DO EL PAÍS

Ex-secretário-geral da Presidência da República sofreu um infarto às 4h deste sábado, segundo pessoas próximas. Ele tinha 56 anos e era cotado pelo PSDB para disputar a prefeitura do Rio

O ex-ministro Gustavo Bebianno, em novembro de 2018.
O ex-ministro Gustavo Bebianno, em novembro de 2018.José Cruz (Agência Brasil )

Morreu na madrugada deste sábado o ex-ministro Gustavo Bebianno, que coordenou a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e ocupou durante os primeiros meses de mandato a Secretaria-Geral da Presidência da República. Bebianno tinha 56 anos e se encontrava em seu sítio em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, quando sofreu, às quatro horas da manhã, um infarto fulminante. A informação foi confirmada por familiares e amigos do advogado, que deixa esposa e dois filhos. O empresário Paulo Marinho, bastante próximo ao ex-ministro e outra figura central da campanha de Bolsonaro, informou que o corpo será velado em uma capela do próprio sítio.

Bebianno era cotado para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições municipais deste ano. Sua trajetória política começara seis anos antes, quando se aproximou de Bolsonaro, em 2014, para oferecer de forma gratuita seus serviços de advogado ao então deputado federal, que já pretendia se candidatar ao Planalto. Em 2018 assumiu a presidência do Partido Social Liberal (PSL) e a coordenação da campanha que levou o ultradireitista ao comando do país. A proximidade com o núcleo bolsonarista resultou em sua nomeação para a Secretaria-Geral da Presidência da República, órgão com status de ministério.

Contudo, essa proximidade se encerrou de forma abrupta pouco tempo depois, em fevereiro de 2019. Na ocasião, o jornal Folha de S. Paulo revelara que ao menos 400.000 reais foram repassados para o fundo partidário do PSL para financiar candidaturas de fachada —isto é, pessoas que, sem a intenção de concorrer, emprestam seus nomes a partidos para desviar recursos do fundo eleitoral que servirão a outros candidatos. O caso ficou conhecido como “Laranjal do PSL”.

Poucos dias depois, Bebianno, responsável formal pela movimentação de verbas de campanha, afirmou que não havia crise e que conversara com Bolsonaro por telefone três vezes ?o presidente estava internado após passar por uma cirurgia. Foi quando o vereador Carlos Bolsonaro, o filho zero dois do presidente, interferiu diretamente na situação e garantiu nas redes sociais que Bebianno estava mentindo ao dizer que se comunicara com seu pai.

O próprio presidente compartilhou em suas redes sociais a mensagem de Carlos, o que confirmou o processo de fritura acelerada de Bebianno no Governo. A troca de áudios entre o advogado e o presidente foram divulgados na imprensa, confirmando a versão Bebianno. Poucos dias após a revelação da Folha, o homem-forte da campanha bolsonarista deixou o Governo dizendo que precisava “pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro”.

Em sua última entrevista, que aconteceu no início de março no programa Roda Viva, da TV Cultura, Bebianno afirmou temer por uma “ruptura institucional” no Brasil. “A minha grande crítica é que o presidente está atrapalhando (…) Me assusta, o presidente eleito recentemente e só pensar em reeleição. Se você tiver o cuidado de pegar a agenda presidencial, você vai ver que ele só pensa em reeleição, reeleição… Ele praticamente não trabalha pelo Brasil. O risco é esse, a começar pelos filhos. AI-5 pra cá e pra lá, críticas infundadas a outros poderes…”.

Bebianno também relatou na entrevista que Carlos Bolsonaro articulou a formação de uma Abin (principal órgão de inteligência do país) paralela no Planalto e buscou interferir na nomeação do diretor-geral do órgão. Nos bastidores da entrevista, admitiu ao portal UOL que temia revelar tudo o que sabia sobre a campanha de 2018 e atos do Governo Bolsonaro. Suas últimas palavras foram publicadas nesta sexta-feira pela coluna Painel, da Folha. “Todos que tentam trabalhar terminam alvejados pelas costas. O Brasil ainda vai enxergar quem são Bolsonaro e seus filhotes”, disse ele, em referência ao suposto processo de fritura do general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo.

