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Posted on 17-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-03-2020

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada. Quando nos privam da cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre

"Tudo ficará bem", diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).
“Tudo ficará bem”, diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).

A imagem mais dramática e terna, que simboliza ao mesmo tempo a tristeza e a solidão do isolamento ao qual a loucura do coronavírus está nos arrastando, é a dos italianos, habitantes de um país da arte, do tato e da comunicação, que hoje cantam nas janelas das casas diante de ruas e praças vazias. Cantam para consolar os vizinhos encerrados em suas casas. Os lamentos de suas vozes são o símbolo da dor evocada pelos tristes tempos das guerras e dos refúgios contra os bombardeios.

Mas é às vezes nos tempos das catástrofes e do desalento, das perdas que nos angustiam, que descobrimos que, como dizia o Nobel de literatura José Saramago, “somos cegos que, vendo, não veem”. Descobrimos, como uma luz que acende em nossa vida, que éramos cegos, incapazes de apreciar a beleza do natural, os gestos cotidianos que tecem nossa existência e dão sentido à vida.

A pandemia do novo vírus, por mais paradoxal que pareça, poderia servir para abrir nossos olhos e percebermos que o que hoje vemos como uma perda, como passear livres pela rua, dar um beijo ou um abraço, ir ao cinema ou ao bar para tomar uma cerveja com os amigos, ou ao futebol, eram gestos de nosso cotidiano que fazíamos muitas vezes sem descobrir a força de poder agir em liberdade, sem imposições do poder.

Descobri essa sensação quando, dias atrás, fui dar a mão a um amigo e ele retirou a sua. Tinha me esquecido do vírus e pensei que meu amigo poderia estar ofendido comigo. Foi como um calafrio de tristeza.

Às vezes abraçamos, beijamos e nos movemos em liberdade sem saber o valor desses gestos que realizamos quase de forma mecânica. Quando os pais sentem às vezes, no dia a dia, o peso de terem que levar as crianças ao colégio e as deixam lá com um beijo apressado e correndo, mecânico, apreciam, depois do coronavírus, a emoção de que seu filho te peça um beijo ou segure a sua mão. E apreciamos a força de um abraço, do tato, de estarmos juntos apenas quando nos negam essa possibilidade.

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada, e entendemos melhor o abandono dos presos e dos excluídos. Somente quando nos impedem de nos aproximarmos dos nossos animais de estimação é que descobrimos a maravilha que é poder acariciá-los e abraçá-los.

Se, como dizia Saramago, no cotidiano somos cegos quando não apreciamos a força da liberdade, também, muitas vezes, amando não amamos e livres nos sentimos escravos. O que nos parece cansaço e castigo da rotina revela-se como o maior valor. Quando nos privam dessa cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre.

Na obra Ensaio Sobre a Cegueira (Companhia das Letras), de Saramago, tão recordada nestes momentos de trevas mundiais, na qual uma cidade inteira fica cega e as pessoas enclausuradas, descobre-se melhor nossa insolidariedade e nosso egoísmo. O escritor é duro em seu romance ao fazer daqueles cegos a metáfora de uma sociedade onde cada um, nos momentos de perigo e angústia, pensa apenas em si mesmo.

A única que redime aquela situação perversa dos cegos é uma mulher, a esposa do médico, a única que não perdeu a visão e que se faz passar por cega para ajudar os que de fato são. Aquela mulher é representada hoje pelos italianos que usam suas vozes para, com suas notas doloridas, aliviar a solidão dos vizinhos.

Nestes momentos vividos por boa parte das pessoas do mundo, enclausuradas e presas pelo rigor do poder que as condena negando-lhes a liberdade de movimento, que a dor coletiva nos ajude a vencer nosso atávico egoísmo cotidiano, ao contrário dos cegos egoístas do romance de Saramago.

Que a tragédia do coronavírus consiga nos transformar no futuro em guias e ajuda amorosa dos novos cegos de uma sociedade que muitas vezes parece não saber onde caminhar e que, quando goza de liberdade, anseia pela escravidão.

Que a dor de hoje se transforme em tomada de consciência de que vale mais a liberdade das aves do céu que a escravidão que nos impomos quando somos livres. Que o mundo não caia na tentação dos escravos que Moisés havia tirado da escravidão do Egito, que, enquanto eram conduzidos pelo deserto rumo à liberdade, continuavam preferindo as cebolas e os alhos do tempo da escravidão ao maná que Deus lhes enviava do céu. Não existe maior bem neste planeta do que a liberdade que nos permite amar e sofrer sem sucumbir.

