Por Gustavo Garcia e Filipe Matoso, G1 — Brasília

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

 

A assessoria de imprensa do Senado informou nesta quarta-feira (18) que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), contraiu o novo coronavírus.

De acordo com a assessoria, o primeiro teste ao qual ele foi submetido deu negativo, mas, na noite desta terça (17), o presidente do Senado fez um novo exame, que deu resultado positivo.

“Davi Alcolumbre, no entanto, está bem, sem sintomas severos, salvo alguma indisposição, e segue em isolamento domiciliar, conforme determina o protocolo de conduta do Ministério da Saúde e a OMS”, acrescentou a assessoria.

Além de Alcolumbre, outros parlamentares foram diagnosticados com o novo coronavírus, entre os quais o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP).

Reunião dos poderes

Na última segunda (16), Davi Alcolumbre participou de uma reunião com representantes de todos os poderes para discutir medidas de combate ao novo coronavírus.

Participaram do encontro o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli; da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); além do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Íntegra

Leia a íntegra da nota divulgada pelo Senado:

Nota à imprensa

Depois de o primeiro exame dar negativo, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, refez o exame na noite de ontem (17) e, nesta quarta-feira (18), atestou positivo para Covid-19.

 

Davi Alcolumbre, no entanto, está bem, sem sintomas severos, salvo alguma indisposição, e segue em isolamento domiciliar, conforme determina o protocolo de conduta do Ministério da Saúde e a OMS.

Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado

Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília

Covid-19: General Augusto Heleno testa positivo para doença

Covid-19: General Augusto Heleno testa positivo para doença

 

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, Augusto Heleno, informou nesta quarta-feira (18) que testou positivo para o novo coronavírus. O ministro aguarda contraprova.

“Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao Covid-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas”, publicou Heleno em uma rede social.

 

O ministro Augusto Heleno em imagem da terça-feira (17), quando fez exame para saber se havia contraído o coronavírus — Foto: Guilherme Mazui/G1 O ministro Augusto Heleno em imagem da terça-feira (17), quando fez exame para saber se havia contraído o coronavírus — Foto: Guilherme Mazui/G1

O ministro Augusto Heleno em imagem da terça-feira (17), quando fez exame para saber se havia contraído o coronavírus — Foto: Guilherme Mazui/G1

Heleno integrou a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), na semana passada. Ele fez um primeiro teste, com resultado negativo, e realizou um novo exame na terça-feira (17).

 

Heleno, outros ministros e o presidente Jair Bolsonaro fizeram dois testes para identificar o novo coronavírus depois da confirmação de que o secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, está com o vírus.

Wajngarten integrou a comitiva na viagem aos EUA. Bolsonaro fez dois testes até o momento e, segundo ele, ambos deram resultado negativo. Com Heleno, chega a 16 o número de pessoas que estiveram na viagem do presidente e contraíram coronavírus.

O segundo teste de Heleno, feito no departamento médico do Palácio do Planalto, deu positivo. Após fazer o teste, Heleno conversou com jornalistas e disse que se sentia bem, porém não era algo “absolutamente tranquilizadora” a situação.

“Tudo bem, mas é o tal negócio, não é uma coisa absolutamente tranquilizadora você estar muito bem. Já houve gente que foi diagnosticada, porque isso depende muito da reação do seu organismo, às vezes seu organismo resiste a esse tipo de vírus sem ter grandes problemas. Tem gente que vai para cama, tem febre, não sei o que”, disse.

Heleno tem 72 anos de idade, ou seja, está nos grupos considerados mais suscetíveis ao Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

Ele esteve, conforme a agenda oficial de Bolsonaro, em ao menos três audiências com o presidente na terça-feira (17). Heleno teve uma reunião a sós com Bolsonaro e participou de outras duas junto com outros ministros.

O ministro Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, afirmou nesta terça que seu exame para coronavírus deu negativo.

