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Postado em 18-04-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-04-2020 00:09

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

A antiga estrela argentina deu uma entrevista onde relata ao pormenor os golos que marcou à Inglaterra. Recorda episódios caricatos antes de se sagrar campeão do mundo e o momento em que viu o pai chorar…

Diego Armando Maradona é um personagem inigualável fora do campo, tal como era com as chuteiras calçadas, com uma bola colada ao pé, enfrentando os adversários que lhe surgiam pela frente. A antiga estrela, agora com 59 anos, foi protagonista de uma entrevista ao site da federação argentina (AFA), onde recorda momentos os mágicos que protagonizou no Mundial de 1986, no México.

E nesse torneio o jogo dos quartos-de-final com a Inglaterra é, provavelmente, aquele que melhor define Maradona enquanto futebolista: polêmico e genial. Polêmico porque assim foi o primeiro gol obtido com a mão e que El Pibe descreve pormenorizadamente nesta entrevista.

“Eu estava à procura de espaço para passar porque os ingleses eram autênticas rochas, sobretudo os defesas. O Sansom cortou a bola e queria jogar para o goleiro, mas a bola começa a subir e percebo que nunca chegaria a ela… E dizia para mim, ‘baixa por favor’. É então que, ao saltar, tenho a ideia de meter a mão e a cabeça. Quando caí não percebi onde estava a bola, começo a olhar e vejo-a no fundo das redes e começo a gritar ‘gol, gol!’. E o parvo do Checho [o médio Sergio Batista] diz-me ‘foi com a mão’. Eu respondi-lhe: ‘Cala a boca e abraça-me’. É então que vêm todos abraçar-me, até que chegou o Valdano e disse-me: ‘não me digas que foi com a mão, tenho de…’ e disse-lhe: ‘Valdano, tem calma e joga  bola'”, conta Maradona

O agora treinador do Gimnasia y Esgrima revela ainda que quando estava treinando no Dubai encontrou-se com o árbitro desse jogo, o tunisino Ali Bin Nasser, e falaram daquele que é provavelmente o gol mais polêmico da história do futebol. “Ele disse-me algo muito sensato: ‘eu e os meus assistentes validamos o gol, mas estavam 80 mil pessoas no estádio que também não perceberam que  o gol tinha sido com a mão'”, revelou.

Quanto ao segundo gol que marcou contra a Inglaterra, Maradona admite que “foi uma obra que todos os jogadores sonham fazer”. “Aquele gol matou o primeiro”, garante o antigo capitão da Argentina, que de imediato começa a descrever toda a jogada em que passou por vários ingleses até marcar um dos gols mais bonitos da história dos Campeonatos do Mundo.

“Peguei na bola a meio campo, toquei-a com o pé esquerdo e Peter Reid vinha ao meu lado, mas quando percebo que diz ‘uhhh’ e não pode mais, digo para mim, ‘é agora’. Arranquei, fintei Butcher, que saiu para a esquerda, levantei a cabeça e vi Burruchaga e Valdano que fizeram sinal para não lhes passar a bola porque estavam marcados. Passei Fenwick, que ainda me agarrou a mão, mas eu era um trator, ninguém me podia parar, nem um comboio, enfrento Shilton e toco a bola com os três dedos para a baliza, precisamente no momento em que Butcher cai sobre o meu tornozelo. Em qualquer outra situação tinha-me lesionado, mas vi a bola entrar e quis lá saber do tornozelo. Corri a festejar!”, conta Maradona com a emoção de quem revive um momento que marcou a sua vida.

A final com a República Federal Alemã (RFA) foi o cumprir de um sonho. Depois de a Argentina ter estado a vencer por 2-0, deixou-se empatar, mas aos 83 minutos, Maradona, que tinha estado muito marcado ao longo da partida, fez um passe mágico para a Argentina vencer o jogo e ser coroada campeã do mundo pela segunda vez. “Vi o Burruchaga fugir e toquei-lhe a bola para ele marcar o terceiro”, lembra.

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