DO EL PAÍS

A pandemia obriga à maior reflexão de sete décadas, do papel dos indivíduos nas famílias ao do mercado e do Estado

Trabalhadores com macacão de proteção verificam os documentos dos passageiros prestes a embarcar, na estação de Kiev, em um trem para Moscou.
Trabalhadores com macacão de proteção verificam os documentos dos passageiros prestes a embarcar, na estação de Kiev, em um trem para Moscou.SERGEY DOLZHENKO / EFE
 

Vá, pensamento, nas asas douradas. Vá, pousa nas colinas. As palavras e notas do famoso coral de Nabucco, em Verdi, possivelmente nunca tiveram tanto significado e emoção para tanta gente. É claro que, no confinamento generalizado em que vivem os seres humanos, só o pensamento pode voar livre. Mas, além disso, como a crise é totalitária —afeta tudo— terá efeitos prolongados e, portanto, nos obriga a repensar tudo, em todas as esferas.

Nada pessoal, claro: papéis familiares que devem ser redefinidos e reacomodados à velocidade da luz, compactados em uma nova dimensão espacial-temporal que os distorce; solidões que de repente não são mais como antes, arranham, se petrificam e toca a amansar com novos estratagemas da alma e da vida cotidiana; até a própria concepção de si mesmos, que irá se esvaindo diante de olhos sensíveis, com personalidades agora desprovidas de projeção social física e, quem sabe por quanto tempo, de um certo tipo de escopo relacional que é uma parte definidora do ser de todos nós.

No profissional, evidentemente: um imenso esforço em digitalização e eficiência remotas; a engenhosidade de cada um para redirecionar, revitalizar atividades paralisadas ou corroídas pela crise do vírus.

E, como não, na vida pública: o papel dos Governos e do mercado.

O mundo entrou em coma e a respiração assistida —de doentes humanos, de empresas em crise, de milhões de pessoas em dificuldades financeiras— só pode ser propiciada pelo conglomerado de instituições públicas. A célebre mão invisível de Adam Smith —a metáfora do mercado inteligente que ajusta as coisas quase como se fosse por algum tipo de lei física— é esmagada nestas circunstâncias. A mão invisível não serve para nada, estrangulada e tremendo em meio ao vendaval.

As administrações públicas são o pilar da salvação nas duas frentes: a econômica e a da saúde. Nos dois casos, a ação de agora determinará nosso futuro em múltiplos aspectos e é necessário evitar que o salvator mundi de hoje se torne um leviatã (o temível monstro bíblico) amanhã. Isto é especialmente evidente na União Europeia.

Na frente da saúde, o objetivo é proteger a vida dos cidadãos e o reforço das estruturas hospitalares é uma questão óbvia e não problemática em termos morais (é claro que é em termos logísticos). O que pode ser problemático são os sistemas de vigilância telemática dos movimentos de cidadãos e os poderes excepcionais nas mãos dos Governos com o objetivo de deter a propagação do contágio. Nas democracias mais maduras isso não causa muita inquietação. Nas menos consolidada, os riscos são evidentes. A perspectiva de Governos e forças de segurança com poderes exorbitantes ou fora de controle não deve ser subestimada.

Na frente econômica, o objetivo é evitar uma depressão brutal. Para isso, é necessário injetar dinheiro na economia para, antes de tudo, preservar empregos e a capacidade produtiva e, quando isso não for possível, apoiar os desamparados. Isso exigirá uma brutal acumulação de dívida pública para compensar o colapso do faturamento privado. Essa dinâmica inevitável gerará Estados-leviatã com enormes níveis de dívida e inextricavelmente ligados ao destino de inúmeras empresas privadas. A manobra vai requerer, necessariamente, a participação ativa de todo o sistema financeiro, a irrigação de sangue melhor posicionado para bombear vida, complicando ainda mais a equação.

