Exclusivo: Nise Yamaguchi defende uso da hidroxicloroquina no ...

Nise Yamaguchi na CNN:defesa da cloroquina no covid-19 …traponto a Mandetta

 Coronavírus: Mandetta se mantém no cargo, mas tensão com Bolsonaro ...
…em contraponto ao ministro Mandetta no Planalto.
ARTIGO DA SEMANA

Nise e Kalil na crise: contraponto a Mandetta

Vitor Hugo Soares

Eis que surgem sinais de luzes e de bom senso: a revelação de segredos da cura de duas sumidades da medicina no Brasil (Drs Davi Uip e Roberto Kalil, atacados pelo coronavírus) e o convite do presidente da República à cientista da USP, Nise Yamaguchi, para integrar o Gabinete de Crise instalado no Palácio do Planalto, para combate à pandemia Covid-19. Acima dos conflitos de egos inflados, dos interesses de ocasião da política e do poder, das perdas e ganhos eventuais de arautos insanos das seitas e das ideologias.

É como sintetizou o doutor Kalil, ao revelar que fez uso da cloroquina no tratamento duro e sofrido da doença ainda na fase inicial. E foi incisivo em seu conselho de ainda convalescente, elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro no quinto pronunciamento sobre a pandemia, em rede nacional de Rádio e TV: “Independentemente das ideologias, se há uma medicação que pode trazer benefícios, ela tem que ser utilizada e ponto”, disse a acatada sumidade nos tratamentos de alta complexidade do hospital Sírio Libanês.

Sopro de alívio também, ouvir a doutora Nise, na entrevista à CNN Brasil – centrada, científica e apartidária –  depois da tempestade de domingo, 5, que varreu Brasília e o País, com repercussões na segunda-feira de fortes abalos. O mandatário soltou o verbo diante de apoiadores, e ameaçou usar a caneta como cutelo em pescoços grados. Desestabilizou Mandetta, ao apontar a fogueira de vaidades políticas e pessoais, acesa em meio às tensas e difíceis “operações técnicas apoiadas na ciência” comandadas pelo ministro da Saúde.

No epicentro das chamas se descobre os dedos ágeis e ambiciosos do DEM – Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, ACM Neto e Ronaldo Caiado à frente – em aliança com o notório Centrão – de todas as barganhas – , movendo cordéis e movimentando o ministro que arrebatou, em poucos dias, corações e mentes de milhões de brasileiros, segundo o Datafolha. Na verdade, o modo de ser marcado no próprio DNA do partido: governar com quadros de reconhecida capacidade técnica, aptidão, apetite e competência na gestão,  mas sem votos. Prática que vem de longe, de raízes na extinta UDN – a Arena na ditadura). Votos mesmo quem teve foi Bolsonaro, que pode ser acusado de muita coisa, menos de não ter noção da força que representa o fato de ter sido eleito, democraticamente, com quse 50 milhões de votos, para governar uma nação de enraizado sentimento presidencialista.

Tanto que, já na terça-feira, no meio da manhã, aparece na telinha da CNN, o rosto nipônico e a palavra abalizada da oncologista e infectologista da USP, Nise Yamaguchi, na sua primeira entrevista, depois de almoçar com o presidente da República, e ser convidada para integrar o Gabinete de Crise de combate ao coronavírus. Lance político de tirar o boné!. E aí, no centro do debate no combate à pandemia, está a estudiosa de pensamento alinhado com o presidente, que defende o isolamento social, mas também a aplicação em massa da cloroquina em pacientes da pandemia – para desconforto do ministro Mandetta e calafrios maláricos em comandos políticos e ideológicos de peso que sobrevivem até em instituições científicas respeitáveis, aparelhadas em tempos recentes. Está, portanto, instalado o saudável contraponto no permanentemente cambiante universo da medicina e da saúde pública, “para o bem da ciência”, como assinalou a Dra Nise, em sua entrevista. O resto a conferir.

