Presidente pede o adiamento dos protestos de domingo. Ele insiste que movimento é “espontâneo”, mas diz que “tremendo recado” foi dado ao Congresso e que motivações seguem “vivas e inabaláveis”

Bolsonaro faz transmissão no Facebook de máscara, após estar sendo monitorado por contato com infectado com coronavírus.
Bolsonaro faz transmissão no Facebook de máscara, após estar sendo monitorado por contato com infectado com coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro usou seu pronunciamento oficial sobre a pandemia do coronavírus, dado nesta quinta-feira às 20h30 em rádio e televisão, para defender a legitimitidade dos atos a favor de seu Governo, que contêm mensagens contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. As manifestações estavam previstas para o próximo domingo, 15 de março, mas o próprio presidente tratou de desencorajar que as pessoas ocupem as ruas devido ao risco de contágio. Apesar de insistir que o movimento é “espontâneo e popular”, afirmou que suas motivações seguem “vivas e inabaláveis”. Em um minuto e meio de vídeo, não falou sobre ações concretas do Governo contra o coronavírus nem deu orientações sobre como a população deve agir diante do risco de contágio ou em que momento deve procurar um médico.

“Os movimentos espontâneos e legítimos marcados para 15 de março atendem aos interesses da nação, balizados pela lei e pela ordem. Demonstram um amadurecimento da nossa democracia presidencialista e são expressões evidentes de nossa liberdade. Precisam, no entanto, diante dos fatos recentes, ser repensados. Nossa saúde e a de nossos familiares devem ser preservadas. O momento é de união, seriedade e bom senso”, afirmou Bolsonaro durante o pronunciamento em cadeia nacional. Além de destacar o caráter presidencialista da democracia, uma forma atribuir importância a si mesmo e ao cargo que ocupa, o mandatário usou seu discurso para manter a pressão e a tensão com o Congresso num momento de disputa pelo controle de fatias do orçamento público. “Não podemos esquecer, no entanto, que o Brasil mudou. O povo está atento e exige de nós respeito a Constituição e zelo pelo dinheiro público. Por isso, as motivações da vontade popular continuam vivas e inabaláveis”, finalizou.

O pronunciamento oficial de Bolsonaro sobre as manifestações já era esperado. Uma hora antes, o presidente gravou um vídeo ao vivo no Facebook —utilizando máscara, ao lado do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta— em que dizia que “a população está divida” sobre ir ou não aos protestos. Depois de dizer que “devemos evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas, porque os hospitais não dariam vazão para atender tanta gente”, afirmou que como presidente da República precisava “tomar uma posição”. Após insistir que “o movimento é espontâneo e popular”, afirmou que “uma das ideias é adiar, suspender, e daqui a um ou dois meses se faz”. Em seguida, afirmou que “um tremendo recado foi dado ao Parlamento”.

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