“Toi Contre Moi”, Charles Aznavour: Formidável performance, ao vivo, de um extraordinário cantor e letrista. As palavras justas e de grande elegância, e o jeito único de cantar de um senhor nome da música na França . Viva.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

belle melodie et texte magnifique , les mots justes . Un grand monsieur

DO EL PAÍS

Recuperada do coronavírus, cantora alerta para fragilidade emocional durante a pandemia e diz que sofreu preconceito após estar curada. Número dos que superaram a doença no Brasil não é divulgado

Cantora se recuperou após ser infectada por Covid-19 em casamento na Bahia.
Cantora se recuperou após ser infectada por Covid-19 em casamento na Bahia.Divulgação (CUSTOM_CREDIT)

Pelo menos sete pessoas foram infectadas por coronavírus no casamento de Marcela Minelli em Itacaré, no início de março. Além da influenciadora Gabriela Pugliesi, irmã da noiva, e da atriz Fernanda Paes Leme, a cantora Preta Gil, contratada como estrela musical da festa, estava entre as personalidades que acabaram testando positivo para a Covid-19 após a celebração. Assim que soube que poderia ter sido contaminada, ela cancelou compromissos e se isolou em um quarto de hotel em São Paulo até a confirmação do exame. “Comecei a manifestar alguns sintomas e fiquei apreensiva, mas, felizmente, a doença não foi tão agressiva comigo”, conta, frisando que a parte mais difícil da recuperação foi lidar com a ausência de pessoas queridas. “O isolamento social não nos impede de demonstrar afeto.”

Preta Gil contou com a ajuda do marido Rodrigo Godoy, que mantinha cerca de dois metros de distância da cantora. Ele chegou a apresentar tosse, mas, sem ter desenvolvido outros sintomas, não fez o teste de coronavírus. Preta, por sua vez, sentiu dores no corpo, ouvido e de cabeça, além da perda de apetite, olfato e paladar. Embora não tenha tido febre, conviveu com o medo do agravamento da doença diante das recaídas ao longo do dia. “Às vezes, as dores eram muito fortes e incômodas. Se não tiver calma e confiança de que vai passar, você se desespera. O isolamento, por si só, já leva a um estado de abatimento. Tem que trabalhar bastante a mente para não entrar em pânico.”

Durante o período de recuperação, que durou duas semanas, Preta ficou afastada do filho Francisco Gil e da neta Sol, de quatro anos. Tentava conversar com eles todos os dias por videoconferência e relaxava ao cantarem juntos. “Quando a gente está acamado, se sentindo mal, a gente não tem forças pra fazer nada”, diz. “As pessoas que estiverem com sintomas leves e isoladas em casa vão se ver na situação de se autocuidar. Por isso é muito importante prestar solidariedade. Fazer com que a pessoa infectada se sinta amada. O isolamento é social, não afetivo. Eu tive todo tipo de amparo, do atendimento médico às relações de afeto. Mas muitos não terão esse privilégio, e vão precisar contar com o apoio de uma rede solidária para não ficar ainda pior.”

No último dia 26, a cantora deixou o hotel onde estava confinada com o marido após receber alta médica e voltou para a casa da família no Rio de Janeiro. Ela conta que vizinhos de condomínio reagiram mal a seu retorno, por pensarem que ainda pudesse transmitir o vírus. “Eu estou curada. Tomei todos os cuidados para não colocar ninguém em risco. Não pode ter esse preconceito depois que superamos a doença.” Ao perceber que muita gente ainda trata a pandemia como um exagero, ela decidiu compartilhar a rotina de recuperação em suas redes e repassar informações que ouvia dos médicos que a atenderam aos fãs. “A grande parcela do problema do coronavírus é a desinformação. Busco dividir com o máximo de gente possível o que eu passei com intuito de informar. Tem muita fake news.” A própria Preta foi vítima de uma notícia falsa, que circulou pelo Facebook, insinuando que ela teria cantado, já infectada, em um bloco de Carnaval antes do casamento em Itacaré. “Eu nunca estive tão cansada na minha vida, de tanto que falo no telefone. Vejo que as pessoas têm muitas dúvidas sobre a doença, mesmo com a cobertura o dia inteiro na televisão.”