DO EL PAÍS

Após confirmação de óbito por doença, Ministério da Saúde traça cenário duro para os próximos meses. Testes são racionados para pacientes graves e gestores traçam ações emergenciais

Pessoas com máscaras como medida preventiva contra a disseminação do novo coronavírus, no centro de São Paulo
Pessoas com máscaras como medida preventiva contra a disseminação do novo coronavírus, no centro de São PauloNELSON ALMEIDA / AFP (AFP)

Após a confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde desenha um cenário duro para os próximos meses nos país. Apesar do comportamento errático de Jair Bolsonaro com respeito à pandemia, o Governo Federal vai pedir ao Congresso o reconhecimento de estado de calamidade pública para poder gastar além do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e atender à situação emergencial. O cenário que se desenha no país é grave. “Vamos passar 60 a 90 dias de muito estresse”, diz o ministro Luiz Henrique Mandetta, em um recado claro ao país nesta terça-feira.

O número de casos suspeitos quadruplicou no Brasil de segunda para terça-feira e há pelo menos 291 casos confirmados pelo Ministério da Saúde. O balanço dos Estados, ainda em processo de notificação, já passa de 300 casos. Ao menos 28 pessoas estão hospitalizadas pela Covid-19, e a projeção das autoridades de saúde é de que o número de pacientes que precisam de cuidados intensivos nos hospitais deverá dobrar a cada três dias. A perspectiva é de que apenas em setembro a situação deva estar voltando ao normal.

A rápida escalada da doença tem esgotado sistemas de saúde sólidos em vários países. No Brasil, o Governo já vinha atuando para reforçar leitos de UTI, equipamentos e profissionais, gargalos crônicos do SUS. Mas agora trabalha para atuar em cenários ainda mais drásticos. Considera, por exemplo, ter de adaptar contêineres e escolas para funcionarem como unidades de saúde, caso o sistema que já atua no limite colapse. Os testes para diagnóstico também já começaram a ser racionados, com prioridade para pacientes em estado grave. O Governo deve continuar medindo a disseminação do vírus pelo país por amostragem. É este o panorama com o qual trabalha o ministro Mandetta, que tem pedido diretamente o envolvimento da sociedade na prevenção, uma forma de desacelerar o contágio e dar tempo para que o sistema de saúde se recupere e consiga tratar seus enfermos. Nos Estados, no entanto, a situação ainda varia enormemente: apesar de a maioria das instituições de ensino ter cancelado as aulas no Rio e em São Paulo, as duas maiores metrópoles do país ainda tem comércio funcionando e empresas resistindo a adotar esquemas de home office ou escalonamento de pessoal.

Embora ainda não seja possível traçar padrões muito claros de como o coronavírus se comporta no Brasil e haja muitas perguntas em aberto sobre a Covid-19, o Governo prevê um período mais agudo de infecção pelo menos até o mês de julho, com números espirais ascendentes. A partir daí, espera que os casos de contaminação voltem a um patamar mais lento de propagação. “Desde que a gente construa a chamada imunidade em mais de 50% das pessoas”, pondera o ministro. Este período deverá ser marcado por situações inéditas e desgastantes, inclusive com a determinação de medidas para reduzir ainda mais o fluxo de pessoas e, consequentemente, o ritmo da contaminação. Os gestores poderão impor quarentenas e bloqueios mais duros do que as recomendações que governadores e prefeitos já iniciaram ao suspender aulas, estabelecer novas regras ao transporte público e desencorajar eventos.

“Nós teremos aí em torno de 20 semanas, a partir do surto epidêmico, que serão extremamente duras, para as famílias, para as pessoas. Cuidem dos idosos, é hora de filho e filha cuidar de pai, mãe, avó, tia-avó. É preciso ter muito claro que devemos ligar para perguntar como está, mas não levar sistematicamente muitas crianças, que são assintomáticas”, apela Mandetta. O ministro pediu diretamente a solidariedade da população para se proteger. “Quanto menos idosos tivermos com o coronavírus, menos pressão colocaremos nos leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva)”, explicou. As medidas envolvem desde a ação direta do familiar no cuidado com os idosos, que integram o grupo de maior risco, até os profissionais de saúde, que devem dar receitas para medicações de uso contínuo válidas por seis meses, evitando assim que o idoso precise visitar a unidade de saúde.

