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Por Danutta Rodrigues, Gabriel Gonçalves e Phael Fernandes, G1 BA


 

Riachão — Foto: Divulgação Riachão — Foto: Divulgação

Riachão — Foto: Divulgação

Morreu em Salvador, na madrugada desta segunda-feira (30), Clementino Rodrigues, o sambista Riachão. Ele tinha 98 anos e morreu de causas naturais.

Segundo a família, o sambista sentiu dores no abdômen no domingo (29) e precisou de atendimento médico. Apesar disso, ele foi dormir após ser medicado. A morte de Riachão só foi descoberta pela manhã, quando os familiares foram ver como ele estava.

“Ele sentiu uma dor. Então, ele foi medicado e sentiu alívio, uma estabilizada. Ele então foi dormir. Eu estava presente. Quando foi [nesta] madrugada, ele veio a falecer. Faleceu dormindo”, disse Milton Gonçalves Souza Júnior, neto do sambista.

Ainda de acordo com a família, a previsão é que o enterro ocorra no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador, por volta das 16h desta segunda. O velório será acompanhado apenas pela família por causa de decretos que proíbem aglomeração de pessoas como medida ao novo coronavírus.

“A gente está recebendo muita mensagem de carinho. O corpo já foi encaminhado para o Campo Santo. Por causa de decretos em função do coronavírus, será possível apenas 10 pessoas na sala. Mas as pessoas poderão se despedir do mestre [espalhadas pelo cemitério]”, disse.

O neto do sambista disse ainda sobre a importância do avô e pontuou que a morte dele é uma grande perda para a música.

 

“É uma perda lamentável. Fica a memória, a alegria do nosso sambista, do meu avô. Foram 98 anos de muita alegria, muita música. Vai deixar saudade. Grande perda para a nossa música”, afirmou Milton Júnior.

Riachão

Nascido no bairro do Garcia, na capital baiana, ele compôs a primeira canção aos 12 anos, em 1921. Ele era um dos mais importantes sambistas do país.

Entre as canções mais famosas do músico, está “Cada Macaco no seu Galho”, lançada em 1972 nas vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil .

Além disso, Riachão é compositor de sambas como “Vá morar com o diabo”, apresentado em disco em 2000, em dueto dele com Caetano, mas popularizado no ano seguinte com a gravação feita pela cantora Cássia Eller (1962 – 2001) para o álbum e DVD ao vivo da série Acústico MTV.

Outro artista consagrado que gravou Riachão foi Jackson do Pandeiro. O sambista baiano gravou o primeiro CD aos 80 anos.

 
 
Sambista Riachão fala sobre participação em filme inspirado na obra de Jorge Amado

Sambista Riachão fala sobre participação em filme inspirado na obra de Jorge Amado

Durante a carreira, o sambista fez participação no filme “Os Pastores da Noite”, do francês Marcel Camus, baseado na obra homônima de Jorge Amado. [Relembre a entrevista de Riachão ao G1 no vídeo acima]

Grande figura do bairro do Garcia, o artista também foi homenageado, em 2014, pela “Mudança do Garcia”. Um ano depois, em 2015, o circuito “Mudança do Garcia” mudou de nome e passou a ser chamado oficialmente de “Riachão“.

 

Já no mês passado, o sambista participou do carnaval no circuito que leva seu nome. [Veja momento no final da matéria]

Para este ano, ele planejava lançar o álbum “Se Deus quiser eu vou chegar aos 100“, com repertório inédito e autoral. Este seria o primeiro disco de Riachão desde “Mundão de Ouro”, lançado em 2013.

Repercussão

O prefeito de Salvador, ACM Neto, lamentou a morte do sambista. Por meio de nota, ele disse que Riachão sempre foi uma referência e, por isso, influenciou “importantes nomes da MPB, como Gilberto Gil, Cássia Eller e Jackson do Pandeiro”. Além disso, desejou que Deus conforte familiares e amigos “neste momento de profunda dor”.

A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) emitiu uma nota de pesar, divulgada no site oficial. Na publicação, a Secult manifestou solidariedade ao samba brasileiro, que “perde hoje um dos seus maiores bambas, e aos familiares do cantor e compositor Clementino Rodrigues, o nosso eterno Riachão”.

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Comentários

Vanderlei on 30 Março, 2020 at 23:31 #

Que descanse em paz!


GILSON NOGUEIRA on 1 Abril, 2020 at 20:04 #

Um viva às estrelas, que surgem, após mais um toró! E, de repente, entre nuvens baixas, um farol! Sinto uma vontade de chorar sambando em homenagem ao meu amigo Riacho, que partiu sorrindo sabendo que Deus o abraça como Admirador Maior. Recebi a notícia de sua partida, no BP. Não chorei. Cantei a Eternidade de um homem único, que fez a Bahia maior com seu jeito de ser e de cantar. Foi-se uma personalidade do samba. E o Céu ficou mais perto, para mim, pelo menos, a fim de abraçar o parceiro de todos que escrevem a Salvador cada vez mais bonita, sob a batuta do neto de uma estrela maior da política, o inesquecível ACM. Ele e Riacho, agora, gargalham, unidos, a certeza que a Vida Eterna pertence aos bons. Riachão não morreu. O samba no Céu vai rolar solto! E a toalha da saudade ficou. Ou ele levou no bolso, para o encontro com Batata? PS Acho que o farol que ilumina a noite estrelada está homenageando um dos mais autênticos sambistas do país. Boa noite, meu rei!


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