Para Preta Gil, que agora segue em quarentena domiciliar, assim como seus familiares, o caminho de superação da pandemia depende do cumprimento das medidas restritivas decretadas pelos Governos. “Isolamento social não é mais uma opção, é uma necessidade, o melhor que podemos fazer nesse momento. Não estamos de férias, mas sim numa força-tarefa contra um vírus extremamente preocupante.” Ela incentiva a adoção de práticas solidárias não apenas para acolher pessoas infectadas, mas também os mais afetados pelos impactos econômicos da crise, como fazer vaquinhas de apoio a pequenos comércios, se voluntariar para fazer compras ou comida para idosos do grupo de risco ou encontrar tempo para conversar —por telefone e aplicativos— com amigos e vizinhos em isolamento.

“O medo nos paralisa e nos faz ficar egoístas. Precisamos incentivar a cultura da doação. É hora de exercitar nosso sentimento humanitário”, afirma a cantora, que pretende, após o fim das restrições de circulação, dar um mergulho na praia que, mesmo estando em frente à sua casa, ela nunca frequentou. “Estou mais contemplativa e introspectiva, tentando entender de que forma essa pandemia vai mexer com a gente e usar esse tempo da quarentena para refletir sobre as mudanças que a humanidade vai viver depois da crise. Sem desprezar a gravidade da situação mundial, eu encarei meu processo de cura como uma oportunidade de recomeço que a vida me deu.”

Brasil ainda não divulga dados de curados

Com 299 mortes e 7.910 registros confirmados de coronavírus, o país não tem um levantamento oficial sobre casos semelhantes ao de Preta Gil envolvendo pessoas que se recuperaram da doença. O Ministério da Saúde havia prometido divulgar os dados de pacientes curados a partir do dia 26 de março. No entanto, de acordo com a assessoria da pasta, os números ainda estão em fase de apuração junto aos Estados e precisam ser consolidados pelo órgão federal antes da divulgação.

Governos estaduais e municipais têm adotado seus próprios critérios para divulgar ou não as estatísticas de recuperados. Porto Alegre, por exemplo, é uma das cidades que informa o dado em seus boletins diários. Até o dia 1 de abril, entre os 208 infectados confirmados na capital gaúcha, 27 haviam sido considerados curados. “É importante frear o aumento dos casos para que haja tempo adequado de recuperação sem sobrecarregar o sistema de saúde”, afirma o secretário de saúde Pablo Stürmer. Por outro lado, o Rio Grande do Sul não tem a consolidação de curados em todo o Estado, embora divulgue o status de alguns pacientes como o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, que recebeu liberação médica na última segunda-feira.

A situação se repete no Paraná, em que apenas a capital Curitiba apresenta os dados de cura: 42 recuperados entre os 90 registros na cidade. Outros Estados, como Bahia, Espírito Santo e Maranhão, divulgam o número diariamente. É considerado curado, em casos leves da doença, o paciente que não manifesta sintomas após 14 dias do início do quadro. Por enquanto, são raros os casos em que a pessoa infectada se submete ao teste depois do período em quarentena para detectar se o vírus, de fato, não está mais presente no organismo, a exemplo do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete Institucional da Presidência, que na última terça-feira divulgou pelas redes sociais que testou negativo e estava curado da Covid-19.

Adere a

DO BLOG O ANTAGONISTA

 

O PSDB pediu à Justiça Federal que proíba Carlos Bolsonaro de ocupar qualquer gabinete no Palácio do Planalto e de determinar, ainda que informalmente, qualquer política do governo.

O partido aponta as suspeitas de que, mesmo sem cargo no Executivo, o vereador do Rio tem orientado a comunicação digital do governo, bem como pronunciamentos e declarações Jair Bolsonaro contra o isolamento social na epidemia do novo coronavírus.

