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Postado em 09-04-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-04-2020 00:06

O senador Bernie Sanders desistiu da corrida à nomeação democrata para as eleições presidenciais e juntou-se a Joe Biden para derrotar “o presidente mais perigoso dos Estados Unidos”. O vice-presidente de Barack Obama piscou o olho ao eleitorado do agora ex-adversário: “Vejo-vos, ouço-vos, e compreendo a urgência do que temos de fazer neste país. Espero que se juntem a nós. São mais do que bem-vindos. São necessários.”

“A realidade é que estamos a 300 delegados de Joe Biden e o caminho para a nomeação é praticamente impossível. Hoje anuncio a suspensão da campanha.” No discurso que foi transmitido através do seu site , Sanders explicou que a “decisão dolorosa” foi tomada após ouvir a mulher, Jane, e os seus assessores,.

“Se achasse que havia um caminho continuaria. Compreendo a desilusão de quem ache que seria possível. Mas vejo a terrível crise que assola o país e um presidente que é incapaz” de enfrentar a crise, referiu.

Sanders voltou a dizer que a sua campanha ganhou a luta ideológica e captou o eleitorado mais jovem. Com os delegados eleitos, explicou, irá à convenção democrata apoiar Joe Biden, “um homem muito decente”, mas também “exercer influência”.

“Depois, juntos vamos derrotar Trump, o mais perigoso presidente dos EUA.”

Por fim, Sanders lembrou que a sua campanha é mais do que isso. “Somos um movimento que acredita que a mudança vem de baixo para cima. A luta continua. A campanha acaba mas o movimento não. A luta por justiça foi a nossa campanha. A luta por justiça vai continuar a ser o nosso movimento”, e augurou que o país vai mudar graças ao seu movimento.

“Juntos transformámos a consciência americana quanto ao modelo de nação em que nos podemos tornar e demos um grande passo em frente neste país na luta sem fim pela justiça económica”, disse Sanders.

Uma grande apoiante de Sanders, a representante Alexandria Ocasio-Cortez, não poupou nos elogios. “Obrigado por travar duras e solitárias lutas em verdadeira devoção a um movimento popular nos Estados Unidos. Obrigado pela sua liderança, pela sua orientação e pelo seu exemplo. Nós adoramos-te”, escreveu no Twitter. Mas os elogios mais significativos vieram do adversário de Sanders.

O grande elogio de Biden

A campanha de Joe Biden respondeu de forma cirúrgica, ao tentar agradar ao eleitorado de Sanders. Uma tarefa que não será fácil: o movimento é fortemente ideológico e os eleitores de Sanders poderão repartir-se nas presidenciais entre a abstenção e o voto em Biden, e até em Trump e noutros possíveis candidatos, como o dos Verdes.

O que explica a forma e o conteúdo do texto de Biden, um rasgado elogio a Sanders, ao seu programa e à sua base de apoiantes. “Bernie realizou algo raro na política. Não se limitou a dirigir uma campanha política; criou um movimento. E não se enganem, penso que é um movimento tão poderoso hoje como foi ontem. É uma coisa boa para a nossa nação e para o nosso futuro.
O senador Sanders e os seus apoiantes mudaram o diálogo na América”, escreveu Biden.

E prosseguiu: “Questões que tinham merecido pouca atenção – ou pouca esperança de alguma vez passarem – estão agora no centro do debate político. Desigualdade de rendimentos, cuidados de saúde universais, alterações climáticas, universidade gratuita, alívio do endividamento esmagador dos estudantes. Estas são apenas algumas das questões a que Bernie e os seus apoiantes deram vida. E embora Bernie e eu possamos não estar de acordo quanto à forma de lá chegarmos, estamos de acordo quanto ao objetivo final para estas questões e muitas outras.”

A agenda de Sanders

Em 2016, após a desistência de Sanders, este não apoiou de imediato Hillary Clinton, uma candidata mais à direita e cuja imagem estava ligada aos interesses das grandes empresas. Após semanas de negociações, o senador de Vermont colocou-se ao lado da ex-secretária de Estado, em troca de concessões no programa da candidata democrata.

Hillary Clinton comprometeu-se a que os estudantes universitários de famílias com rendimentos anuais abaixo de 125 mil dólares não pagassem propinas; ao alargamento da cobertura dos cuidados de saúde; de introduzir o salário mínimo de 15 dólares por hora; taxar as emissões de carbono; e abolir a pena de morte, entre outras medidas.

Tendo em conta o debate gerado nos últimos meses e a forma como a administração Trump reagiu à pandemia, o tema da saúde irá estar no centro da agenda.

“Ainda antes desta horrível pandemia uma forte maioria de democratas apoiavam um serviço de saúde universal. Embora os americanos tenham sido repetidamente informados do quão maravilhoso é o nosso sistema de seguros privados baseado no empregador, esses créditos soam hoje muito vazios. O povo americano compreende que não podemos continuar um sistema de cuidados de saúde cruel e disfuncional”, afirmou Sanders no seu discurso de quarta-feira.

“Bernie Sanders transformou o debate nacional sobre os cuidados de saúde, fazendo com que ideias que não são modestas pelos padrões históricos pareçam ser a alternativa moderada”, disse à ABC News Larry Levitt, vice-presidente para as políticas de saúde da Kaiser Family Foundation, que agora acredita no estabelecimento de um “programa opcional de seguro de saúde público”.

Derrotas e pandemia

Com os escrutínios de 10 e 17 de março a darem a vitória em oito de 10 territórios e o fosso dos delegados eleitos a alargar-se em mais 139 só na Florida, Ilinóis e Arizona, e com a campanha nas ruas cancelada desde dia 10 de março devido à pandemia do covid-19, Bernie Sanders tomou a decisão de desistir da campanha em favor de Joe Biden.

O senador de Vermont, que não fez declarações após os desaires eleitorais de 17 de março, manteve conversas com o pessoal da sua campanha, e ficou no ar logo a hipótese da desistência.

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