Paralelamente, o Governo passa a se preocupar com ações mais extremas para garantir o atendimento a pacientes durante o pico que deve chegar em breve. Além da previsão de contratar 5.800 médicos de forma emergencial pelo Mais Médicos e do horário extendido para postos de saúde, o Governo treinará estudantes de medicina que estão no último ano de graduação. A ideia é que eles possam atuar no atendimento de menor complexidade, com a supervisão de profissionais graduados. O Ministério da Saúde destaca que é importante aumentar a força de trabalho jovem na linha de frente, já que eles têm maior capacidade de recuperação caso sejam contaminados. Por isso mesmo, médicos aposentados não estão sendo considerados neste momento para atuar na crise. “Nós iniciaremos a capacitação de médicos de outras especialidades, mais jovens, que se recuperam mais rápido em contato com o vírus”, afirma Mandetta.

Contêiners, escolas e outros edifícios também poderão ser adaptados para funcionar tanto no atendimento primário (aqueles dos postos de saúde) quanto em caso de internação de pacientes que não precisam de cuidados intensivos. Assim, hospitais poderão ir adaptando sua estrutura ao máximo de leitos de terapia intensiva (os leitos de UTI), onde precisam ser tratados os pacientes mais graves, quase a totalidade deles com uso de ventiladores mecânicos para ajudá-los a conseguir respirar. Essa demanda pode crescer exponencialmente, já que o paciente com coronavírus permanece em média o dobro de tempo do paciente comum na UTI. “Não há nenhum Estado da federação hoje que não esteja tendo sua capacidade aumentada. Vamos precisar de mais, muito mais”, diz Mandetta.

Os testes para diagnóstico também começam a ser economizados. Eles são priorizados para pacientes hospitalizados, que têm quadro clínico respiratório mais grave. A verificação de circulação do vírus nas cidades continua sendo feita por amostragem, com testes executados de maneira aleatória nas chamadas unidades de sentinela. Na China, infectados não diagnosticados aceleraram a explosão. Para tentar reduzir danos, o Governo anunciou um chamamento público para tecnologias para ampliar a capacidade de fazer testes do novo coronavírus, mas avaliará a contratação de testes com base na qualidade eles.

“De España Vengo”, Monserrat Caballé: Magnífica performance da fabulosa cantora  lírica espanhola. Da Zarzuela “El Nino Judio” De Pablo Luna. Para ouvir  e saudar a Espanha grandiosa que nenhum ex-soberano farsante e corrupto e nem a Coronavírus conseguirão abater ou destruir. Olé!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

O rei Felipe VI renunciou à herança de seu pai, Juan Carlos, e cancelou a verba que lhe era atribuída, anunciou A Casa Real, em reação às suspeitas de corrupção que envolvem o rei emérito.

O rei Felipe VI, da Espanha, distanciou-se neste domingo dos escândalos que afetam o seu pai, o rei emérito Juan Carlos, retirando-lhe o subsídio da Casa Real espanhola, no valor de quase 200 mil euros anuais, e renunciando à herança pessoal que lhe fosse devida. Com essa decisão sem precedentes, Felipe VI dissocia-se de qualquer negócio que o seu pai possa ter no exterior.

Um gesto simbólico numa altura em que sobem de tom as polémicas e ganham gravidade os escândalos em torno do rei emérito, que em junho de 2014 abdicou a favor do filho, Felipe VI, e que em 2019 se afastou da vida pública.

O anúncio da Casa Real surge na sequência da divulgação pela imprensa de que Juan Carlos terá recebido cem milhões de dólares (90 milhões de euros) de um fundo da Arábia Saudita, depositados numa conta na Suíça em nome da Fundação Lucum, do Panamá, da qual Juan Carlos seria beneficiário, assim como o próprio rei Felipe VI.

Felipe VI também disse que não sabia absolutamente nada sobre ter sido nomeado como beneficiário também de uma outra fundação, Zagatka, que, segundo a imprensa, pagou milhões de euros a Juan Carlos.

