Saúde libera mais R$ 600 milhões para ações de combate ao ...

Henrique Mandetta: desponta um huma-

nista da saúde pública no tempo do Covid-19,
aponta Datafolha.
 
 ARTIGO DA SEMANA


Mandetta no Datafolha: desponta um estadista no Covid-19

Vitor Hugo Soares

Vejam o absurdo, sem tamanho, anotado na Bahia esta semana: a Polícia Federal prendeu a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado, Sandra Inês Moraes Azevedo Rusciolelli – além o filho dela, advogado Vasco Rusciolelli Azevedo e o também advogado Vanderlei Chilante –  acusada “de dar continuidade à rede criminosa de venda de sentenças”,  desbaratada parcialmente na Operação Faroeste, que já havia prendido outros desembargadores e afastado o presidente da corte estadual de justiça da Bahia, Gesivaldo Brito. A prisão da magistrada, determinada pelo ministro do STJ, Og Fernandes, acontece em plena quarentena no País, de combate ao coronavírus. A referência ao episódio – de fazer corar no túmulo o ex-governador Otávio Mangabeira – é para destacar outra notícia exemplar da semana,  diametralmente oposta.

Explico: nos dados da pesquisa Datafolha, divulgados segunda-feira, 23 –  sobre a conduta e desempenho de autoridades públicas, em diferentes esferas de gestão e de poder, no combate à pandemia  – , um dado se projeta acima dos demais e merece ser louvado. Refiro-me à justa avaliação da população, que dá expressivo índice de aprovação ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O médico bate na casa dos 55 % de reconhecimento da sociedade. Revelação alentadora no meio da geleia geral deste tempo temerário.

Bom indicador de uma nação em transe. Rachada ao meio por desavenças, mágoas e ódios políticos e ideológicos implacáveis. Ao lado de submersos, mas indisfarçáveis interesses de encarniçados grupos, que pareciam amenizar-se e ceder diante do Covid -19,–  inimigo maior e comum a ser vencido – mas que recrudesceu com o pronunciamento do presidente da República, em rede de Rádio e TV, sobre estratégias de enfrentamento da pandemia. Fala alinhada ao discurso do presidente Donald Trump, dos EUA, de salvar pessoas, a começar pelas mais vulneráveis, mas sem matar a economia. Assim, pensam os dois líderes de direita, será possível encarar e tentar vencer a histeria e o pânico, males que tornam populações inteiras presas fáceis dos oportunistas de todas as tendências, além dos voluntaristas arrogantes e janotas, cheios de vaidades em carreirismo eleitoral desenfreado, espalhados por governos estaduais e prefeituras do país. Além de autoridades corruptas e burocratas insensíveis sempre dispostos a criar dificuldades para vender facilidades.

Diante de tudo isso, mesmo olhada no conjunto desigual de seus números – que envolvem, também e principalmente, o presidente Jair Bolsonaro e os governadores estaduais – é preciso enxergar e reconhecer, mesmo que uns não queiram, o novo retrato que o levantamento Datafolha apresenta. Parece firmar-se e ganhar corpo,– na área da saúde pública no tempo do Covid-19 – a mais nova liderança humanitária na política brasileira. Cujo perfil raro se encaixa com perfeição, em muitos aspectos, dentro de princípios cardeais do famoso “Decálogo do Estadista”, do ex-deputado e guia da resistência democrática, Ulysses Guimarães.
No caso de Mandetta, destaco três mandamentos principais: Coragem, virtude primeira do homem público e estadista; Vocação, o encontro do homem com o seu destino; e Esperança, porque o estadista é o arquiteto da esperança. Não a coruja que só pia agouro. Nem a Cassandra de catástrofes, segundo o decálogo de Ulysses. O resto a conferir.

Vitor Hugo Soares  é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br      

“Sábado em Copacabana”, Rosa Passos: A canção eterna de Seu Dorival, a doce e inimitável interpretação da Rosa baiana e um acompanhamento instrumental simplesmente genial: não inventaram nada melhor para começar musicalmente um sábado, mesmo em tempo de quarentena. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Macaque in the trees
O papa fez um culto solitário e dramático (Foto: Reuters/Yara Nardi)

O papa Francisco disse que o coronavírus colocou todos “no mesmo barco”, enquanto realizava um culto dramático e solitário na Praça de São Pedro, nesta sexta (27), instando o mundo a ver a crise como um teste de solidariedade e um lembrete de valores básicos.