“Ao desempenhar ilegalmente atribuições na Presidência da República, cometeu, em tese, crime de usurpação de função pública”, diz a ação. Em caso de decisão favorável, o partido pede que a sentença seja remetida à Câmara dos Vereadores do Rio para que ele tenha o mandato cassado.

Ainda ontem, Rui Falcão, ex-presidente do PT, fez pedido semelhante.

abr
05

Do  Jornal do Brasil

O setor têxtil também está sentindo os efeitos da crise do novo coronavírus. E para enfrentar o momento, há indústrias que decidiram alterar a linha de produção e fabricar itens necessários para o setor saúde e que se encontram em falta diante da crise mundial, entre os quais máscaras e aventais.

A consultora do Instituto Senai de Tecnologia Têxtil e de Confecção, do Senai Cetiqt, Michelle de Souza, acredita que a indústria têxtil pode se reinventar neste período, investindo em automação e tecnologias 4.0 para a confecção de produtos que reduzirão a parada do parque produtivo, além de reduzir os riscos de contaminações.

Para enfrentar este momento, o Senai Cetiqt fez uma pesquisa, entre os dias 24 e 30 de março passado, com 62 representantes da cadeia produtiva do setor de moda, têxtil e de confecção. A maior participação foi do setor de confecção do vestuário. Por regiões brasileiras, destaque para o Sudeste, Sul e Nordeste.

Michelle disse que a ideia da pesquisa foi saber como o mercado nacional estava lidando com a pandemia de coronavírus e que ações as empresas estão adotando. A sondagem mostra que mais de 70% das empresas consultadas pararam a produção; 41% acreditam que devem voltar a abrir as portas em 15 dias. Do total, 66% não trabalham com o mercado externo.

De acordo com a sondagem, a maioria das empresas (51,6%) sofreu os efeitos da pandemia no fechamento da produção. Para outras (24,2%), o maior impacto foi observado no fornecimento de produtos a clientes, enquanto 6,5% foram afetadas no abastecimento de materiais e insumos. Do total de entrevistados, 49,2% tiveram seus pedidos reduzidos; para 47,5%, as datas de entrega foram postergadas.

“Muitas empresas deram férias coletivas e algumas entraram no sistema de ‘home office’ (trabalho em casa) para os que exercem funções administrativas. Poucas adotaram o sistema de rodízio. Estão trabalhando com a capacidade reduzida e com menos pessoas na produção, para evitar contaminação”, disse à Agência Brasil, Michelle de Souza. Segundo ela, somente duas empresas adotaram medidas internas de prevenção contra o novo coronavírus e mantiveram a produção em funcionamento.

Surpresa

Cerca de 70% das empresas disseram que não estavam preparadas financeiramente para situações como a pandemia de coronavírus, e pensam em adiar ou negociar o pagamento a fornecedores, além de solicitar empréstimos, caso o cenário não voltem ao normal no prazo de um mês.

De acordo com a consultora do Instituto Senai de Tecnologia Têxtil e de Confecção, 20% das empresas do setor não souberam informar como será seu modelo produtivo depois da pandemia. As restantes apostam na valorização dos produtos nacionais e na compra em mercados locais, além da automação da produção e implementação de tecnologias 4.0 para conseguir trabalhar remotamente. “A ideia é ter tecnologia suficiente no parque produtivo, para que a direção não precise estar lá ‘full time’ (o tempo todo)”. O setor como um todo aponta que haverá mudança no comportamento do consumo, com aumento das compras ‘online’ (pela internet), e também na parte produtiva, com alterações no regime de trabalho e negócio.

O Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai Cetiqt) é integrado pela Faculdade Senai Cetiqt, Instituto Senai de Inovação e Instituto Senai de Tecnologia. Criado em 1949, ele constitui hoje um dos maiores centros de geração de conhecimento da cadeia produtiva têxtil, de confecção e da indústria química, mercado que no Brasil possui mais de 25 mil empresas e emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas. (Agência Brasil)

Por G1

O presidente Jair Bolsonaro sancionou no dia 1º de abril um auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais por três meses em razão da pandemia do coronavírus. A mulher que for mãe e chefe de família poderá receber R$ 1,2 mil por mês. Na quinta (2), a lei que institui o auxílio foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Terão direito ao benefício, que será pago por até três meses, trabalhadores informais, desempregados, MEIs e contribuintes individuais do INSS, maiores de idade e que cumpram requisitos de renda média (veja abaixo).