O comunicado da Casa Real lembra que, no seu discurso de proclamação diante das Cortes Gerais em 2014, Felipe VI já enfatizou que “a Coroa deve (…) preservar o seu prestígio e observar uma conduta integral, honesta e transparente”. De acordo com esses princípios, acrescenta, o rei quer “tornar conhecido publicamente” que comunicou ao pai a “sua decisão de renunciar à herança que lhe pode corresponder pessoalmente, bem como a qualquer ativo, investimento ou estrutura financeira cuja origem, características ou objetivos podem não estar de acordo com a legalidade ou com os critérios de retidão e integridade que regem a sua atividade institucional e privada e que devem informar a atividade da Coroa “.

 pagamentos sauditas

Na última terça-feira, o Parlamento espanhol decidiu não iniciar um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro pelo antigo monarca.

O inquérito tinha sido pedido pelo Podemos, depois das notícias no início deste mês de que Juan Carlos recebeu cem milhões de dólares do rei saudita Abdullah através da conta suíça de uma entidade listada no Panamá.

Segundo o jornal suíço Tribune de Genève, em 2008, o entretanto falecido rei Abdullah da Arábia Saudita teria dado cem milhões de dólares a Juan Carlos. O dinheiro teria sido depositado numa conta do banco suíço Mirabaud, em nome da Fundação Lucum, com sede no Panamá e cujo único beneficiário seria o então monarca.

Segundo a investigação suíça, este teria retirado o dinheiro aos poucos, sendo a conta fechada após rebentar o escândalo da viagem de Juan Carlos e Corinna ao Botswana para caçar elefantes, em 2012. A viagem acabou com o rei a ser transportado de urgência até Espanha, após cair e partir a anca.

 Foi depois disso que o rei terá transferido, através de outro banco suíço com sede nas Bahamas, 65 milhões de euros para Corinna. Investigada por causa do dinheiro na Suíça, a alegada ex-amante disse que o dinheiro foi um “presente não solicitado do rei”. Numa declaração ao El País, o seu advogado indicou: “Em 2012, a nossa cliente recebeu um presente não solicitado do rei emérito, que o descreveu como uma espécie de donativo para ela e para o filho, a quem se tinha apegado. Tinha passado vários anos com problemas de saúde, durante os quais a nossa cliente cuidou dele”, acrescentando que tudo está de acordo com a lei.

Há dois anos tinham vindo a público gravações de Corinna a revelar que o monarca tinha contas na Suíça e que ela era usada como testa-de-ferro por ele. Entretanto, a imprensa cor-de-rosa garante que o filho de Corinna poderá ser filho do monarca.

O monarca da transição democrática

O monarca Juan Carlos, hoje com 82 anos, subiu ao trono após a morte do ditador militar Francisco Franco em 1975 e foi amplamente respeitado por ter favorecido a transição para a democracia.

O monarca que Franco tinha escolhido para pôr no trono lançou, após a morte do ditador, as bases para a transição democrática. Juan Carlos conquistou os espanhóis noutro momento, durante a tentativa de golpe de Estado de 23 de fevereiro de 1981, quando, num discurso à nação, vestido com o uniforme militar, defendeu o regresso à Constituição. Durante muitos anos, dizia-se que os espanhóis eram juancarlistas, não monárquicos.

Ao assumir as rédeas da Casa Real, em 2014, Felipe VI teve no entanto de lidar com os estilhaços dos escândalos do pai, ao mesmo tempo que enfrentava a crise política em Espanha – já teve em menos de seis anos de reinado mais consultas com os partidos do que Juan Carlos em 38 anos – e os desejos de independência da Catalunha

Ministros do STF divergem sobre suspender sessões por causa do coronavírus

 

Por Márcio Falcão

Ministros do Supremo Tribunal Federal divergem sobre a adoção de novas restrições para o funcionamento da Corte diante da pandemia do coronavírus, como a suspensão dos julgamentos.

Após se reunirem na tarde desta segunda-feira (17/3) com o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, ministros do Supremo discutiram a interrupção das sessões presenciais do plenário, mas não houve consenso. Alguns ministros avaliaram que é importante manter o Supremo em funcionamento diante das tensões no cenário político.

Fora Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, os ministros têm mais de 60 anos. No STJ, o cancelamento dos julgamentos levou em consideração o fato de que a maior parte dos ministros também está nesta faixa etária e é considerada do grupo de risco.

Nesta terça-feira (17/3), Ricardo Lewandowksi decidiu adotar trabalho remoto e liberou os servidores de seu gabinete para trabalho domiciliar. Roberto Barroso segue a posição do colega e defende mais cautela da Corte.