E ante a catástrofe do coronavírus, que poderia nos alcançar a todos, que se rompam neste país as trincheiras entre bolsonaristas e lulistas para nos sentirmos solidários numa mesma preocupação.

Na dor e na calamidade coletiva, sentimos que somos menos desiguais do que pensamos. E que, no fim das contas, as lágrimas não têm ideologia.

“Estava Escrito”. Ângela Maria e Nana Caymmi: Momento extraordinário da música brasileira. Na TV Globo, em maio de 1996, o Som Brasil foi estrelado por Ângela Maria, uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. No Especial -especial de verdade – a Sapoti se apresentou ao lado de 12 grandes nomes da música nacional, como Nana Caymmi, que cantou em dueto com a eterna rainha do rádio em “Estava Escrito”. Uma performance de arrepiar, eternizada neste vídeo. Confira e aplauda.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the trees
Gustavo Bebbiano e Jair Bolsonaro em estúdio de TV durante a campanha (Foto: Reprodução Instagram)

Veio a público uma carta escrita pelo ex-ministro Gustavo Bebianno ao presidente Bolsonaro, para que fosse entregue em caso de sua morte. Entre muitas confidências trocadas com seu ex-patrão, Bebianno disse coisas do tipo: “Dediquei dois anos da minha vida para defender uma causa apelidada de Mito. E eu acreditei nesse Mito com todas as minhas forças, com todo o meu coração.”

Leia o texto na  íntegra:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará“

João 8:32

Meu Capitão,

Ao longo de dois anos, ouvi essa frase sair da sua boca quase todos os dias, como que de forma automática.

Isso, além de outras coisas, fazia-me acreditar que o senhor era um homem justo, bom, leal e amigo. Acima de tudo, corajoso!

Dediquei dois anos da minha vida para defender uma causa apelidada de Mito. E eu acreditei nesse Mito com todas as minhas forças, com todo o meu coração.

O senhor SABE disso. Por mais que, agora, o senhor tente banalizar tudo o que fiz, para alívio da própria consciência, o senhor SABE que não chegaria até aqui sem o trabalho que fiz (trabalho que só deu certo porque fiz, acima de tudo, com AMOR — amor que intensamente desenvolvi por você. Amor hétero, como costumávamos brincar).

O senhor mesmo costumava verbalizar essa verdade para algumas pessoas do nosso convívio. Essas pessoas também sabem, também conhecem essa verdade. Mas o que importa, de fato, é que o senhor, homem Jair Bolsonaro, SABE: sempre estive ao seu lado, e do seu lado, durante toda essa jornada, sem importar o preço a ser pago.

Ainda que o senhor bata a cabeça, tome remédios, se encha de raivas criadas por fantasias exóticas e curiosas, o FATO, a VERDADE, continuará lá no fundo da SUA consciência, impressa na SUA alma.

Por isso, não vou tomar o seu tempo dissertando sobre as coisas que fiz, acreditando estar, principalmente, trabalhando para o bem do meu país.

Mas, Meu Capitão, o senhor precisa acordar e cair em si.

O senhor está obsediado. Obsediado pelo próprio filho. Carlos precisa de ajuda e só o senhor tem esse poder. Não estou falando com rancor. Meu sentimento não é de raiva, acredite. Não tenho uma só gota de raiva do Carlos (a que tive, já passou, graças a Deus), porque ele precisa de ajuda. Isso é visível aos olhos de TODOS.

Falando dessa forma direta, o senhor talvez não entenda. Por isso, tentarei lhe explicar um pouco mais esse meu sentimento.

Carlos vive em uma prisão mental e emocional. Ele sofre intensamente em função do próprio ódio. Ele cultiva esse ódio contra tudo e contra todos, principalmente contra as pessoas por quem o senhor demonstra AFETO. E o senhor também sabe dessa VERDADE. Ele é consumido pelo ódio 24 h por dia, independentemente do que esteja acontecendo no mundo real.

A despeito do que, de fato, esteja acontecendo no mundo real, por melhores que possam ser as circunstâncias, Carlos continua odiando e sofrendo. Mesmo o senhor tendo alcançado o objetivo de ser eleito, ele permanece odiando. Ele aprendeu a ser assim e não sabe fazer de outra forma. Não é por mal, ele não tem culpa, simplesmente não sabe fazer diferente.

E o senhor tem alimentado essa situação. E isso só vai mudar quando o senhor RECONHECER A VERDADE.

Para manter o vínculo afetivo com ele, para manter a conexão física e emocional, o senhor embarca nessas fantasias, nessas paranoias, nas eternas teorias de conspiração.