Ainda no ano passado, Bebianno se filiou ao PSDB, reformulado pelo governador de São Paulo João Doria. Era cotado pelo empresário e amigo Paulo Marinho para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro neste ano. “A cidade do Rio perdeu um candidato que iria enriquecer o debate eleitoral, e eu perdi um irmão. O Gustavo morreu de tristeza por tudo que ele passou. Agora é hora de confortar a esposa, os filhos e os amigos”, afirmou Marinho, que comanda o partido no Rio. “Seu falecimento surpreende a todos. O Rio perde, o Brasil perde. Bebianno tinha grande entusiasmo pela vida e em trabalhar por um País melhor. Meus sentimentos aos familiares e amigos nesse momento de dor”, afirmou Doria por meio de seu perfil no Twitter.

Resultado de imagem para Regina Duarte no Fantástico entrevista a Ernesto Paglia
Regina Duarte, despojada, no “Fantástico”: “estou enfrentando uma facção”
ARTIGO DA SEMANA

Regina no “Fantástico”: A metamorfose da atriz

Vitor Hugo Soares

Na entrevista de Regina Duarte ao “Fantástico” domingo passado, na TV Globo, o primeiro impacto se estabeleceu logo na abertura, antes dela responder com um “sim”, puro e simples, se já se acostumou ao título, ao cargo. Na conversa com o repórter Ernesto Paglia, a nova Secretária Especial da Cultura – uma das maiores celebridades da televisão e das artes no Brasil – aparece em seu apartamento, despojada, sem nenhuma  maquiagem no rosto. Exibe, sem disfarces, todas as marcas de uma pessoa comum de classe média, na faixa dos 70 anos intensamente vividos – em tempo bom e tempo ruim, – e que demonstra ter passado por metamorfose rápida e profunda em poucos dias.

A impressão para mim é de estar diante de uma mulher diferente, mas igualmente expressiva, a ex-artista  agora encarregada de comandar a Cultura nacional, uma das áreas mais incendiárias e cheias de armadilhas na administração pública do País, em qualquer governo e em qualquer tempo. Em termos de jornalismo e dos signos da comunicação foi um golpe de mestra. Na largada, Regina passou o recado: não cobrem mais dela os traços e cacoetes de antes: de Malu – a revolucionária feminista dos loucos Anos 70; nem da “viúva Porcina”, de Roque Santeiro, a novela que marcou época e empolgou a nação. A estrela transforma-se, de repente, na conversa com Paglia, sem perder o pensamento solto e a língua afiada. Perguntada, por exemp lo, sobre o que tem feito ultimamente, ela respondeu no plural, falando com sentido de equipe e como integrante de um projeto: “Estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, que eu me perca”. Bang!.

Desconheço quem seja, atualmente, o melhor marqueteiro político do Brasil. Mas, seja quem for não teria feito melhor que o responsável por assessorar a nova secretária de Cultura, em sua primeira entrevista depois da posse. É claro que o entrevistador também foi decisivo. Experiente e hábil – sem tornar-se o centro da conversa, sem arrogância e sem apontar o dedo na cara da convidada – Paglia soube encaixar com elegância e competência profissional, boas e relevantes perguntas, para obter respostas que renderam o eficiente e polêmico resultado que ainda ressoa nas redes sociais, nos mais diversos círculos da inteligência nacional e no centro do poder, em Brasília. Mesmo com a pandemia do Coronavírus ocupando, praticamente, todos os espaços do noticiário, incluindo o político, a força do impacto da conversa na TV pode ser sintetizada em duas reações:

