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Postado em 11-03-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-03-2020 00:16

Por G1

Cliente em loja no bairro de Trastevere, em Roma, respeita faixas colocadas em loja para demarcar a distância que as pessoas devem manter umas das outras para reduzir risco de contágio por coronavírus — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters Cliente em loja no bairro de Trastevere, em Roma, respeita faixas colocadas em loja para demarcar a distância que as pessoas devem manter umas das outras para reduzir risco de contágio por coronavírus — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

 

Cliente em loja no bairro de Trastevere, em Roma, respeita faixas colocadas em loja para demarcar a distância que as pessoas devem manter umas das outras para reduzir risco de contágio por coronavírus — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

 

 Itália amanheceu com as ruas desertas nesta terça-feira (10) após o governo ampliar as medidas de restrição de deslocamento para todo o país em uma tentativa de conter o pior surto de coronavírus da Europa.

O país tem o maior número de casos de Covid-19 fora da Ásia — são 10.149 pessoas confirmadas com a doença e, até o momento, 631 mortes.

As medidas anunciadas na segunda pelo premiê Giuseppe Cont, ampliaram os isolamentos já em vigor na região da Lombardia, no norte da Itália, e em províncias vizinhas. Elas valem para toda a Itália até, ao menos, 3 de abril. Veja quais são:

  • Circulação de pessoas entre cidades fica restrita a motivos relacionados a trabalho ou saúde; passageiros devem ter uma declaração com a justificativa da viagem, que pode ser checada
  • Proibição de reuniões públicas, inclusive cerimônias religiosas como funerais e casamentos
  • Fechamento de bares e restaurantes deve ocorrer no máximo até as 18h
  • Fechamento de escolas e faculdades
  • Suspensão de todos os eventos esportivos, incluindo futebol
  • Limitação de visitas em hospitais e outras unidades de saúde
 
 
'No mercado só pode entrar 1 pessoa por família', contam brasileiros na Itália

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Freira caminha pela Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta terça-feira (10) — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane Freira caminha pela Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta terça-feira (10) — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane

Freira caminha pela Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta terça-feira (10) — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane

“O futuro da Itália está em nossas mãos. Vamos todos fazer nossa parte, abdicando de algo pelo nosso bem estar coletivo”, tuitou Conte, encorajando as pessoas a se comprometerem individualmente.

No decorrer do dia, as ruas de Roma estavam mais quietas que o normal. Moradores da cidade encontravam lugares com facilidade no metrô normalmente lotado durante o horário de pico matinal.

“Toda a Itália está fechada agora” foi a manchete do jornal “Corriere della Sera”.

‘Medo’

Vivendo na Itália há 15 anos, a veterinária goiana Yarla Carvalho, de 38 anos, diz que um clima de “medo e insegurança” se instaurou.

Ela vive com o noivo italiano em Santarcangelo di Romagna, na província de Rimini, no norte. As ruas da comunidade, sempre cheias de gente, estão vazias. “Nunca vi isso aqui. A Itália nunca parou. A gente fica chocada. Geralmente não tenho pânico, mas nesse caso dá medo. A gente não sabe o que pode acontecer, temos que esperar”, disse.

 

Mulher tira foto sozinha na Fontana di Trevi, em Roma, um local geralmente lotado de turistas, e que agora está vazio por causa da restrição de deslocamento imposta pelo governo — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane Mulher tira foto sozinha na Fontana di Trevi, em Roma, um local geralmente lotado de turistas, e que agora está vazio por causa da restrição de deslocamento imposta pelo governo — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane

Mulher tira foto sozinha na Fontana di Trevi, em Roma, um local geralmente lotado de turistas, e que agora está vazio por causa da restrição de deslocamento imposta pelo governo — Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane

 

Pouco depois de as medidas serem anunciadas, consumidores correram para comprar alimentos e produtos de necessidade básica nos supermercados, fazendo com que o governo afirmasse que mantimentos estariam garantidos e pedisse para as pessoas não entrarem em pânico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elogiou a resposta “agressiva” da Itália desde que os primeiros casos do vírus irromperam perto de Milão há cerca de três semanas, embora as perdas econômicas sejam grandes.

A Itália é o país europeu mais atingido pela atual onda da epidemia e o terceiro em nível mundial. O contágio veio à tona há mais de duas semanas e concentra-se em um punhado de locais no norte da Itália, mas agora foram confirmados casos em cada uma das 20 regiões do país, com mortes registradas em oito delas.

 

Entregador pedala pelo Campo dei Fiori, em roma, no primeiro dia em que restrição de deslocamento imposta pelo governo está em vigor — Foto: Remo Casilli/Reuters Entregador pedala pelo Campo dei Fiori, em roma, no primeiro dia em que restrição de deslocamento imposta pelo governo está em vigor — Foto: Remo Casilli/Reuters

Entregador pedala pelo Campo dei Fiori, em roma, no primeiro dia em que restrição de deslocamento imposta pelo governo está em vigor — Foto: Remo Casilli/Reuters

Na segunda-feira, a bolsa de Milão caiu mais de 11%, registrando recuperação de 3% na terça. Os custos de empréstimos da Itália dispararam, revivendo temores de que uma economia já à beira da recessão e que luta com a segunda maior dívida da zona do euro possa mergulhar em crise.

“Vou assinar uma medida que podemos resumir como ‘fique em casa’. Não haverá mais uma ‘zona vermelha na península — a Itália inteira será uma área protegida”, disse Conte durante o anúncio da ampliação de restrições.

 

Pessoas que precisem se deslocar de uma cidade para outra deverão ter um documento que comprove a justificativa. As autoridades italianas poderão verificar os documentos.

O transporte público, entretanto, continua em funcionamento. Segundo Conte, a medida foi tomada para permitir que as pessoas mantenham os trabalhos dentro da cidade e não piorar os efeitos econômicos do novo coronavírus na Itália.

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