Vitor Hugo é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h.@uol.com.br

“Hallelujah”, Leonard Cohen:Monumental performance do autor e cantor da expressiva canção, em expressiva apresentação em espetáculo em Londres.  Imperdível!

BOM SÁBADO!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

abr
11

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the trees
Busto de Cora Coralina em frente ao museu em homenagem à poetisa (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Esta Sexta-Feira da Paixão, 10 de abril, marca a passagem dos 35 anos de morte de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida pelo pseudônimo de Cora Coralina.

A poeta e contista ganhou notoriedade nacional em 27 de dezembro de 1980, já com 90 anos de idade, após ser resenhada por Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) em sua coluna publicada em um sábado no JORNAL DO BRASIL. “Cora Coralina, para mim a pessoa mais importante de Goiás. Mais do que o governador, as excelências parlamentares, os homens ricos e influentes do estado. Entretanto, uma velhinha sem posses, rica apenas de sua poesia, de sua invenção e identificada com a vida como é, por exemplo, uma estrada.”

A partir de então, o noticiário destacava o fato de uma mulher, idosa, do interior do Brasil, e com pouca escolaridade – estudou até a quarta série do antigo primário – romper a cena literária e começar a publicar a partir dos 75 anos. Não foram, no entanto, as condições socialmente marcadas que fizeram Cora Coralina merecer a atenção de Drummond e, antes do poeta, um encontro com Jorge Amado.

“Cora Coralina tem versos fortes, densos e essenciais. Isso a fez universal. Mulher que dialogou com seu tempo estilístico, abrangendo vários tempos semânticos. Sua vinculação com a terra, o ar, a água, as coisas mais essenciais do humano, fez de sua poesia algo reconhecível para todos”, avaliza Cleomar Rocha, professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenador do MediaLab, dedicado à pesquisa, desenvolvimento e inovação em mídias interativas, que participou do processo de modernização do Museu Casa de Cora Coralina, que funciona na antiga casa da poeta na cidade de Goiás, ou Goiás Velho, a 130 quilômetro (km) de Goiânia.

Inteligência madura e simples

Rocha considera que a visão de mundo da poeta e contista “apontava para uma inteligência madura, simples e densa. E essa densidade e simplicidade que conduziram a poetisa a um contexto de relevância nacional, em franco diálogo com outros nomes importantes da literatura, como Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado”. Para ele, o maior legado deixado por Cora Coralina foi “ver e fazer ver a poesia das coisas simples”.

O despojamento da escritora também comove a jornalista Elza Pires. “Cora Coralina é para mim uma daquelas leituras recorrentes que vou e volto ao longo do tempo e dependendo dos momentos. Ela reaviva a memória, fala das coisas simples e tem um otimismo vivo que perpassa seus contos e poemas.”

Macaque in the trees
Casa de Cora Coralina às margens do Rio Vermelho (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A jornalista conheceu Cora Coralina. “Lembro dela sentada em uma cadeira com uma bengala ao lado. A porta de entrada da sua casa, com aquele corredor comprido bem na entrada, estava sempre aberta para quem quisesse. Foi assim que a vi pela primeira vez em uma das minhas férias escolares. Minha avó materna tinha uma casa perto da casa velha da ponte. Era curioso ver aquela senhora que falava mais em verso do que em prosa e nos divertia com seus longos textos, dela mesma e de outros poetas, todos decorados. Ela nos incentivava a memorizar poemas, lembrando trechos inteiros de Neruda a Goncalves Dias”.

A recordação de Elza Pires assinala que apesar de uma produção que retrata a vida em uma pequena cidade do interior, a criatividade e o estilo de Cora Coralina não foram forjados no confinamento das montanhas de Goiás.

A análise da obra atesta influência das vanguardas literárias, como aponta Goiandira de Fátima Camargo, da Faculdade de Letras da UFG. “Sua poesia e prosa só são possíveis com as conquistas do Modernismo brasileiro”. Em sua opinião, “a importância de sua poesia para a literatura nacional, assim como Manuel Bandeira, foi ter feito da vida, suas alegrias e reveses, matéria de poesia, sem torná-las pessoais. Pelo contrário, alcançou uma identificação com o leitor, que reconhece nos seus poemas uma vida simples, humilde e de luta.”