“Uma escuridão espessa se acumulou em nossas praças, ruas e cidades”, disse ele, falando dos degraus da Basílica de São Pedro em uma praça assustadoramente vazia e chuvosa, antes de entregar uma extraordinária “Urbi et Orbi” (para a cidade e o mundo) – algo que ele normalmente faz apenas duas vezes por ano.

“Ele tomou conta de nossas vidas, enchendo tudo com um silêncio ensurdecedor e um vazio angustiante que interrompe tudo ao passar; sentimos isso no ar … nos sentimos com medo e perdidos”, disse ele.

O Vaticano chamou o serviço de “Uma Oração Extraordinária no Tempo da Pandemia”, um sombrio eco de um anúncio de autoridades italianas minutos antes de que o número de mortes por coronavírus no país havia ultrapassado as 9 mil.

Nos Estados Unidos, o número total de infecções superou 85 mil, tornando-o líder mundial em casos confirmados.

Francisco caminhou sozinho na chuva até um dossel branco nos degraus da basílica, e falou sentado sozinho diante de uma praça que normalmente atrai dezenas de milhares de pessoas, mas agora está fechada por causa da pandemia.

“Percebemos que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários, todos fomos chamados para remar juntos, cada um de nós precisando confortar o outro”, disse ele.

Francisco disse que o vírus expôs a vulnerabilidade das pessoas “às certezas falsas e supérfluas em torno das quais construímos nossos horários diários”.

Ele elogiou médicos, enfermeiras, funcionários de supermercados, produtos de limpeza, prestadores de cuidados, trabalhadores de transporte, polícia e voluntários, dizendo que eles, e não os ricos e famosos do mundo, estavam “escrevendo os eventos decisivos de nosso tempo”.

O líder dos 1,3 bilhão de católicos romanos do mundo disse que Deus estava pedindo a todos que “despertem e ponham em prática essa solidariedade e esperança capazes de dar força, apoio e significado a essas horas em que tudo parece estar se debatendo”.

Ele orou diante de um crucifixo de madeira que normalmente é mantido em uma igreja de Roma e levado ao Vaticano para o serviço especial.

Segundo a tradição, uma praga que atingiu Roma em 1522 começou a desaparecer após o crucifixo ser tomado pelas ruas da capital italiana por 16 dias naquele ano.

Jair Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira (27) que usou um codinome em seu exame para Covid-19, como a Crusoé revelou na semana passada.

Em entrevista a Datena, o presidente disse que não apresenta os laudos de seus testes porque as pessoas não vão acreditar.

Bolsonaro também disse que não fez um terceiro teste para Covid-19.

“Eu fiz o exame dia 13 de março e outro dia 17. Ambos deram negativo (…). [Não farei outro] Porque a recomendação médica é apresentar algum sintoma: tosse, febre, falta de sabor. Eu não tenho nenhum.”

Do  Jornal do Brasil

Macaque in the trees
Boris Johnson discursa em Rocester, no Reino Unido/Arquivo (Foto: Reuters/Andrew Yates)

O teste foi realizado após Johnson manifestar sintomas leves da doença nesta quinta-feira (26), anunciou o gabinete do primeiro-ministro. Tinha “febre e tosse persistente”, e por isso foi aconselhado a investigar.

“Nas últimas 24 horas eu desenvolvi sintomas leves e testei positivo para o coronavírus. Estou em autoisolamento agora, mas vou continuar liderando a resposta do governo através de videoconferências enquanto combatemos o vírus”, disse.

O primeiro-ministro agradeceu ao pessoal de saúde do NHS, o sistema de saúde público britânico, e instou todos a, assim como ele, trabalhar de casa e a se autoisolar.

“Foi muito emocionante para mim ontem me juntar aos aplausos dedicados à equipe do NHS”, contou o primeiro-ministro, referindo-se à salva de palmas que cidadãos britânicos dedicam diariamente aos agentes de saúde do país.