“Minha posição é de que deveríamos trabalhar apenas nos gabinetes e em plenário virtual, sem sessões. Isso porque as sessões obrigam os advogados a se deslocarem, bem como a presença de ministros, servidores, jornalistas. Porém, estou seguindo a vontade da maioria. Mas vou insistir na minha proposta”, afirmou Barroso.

Até agora, o Supremo já decidiu restringir o acesso do público às sessões de julgamento para combater o coronavírus. Uma resolução publicada pela Corte permite que apenas pessoas ligadas aos processos que serão analisados acompanhem a reunião no plenário ou nas turmas da Corte.

Ainda não há suspeita de que algum ministro esteja com coronavírus. As regras foram discutidas ontem durante uma reunião com técnicos.

mar
18
Posted on 18-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2020

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the treesDias Toffoli, presidente do CNJ (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Para prevenir a propagação do coronavírus nas prisões, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu hoje (17) uma série de recomendações a juízes e tribunais. Entre as medidas recomendadas, está a revisão das prisões provisórias por todos os juízes do país.

No Brasil, há 753.676 presos, a maioria (348.371) em regime fechado, seguido pelo semiaberto (253.963) e aberto (27.069). Do total, 253.963 (33,47%) encontram-se em prisão provisória, quando ainda não há condenação definitiva. Os dados são do boletim divulgado em junho de 2019 pelo Infopen, sistema de informações do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Pela recomendação do CNJ, os magistrados devem revisar se ainda há motivos para cada prisão provisória, nos termos do Artigo 316 do Código de Processo Penal (CPP). Nesse processo, devem ser priorizadas gestantes, lactantes, mães ou pessoas responsáveis por criança de até 12 anos, idosos, indígenas, pessoas deficientes ou que se enquadrem no grupo de risco.

Após os grupos acima, devem ser priorizadas pessoas presas em estabelecimentos superlotados, que não disponham de equipe de saúde própria ou que disponham de instalações que favoreçam a propagação do novo coronavírus, entre outros pontos, recomenda o CNJ.

A recomendação do CNJ prevê ainda “a máxima excepcionalidade de novas ordens de prisão preventiva”. Aos magistrados responsáveis pelas varas de execução penal, o órgão recomenda que concedam aos casos possíveis “saída antecipada dos regimes fechado e semiaberto”. Para os presos que estão em regime semiaberto e aberto, o órgão recomenda a prisão domiciliar.

No caso das prisões em flagrante, a recomendação do CNJ é que sejam suspensas as audiências de custódia, que é quando o preso é levado à presença de um juiz em até 24 horas. Ficaria mantida somente a análise dos autos de flagrante. Outras medidas podem ser tomadas em audiências posteriores, orienta o órgão.

Para o CNJ, é recomendável ainda a suspensão da apresentação em juízo de pessoas em liberdade provisória ou condicional.

As recomendações foram feitas tendo em vista que “a manutenção da saúde das pessoas privadas de liberdade, especialmente devido à situação de confinamento e superlotação nos presídios brasileiros, é essencial para a garantia da saúde coletiva e da segurança pública”, justificou o CNJ.

O documento, assinado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, foi enviado para que os presidentes de todos os tribunais do país distribuam a seus magistrados. As medidas devem vigorar por 90 dias com possiblidade de prorrogação.

Ontem (16), centenas de presos fugiram de presídios de São Paulo depois que a saída temporária de Páscoa foi suspensa em razão da pandemia de Covid-19 (novo coronavírus). Até o momento, dos quais 573 internos foram recapturados, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo. (Agência Brasil)

mar
18

Em São Paulo, grupos de voluntários se unem para ajudar a rotina dos mais velhos. Pró-Sangue sofre com estoque abaixo do volume necessário

Senhora na praia do Arpoador, no Rio.
Senhora na praia do Arpoador, no Rio.Silvia Izquierdo / AP (AP)