 
 
Aplicativo vai cadastrar trabalhadores informais com direito à ajuda de R$ 600 por mês

Aplicativo vai cadastrar trabalhadores informais com direito à ajuda de R$ 600 por mês

Quando começa o pagamento?

Segundo o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, os pagamentos devem começar no dia 16 para os beneficiários do Bolsa Família. Os demais grupos devem receber mais tarde, na seguinte ordem:

  1. trabalhadores informais que recebem o Bolsa-Família
  2. informais que estão no Cadastro Único (banco de dados onde o governo federal tem registrados os nomes das pessoas de baixa renda habilitadas a receberem benefícios sociais)
  3. microempreendedores individuais (MEIs) e contribuintes individuais do INSS
  4. informais que não estão em cadastro nenhum

A Caixa Econômica Federal deve divulgar um calendário de pagamentos na semana do dia 6 de abril.

Quem tem direito?

O benefício será pago a trabalhadores informais, desempregados e MEIs.

 

Será preciso se enquadrar em uma das condições abaixo:

  • ser titular de pessoa jurídica (Micro Empreendedor Individual, ou MEI);
  • estar inscrito Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal até o último dia dia 20 de março;
  • cumprir o requisito de renda média (renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, e de até 3 salários mínimos por família) até 20 de março de 2020;
  • ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social.

Além disso, todos os beneficiários deverão:

  • ter mais de 18 anos de idade;
  • ter renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 522,50);
  • ter renda mensal até 3 salários mínimos (R$ 3.135) por família;
  • não ter recebido rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2018.

A mulher que for mãe e chefe de família, e estiver dentro dos demais critérios, poderá receber R$ 1,2 mil (duas cotas) por mês.

Na renda familiar, serão considerados todos os rendimentos obtidos por todos os membros que moram na mesma residência, exceto o dinheiro do Bolsa Família.

Se, durante este período de três meses, o beneficiário do auxílio emergencial for contratado no regime CLT ou se a renda familiar ultrapassar o limite durante o período de pagamento, ele não deixará de receber o auxílio.

O texto aprovado no Congresso previa cancelamento do benefício caso a pessoa deixasse de cumprir os critérios listados acima. Porém, o Palácio do Planalto vetou esse ponto. Segundo o governo, isso iria “contrariar o interesse público” e gerar um esforço desnecessário de conferência, mês a mês, de todos os benefícios que estarão sendo pagos.

Quem não tem direito?

O auxílio não será dado a quem recebe benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família.

No caso do Bolsa Família, o beneficiário poderá optar por substituir temporariamente o programa pelo auxílio emergencial, se o último for mais vantajoso.

 

É preciso estar inscrito no CadÚnico?

O trabalhador de baixa renda não precisará estar inscrito no CadÚnico para receber o benefício – será necessário apenas cumprir com o limite de renda média.

O CadÚnico vai auxiliar na verificação dessa renda para quem está inscrito – para que não está, a verificação será feita por meio de autodeclaração em plataforma digital.

Como pedir o benefício? Já é possível se inscrever?

Para os beneficiários do Bolsa Família (que já estão inscritos no Cadastro Único), o benefício será pago de forma automática.

Os trabalhadores que não recebem o Bolsa Família, mas estão no CadÚnico, assim como os MEIs e contribuintes individuais do INSS, também não precisarão se inscrever. O governo irá identificar quem, dentre esses, tem direito ao benefício e vai operacionalizar o pagamento por meio da Caixa Econômica Federal.

Já os informais que não estão em nenhum desses cadastros deverão se registrar por meio de um aplicativo que será liberado pelo Ministério da Cidadania a partir de terça-feira (7). Será disponibilizado também um telefone para o cadastro. Segundo o ministro Onyx Lorenzoni, será possível também fazer o registro em agências.

