz Henrique Mandetta. “Tem muita gente assintomática que ganha anticorpos ou mesmo pessoas com sintomas leves e, por isso, nem procuram atendimento. Temos ainda as formas intensas, graves e críticas. É o somatório disso que nos dará a imunidade”, afirmou na ocasião Mandetta, ao anunciar a parceria com a universidade do RS. São 12 milhões de reais de financiamento do Governo federal, mais 1 milhão de reais do Instituto Serrapilheira. “Três fases não são suficientes para conhecer a fundo o comportamento da pandemia. Ela está muito no começo em vários lugares. As seis fases permitiriam enxergar a epidemia crescendo onde ela ainda está menor, que é a realidade de quase todos os Estados da Federação. Só teremos ganhos em ampliar a pesquisa”, argumenta o reitor.

As primeiras conclusões do estudo, que já começou no Rio Grande do Sul, apontam que há pelo menos sete vezes mais casos no Estado do que os confirmados oficialmente pelas autoridades. Isso significa que ao invés dos 904 doentes reportados até esta segunda-feira pela Secretaria Estadual de Saúde, pelo menos 6.328 gaúchos já foram contaminados pelo vírus ?um sexto dos mais de 40.000 casos confirmados no país pelo Ministério da Saúde, cujos dados também são subnotificados.

O Rio Grande do Sul, que é o sexto Estado mais populoso do Brasil (com quase 11,3 milhões de habitantes), contabilizava 27 mortes pela covid-19, quase sete vezes menos que o Amazonas, por exemplo, que tem três vezes menos habitantes e somava 185 mortes até esta segunda. Para Hallal, uma eventual expansão das fases de pesquisa enriqueceria as análises comparativas, que são fundamentais para compreender a curva de expansão do novo coronavírus em território nacional, assim como as especificidades de cada região brasileira.

O epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas, que conduz o maior estudo sobre a propagação da covid-19 no Brasil em andamento.
O epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas, que conduz o maior estudo sobre a propagação da covid-19 no Brasil em andamento.Charles Guerra (Upfel)

Dado pode amparar decisão sobre distanciamento social

A pesquisa conduzida pela Ufpel não apenas vai apontar a taxa de contaminação por covid-19 na população brasileira, mas deverá determinar também o percentual de casos assintomáticos e a real letalidade da doença no país. Todas essas informações hoje são estimadas com base em dados subnotificados no Brasil, o que dificulta o cálculo sobre os recursos hospitalares necessários para o enfrentamento da pandemia.

A falta de estatísticas confiáveis também torna mais complexa a decisão sobre a manutenção ou o abrandamento das medidas de isolamento social -que por ora dominam o país, apesar da militância do presidente Jair Bolsonaro pela retomada plena da economia e manutenção apenas do isolamento dos grupos de risco. “Aproximadamente 70% da população vai ser infectada. Uma verdade. Não adianta correr da verdade”, disse Bolsonaro nesta segunda, ao voltar a defender a reabertura da economia.

“Certamente falta evidência. As decisões estão sendo tomadas com o que existe da parte visível do iceberg, o que a gente consegue olhar da experiência do Brasil e do mundo. A nossa pesquisa vai permitir que os gestores parem de ficar olhando só para o que está em cima da água, e compreendam o todo”, explicou o reitor Pedro Hallal, em entrevista ao EL PAÍS.

Conforme a previsão já acertada com o Ministério da Saúde, os testes e questionários da Ufpel serão aplicados em 22 municípios do Norte, 42 municípios no Nordeste, 14 no Centro-Oeste, 33 no Sudeste, 21 cidades do Sul e 1 no Distrito Federal). Serão três etapas de campo, com intervalos de 15 dias entre elas – e os dados coletados serão divulgados sempre ao final de cada uma.

No Rio Grande do Sul, comércio voltou a funcionar

No último dia 15, mesmo dia em que Pedro Hallal apresentou os dados da primeira etapa de campo da pesquisa no Estado (que indicaram contágio sete vezes superior ao reportado pelas autoridades), o governador do Estado Eduardo Leite (PSDB) anunciou a suspensão das medidas de contenção social para a maior parte do território gaúcho. A decisão que surpreendeu, na medida em que a expectativa divulgada anteriormente era de que o pico de casos no Rio Grande do Sul chegasse apenas em junho.