“Estou sentindo que vamos ficar cada vez mais unidos”. A frase da cozinheira Karen Cecchia, 31 anos, não tem conotação literal, e sim metafórica: ela a usou para defender que, conforme a pandemia do novo coronavírus cresça exponencialmente no Brasil, mais a população precisará ajudar os grupos de risco e colaborar para impedir que o vírus circule pelas ruas. Karen faz parte de uma comissão de jovens moradores do Edifício Louvre, um dos mais conhecido da região central de São Paulo, criada para ajudar os habitantes do prédio – especialmente os idosos – que precisam ficar em quarentena sem sair de seus apartamentos. “Por enquanto, 20 apartamentos se solidarizaram para ajudar os ‘velhinhos’ nas compras de supermercado, farmácia e qualquer outra coisa, já que muitos deles moram sozinhos aqui no prédio”, diz a cozinheira.

Karen conta que o prédio é heterogêneo pois “só moram ou jovens ou mais velhos. Não existe uma idade intermediária”. Enquanto os mais novos estão fora da faixa de risco de morte da doença, os idosos são os que correm mais perigo; a única morte confirmada pelo Ministério da Saúde de Covid-19 no Brasil até agora é de um senhor de 62 anos com doenças pré-existentes, em São Paulo. “Precisamos facilitar a vida deles porque sabemos que para eles é preocupante”, diz Karen. Em entrevista coletiva dada na tarde desta terça-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou a mensagem passada pelos moradores do Louvre: “Cuidem dos idosos”.

Além de compras, os membros do grupo também se disponibilizam para cuidar dos filhos daqueles que ainda não podem trabalhar de casa, uma vez que algumas empresas da cidade ainda não adotaram o home office. Há ainda outras maneiras: como cozinheira, Karen Cecchia recebe de acordo com as comidas que faz para eventos os quais, neste mês, foram todos cancelados. “Ou seja, estou sem salário. Por isso me propus a cozinhar para aqueles que estão em quarentena. Faço uma marmitinha a um preço camarada, ajudo eles e eles me ajudam”, argumenta. Como a comissão foi criada nesta segunda-feira, 17, as atitudes sugeridas começaram a entrar em vigor nesta terça, 18.

A ideia da ajuda comunitária veio através da foto de uma carta escrita à mão que está circulando nas redes sociais e foi compartilhada no grupo de WhatsApp dos moradores do edifício. Sem identificação de origem, a foto foi tirada de um elevador de um prédio, onde a mensagem redigida em uma folha de papel diz que “tendo em conta a situação complicada (…), aos vizinhos que, pela idade ou complicações de saúde, estejam nesse momento com receio de se deslocarem a rua, nos disponibilizamos para ajudar com idas ao mercado, à farmácia ou outra necessidade”. “É o que nos resta: monitorar quem precisa ser monitorado e ajudá-los”, complementa Karen.

Além dos moradores, startups e empresas consolidadas adotaram medidas para combater o contágio do vírus em países com situações piores que a brasileira, como a Espanha. Lá, a empresa de big data Hocelut lançou o site coronavirus.org com o apoio do Google para ajudar na identificação dos diferentes casos da Covid-19 pelo país. A startup de educação Tutellus divulgou um curso básico gratuito de medicina preventiva com informações sobre a doença, enquanto a Fundação Cotec iniciou um estudo para desenvolver aparelhos de respiração artificial através de impressoras 3D, visando facilitar a distribuição e venda para as pessoas infectadas pelo novo coronavírus. No Brasil, a iniciativa tecnológica mais próxima foi governamental, quando o Ministério da Saúde lançou o aplicativo para celular Coronavírus – SUS, que informa a população quando é o momento de procurar um posto de saúde de acordo com os sintomas descritos. Na entrevista coletiva desta terça, Mandetta pediu para que grupos de voluntários ajudem a cuidar de asilos, lugares onde a concentração do grupo de risco é muito grande.

“Eu já vejo um altruísmo melhor, mas as pessoas só estão dispostas a ajudar quando a saúde delas já está garantida”, pontua Karen. “Mas acaba sendo algo natural, de sobrevivência. Até porque não dá para colaborar com o outro se você mesmo não tomar as devidas precauções”, complementa. A cozinheira, cujo apartamento tem vista para a Praça da República, um dos pontos mais movimentados do centro da capital, ainda reclama que tem visto muitas pessoas andando em grupos “todos bem tranquilos ainda”. “Ainda não está acontecendo, mas vai chegar uma hora que todos terão que dar o mesmo grau de importância à situação”, conclui.