Trabalhadores que já estão nos cadastros do governo mas que não sabem disso e venham a tentar fazer o credenciamento por qualquer dos meios anunciados, vão ser informados de que não precisam do registro.

De que forma será feito o pagamento?

Segundo o ministro Onyx Lonrenzoni, o dinheiro será creditado em conta bancária, ou o beneficiário receberá uma autorização para fazer o saque nas lotéricas.

Limites

O projeto estabelece ainda que só duas pessoas da mesma família poderão acumular o auxílio emergencial.

Será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem benefícios: o auxílio emergencial e o Bolsa Família. Se o auxílio for maior que a bolsa, a pessoa poderá fazer a opção pelo auxílio.

Quanto tempo deverá durar o auxílio?

No anúncio da semana passada, o governo estimou que o benefício deverá durar 3 meses ou até o fim da emergência do coronavírus no país. O relator do projeto aprovado na Câmara, Marcelo Aro (PP-MG), disse que a validade do auxílio poderá ser prorrogada de acordo com a necessidade.

Impacto na economia

A previsão do governo federal é que o auxílio deverá injetar R$ 5 bilhões por mês na economia, ou seja, cerca de R$ 15 bilhões em todo o período estimado.

O dinheiro sairá dos cofres da União, que ganhou fôlego após a aprovação do estado de calamidade pública, que permite ao governo descumprir a meta fiscal de 2020, que seria de déficit de R$ 124 bilhões, e agora poderá se endividar mais.

abr
05
Posted on 05-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-04-2020


 

 AUTO_fraga , no portal

 

abr
05
Posted on 05-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-04-2020

DO EL PAÍS

Artistas fazem shows e performances em transmissões nas redes sociais, museus criam exposições virtuais e editoras e plataformas liberam livros e filmes gratuitos online, tudo para aliviar o isolamento

Cena do filme 'A tortura do medo', disponível no streaming Belas Artes a La Carte.
Cena do filme ‘A tortura do medo’, disponível no streaming Belas Artes a La Carte.
 Joana Oliveira

O período de isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus confinou um terço da humanidade em suas casas em uma tentativa de frear a curva de contágio em todo o mundo. Na impossibilidade de sextar com boteco e balada ou cineminha e pipoca, a internet tornou-se uma grande aliada de artistas que têm usado as redes sociais para fazer pocket shows e de empresas e instituições do setor cultural, que disponibilizam filmes, livros e exposições virtuais.

A Manifesta Arte em Rede, por exemplo, é uma ação que reúne mais de trinta coletivos de artistas e projetos culturais de São Paulo que fará apresentações online, até 15 de abril, de música, performances, debates literários, entre outras atividades. No esquema “pague quanto puder”, a rede vai doar 80% do valor arrecadado para ajudar quem estará mais vulnerável durante a pandemia.

O EL PAÍS selecionou alguns dos melhores programas para um kit de sobrevivência cultural na quarentena.

Música

Além das lives que cantores e bandas brasileiras estão fazendo em seus perfis nas redes —há promessas de transmissões de Pabllo Vittar e Caetano Veloso nos próximos dias, quem sabe—, o Festival Fico em Casa conta com uma programação diária de apresentações. Já participaram artistas e bandas independentes e consagrados, como Tiê, Margareth Menezes, Otto, Mc Carol, Di Ferrero e Mombojó, entre outros. Neste sábado (04/04), o cantor e compositor Rodrigo Amarante, que fez parte das bandas Los Hermanos e Little Joy, se apresenta ao vivo, às 21h30 pelo horário de Brasília.

O prestigioso Montreux Jazz Festival, do Canadá, disponibilizou gratuitamente 56 shows de artistas que passaram pelo festival. Tem preciosidades —muitas delas, raras— como Nina Simone, Johnny Cash, James Brown, Ray Charles, Patti Smith, The Racounters, entre outros. O acesso é gratuito por 30 dias, basta se cadastras e usar o código “FREEMJF1M”.