Segundo a professora, embora Cora Coralina “não tenha tido uma formação educacional completa e nem tenha frequentado o meio intelectual, ela era atenta à literatura, ao conhecimento livresco”. Livros lidos pela escritora estão guardados em seu museu. O que Cora Coralina não aprendeu com eles, “a vida lhe ensinou. E é isso que encanta os seus leitores: a experiência de vida ser tão plena na sua poesia mais do que a sofisticação dos versos mais eruditos”, sublinha Goiandira Camargo.

Voz feminina

 

De acordo com a acadêmica, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965), Meu livro de cordel (1976), Vintém de cobre. Meias confissões de Aninha (1983) e Estórias da Casa Velha da Ponte (1985) guardam o “melhor legado” de Cora Coralina para a literatura brasileira.

Macaque in the trees
Casa de Cora Coralina foi transformada em museu (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

“Nunca um escritor ou poeta nacional se aproveitou tanto da memória, dos acontecimentos pessoais para transformá-los em experiência poética que, a partir da leitura de cada leitor, se universaliza, se torna de todos nós”, considera Goiandira Camargo. “Seus poemas transitam entre a poesia e a prosa, sua prosa mais memorialística do que ficcional, é uma sensível crônica dos costumes, das histórias do povo brasileiro de Goiás”, classifica.

Para ela, Cora Coralina é “uma da vozes femininas mais expressivas e fortes da literatura” e manteve sua visão de mundo “voltada para os menos favorecidos. As figuras de sua poesia e narrativa são pessoas simples, do povo, a mulher da vida, o menor abandonado, a cozinheira…”

Macaque in the trees
Da janela da Casa de Cora Coralina, visitantes veem o Rio Vermelho que corta a cidade de Goiás (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A mesma inclinação da escritora observa Elza Pires ao ler Confissões de Aninha, onde em um conto curto conta a estória de uma menina, Jesuína, que é castigada por ter quebrado uma louça bonita da madrinha. Por isso obrigada a trazer no pescoço o colar com os cacos da tigela. “Cora relata que esse era um castigo comum imposto às crianças”.

A jornalista sente falta de “estudos mais aprofundados” sobre a obra de Cora Coralina, especialmente os contos. A professora Goiandira Camargo avalia que passados 35 anos da morte da escritora, “a crítica canônica do eixo Rio-São Paulo ainda não se interessou por ela. Houve uma certa dificuldade pelo fato de ser mulher no meio intelectual predominantemente masculino”.

A indiferença não era estranha à Cora Coralina que um dia traçou em Meu livro de cordel: Nasci para escrever, mas o meio,/ o tempo, as criaturas e fatores/ outros, contramarcaram minha vida.(Agência Brasil)

“Existiria o bolsonarismo boçal sem o lulopetismo boçal?”

 

A quarentena está fazendo muito bem a Ciro Gomes — ele continua o mesmo.

Em entrevista ao UOL, Ciro atacou Luiz Henrique Mandetta — “um carrapato” agarrado ao cargo — e afirmou que Bolsonaro tinha seis funcionários fantasmas, quando era deputado federal, que assinavam notas de gasolina para ele enfiar dinheiro no bolo…

Ele também disse o seguinte:

“Grande margem da nossa população aceita essas maluquices do Bolsonaro porque enjoada, indignada, cansada da corrupção generalizada do PT e com a pior crise econômica da história do Brasil produzida também pelo PT. Foi por ódio.”

E ainda:

“Existiria o bolsonarismo boçal e corrupto se não fosse o lulopetismo boçal e corrupto que produziu a maior crise econômica da história do Brasil?”