Carlos aprendeu a ser assim com o senhor. Foi o senhor que o ensinou, desde pequeno, a viver em confronto. Vide o que assumiu contra a própria mãe, ainda quando jovem. Essas experiências deixam marcas, Capitão. A mente humana é muito profunda e complicada. É bom estar preparado para confrontos. Viver em permanente estado de beligerância nubla a mente e a existência.

O seu erro tem sido fazer exatamente o contrário daquilo que prega. O seu pecado é, nesse caso, não RECONHECER A VERDADE. E, portanto, não se libertar (nem libertar o próprio filho, que é o que mais sofre).

Ao agir assim, o senhor se mantém preso, mantém o seu filho preso, e gera um rastro terrível de destruição à sua volta. O senhor destrói os seus principais amigos e aliados. O senhor se torna uma pessoa injusta com os outros. Além disso, alimenta e incentiva o comportamento viciado do filho, impedindo-o de se libertar do ódio.

Tenha certeza de que, daqui a pouco tempo, o problema envolverá outra pessoa, e depois outra, e depois mais outra, num rastro interminável de ódio e destruição. Leia a Bíblia e veja as consequências invariáveis decorrentes do ódio. O ódio é uma energia terrível e incontrolável que tudo destrói. O ódio abre o canal de sintonia com o que há de pior no mundo espiritual.

Acredite: sem saber, sem querer e sem perceber, Carlos se tornou um canal aberto para influências espirituais negativas. Ele se tornou obsediado. E, por consequência, obsedia o senhor. Isso é um círculo vicioso terrível! O mal opera por aí. Ao contrário do que muita gente pensa, o mal nem sempre age pelas mãos de Adelios. Na maioria das vezes, age de forma ardil e sub-reptícia, pela mente de pessoas próximas a nós, que nos amam e a quem também amamos. Acredite nisso, Capitão.

O mal opera utilizando as fraquezas de cada um (ou, como se diz no jargão religioso, pelo pecado). Se a pessoa tem a tendência de beber, será influenciada a beber. Se a pessoa tem a tendência a sentir ciúmes, será colocada em circunstâncias propícias a sentir ciúmes. Se a pessoa tem a tendência de odiar, essa será a ferramenta usada).

No seu caso, essa é a chave por meio da qual o mal opera. É por meio do seu próprio pecado. O senhor cultiva e alimenta teorias de conspiração, intrigas e ódio, e ensinou seus filhos a fazerem o mesmo. O melhor discípulo foi o Carlos, pois é o que tem maior conexão espiritual com você. O problema é que ele é muito forte, muito intenso, e o senhor perdeu o controle sobre o “pitbull”. Hoje, ele morde aleatoriamente as pessoas, sem que o senhor consiga segurá-lo. Pior do que isso, quando o senhor tenta segura-lo, ele se vira e morde o senhor mesmo.

E, com esse canal aberto, o mal segue operando. Os obsessores instigam vocês dois a desconfiarem das pessoas e sentirem o ódio. Vocês ficam cegos e sentem o ódio contra alguém injustamente — como no meu caso — e atacam. A vítima do ataque também passa a sentir ódio, pois foi atacada (no meu caso, fui atacado injustamente em público). Ao sentir ódio, eu também tenho vontade de atacar, de retribuir a agressão. E, assim, o círculo vicioso se amplia, num rastro sem fim de destruição, cumprindo a missão dos obsessores que pretendem manter o BRASIL no mesmo padrão moral inferior.

Portanto, meu amado Capitão, só há uma forma de isso tudo acabar bem, em benefício do nosso BRASIL.

O senhor precisa romper esse ciclo de ódio. Do fundo do seu coração, do fundo da sua alma, com toda a sua força. O senhor é um homem bom, justo, permita que isso venha à tona. Quebre os padrões negativos. Só o AMOR pode fazer isso. Só o amor tem o poder de salvar o Brasil e livra-lo das influências negativas que o prejudicam.

Peço perdão ao senhor pelos maus sentimentos que tive nos últimos dias.

O senhor pode ficar tranquilo. Vou embora em paz. Quero apenas que dê certo. Não posso crer que tudo o que foi feito tenha sido em vão.

Tenha a certeza que nunca o traí. Nunca fiz nada pelas costas. Nunca plantei nota desfavorável ao senhor ou a seus filhos, nunca vazei áudio. Não há complô algum. Talvez o senhor nunca enxergue isso. Mas minha consciência sabe. Isso é o que basta.