O Sofar Sounds, plataforma criada para montar shows secretos, lançou o Listening Room para transmitir shows ao vivo de diferentes cidades do mundo em dias e horários variados. Os mais ecléticos e fãs de novidades vão gostar de conferir.

E, durante a quarentena, tem até músico gravando disco em tempo recorde. É o que fez o rapper baiano Baco Exu do Blues, que, em três dias, compôs e gravou as oito faixas que compõem o álbum Não tem bacanal na quarentena. O trabalho faz referência à pandemia de coronavírus e críticas a Jair Bolsonaro. No final da música Tudo vai dar certo, por exemplo, escuta-se os panelaços que têm ocorrido nas últimas semanas contra o presidente.

Literatura

Para os amantes dos livros, várias editoras disponibilizaram o download gratuito de algumas obras de seus catálogos. Como parte da campanha #LeiaEmCasa, a Companhia das Letras liberou dez e-books, entre clássicos da literatura brasileira, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, literatura contemporânea e títulos infantis, como Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Os arquivos ficam disponíveis para download até segunda-feira, 6 de abril. A editora também criou em suas redes sociais o projeto Diários do isolamento, em que autores convidados escrevem sobre suas experiências da quarentena e tecem análises sobre as repercussões da pandemia.

A cada dois dias, a LeYa libera um livro diferente para download gratuito, e é preciso estar atento ao site ou às redes sociais da editora. A Haper Collins tem sete títulos disponíveis para download na Amazon e realiza entrevistas online no Instagram com autores e tradutores, durante as quais os leitores podem enviar perguntas. A programação, que já contou com nomes como Ronald Kyrmse, Diogo Lara, Reinaldo José Lopes e Letícia Braga, é atualizada nas redes sociais.

Já a L&PM decidiu liberar uma obra a cada dia, desde 17 de março. A primeira delas foi Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, e até agora já estão disponíveis títulos como Viagem ao Centro da Terra (Júlio Verne), O curioso caso de Benjamin Button (F. Scott Fitzgerald), Mrs. Dalloway (Virginia Woolf), As melhores histórias de Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle) e O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), entre outros.

A Rocco, que também tem feito lives com os autores, segue a mesma estratégia de disponibilizar gratuitamente um livro por dia. A lista completa tem 31 títulos, em para baixá-los, é preciso acessar as livrarias digitais e e-books.

Cinema em casa

O Cine Belas Artes, de São Paulo, lançou o Belas Artes à La Carte, sua plataforma de streaming, que conta com um belo catálogo de filmes clássicos e cult. Quem quiser dar um tempo do conteúdo mais pop de plataformas como Netflix ou HBO vai encontrar obras consagradas dirigidas por nomes como Fritz Lang, Andrei Tarkovski, Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, Kenji Mizoguchi e o brasileiro José Mujica Marins, o famoso Zé do Caixão, que faleceu em fevereiro.

O acesso gratuito está liberado até o dia 15 de abril para todos que se cadastrarem na plataforma. Depois disso, a assinatura mensal custará 10,90 reais.

Exposições virtuais

Quem está sentindo falta dos museus pode matar a saudade com algumas exposições virtuais organizadas por instituições brasileiras e estrangeiras. O Museu do Futebol, por exemplo, que fica no Estádio do Pacaembu, conta com 14 exposições online —entre elas, a da história da camisa canarinho e visibilidade do futebol feminino—, além de playlists e conteúdos sobre a história e o mercado futebolístico.

Já The Broad Museum, de Los Angeles, criou uma experiência multi-sensorial com a instalação Infinity Room – The Souls of Millions of Light Years Away, de Yayoi Kusama, a mais visitada da instituição. Trata-se do Infinity Drone, que tem trilha sonora criada por Geneva Skeen e, se colocado com o som em alta potência, permite uma viagem sensorial de 14 minutos e 30 segundos.

Alguns dos museus mais visitados do mundo, e que estão de portas fechadas por conta do coronavírus, como os museus do Vaticano, o Louvre (Paris), o Museu do Prado (Madri) e a Galeria Uffizi, em Florença, contam com parte do seu acervo online. A visita virtual vale a pena.

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