Boris Johnson ainda lembrou que mais de 600.000 voluntários se juntaram aos agentes públicos de saúde e segurança para ajudar nos esforços de “proteger a população das consequências do coronavírus”.

O primeiro-ministro informou pelas redes sociais que está em isolamento, mas prometeu que “continuará conduzindo a resposta do governo através de videoconferências”.

“Nós vamos superar isso. Quanto mais as pessoas observarem as medidas de forma eficiente, mais rapidamente o nosso país vai superar esta epidemia”, concluiu.

O Reino Unido é o 9º país mais afetado pelo novo coronavírus no mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins (EUA), com 11.816 casos confirmados de COVID-19 e 580 vítimas fatais. (Redação JB com Sputnik Brasil)

 

mar
28
Posted on 28-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-03-2020


 

 Tacho, NO

 

DO EL PAÍS

Protesto em Curitiba e outras cidades do Estado defendem normalização do comércio. Governos de Santa Catarina, Mato Grosso e Rondônia afrouxam medidas restritivas

Carreata se concentra em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.
Carreata se concentra em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.Renato Gasparin Jr./Direita Paraná

Quando o Paraná estava prestes a completar uma semana da quarentena imposta pelo Governo local por conta da pandemia de coronvavírus, grupos de direita puxaram, nesta sexta-feira, carreatas em protesto pela reabertura do comércio. Movimentos como o Acampamento Lava Jato e o Direita Paraná protestaram em vários pontos da capital Curitiba e de outras cidades espalhadas pelo Estado. A principal reivindicação dos organizadores e manifestantes é a volta ao trabalho e a normalização das atividades econômicas, alinhada ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, que em pronunciamento na última quarta-feira (25) criticou as medidas de isolamento dos Estados.

Os atos contrariam as estratégias do Governo do Paraná e da prefeitura de Curitiba para enfrentar a pandemia. O governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) determinou o fechamento de shoppings e galerias na quinta-feira passada, dia 19, e, na sequência, instruiu que funcionassem apenas os serviços essenciais a partir do sábado, dia 21. Carros do Corpo de Bombeiros circulam pela cidade desde então pedindo que as pessoas fiquem em suas casas. O Governo local também realizou uma campanha, veiculada na televisão e nas redes sociais. O prefeito Rafael Greca (DEM) segue o mesmo direcionamento, e a capital está em situação de emergência de saúde pública desde o dia 16 de março. O Paraná tem 125 casos confirmados, 1.078 em investigação e dois óbitos, em Maringá.

O movimento no Paraná é mais uma mostra de que Bolsonaro conseguiu insuflar sua base para rebelar-se contra as medidas restritivas. Outras carreatas estão sendo convocadas para o fim de semana em várias capitais enquanto os Governos de Santa Catarina, Mato Grosso e Rondônia já foram além: optaram nesta semana por afrouxar o isolamento social. As decisões causam conflitos nos Estados, porque nem todas as prefeituras concordam com as decisões dos governadores. O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), por exemplo, disse que o isolamento na capital do Mato Grosso não será relaxado. Em Santa Catarina, a retomada de obras públicas de infraestrutura e a determinação de reabrir gradualmente o comércio foram determinadas após manifestação de 50 entidades empresariais catarinenses, que cobraram a retomada da atividade econômica no Estado.

Percurso em Curitiba

O bunizaço por bairros como Água Verde, Centro Cívico e Bigorrilho, na capital paranaense, começou por volta das 11h da manhã e seguiu até o meio da tarde. Representante do Direita Paraná em Curitiba, Renato Gasparin Jr. conta que se surpreendeu com a adesão, pelo fato de a divulgação do ato ter começado apenas no dia anterior. De acordo com ele, cerca de 500 carros saíram de frente do estádio do clube Atlético Paranaense até o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. “Foi um sucesso”, celebrou.

Microempresários, empreendedores, motoristas de aplicativos e entregadores de aplicativo, comerciantes e autônomos formaram, segundo Gasparin, o grupo que saiu em carreata. Eram manifestantes com idades entre 30 e 50 anos, de acordo com os organizadores. “Sabemos que a faixa etária das pessoas de direita e conservadoras é de mais de 60 anos. Mas enfatizamos em nossas redes para que esse pessoal fique em casa, queremos que o grupo de risco continue se cuidando”. Em vídeos divulgados no Twitter, porém, é possível ver que idosos também se manifestaram nos carros, bem como famílias com crianças. No Paraná, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde e do IBGE, a cada 10 paranaenses, 1,5 tem mais de 60 anos.

