DO EL PAÍS

Não é hora de ódio, e sim de empatia e de sofrermos abraçados à distância

Nestas horas de angústias e temores que nos afligem, tentar politizar a tragédia que cobrará tantas vítimas é diabólico

Um homem passa em frente a recados de conscientização sobre o coronavírus na Rocinha, Rio de Janeiro.
Um homem passa em frente a recados de conscientização sobre o coronavírus na Rocinha, Rio de Janeiro.Leo Correa / AP
 Juan Arias
 

Nunca a humanidade esteve tão ameaçada ao mesmo tempo. A nova epidemia golpeia toda a Terra. Nesta guerra não há privilegiados. Todos estamos ameaçados de uma só vez. Romperam-se os clichês de ricos e pobres, de reis e plebeus. Atinge o centro e a periferia das cidades. Iguala pela primeira vez senhores e escravos.Necessitamos de poetas de uma esperança nova, capazes de descobrir essa grande metáfora da humanidade, às vezes tão orgulhosa de si e às vezes como hoje tão impotente perante um simples vírus que a põe de joelhos.

Nem as grandes guerras do século passado que ceifaram milhões de vidas foram tão universais como esta epidemia que abraça o mundo. Possivelmente por isso nos produza uma angústia inédita. Pelo desconhecido do novo vírus e por ter apanhado a ciência e a medicina de surpresa, também elas perplexas e amedrontadas. Algo que acredito ser verdade nestas horas incertas é que a humanidade não sairá vitoriosa desta nova guerra de inimigos invisíveis e imponderáveis se aumentar os decibéis do ódio e da informação maliciosa.

Não sabemos ainda em que medida a epidemia golpeará o Brasil em relação a outros países, nem quantas vidas cobrará. Mas uma coisa é certa pelo que eu conheço e amo deste país. É que em sua imensa maioria ele conhece melhor do que muitos o que significam empatia e compaixão, especialmente entre os mais pobres, acostumados como são a viverem sem esperança e por isso mais solidários.

O Brasil não é um país de ódio. É, às vezes, de excessiva resignação perante a injustiça que o golpeia e para as quais as classes privilegiadas fecham os olhos. É a política que às vezes o envenena.

Mas esta guerra rompe de forma inédita as velhas trincheiras entre privilegiados e descendentes de antigos escravos. Nesta hora, em vez de fechar os olhos à cruel realidade que corresponde a todos, deveríamos organizar um grande abraço coletivo e simbólico, mesmo que virtual, que abranja a todos em um só desejo comum de sair deste teste melhor do que entramos, com mais vontade de nos amarmos que de nos odiarmos.

Só essa empatia universal devolverá aos que se salvarem da epidemia um coração mais sensível à dor alheia e com mais vontade de recomeçar a gostarmos da vida com uma óptica diferente da do ódio e das barreiras sociais que deveriam ser derrubadas nesta hora de dor universal.

Para situações inéditas como as que estamos vivendo, já não servem mais as velhas palavras que nos tinham ensinado. Precisamos inventar palavras novas e até sentimentos novos que reflitam o melhor do ser humano, e que o egoísmo e a ânsia de possuir e dominar possam ter ofuscado. Necessitamos mais do que nunca de grandes poetas capazes de decifrar essa grande metáfora da humanidade, às vezes tão orgulhosa de si, e outras tão impotente contra um simples vírus que a põe de joelhos.

Não é verdade que sejamos todos piores do que parecemos. Somos melhores. E às vezes são paradoxalmente as grandes tragédias que desempoeiram nossos melhores sentimentos humanos.

O escritor americano Ernest Hemingway se perguntava, no título de uma de suas obras, “por quem os sinos dobram”. Hoje, dobram em todo mundo para nos recordar que ao final, no fundo do coração humano, mais do que veneno há uma grande necessidade de amar e de desfrutar da vida.

O que fazer então nestas horas com quem, como novos cegos, continuam empenhados em semear ódios e discórdias, incapazes de se unir em uma mesma dor e medo? Para eles valeria recordar uma das frases mais sombrias e emblemáticas do profeta Jesus de Nazaré, quando disse “deixe que os mortos enterrem seus mortos” (Mt., 8,22).

A vida continuará sendo sempre mais forte que a morte.

“Até Amanhã”: Ninguém jamais criou e cantou o samba da Bahia com tanta alegria e carisma quanto Riachã.  E, provavelmente,  ninguém jamais o fará após a sua morte, na madrugada desta última segunda-feira de março de 2020 para não esquecer .Que ano triste, na despedida do artista que mais espalhou samba, alegria e felicidade na Cidade da Bahia enquanto viveu. Morre Riachão, Viva Riachão!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

mar
31
Posted on 31-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2020

DO EL PAÍS

Autor de clássicos como ‘Cada Macaco no Seu Galho’ e ‘Vá Morar Com o Diabo’, músico morreu enquanto dormia, em Salvador. Pretendia lançar novo disco neste ano

O músico Clementino Rodrigues, o Riachão, em 2006.
O músico Clementino Rodrigues, o Riachão, em 2006.Márcio Pimenta (CUSTOM_CREDIT)

 Felipe Betim

Clementino Rodrigues, o Riachão, gostava de escutar e cantarolar os sambas que nasciam no Rio de Janeiro desde a infância. Até que, aos 16 anos, quando caminhava em direção à loja de materiais de costura onde trabalhava, encontrou no chão um recorte de revista que dizia: “Se o Rio não escrever, a Bahia não canta”. Intrigado, a manchete serviu para empurrar o jovem baiano de Salvador a ensaiar os versos de sua primeira canção, conforme relatou em 2016 ao EL PAÍS.