Ficaram de fora da decisão apenas as regiões metropolitanas de Porto Alegre e da Serra Gaúcha. “No outro dia de manhã, as prefeituras liberaram tudo, sem ter um plano de reabertura. Sabemos que quem tomou essas decisões no resto do mundo, se arrependeu profundamente”, lamenta Pedro Hallal, da Ufpel.

O debate sobre a questão estava acirrado desde a virada do mês, quando 15 municípios do interior se sublevaram e decidiram reabrir estabelecimentos comerciais à revelia de um decreto estadual que determinava fechamento total até 15 de abril. Foi preciso que o Ministério Público interviesse para que os prefeitos cumprissem as determinações do governador, alertando que eles poderiam responder por crime de responsabilidade caso mantivessem abertas as lojas.

No centro dessa área de colonização italiana, alta atividade industrial e PIB relevante para o Rio Grande do Sul está Caxias do Sul, a cidade da Festa da Uva, cujos pavilhões abrigam moradores de rua durante a pandemia. É a segunda cidade com maior volume de casos de covid-19 no Estado, com 44 notificações confirmadas. A partir da suspensão do decreto de Eduardo Leite, o prefeito Flávio Cassina (PTB) autorizou a abertura inclusive de shoppings centers, desde que a força de trabalho se mantenha restrita a 50% do habitual.

“Proporcionalmente à população, temos poucos casos: são 510 mil habitantes”, justifica Cassina. O município tem 60% de seus leitos de UTI ocupados, porém dois hospitais de campanha já estão prontos para serem ativados em caso de necessidade, cada um com cerca de 70 leitos , o que eleva a tranquilidade do prefeito sobre sua decisão.

Pelotas, a cidade onde está a universidade que Pedro Hallal gerencia, e governada pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), sucessora do próprio governador Eduardo Leite na cadeira municipal, não aderiu à liberação. “Como pesquisador, não gosto de trabalhar com futurologia. A maioria dos que tem feito previsões sobre o pico da doença tem errado. Mas aqui em Pelotas nosso grupo de pesquisa criou um modelo a partir de dados reais que prevê para a primeira semana de junho o momento de maior gravidade”, estima.

Prefeito da Capital quer testes no padrão sul-coreano

Em 1º de abril, manifestantes pró-Bolsonaro pediram a reabertura do comércio em Porto Alegre, numa carreata.
Em 1º de abril, manifestantes pró-Bolsonaro pediram a reabertura do comércio em Porto Alegre, numa carreata.DIEGO VARA / Reuters

Epicentro da epidemia do novo coronavírus no Rio Grande do Sul, Porto Alegre dobrou a aposta no isolamento social com a contratação de caminhões tipo trios elétricos, que começaram a circular pela cidade com alertas para que a população fique em casa. Até então, esse serviço era feito pela Guarda Municipal, em automóveis munidos de alto falantes simples.

“Estamos vivendo uma crise em que a vida real se impõe, e a lei e as decisões judiciais chegam muito depois dos fatos ocorridos. Dois ou três dias podem salvar muitas vidas. Por isso entendemos que era coerente essa medida e implantamos imediatamente para que mesmo pessoas desavisadas se conscientizem. Não é pela lei que vamos mudar os hábitos, é pela cultura de conscientização”, justifica o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que tem sido rigoroso na manutenção do isolamento social.

Marchezan trabalha com três indicadores para estimar o comprometimento da capital do Rio Grande do Sul com a epidemia. O número de mortes por covid-19 -que até essa segunda-feira eram dez- e o volume de ocupação de leitos de UTI na cidade, que tem atualização em tempo real divulgada na internet são os dois principais neste momento.

Por isso sua energia está agora totalmente canalizada para conseguir aplicar centenas de testes diários na população porto-alegrense. “Nosso esforço é para chegar ao patamar de testagem do país mais bem sucedido, que é a Coreia do Sul. Eles fizeram 400 testes ao dia, provavelmente não vamos conseguir tanto, mas queremos chegar perto para ter um diferencial de conhecimento e proteção”, explica.

O prefeito ainda não sabe detalhar a estratégia para chegar lá, uma vez que o mundo inteiro enfrenta problemas para conseguir ampliar a testagem da população. Atualmente, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre aplica 30 testes diários, e há um reforço de exames enviados pelo Ministério da Saúde. “Estamos tentando conseguir com nossas próprias forças (do SUS), e também pedindo ajuda a instituições privadas. Essa é uma prioridade”, conclui.

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