Minha missão chegou ao fim aqui. A sua, não. Reconheça seus erros (para si próprio). Faça um profundo exame de consciência. Limpe o seu coração. Recupere o Carlos pelo seu exemplo. Ele vai aprender. Ele é um bom garoto. Só precisa da sua ajuda.

Fique com Deus e um beijo no seu coração (hétero).

O senhor continuará a ser o meu Mito.”

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Após aparição em atos contra outros poderes, presidente não participa de videoconferência com presidentes da região para tratar sobre o vírus que se espalha pelo continente, especialmente o Brasil

O presidente Jair Bolsonaro durante manifestação na frente do Palácio do Planalto, no domingo.
O presidente Jair Bolsonaro durante manifestação na frente do Palácio do Planalto, no domingo.SERGIO LIMA / AFP (AFP)

O presidente Jair Bolsonaro comprou para si uma crise extra com a sua saída do Palácio do Planalto, no último domingo, para abraçar e tirar selfies com populares em uma manifestação de apoio ao seu Governo. Se ficou bem com aqueles que não se importaram em estender a mão para cumprimentá-lo —apesar de 13 pessoas da comitiva que o acompanhou aos Estados Unidos terem sido contagiadas com o coronavírus— Bolsonaro perdeu o respeito de antigos aliados. Entre elas, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP), que quase foi sua candidata a vice durante as eleições de 2018.

ta segunda, Paschoal propôs que Bolsonaro deixasse o poder para alguém “capaz de conduzir a nação.“ “As autoridades têm de se unir e pedir para ele [Bolsonaro] se afastar. Não temos tempo para um processo de impeachment”, afirmou Paschoal, que fez um discurso na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Estamos sendo invadidos por um inimigo invisível [o coronavírus]. Precisamos de gente capaz de conduzir a nação. Quero crer que [o vice-presidente Hamilton] Mourão pode fazer isso por nós”, completou.

Se a deputada rejeita a ideia de impeachment, outros desafetos do presidente veem nesse processo o caminho natural para Bolsonaro depois de seu gesto de indiferença com a crise do coronavírus neste domingo. O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), seu ex-aliado, promete entregar nesta terça-feira um pedido de afastamento do presidente ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Bolsonaro, contudo, não acredita que será afastado por acreditar que tem “o povo” ao seu lado e os atos de populares a seu favor neste domingo seriam a prova. O mandatário teima em enxergar que cometeu erros, inclusive ao cumprimentar pessoalmente os seus apoiadores. Em entrevista ao jornalista Luiz Datena, na rádio Bandeirantes, o presidente falou por longos 50 minutos, e admitiu que fará um segundo teste esta semana para o coronavírus. Em momento algum cogitou que pudesse ele mesmo transmitir o vírus para os populares que foram celebrá-lo na porta do Palácio do Planalto. Ao contrário, insinua que se colocou ele mesmo em risco para respeitar o público. “Se eu me contaminei, é responsabilidade minha. Ninguém tem nada com isso”, afirmou Bolsonaro.

Mantendo o tom desafiador, minimizou as críticas que lhe são atribuídas e tratou novamente como “histeria” a preocupação com a expansão do coronavírus. “Você tem um caos muito maior. Se economia afundar, afunda o Brasil. E qual é o interesse? Dessas lideranças políticas [que o criticam]? Se afundar a economia, acaba o meu Governo”, diz ele, que atribui a preocupação com o coronavírus a uma guerra de poder. Perguntado se poderia fechar fronteiras, como o fizeram outros países, entre eles alguns com menos casos do vírus que o Brasil, Bolsonaro disse que o Brasil não tem espaço de lei para fechar.

Questionado sobre a postura do presidente diante da crise, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo Reis, negou-se a comentar. “O Ministério da Saúde não avalia manifestações do presidente. Vou falar sobre qualquer coisa que diga respeito à saúde pública, não vou falar sobre comportamento das pessoas, muito menos do presidente”.

Apesar de classificar de “histeria” a preocupação com o coronavírus, o Governo decidiu criar um gabinete de crise, que avalia em tempo real a evolução da doença —já são 234 casos no país—, e anunciou um pacote de medidas econômicas que pretende injetar 147 milhões de reais na economia. A ideia é atenuar a oscilação nos mercados. A Bovespa acionou o circuit breaker (uma interrupção automática dos negócios após queda vertiginosa das ações) pela quinta vez este mês, fechando com redução de quase 13%. Pela primeira vez no ano, o dólar fechou em 5 reais nesta segunda.