Encontrar o equilíbrio ideal nesse cenário é um dos maiores desafios intelectuais que a humanidade enfrentou até hoje. Ainda mais na UE, onde aos problemas comuns se soma a conjugação dos interesses nacionais dentro de um aparato supranacional de que cada membro necessita, como comprovamos na cúpula de quinta-feira. O habitual conflito entre o bloco sudoeste e nordeste agora está assumindo conotações existenciais.

Como alertou Mario Draghi em um texto publicado pelo Financial Times na quarta-feira, “o preço da hesitação pode ser irreversível”. Va pensiero, veloz, com asas douradas.

“Argumento”, Paulinho da Viola: Prestou bem a atenção nas palavras do ministro  da Saúde,Luiz Henrique Mandetta, na coletiva de ontem sobre o combate ao covid-19 citou os sábios versos de Paulinho da Viola no samba magistral? Pois é, vamos ouvir neste nevoeiro da pandemia que nos ataca, o que pedem o ministro e o sambista: “Faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar”.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

abr
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Posted on 01-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2020

A ação civil pública maluca, do procurador do Trabalho que queria bloquear 500 bilhões de reais da União, a pretexto de defender os trabalhadores durante a pandemia de coronavírus, e atacava o “DEUS MERCADO” foi extinta sumariamente pelo juiz Helio Ricardo Silva Monjardim da Fonseca, da 6a Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.

O procurador ainda teve o azar de encontrar pela frente um juiz compreensivo em relação a Jair Bolsonaro — e que está fulo com a Rede Globo e a imprensa em geral.

Eis trechos da sentença:

“Mas quando me defronto com uma inicial que tem por evidência, como sustentação de tutela de urgência, a menção a meios de comunicação que em determinado noticiário chega a dispensar cerca de 90 minutos para atacar acintosamente o Sr. Presidente da República, quando o respectivo âncora, como dito, chega a expressar um sorriso de satisfação ou deboche quando das notícias que pretende atacar o respeito devido ao Exmo. Sr. Presidente da República, confesso que tenho dúvida, de modo que prefiro considerar a pretensão que me chega à luz do atual art. 375 do CPC.”

E mais:

“Busque-se no noticiário, cuja cópia pode ser encontrada na internet, a entrevista, na CNN, do Médico Dr. Anthony Wong, pediatra, professor e diretor do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas da FM-USP e Diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Toxológicos e Farmacológicos, um dos destacados médicos brasileiros, quando trazendo uma nova visão necessária ao enfrentamento do corona vírus, o que fazia com base sua experiência e citando estudos nas Universidades de Yale e Harvard, foi abruptamente cortado pela jornalista, sob a descarada justificativa que não estava sendo ouvido, quando ao fundo se consegue ouvir ainda a determinação: ‘corta!’

E ainda:

“Não, essa impressa não me convence. É impossível, pelo que se estivermos diante da pretensão à tutela prevista na hipótese do ar. 311, inciso IV, do NCPC, independe, por parte dos Réus, de gerarem prova capaz de trazer dúvida razoável ao direito sustentado, repito, pois as menções jornalísticas trazidas com a inicial, dizem da personificação da própria dúvida.
Diz a inicial que S. Excelência, o Sr Presidente da República, inclusive, mandou produzir, com dinheiro público, material para a campanha O BRASIL NÃO PODE PARAR. Ora, qual é a intenção de tal afirmação? Estamos diante de alegação do mau uso do dinheiro público, de prevaricação do Sr. Presidente da República ou simplesmente diante de uma opinião de que ele assim não deveria agir, quando se sabe que houve autorização do Congresso, segundo o noticiário, para que seja ultrapassada a legislação de responsabilidade fiscal?!
Ora, opinião, por opinião, todos nós temos a nossa, mas é certo que se o Sr. Presidente da República fosse agir de acordo com a opinião de cada um dos brasileiros, mesmo os que votaram nele, de certo ele não seria o Presidente da República.