Eu sei que sou malandro, sei

Conheço o meu proceder

Deixe o dia raiar

A nossa turma é boa, ela é boa

Somente para batucar

Aquele adolescente, nascido em 1921 em Salvador, se tornou ícone do samba da Bahia ao longo de muitas décadas ?apesar de nunca ter deixado de ser alfaiate e comerciante. Considerado o sambista baiano mais veterano ainda em atividade, o músico morreu aos 98 anos na madrugada desta segunda-feira enquanto dormia em sua casa, no bairro do Garcia, Salvador. O Brasil se despede, assim, de mais um de seus grandes pilares do samba, após as partidas recentes de Beth Carvalho, Dona Ivone Lara e Wilson das Neves.

Ainda jovem ganhou o apelido Riachão porque fazia “pose de brigão”, segundo contou. “Quando menino, eu gostava muito de brigar. Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegavam os mais velhos para apartar, empregando aquele ditado popular: você é algum riachão que não se possa atravessar”, relatou ao jornal Diário de Notícias.

Riachão em 2006.
Riachão em 2006.

Conhecido pela irreverência e seu jeito de malandro, Riachão é autor de alguns clássicos do samba nacional, como Cada macaco no seu galho, cantado em 1972 por Gilberto Gil e Caetano Veloso quando voltaram do exílio em Londres. Anos depois, em 2000, gravou sua canção Vá morar com o diabo em dueto com Caetano Veloso. No ano seguinte foi popularizada pela cantora Cássia Eller, que cantou o samba para o álbum e DVD da série Acústico MTV.

Como outros nomes do samba de sua geração, foi preterido pelas grandes gravadoras, que davam preferência para os artistas —a maioria brancos— da chamada Música Popular Brasileira. Os sete discos de sua longa carreira foram em sua maioria gravados a partir do fim dos anos 90. O último deles, Mundão de Ouro, foi lançado em 2013.

Planejava lançar para este ano o álbum Se Deus quiser eu vou chegar aos 100, com repertório inédito. Apesar da idade avançada, ainda realizada shows e algumas aparições. A última delas —a despedida— ocorreu no Carnaval deste ano, quando foi visto na sacada de sua casa assistindo a saída do bloco Mudança do Garcia.

mar
31
Posted on 31-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2020

“Mantenham as recomendações dos estados”, diz Mandetta

 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse hoje que as pessoas devem seguir as recomendações editadas pelos estados que restringem a movimentação das pessoas — a maior parte dos governadores já decretou fechamento de comércio para conter aglomerações nas cidades.

Ele disse que é preciso um pouco mais de tempo para equipar hospitais para receber os pacientes.

“Por enquanto mantenham as recomendações dos estados. Porque essa é no momento a medida mais recomendável. Já que temos muitas fragilidades ainda no sistema de saúde, que são típicas não de faltas do Ministério da Saúde ou do governo.”

Acrescentou que só nos últimos 12 dias a China liberou os materiais médicos para exportação.

“Nesses 12 dias competimos com os Estados Unidos, com a Europa, com o mundo inteiro, já que lá concentra mais de 90% desses insumos”, afirmou.

mar
31
Posted on 31-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2020



 

Sid, no portal

 

mar
31
Posted on 31-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2020

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the treesPresidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Jair Bolsonaro, após passear pelo comércio de Brasília neste domingo (29), voltou a se posicionar contra o isolamento mais geral da população durante a pandemia de coronavírus.

Ao defender o isolamento apenas de idosos e de grupos de risco, Bolsonaro afirmou que é preciso poupar vidas, mas que “todos vão morrer um dia”.

“Temos um problema do vírus? Temos. Ninguém nega isso daí. Devemos tomar os devidos cuidados com os mais velhos, com as pessoas do grupo de risco. Agora, o emprego é essencial”, disse.

“Essa é uma realidade, o vírus tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia”, acrescentou o presidente.

Ao reiterar as suas críticas ao isolamento mais geral no combate ao coronavírus, Bolsonaro afirmou que os trabalhadores precisam dos empregos para ganhar seu sustento.

“Nós vai [sic] condenar esse cara a ir pra dentro de casa? Ficar dentro de casa, ele não tem poupança, não tem renda. A geladeira dele, se tiver, já acabou a comida, porque tem que trabalhar. Tem que sustentar a família. Tem que cuidar dos seus filhos”, disse o presidente, citado pelo G1.(Sputnik Brasil)

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