Ciro continua o mesmo, mas a esquerda é uma amante sem lar.

abr
11

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the trees
Reprodução da transmissão de vídeo ao vivo do presidente Bolsonaro na internet (Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (9) que espera a normalização da atividades do país em menos de “três ou quatro” meses, para não haver, segundo ele, uma complicação no cenário econômico. Ao citar os gastos de cerca de R$ 600 bilhões para programas de combate à pandemia do novo coronavírus e manutenção de empregos e renda das empresas, o presidente comparou a situação às margens de um rio após a destruição de uma ponte.

“Estamos com esses R$ 600 bilhões mantendo a comunicação com as duas margens do rio, só que temos um limite, acredito que três meses ou quatro meses fica complicado, então a gente espera que as atividades voltem antes disso”, afirmou durante sua live semanal transmitida pelo Facebook.

Bolsonaro voltou a defender o fim do isolamento social amplo para pessoas fora dos grupos de risco da covid-19, como idosos e pessoas com doenças crônicas. “Por mim, quem tem menos de 40 anos já estaria trabalhando, porque nós deveríamos, no meu entender, partir para o isolamento vertical”, disse.

O presidente lembrou decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assegurou a autonomia de governos estaduais e prefeituras para determinar medidas de fechamento de comércio e isolamento social, e disse que quem se sente prejudicado por essas decisões deve cobrar os governadores e prefeitos. Ainda de acordo com presidente, no entanto, alguns estados e cidades já estão retomando as atividades, como ele defende.

“Eu tenho certeza que brevemente isso tudo estará resolvido. Tenho notícias que alguns governadores, alguns prefeitos também, [em] cidades que não tem ninguém detectado com o vírus, está sendo liberado [o comércio] pelo respectivo governador”, afirmou.

O número de mortes decorrentes do novo coronavírus totalizou 941, segundo atualização divulgada pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira. Ao todo, o Brasil registrou 141 mortes e 1.930 novos casos confirmados nas últimas 24 horas. (Agência Brasil)

abr
11
Posted on 11-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-04-2020


 

Duke, NO JORNAL

 

DO EL PAÍS

País registra um total de 19.638 contágios e 1.056 mortes pela doença, segundo dados desta sexta-feira. Monitoramento de celulares mostra que em São Paulo só 47% cumpriram quarentena na véspera do feriado

Pessoas com máscaras protetoras andam durante o surto de doença de coronavírus, perto do Porto de Manaus.
Pessoas com máscaras protetoras andam durante o surto de doença de coronavírus, perto do Porto de Manaus.BRUNO KELLY / Reuters

O Brasil superou a marca das 1.000 mortes pelo novo coronavírus nesta sexta-feira (10), mesmo dia em que o mundo ultrapassou os 100.000 óbitos causados pela doença. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o país já registra um total de 19.638 contágios e 1.056 mortes pela Covid-19. Mas, apesar da alta constante dos números, a adesão ao isolamento social, medida apontada por especialistas como a mais eficaz para evitar a disseminação do vírus, tem diminuído em São Paulo, Estado que concentra mais casos no país, com 540 óbitos. É o que aponta uma ferramenta do Governo do Estado, que monitora a movimentação da população com base em informações das operadoras de telefonia. Nesta sexta-feira de Páscoa, dia em que o presidente Jair Bolsonaro também cumprimentou apoiadores em frente a uma farmácia de Brasília, o Governo paulista anunciou que o índice de isolamento social caiu 12,9% na quinta. No feriado, as ruas da capital também estavam mais cheias que o habitual dos últimos dias.

Segundo os dados do Governo de São Paulo, o índice de isolamento na última quinta-feira, véspera de feriado, foi de 47%. O levantamento referente a sexta-feira do Sistema de Monitoramento Inteligente só devem ser divulgados no sábado. Especialistas que ancoram as decisões da gestão estadual afirmam que é preciso que a medida tenha a adesão de 70% para trazer resultados mais efetivos e achatar a curva epidemiológica. “Se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população”, diz o Governo, por meio de nota. O dado desta quinta-feira é menor que o registrado na quinta anterior (3 de abril), quando 54% da população estavam em distanciamento social.