O general  Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, não gostou do que viu e ouviu, principalmente da referência  da entrevistada, a atuação de “facções” dentro do governo. E fez reprimendas, via redes sociais: “Nosso governo tem um norte: a vontade da maioria de seu povo… São seus ministros e secretários que devem se moldar aos princípios publicamente defendidos pelo presidente da República”, postou o general no Twitter. Na ponta esquerda da corda, o produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto aprovou e bateu palmas. Afirmou que, “dentro das circunstâncias, achei uma entrevista bastante boa. Regina fez acenos positivos no sentido da pacificação. Ela está consciente de que está se imolando numa fogueira perigosa”. Mais não digo, nem precisa, a não ser esperar a decisão do tempo, senhor da razão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br

“Embolada”, Edu Lobo: Um canto dos loucos anos 60/70 com as marcas  criativas de um trio imbatível – Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal –  que seguem mais atuais e significativas que nunca, nestes dias embolados do Coronavírus. Confira nesta  rara gravação de 1965..

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Ramos: Bolsonaro ‘vai trabalhar normal’

uiz Eduardo Ramos disse à Folha que Jair Bolsonaro vai voltar a despachar do Palácio do Planalto após exames confirmarem que o presidente não está contaminado pelo novo coronavírus.

“Ele não tinha sintoma nenhum. Zero. Está tudo normal. Ele vai trabalhar normal. Normal como o Carnaval. Está tudo bem.”

Segundo Ramos, todos que estiveram na comitiva presidencial em Miami com Fábio Wajngarten fizeram exames e tiveram resultado negativo para o Covid-19.

“Too mundo deu negativo. Todo mundo. O presidente está ótimo, feliz e animado.

DO EL PAÍS

Governo busca recursos para combater a doença e promete pacote de medidas econômicas para segunda-feira. Presidente da Câmara diz que medidas são insuficientes

Bolsonaro e Guedes no dia 20 de fevereiro, em Brasília.
Bolsonaro e Guedes no dia 20 de fevereiro, em Brasília.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reuters)

O combate à disseminação do coronavírus virou uma batalha política em Brasília. Se não bastasse o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno quererem confrontar os meios de comunicação sobre a divulgação de boatos sobre sua contaminação pelo vírus, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, entraram em rota de colisão e teceram críticas um ao outro.

O primeiro a disparar foi Maia. Na quinta-feira, depois que o Ministério da Economia anunciou cinco medidas financeiras para tentar amenizar a contaminação, o deputado falou que as propostas eram tímidas: “Guedes não tinha uma coisa organizada ou não quis falar. Se olhar os projetos, tem pouca coisa que impacte a agenda de curto prazo ou quase nada”. A afirmação foi feita ao jornal Folha de S. Paulo.

As cinco medidas da economia anunciadas oficialmente foram: antecipação da metade do 13º salário de aposentados e pensionistas, suspensão da prova de vida dos beneficiários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), redução dos juros do empréstimo consignado, redução de impostos sobre importação de produtos médico-hospitalares e maior agilidade na liberação desses produtos importados nas alfândegas.

Já nesta sexta-feira, provocado por jornalistas sobre a fala de Maia, Guedes fez uma promessa: disse que até segunda-feira o Governo apresentará novas propostas. Pincelou duas delas: o reforço da atuação de bancos públicos e um possível adiamento do pagamento de impostos por empresas em dificuldades. “O presidente da Câmara está pedindo medidas? Em menos de 48 horas vamos soltar. Vocês vão ver, de hoje para segunda vai sair muito mais coisa”.

O clima entre Maia e Guedes esquentou porque, enquanto o Legislativo discutia maneiras de colaborar no combate à doença, o ministro cobrava empenho na aprovação de reformas econômicas. Sendo que as duas principais delas, a administrativa e a tributária, nem foram enviadas pelo Executivo ao Congresso. A gota d’água foi a derrubada do veto presidencial ao aumento de gastos com o Benefício de Prestação Continuada, na quarta-feira. A União passará a gastar até 20 bilhões de reais a mais ao ano com a mudança na regra aprovada pelos legisladores.

