Jornal do Brasil

 

Tom Leão

Tom Leão

 

Macaque in the trees
Diretor Roman Polanski (Foto: REUTERS/Charles Platiau)

Não é todo dia que temos em cartaz dois filmes inéditos de dois diretores magníficos. Como está acontecendo agora, nas principais capitais do país: os últimos de Terrence Malick, “Uma vida oculta” (“A hidden life”); e, de Roman Polanski, “O oficial e o espião” (“J´accuse!”). Ambos baseados em fatos reais.

O de Malick é seu filme com narrativa mais linear desde “O novo mundo” (“The new world”, 2005). Ele é inspirado em Franz Jagerstätter (August Diehl), um camponês que vivia nas montanhas austríacas, que, em plena ascensão do nazismo, se recusava a aceitar Hitler e a incorporar o exército nazi. Aos poucos este gesto vai afetando sua vida (e a de sua família). A ponto de ele ser considerado um traidor e ir preso. Antes, teve várias chances para mudar de ideia (como austríaco, não-judeu). Mas, se manteve firme em sua decisão, até o fim.

Malick, 77, narra isso com belas cenas panorâmicas que nos mostram o que Franz teve de abdicar, por não aceitar o mal.

Já o filme de Polanski é baseado no rumoroso caso Dreyfus, quando, em 1984, o capitão do exército francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) foi acusado, injustamente, de traidor (teria feito espionagem para os alemães). Por isso é julgado, condenado e enviado para a Ilha do Diabo (aquela mesma, de “Papillon”). Por trás do fato estava escondido um antissemitismo, o oficial era judeu. Não fosse a intervenção de outro militar, o coronel Georges Picquart (o premiado com Oscar Jean Dujardin, de “O artista”), que percebeu que havia algo errado, Dreyfus teria apodrecido na prisão.

Contudo, levou alguns anos, até que Picquard convencesse a justiça a um novo julgamento de Dreyfus. Foi preciso uma convocação nacional, feita pelo eminente escritor Émile Zola, que escreveu artigo de página inteira num jornal, batizado com a célebre frase ‘J´accuse!’.

Polanski ganhou o César de melhor diretor pelo filme, que foi um dos maiores sucessos de bilheteria de 2019 na França. Maior até do que “O pianista”, que lhe deu Oscars. Um filme necessário, sobre injustiça, de um diretor que, aos 86 anos, ainda não perdeu a mão.

RUGIDOS:

*Uma das mulheres mais marcantes da TV, a atriz, modelo, cantora e jurada Elke Maravilha é tema da primeira produção original em língua portuguesa da sueca Storytel, uma das líderes globais em streaming de audiobooks, podcasts e e-books. Escrita pelo jornalista e escritor Chico Felitti e narrada pela atriz Fernanda Stefanski, ‘Mulher Maravilha’ conta desde a chegada ao Brasil, com sua família refugiada do regime nazista, até os tempos de grande sucesso como uma das modelos mais requisitadas do país, e depois como jurada do programa do Chacrinha. A obra revela que ela nasceu na Alemanha, e não na Rússia, como sempre afirmou e o Brasil sempre acreditou.

*Baseada no livro homônimo de Germán Maggiori, a minissérie argentina da HBO, “Entre homens”, estreia no domingo, 19 de abril, às 21h. Ambientada na década de 90 em Buenos Aires, a série leva os espectadores para o submundo do crime, apresentando uma paisagem urbana instigante, marcada pela violência intensa e pela decomposição moral, política e social.

*Amazon lançará o reality ‘Soltos em Floripa’, no Prime Video, em 20 de março. Serão 8 episódios de uma hora. É a segunda Original Amazon brasileira, após ‘Tudo ou Nada: Seleção Brasileira’, lançada em janeiro.

 

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