A carreata saiu pela manhã do bairro Água Verde, em Curitiba, e o buzinaço seguiu até o meio da tarde.
A carreata saiu pela manhã do bairro Água Verde, em Curitiba, e o buzinaço seguiu até o meio da tarde.Renato Gasparin Jr./Direita Paraná (custom credit)

Segundo Gasparin Jr., o Direita Paraná não é a favor de tirar as pessoas consideradas mais vulneráveis (acima dos 50 anos ou com comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças crônicas) do isolamento, mas chamar a atenção para setores que perderam a renda na última semana. “Enquanto você adere a uma quarentena imposta por Governo e Prefeitura, os meios básicos continuam. O cobrador e o motorista do ônibus vão trabalhar. É fácil falar em ficar em casa quando [você] tem o seu mantimento, o seu estoque cheio. Mas e o povo?”, questiona ele, que é técnico de climatização, contratado formalmente. “O Uber já não tem passageiros. E os caminhoneiros, os frentistas de posto? Não podemos abandonar o serviço assim. Nossa economia está quebrando, e isso, junto com o vírus, aí sim será uma histeria”.

Proprietário de um restaurante (e também pré-candidato a vereador nas eleições municipais em Curitiba), Luiz Carlos Alborghetti Neto participou da carreata no fim da manhã e define o cenário econômico como “caótico”. Ele propõe medidas que chama de “intercaladas”para retomar o comércio, como modificação de horários dos estabelecimentos (com redução no número de horas aberto ao público), escalas para evitar aglomerações no transporte público e, por enquanto, fechamento dos bares e casas noturnas. Segundo ele, seu restaurante, no bairro Rebouças, perdeu 80% das vendas. “Estamos operando em delivery para pagar os funcionários. Conversei com muitas pessoas na carreata que estão desesperadas porque souberam de demissões”.

Outras cidades

Maringá, no Noroeste do Estado, foi a primeira cidade a ter carreatas, nesta quinta-feira. O Direita Paraná também realizou atos em Paranaguá, no litoral, Londrina, norte do estado, e em cidades da Região Metropolitana de Curitiba, como São José dos Pinhais. Uma das integrantes do protesto na cidade, a engenheira de produção Vanusa Mulek de Souza, cita o exemplo do pai para exemplificar a situação de trabalhadores autônomos. “Ele é motorista de caminhão e recebe por viagem. A empresa parou e ele não tem de onde tirar renda”.

Vanusa acredita que o isolamento vertical ?no qual apenas pessoas com mais de 60 anos ou com comorbidades são afetadas? é o ideal. “Estamos vendo a experiência de Israel e da Coreia do Sul, que fizeram isolamento vertical e têm apresentado reduções nos índices de óbito”, argumenta. Esses países, porém, tiveram a capacidade de realizar testes em massa para a Covid-19, separar e tratar os doentes. Além disso, o isolamento vertical é considerado insuficiente neste momento, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Oportunistas e irresponsáveis”

Procurado, um dos representantes do Acampamento Lava Jato, Éder Borges, não quis conversar sobre os atos de Curitiba. Em vídeo enviado por WhatsApp para a reportagem, o movimento fala que houve adesão de 5.000 carros no ato do começo da tarde. Outros tradicionais grupos de Direita e pró Lava Jato, como o Curitiba contra a Corrupção, não chamaram manifestações. Uma das ativistas, Narli Resende, declarou que “como cidadã que vem acompanhando a situação da pandemia, estou revoltada com essas pessoas oportunistas e irresponsáveis que se aproveitam da fragilidade emocional das pessoas para propor ações contrárias a tudo o que vem sendo preconizado por médicos e cientistas”.

As assessorias de imprensa da Prefeitura de Curitiba e do Governo do Paraná informaram que nada muda nas determinações, e que o Estado e a cidade continuam em quarentena. E orientam que, todos que puderem, fiquem em suas casas o máximo possível.

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