Logo após a derrubada do veto, Guedes, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foram chamados para uma reunião de emergência na Câmara com Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Os parlamentares os convidaram para tratarem do combate à doença. Mas Guedes queria falar sobre articulação política. “Eu não estava elaborando um plano para o coronavírus. Eu estava em apoio às lideranças, porque nós do governo havíamos sofrido uma derrota do ponto de vista de estabilidade. Vocês veem a bolsa caindo, o dólar subindo, tudo isso é um problema nosso, de articulação política. É hora de união”, afirmou a jornalistas nesta sexta-feira.

De onde tirar dinheiro

Na atual crise, o nó econômico é um dos mais difíceis de desatar nesse momento. Vários países do mundo, da Itália à Espanha passando pelos Estados Unidos, anunciaram pacotes de ajuda financeira também a empreendedores e pequenos negócios. A crise do coronavírus tem derrubado bolsas de valores ao redor do mundo inteiro e prejudicado a produção industrial, o turismo, o comércio e os serviços. Nesta semana, a Bovespa registrou dois dias com “circuit breakers”, que são interrupções obrigatórias após quedas vertiginosas das ações. Na quinta-feira, a bolsa despencou 14,78%, a maior redução em 22 anos. Conforme especialistas, todos os ganhos obtidos durante o primeiro ano do Governo Bolsonaro se perderam desde que o vírus começou a se disseminar e a interferir na economia, com o fechamento de indústrias, férias coletivas de funcionários e o cancelamento de eventos.

Em nota, o ministério, comandado por Paulo Guedes, afirmou que está buscando alternativas junto ao Legislativo. “Neste momento crítico, mesmo diante do exíguo espaço fiscal, o Ministério da Economia buscará, em conjunto com a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a realocação ágil de recursos orçamentários para que não falte suporte ao sistema de saúde brasileiro”. Uma alternativa para engordar o caixa do Governo é destinar parte das emendas de deputados e senadores ao orçamento para o combate ao coronavírus. Conforme o relator da lei orçamentária, Domingos Neto (PSD-CE), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, solicitou a destinação de 4,8 bilhões de reais ao Legislativo. Os recursos seriam divididos entre o custeio de serviços de assistência hospitalar e ambulatorial e o incremento da atenção básica. Segundo Neto, os parlamentares concordaram em ceder o valor. Esses recursos, contudo, devem demorar alguns dias para serem liberados para União. Há duas possibilidades para a liberação desses valores: por meio de uma medida provisória ainda a ser editada ou pela votação do PLN04/20, um projeto de lei enviado pelo Executivo que discute a destinação das emendas impositivas. Essa última alternativa pode mais atrapalhar do que ajudar, não há acordo com o Congresso.

Do Jornal do Brasil

 

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, deu entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, publicada hoje (13), e disse trechos como os seguintes, avaliando as ações do governo de enfrentamento ao coronavírus:

“Guedes não tinha uma coisa organizada ou não quis falar. Se olhar os projetos, tem pouca coisa que impacte a agenda de curto prazo ou quase nada”, disse.

(…)

“Não posso imaginar que, numa crise desse tamanho, o ministro tenha encaminhado uma lista de 19 projetos para transferir a responsabilidade para nós. Não posso acreditar que um homem de 70 anos, com a experiência dele, tenha mandado esses projetos com essa intenção. Não acredito nisso. A crise é tão grande que a gente não tem direito nem de imaginar que o ministro da Economia de uma das maiores economias do mundo, o com mais poder desde a redemocratização, possa ter pensado de forma tão medíocre. Eu tenho certeza de que não. Não imagino isso, e não tenho direito, com o risco de tantos brasileiros serem atingidos do ponto de vista da saúde e do ponto de vista econômico por essa crise, imaginar que alguém teve essa percepção. Naquele momento, como ainda não havia um plano de contingência na área econômica, talvez ele, para tentar suprir essa lacuna de curto prazo, tenha encaminhado os projetos de médio e longo prazo.” (RedaçãoJB)

***

O Ministério da Economia anunciou na quinta-feira (12) a adoção de providências para minimizar os impactos da pandemia do novo coronavírus para a população.

Entre as medidas anunciadas, está a antecipação, para abril, do pagamento de R$ 23 bilhões referentes à parcela de 50% do 13º salário aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). A pasta também anunciou a suspensão, pelo período de 120 dias, da realização de prova de vida dos beneficiários do INSS.