 
O presidente durante pronunciamento à nação nesta terça-feira.
O presidente durante pronunciamento à nação nesta terça-feira.Divulgação (CUSTOM_CREDIT)

Uma semana depois de fazer um pronunciamento na TV negando a gravidade do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro voltou às telas brasileiras nesta terça-feira com um tom algo mais moderado sobre a pandemia. Saíram as menções à “gripezinha”, como ele havia se referido à doença, os ataques à imprensa e as ironias a prefeitos e governadores que haviam determinado medidas de isolamento social para conter a velocidade de contágios. O que apareceu desta vez foi um presidente que tentou se por à frente do combate da doença, citando especialmente que empregará as Força Armadas na tarefa, que chamou de “desafio da geração”. Ele também mencionou as perdas de vidas que serão ocasionadas pela Covid-19. Como costuma fazer, no entanto, seguiu acenando à sua base radical: não mencionou nem uma vez a importância de reduzir a circulação social para conter o avanço da doença, como martelam as autoridades do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde): “Temos uma missão, salvar vidas, sem deixar para trás, os empregos”, equiparou. Como se tornou praxe há duas semanas, o pronunciamento foi acompanhando por panelaços em várias cidades brasileiras.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem registrado seguidas perdas de apoio político, inclusive internamente no Governo. Ao contrário de vários líderes mundiais, ele segue insistindo que só deveriam ficar isolados os idosos e as pessoas que apresentem alguma doença grave. Até mesmo o americano Donald Trump, em quem ele se inspira, mudou de ideia e tem defendido ações drásticas de isolamento até o final de abril. Uma das estratégias da cúpula bolsonarista e do próprio presidente tem sido estimular circulação de notícias falsas e desinformação a respeito do novo coronavírus. Nesta terça-feira pela manhã, Bolsonaro decidiu selecionar um trecho de uma declaração do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, para dar a entender que o executivo da organização defende o fim do isolamento social em nome da proteção de emprego e renda. O próprio Adhanom veio a público para responder ao brasileiro, reafirmando a defesa das medidas restritivas ao lado do desenho de políticas para proteger os mais vulneráveis. No entanto, mesmo assim, Bolsonaro usou apenas o trecho que lhe interessava na TV.

Numa fala que também foi dirigida à população mais pobre, o presidente citou a sua preocupação com os empregos de diversas categorias, “como vendedores ambulantes, camelôs, vendedores de churrasquinho, diarista, ajudante de pedreiro, caminhoneiro e outros autônomos”. Bolsonaro, no entanto, ainda não sancionou um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que destina até 1.200 reais por família que ficar desassistida em decorrência da pandemia da Covid-19. Por ser dia 31 de março, dia do golpe militar, havia a expectativa de que o presidente falasse sobre a tomada de poder pelos militares em 1964, mas ele não o fez. Decidiu fazer uma sinalização aos militares e elogiar as ações das Forças Armadas no combate ao coronavírus. Politicamente, ele tem se sustentado cada vez mais em seu núcleo militar, ainda que haja fissuras fora do grupo que ele acolheu no Planalto. Uma eventual saída dele da presidência, ainda sem prazo definido, tem sido discutida internamente pela cúpula militar, que já informou ao vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) que o apoiaria, em caso de assunção à chefia do Executivo.

Maior salto em um único dia

Enquanto analistas discutem quanto a conduta errática do presidente atrapalha o país no combate à Covid-19, os números da pandemia escalam. O pronunciamento do presidente foi ao ar horas depois de uma entrevista coletiva dada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na qual ele anunciou o maior aumento diário no número absoluto de casos confirmados de coronavírus no país em um dia. Foram 1.138 novas infecções confirmadas nesta terça-feira, 20% do total acumulado desde o dia 25 de fevereiro, quando foi identificado o primeiro caso da doença no país.