A gestão de João Doria já afirma que com base nos registros poderá endurecer as medidas de distanciamento social e, inclusive, começar a prender pessoas que descumpram a quarentena a partir de segunda-feira (13). O Estado decretou o fechamento dos comércios a partir do dia 24 de março para tentar restringir a circulação de pessoas. Mas, nesta sexta-feira de feriado, diversas pessoas se aglomeraram na avenida Paulista, seja para protestar contra as medidas, seja para praticar exercícios físicos na ciclovia. O Governo tem feito uma campanha com disparo de mensagens pelo celular para alertar que as pessoas fiquem em casa e evitem aglomeração.

No momento, São Paulo, Distrito Federal e outros quatro Estados —Amazonas, Amapá, Ceará, Rio de Janeiro— estão na iminência de entrar em uma fase mais aguda da doença, quando há aceleração descontrolada do contágio. Estes locais têm uma incidência de casos confirmados 50% maior que a média nacional, quando considerada a taxa proporcional ao tamanho de suas populações. No último boletim epidemiológico da pasta, os Estados de Roraima e Santa Catarina foram colocados em posição de alerta, porque a taxa de incidência da Covid-19 já supera a nacional, ainda que não alcance esses 50% a mais que ela.

Nos últimos dias, o Ministério da Saúde também começou a divulgar o coeficiente de mortalidade da doença por Estado. No documento divulgado nesta sexta-feira pela pasta, apresentam os maiores índices, respectivamente: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará. Todos eles apresentam a taxa de mortes de Covid-19 por 100.000 habitantes superior ao índice do país. Os números servem de alerta, inclusive para medir a necessidade de resposta do sistema de saúde em cada região, já que o Brasil, por seu tamanho, possui um sistema de saúde assimétrico.

Sistemas de saúde em alerta

Ainda que o Brasil não tenha entrado na fase de contágio desenfreado da doença, o elevado número de casos graves da Covid-19 já pressiona os sistemas de saúde. Na ponta, Estados e municípios correm contra o tempo para tentar ampliar suas estruturas de atendimento ?em especial as UTIs, onde são tratados os casos mais graves. O isolamento social tem sido adotado para que os gestores tenham tempo de reorganizar suas redes e ampliar o número de leitos e equipamentos num contexto de escassez global de insumos. E já há Estados atuando num limite crítico. O Amazonas declarou que cerca de 95% de seus leitos já estão em uso. O Ceará, por sua vez, diz que atua com 85% dos leitos de cuidados intensivos ocupados. As capitais desses dois Estados, Fortaleza e Manaus, receberão auxílio do Governo Federal para conseguir ampliar minimamente suas redes.

Um plano de distribuição de 60 respiradores foi iniciado nesta sexta-feira pelo Ministério da Saúde. Um total de 30 deles já foi enviado para Fortaleza. A previsão da pasta é que 20 equipamentos cheguem neste sábado (11) em Manaus. Os dez restantes devem ser enviados também neste sábado a Macapá, cuja velocidade de disseminação chamou a atenção, segundo o secretário executivo do ministério, João Gabbardo. Especialmente as capitais brasileiras estão em uma corrida contra o tempo para ampliar a estrutura e conseguir dar atenção médica aos casos mais graves da doença. A estrutura necessária não é simples. Além de camas e respiradores, é preciso garantir equipamentos de ventilação mecânica e mão de obra qualificada para manejar clinicamente esses pacientes, carências admitidas nos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde em meio à disputa global por insumos.

“A distribuição [dos 60 respiradores] levou em conta aquilo que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chama de espiral da epidemia, isto é, onde a transmissão está se dando em velocidade maior e, portanto, há mais doentes indo aos hospitais ao mesmo tempo e ocupando toda a capacidade de assistência do sistema de saúde”, informa a pasta.

  • Arquivos