Essas são as primeiras decisões tomadas pelo grupo de monitoramento dos impactos econômicos da pandemia de Covid-19, que se reuniu ao longo do dia. O colegiado foi instituído pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, com o objetivo de acompanhar a conjuntura e propor medidas para mitigar os efeitos econômicos do avanço da infecção no país.

O grupo é constituído por representantes de todas as secretarias especiais da pasta, sob a coordenação do secretário-executivo, Marcelo Guaranys. O colegiado monitora as áreas fiscal, orçamentária, crédito, gestão pública, questões tributárias, setor produtivo, relação federativa, trabalho e previdência.

“A gente tem grandes preocupações com cadeias produtivas, verificar o que está sendo desabastecido, o que precisa de auxílio, por exemplo, com produtos hospitalares, se precisa de alguma facilidade para desembaraço aduaneiro, se precisa de alguma redução de tarifa de exportação, que medida precisa ser adotada a cada momento necessário. Estamos acompanhando, obviamente, os indicadores da economia e a necessidade de remanejamento de orçamento”, afirmou Marcelo Guaranys, ao comentar sobre como o grupo deve atuar.

Juros do consignado

O grupo de monitoramento também anunciou que vai propor ao Conselho Nacional da Previdência Social a redução do teto dos juros dos empréstimos consignado em favor dos beneficiários do INSS, bem como a ampliação do prazo máximo das operações.

“Também proporemos, ao Congresso Nacional, via medida legislativa, a ampliação da margem consignável. Existe a margem consignável que é aquela parcela que a pessoa pode comprometer do seu orçamento, do seu salário, do seu benefício [no pagamento do empréstimo]”, explicou o secretário especial da Previdência e Trabalho, Bruno Bianco. Atualmente, essa margem está em 30%, mas o governo ainda não definiu qual aumento vai sugerir na proposta.

O governo também estuda permitir novos saques imediatos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O saque imediato do FGTS foi iniciado em 2019 e vai até 31 de março deste ano. A medida permite o resgate de até R$ 998 por quem tem conta no fundo. “Com relação ao FGTS, é sim uma medida que estamos analisando, respeitando a sustentabilidade do fundo e o dinheiro dos cotistas. Todas as medidas, por isso mesmo digo monitoramento, elas serão tomadas quando necessárias”, disse o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior.

Medicamentos

Outra proposta anunciada pelo grupo é a definição, em parceira com o Ministério da Saúde, da lista de produtos médicos e hospitalares importados que terão preferência tarifária para garantir o abastecimento das unidades de saúde do país. Também serão tomadas medidas para priorizar o desembaraço aduaneiro de produtos médicos-hospitalares.

No âmbito da gestão pública, o governo deve publicar uma Instrução Normativa com recomendações relacionadas ao funcionamento do serviço público federal durante esse período de avanço das infecções pelo novo coronavírus.

“Outras medidas podem ser adotadas de acordo com o andamento dos trabalhos do grupo de monitoramento e orientações do Ministério da Saúde”, informou o Ministério da Economia, em nota. (Agência Brasil)

Jornal do Brasil

 

Tom Leão

Tom Leão

 

Macaque in the trees
Diretor Roman Polanski (Foto: REUTERS/Charles Platiau)

Não é todo dia que temos em cartaz dois filmes inéditos de dois diretores magníficos. Como está acontecendo agora, nas principais capitais do país: os últimos de Terrence Malick, “Uma vida oculta” (“A hidden life”); e, de Roman Polanski, “O oficial e o espião” (“J´accuse!”). Ambos baseados em fatos reais.

O de Malick é seu filme com narrativa mais linear desde “O novo mundo” (“The new world”, 2005). Ele é inspirado em Franz Jagerstätter (August Diehl), um camponês que vivia nas montanhas austríacas, que, em plena ascensão do nazismo, se recusava a aceitar Hitler e a incorporar o exército nazi. Aos poucos este gesto vai afetando sua vida (e a de sua família). A ponto de ele ser considerado um traidor e ir preso. Antes, teve várias chances para mudar de ideia (como austríaco, não-judeu). Mas, se manteve firme em sua decisão, até o fim.