Isolamento

Se o presidente fez pontos com seus apoiadores mais radicais que foram às ruas, entre a cúpula dos poderes a tentativa é de isolá-lo para deixar seus técnicos trabalharem. Um exemplo disso foi uma reunião de emergência que ocorreu na tarde desta segunda-feira no Supremo Tribunal Federal, do qual participaram o presidente e o vice da Corte, Dias Toffoli e Luiz Fux, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. O Executivo foi representado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Alcolumbre e Maia se queixaram de que Bolsonaro tem estimulado o acirramento entre os poderes, o que foi reforçado por sua participação na manifestação de domingo e em uma entrevista dada à CNN Brasil, na qual ele diz que esses dois parlamentares deveriam ir para as ruas para ouvir a população.

Na esfera regional, Bolsonaro também demonstrou que não está interessado em unir forças com outros países sul-americanos. Desde Santiago, no Chile, o presidente Sebástian Piñera coordenou uma reunião do Prosul (Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Guiana e Chile). Com exceção do Brasil, os presidentes dos demais países do grupo participaram da reunião por teleconferência. Bolsonaro determinou que Mandetta e o chanceler Ernesto Araújo o representassem. Nesse encontro, o grupo concordou em coordenar a adoção de medidas para a proteção de fronteiras, facilitar os retornos dos nacionais a seus respectivos países, estabelecer políticas de compras conjuntas de insumos médicos e aumentar a capacidade de diagnósticos dos possíveis infectados.

Na contramão de outros países da América do Sul, o Brasil não deverá fechar suas fronteiras para evitar a disseminação do novo coronavírus. Peru, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai impuseram restrições para a entrada de estrangeiros. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo Reis, o país está se preparando para receber estrangeiros que precisem de assistência, como quatro argentinos e dois uruguaios que estão em um cruzeiro atracado em Recife com casos suspeitos de coronavírus. O ministro Luiz Henrique Mandetta declarou ser contrário à medida. “Se for partir para fechar tudo, sai todo mundo correndo.

“Defeito de Ramos é ser bastante inexperiente”, diz Bolsonaro

 

Por Redação O Antagonista

Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que o defeito de Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, é ser “bastante inexperiente”.

“O Ramos, o defeito dele é ser bastante inexperiente ainda. Esse é um defeito dele, mas ele está vendo essa questão. O pessoal botou o Ramos na parede para conversar sobre projetos para andar lá, compromissos futuros. Talvez o Ramos tenha se perdido um pouco pela sua imaturidade, inocência e honestidade. É só isso que aconteceu”, disse Bolsonaro ao Datena, em entrevista.

O presidente disse que, para negociar com o Congresso, não se pode agir como a Madre Teresa de Calcutá.

“Para negociar com o Parlamento, não adianta você botar a Madre Teresa de Calcutá. O Parlamento, não são todos, mas é uma minoria, quer participar do governo.”

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Posted on 17-03-2020
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Duke, NO

 

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Jornal do Brasil

 O presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiróz, alertou hoje a população que não há necessidade de uma corrida aos supermercados. “Não precisa haver correria aos supermercados”, afirmou.

Ontem (15), embora em um movimento atípico para domingos, a quantidade de consumidores nos supermercados do Rio de Janeiro foi menor do que na sexta-feira (13) e no sábado (14), quando os estabelecimentos ficaram cheios de compradores que temiam enfrentar problemas de desabastecimento.

“Hoje a gente teve um movimento acima do normal para um domingo, mas já com uma procura bem menor. Isso é muito importante. A gente teve as lojas menos cheias. Estamos massificando a informação e reforçando o apelo de que o consumidor não faça uma corrida desenfreada para as lojas. Não há necessidade disso”, reafirmou em entrevista à Agência Brasil.

A redução no movimento ocorreu principalmente em alguns bairros da zona sul e da zona oeste da cidade, como Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá.

Fábio Queiróz disse que tem se empenhado em tranquilizar a população. Ele inclusive publicou vídeos nas redes sociais da Asserj garantindo que não precisa correr aos supermercados e nem fazer estoques pessoais.

“[No vídeo estou] Pedindo, apelando à população, para não correr para os supermercados e não superestocar. E para garantir que vou atualizando a população diariamente. Hoje soltamos outra nota. Qualquer mudança no cenário, serei o primeiro a avisar, porque enquanto as mercadorias estiverem sendo entregues a gente não terá problema de abastecimento”, disse.

“A gente gosta de vender, mas esse não é o momento. Agora é hora de evitar aglomerações para que a gente não chegue ao isolamento social, que é o caos e a falência do sistema de saúde”, disse.

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