Com base nos dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Brasil soma agora 5.717 confirmados e 201 mortes pela Covid-19. O aumento representativo desta terça-feira pode estar relacionado à fila para processamento de testes nos laboratórios. Há relatos de demora de até 10 dias para a obtenção dos resultados, o que impacta as estatísticas. Mandetta também voltou a defender o isolamento social como importante ferramenta para frear a disseminação do vírus, outro ponto de divergência entre ele e Bolsonaro, que alardeia o isolamento vertical -que carece de estudos atestando sua eficácia. “No momento vamos fazer o máximo de isolamento social e incentivo ao homeworking possível”, afirmou. Ele não descarta, no entanto, mudanças nesta política, “quando chegar o momento de falar ‘estamos mais preparados’, vamos liberando e controlando pela epidemiologia. Vai ser um trabalho de muita precisão”.

Em São Paulo, epicentro da doença no país, a situação também preocupa. O Estado registrou de segunda para terça-feira 23 novas mortes, quase uma por hora, totalizando 136 óbitos relacionados ao Covid-19, de acordo com a Secretaria de Saúde. Trata-se do maior aumento em números absolutos já registrado. Para Mandetta, a situação de São Paulo tem algumas especificidades: “Mais de 80 dos 136 mortos registrados no Estado ocorreram em um mesmo hospital, que é ligado a um plano de saúde que só atende idosos”.

DO JORNAL DO BRASIL

Macaque in the trees
Vista do prédio da Suprema Corte dos EUA, em Washington (Foto: Mary F. Calvert/Reuters)

O número de mortes causadas pela pandemia de covid-19 nos EUA ultrapassou, nessa segunda-feira (30), 3 mil mortes e o número de casos registrados subiu para mais de 163 mil, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Os Estados Unidos são o país do mundo com o maior número de casos confirmados (163.429), com 3.008 mortes. A marca de 2 mil mortes já tinha sido ultrapassada no sábado (28).

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que já foram submetidos a testes, para detectar infecções por covid-19, 1 milhão de cidadãos norte-americanos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já infectou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil.

Dos casos de infecção, pelo menos 148.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar situação de pandemia.(Agência Brasil)

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Posted on 01-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2020


 

Sponholz, NO

 

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Posted on 01-04-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2020

 DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou esta terça-feira o seu sucessor, Donald Trump, por ter desvalorizado os avisos de uma pandemia mortal do novo coronavírus.

“Estamos a ver as consequências provocadas por aqueles que desvalorizaram os avisos de uma pandemia”, afirmou no Twitter.

Os Estados Unidos agora têm mais de 165.000 casos confirmados de coronavírus, um recorde mundial, enquanto o número de mortos nos EUA ascende aos 3.400.

O governo de Trump tem enfrentando fortes críticas por não ter atendido aos primeiros alertas globais sobre o surto do novo coronavírus, depois de o número de mortos ter começado aumentar em países como China e Itália.

Obama criticou ainda Trump por desvalorizar as consequências das alterações climáticas. “Não podemos arcar com mais consequências da negação das alterações climáticas. Todos nós, especialmente os jovens, temos que exigir mais do nosso governo em todos os níveis e votar nas eleições deste outono”, frisou nas redes sociais.

O tweet de Obama incluiu um link para um artigo sobre as novas regras do governo de Trump.

Em comunicado, a secretária de Transportes, Elaine Chao, disse que a Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Transportes estão a reverter os “padrões de economia de combustível cada vez mais inatingível e de emissões de CO2 de veículos”.

O rigor desses padrões, chamados CAFE, será agora aumentado em 1,5% ao ano até 2026, substancialmente menor do que os aumentos anuais de cerca de 5,0% emitidos em 2012, informou a EPA.

Até esta terça-feira, Obama raramente se tinha envolvido na corrida presidencial de 2020, em que o seu ex-vice-presidente Joe Biden se apresenta como o democrata que provavelmente enfrentará Trump nas eleições de novembro.

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