Malick, 77, narra isso com belas cenas panorâmicas que nos mostram o que Franz teve de abdicar, por não aceitar o mal.

Já o filme de Polanski é baseado no rumoroso caso Dreyfus, quando, em 1984, o capitão do exército francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) foi acusado, injustamente, de traidor (teria feito espionagem para os alemães). Por isso é julgado, condenado e enviado para a Ilha do Diabo (aquela mesma, de “Papillon”). Por trás do fato estava escondido um antissemitismo, o oficial era judeu. Não fosse a intervenção de outro militar, o coronel Georges Picquart (o premiado com Oscar Jean Dujardin, de “O artista”), que percebeu que havia algo errado, Dreyfus teria apodrecido na prisão.

Contudo, levou alguns anos, até que Picquard convencesse a justiça a um novo julgamento de Dreyfus. Foi preciso uma convocação nacional, feita pelo eminente escritor Émile Zola, que escreveu artigo de página inteira num jornal, batizado com a célebre frase ‘J´accuse!’.

Polanski ganhou o César de melhor diretor pelo filme, que foi um dos maiores sucessos de bilheteria de 2019 na França. Maior até do que “O pianista”, que lhe deu Oscars. Um filme necessário, sobre injustiça, de um diretor que, aos 86 anos, ainda não perdeu a mão.

RUGIDOS:

*Uma das mulheres mais marcantes da TV, a atriz, modelo, cantora e jurada Elke Maravilha é tema da primeira produção original em língua portuguesa da sueca Storytel, uma das líderes globais em streaming de audiobooks, podcasts e e-books. Escrita pelo jornalista e escritor Chico Felitti e narrada pela atriz Fernanda Stefanski, ‘Mulher Maravilha’ conta desde a chegada ao Brasil, com sua família refugiada do regime nazista, até os tempos de grande sucesso como uma das modelos mais requisitadas do país, e depois como jurada do programa do Chacrinha. A obra revela que ela nasceu na Alemanha, e não na Rússia, como sempre afirmou e o Brasil sempre acreditou.

*Baseada no livro homônimo de Germán Maggiori, a minissérie argentina da HBO, “Entre homens”, estreia no domingo, 19 de abril, às 21h. Ambientada na década de 90 em Buenos Aires, a série leva os espectadores para o submundo do crime, apresentando uma paisagem urbana instigante, marcada pela violência intensa e pela decomposição moral, política e social.

*Amazon lançará o reality ‘Soltos em Floripa’, no Prime Video, em 20 de março. Serão 8 episódios de uma hora. É a segunda Original Amazon brasileira, após ‘Tudo ou Nada: Seleção Brasileira’, lançada em janeiro.

 

Jornal do Brasil

mar
14
Posted on 14-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-03-2020


io autor, ontem às 15:55 h

 

Sponholz , NO

 

mar
14
 

DO EL PAÍS

Com a imagem gerida por Assis, craque viveu um fim de carreira sem glamour e acumulou negócios frustrados até ser detido no escândalo do Paraguai

Ronaldinho e o irmão, Roberto de Assis, estão presos no Paraguai.
Ronaldinho e o irmão, Roberto de Assis, estão presos no Paraguai.NORBERTO DUARTE / AFP (AFP)

 Breiller Pires

Desde sua última temporada na Europa, com o Milan, em 2010, Ronaldinho Gaúcho experimentou o ocaso da carreira, mas nunca havia perdido a aura de ídolo que o circundou inclusive ao ser preso por suspeita de adulteração de passaportes no Paraguai, onde foi tietado por fãs, autoridades e policiais. A detenção é o episódio mais melancólico em uma década de altos e baixos na agitada vida social do craque que marcou época no Barcelona.