Bancos de sangue sofrem com baixo estoque em SP

Outra forma de colaborar com a situação da saúde pública na cidade é indo aos postos de coleta de sangue para a Fundação Pró-Sangue, instituição pública responsável pelo abastecimento de sangue dos hospitais da Grande São Paulo. Não porque a coleta de sangue ajudará no combate direto ao coronavírus, mas porque a fundação está sofrendo com baixos estoques devido a pandemia. “Quem tem coronavírus não precisa de um tratamento envolvendo uma demanda alta de bolsas de sangue. O nosso problema é que as pessoas não estão vindo doar por conta das restrições e do medo de contágio”, afirmou a Pró-Sangue através da assessoria.

Atualmente, as bolsas de sangue estão operando em 40% da reserva necessária. Os sangues do tipo O+, O- e B- só tem bolsas para mais um dia de operação, enquanto A- e A+ conseguem atender por mais dois dias. A Pró-Sangue faz questão de ressaltar que está adotando as medidas necessárias para que não haja risco de contágio do vírus durante a doação, como o aumento do número de agendamentos individuais para diluir o número de doadores durante o dia, a disponibilidade de álcool gel em todos os cômodos de todas as unidades e a alteração da disposição das cadeiras para evitar aglomerações nas salas. “Além disso, seguimos um rigor sanitário no procedimento e no material utilizado no doador, que é de uso único, de forma que não há risco de contaminação”, explicou a instituição.

A Pró-Sangue reforça o caráter preocupante da situação e garante a segurança de quem for ao posto doar sangue. Para ser um doador, é necessário ter entre 16 e 69 anos de idade, pesar mais de 50 quilos e levar um documento original com foto. Recomenda-se evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e 12 horas no caso de bebidas alcoólicas, além de esperar sete dias após a recuperação em caso de gripe ou resfriado. Se a pessoa não estiver nas condições ideais de saúde, ela será orientada durante o processo de triagem, que antecede a doação.

mar
18
Posted on 18-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2020


 

Clayton, MO JORNAL

 

mar
18
Posted on 18-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2020

Por Filipe Matoso e Gustavo Garcia, G1 — Brasília

 O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Mateus Bonomi/AGIF - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo  O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Mateus Bonomi/AGIF - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro — Foto: Mateus Bonomi/AGIF – Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro informou nesta terça-feira (17) em uma rede social que o segundo teste ao qual ele foi submetido deu negativo para o novo coronavírus.

Bolsonaro foi submetido ao novo exame na manhã desta terça. O presidente fez o teste porque parte da comitiva que o acompanhou na semana passada na viagem à Flórida (EUA) contraiu o vírus.

“Informo que meu 2º teste para Covid-19 deu negativo. Boa noite a todos”, publicou o presidente na rede social.

Bolsonaro foi submetido ao primeiro teste no último dia 12. Um dia depois, também pelas redes sociais, o presidente disse que o exame deu negativo.

Entre as pessoas que integraram a comitiva e contraíram o novo coronavírus estão o secretário de Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, e o senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Coronavírus no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou até a tarde desta terça 291 casos confirmados de coronavírus, além de 8.819 suspeitos.

Na manhã desta terça, o governo de São Paulo confirmou a primeira morte provocada pela Covid-19, doença causada pelo coronavírus.

Bolsonaro tem dito que não há motivo para “histeria”, mesmo com o avanço do número de casos. O presidente chegou a dizer que “fica todo mundo maluco” se houver o que ele chama de “histeria”.

 

“Não pode ter histeria, é isso o que sempre preguei. Se for para a histeria, fica todo mundo maluco. As consequências serão as piores possíveis. Em alguns países já têm saques acontecendo, isso pode vir para o Brasil. Pode ter aproveitamento político disso, mas a gente não quer pensar nisso daí, mas tem que ter calma. Vai passar. Desculpa aqui. É como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. O vírus ia chegar aqui um dia e acabou chegando”, afirmou Bolsonaro nesta terça

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