Quando anunciou que voltaria a jogar no Brasil, em 2011, a sensação quase unânime indicava como destino o clube que o revelou. “Eu gosto tanto do Grêmio que, se fosse sempre assim, com estádio cheio e torcida apoiando, eu jogava de graça. O que vale é o amor à camisa”, prometeu logo após sagrar-se campeão gaúcho em 1999. Porém, as declarações de amor eterno se converteram em sentimento de traição para os torcedores gremistas depois que o ídolo foi parar no Flamengo, mesmo com acordo encaminhado em Porto Alegre. A torcida que o viu nascer para o futebol jamais o perdoou. Até hoje, ele e seu irmão, Roberto de Assis Moreira, que também jogou no Grêmio, são tratados como “mercenários” pelo clube tricolor.

Assis, além do laço familiar, assumiu a função de empresário do irmão mais novo logo que parou de jogar. Sempre desempenhou um papel paternal na trajetória de Ronaldinho, que tinha oito anos quando perdeu o pai. Foi ele quem preteriu o Grêmio e escolheu o Flamengo para o retorno do craque ao Brasil. A passagem pelo Rio de Janeiro ficou marcada por um título do Campeonato Carioca e, sobretudo, pelas festas recorrentes que promovia em sua mansão. Irritado pelos atrasos de salário, Assis rompeu contrato do Flamengo com o irmão, que acabou negociado ao Atlético Mineiro. No Galo, se tornou ídolo ao reger o time no vice-campeonato brasileiro e na inédita conquista da Copa Libertadores, em 2013, ano em que disputou sua última partida pela seleção brasileira.

Já em declínio físico, Ronaldinho rescindiu com o Atlético e decidiu aceitar proposta do desconhecido Querétaro. A aventura pelo México durou apenas uma temporada. Em 2015, estava de volta ao futebol brasileiro, dessa vez para defender o Fluminense. À essa altura, reserva e incomodado com vaias da torcida, não sentia mais prazer de jogar. Com a camisa do tricolor carioca, fez apenas nove exibições e não marcou nenhum gol. Depois de dois anos sem atuar profissionalmente, sua aposentadoria dos gramados foi anunciada sem pompas pelo irmão. “Convites não faltam, mas ele resolveu que não quer mais”, disse Assis, que resistiu em anunciar o fim da carreira de Ronaldinho na tentativa de demovê-lo da ideia.

A partir de então, as aparições do ícone, apelidadas de “rolês aleatórios” pelos fãs brasileiros, se tornaram tão folclóricas quanto inusitadas. Passou a participar de jogos festivos, como torneios de futsal na Índia, e a estrelar os mais diversos tipos de eventos publicitários, de um reality show nos Emirados Árabes a filme com Mike Tyson. Também se arriscou na carreira de músico. Entre seu vasto repertório de gravações, constam Professor da malandragem, que interpreta ao lado de Wesley Safadão, e Garra, uma canção de protesto contra a corrupção em dueto com Jorge Vercillo.

Tocados por Assis, negócios malsucedidos do ex-jogador começaram a render dor de cabeça à família. Em 2015, ele e o irmão foram condenados a pagar multa de 8,5 milhões de reais por construções irregulares em áreas de preservação ambiental. Sem êxito na tentativa de cobrar o pagamento pelas infrações, a Justiça determinou a apreensão dos passaportes da dupla no fim de 2018, o que comprometeu a agenda de compromissos no exterior. Em fevereiro, Ronaldinho virou réu em outro processo, acusado de integrar um esquema de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas.

No mesmo ano em que teve o passaporte apreendido, Ronaldinho se filiou a um partido conservador (Republicanos) e manifestou apoio à candidatura do presidente Jair Bolsonaro. Assis sempre negou, entretanto, a intenção de introduzir o ex-craque na política. Em 2019, foi nomeado embaixador do turismo pelo Governo Bolsonaro. No próximo dia 21, o astro completa 40 anos. Dependendo do andamento das investigações em Assunção, pode ter de passar o aniversário atrás das grades. Mas, ainda assim, acompanhado do irmão responsável por guiar seus caminhos dentro e fora dos campos.

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