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BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

 

“Esses R$ 15 bilhões são uma espécie de fundão para o Rodrigo Maia”

 

Por Diego Amorim

Deputados bolsonaristas se preparam para votar contra o projeto de lei enviado pelo próprio governo repassando ao Congresso o controle de pelo menos R$ 15 bilhões.

A sessão do Congresso está marcada para amanhã.

“Esses R$ 15 bilhões são uma espécie de fundão para o Rodrigo Maia garantir a reeleição à Presidência da Câmara ou a eleição de alguém do grupo deles. É um baita tiro no pé do governo.”

O governo fez um acordo com o Congresso para a manutenção dos vetos à lei orçamentária. Para isso, enviou os três projetos de lei que serão analisados amanhã.

Jornal do Brasil

 

A repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, apresentou à Justiça uma ação com pedido de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro. O motivo é o ataque a ela com ofensa de cunho sexual e a reprodução do insulto em rede social dele.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Também em decorrência de ataques de conotação sexual, os advogados de Patrícia iniciaram processos cíveis contra Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa, e Allan dos Santos, apresentador do canal online Terça Livre.

O ponto de partida da ofensiva contra a repórter foram as declarações feitas por Hans à CPMI das Fake News, no Congresso, em 11 de fevereiro.

Hans trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.

Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha baseada em documentos da Justiça e em relatos de Hans mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e assim conseguir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.

Em seu depoimento no Congresso, além de dar informações falsas à CPMI, Hans insultou Patrícia, uma das autoras dessa reportagem.

“Quando eu cheguei na Folha de S.Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?”, afirmou Hans a deputados e senadores, em sessão com transmissão ao vivo.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Bolsonaro, aproveitou a fala de Hans para difundir as ofensas e fazer insinuações contra a repórter da Folha, tanto no Congresso como em suas redes sociais.

“Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder”, disse Eduardo.

Uma semana depois, foi a vez de Bolsonaro invocar a fala de Hans e ofender a jornalista com insinuação sexual.

“Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “A qualquer preço contra mim”.

Segundo texto da ação judicial contra o presidente, as mentiras de Hans na CPMI foram imediatamente difundidas através das redes sociais e, dias depois, ganharam enormes proporções após a fala do presidente.

“No rastro dessa difusão de ofensas e mentiras, o presidente da República, em mais um ato em que desconsidera completamente a liturgia do cargo que ocupa, assumiu para si o discurso ofensivo, desrespeitoso e machista contra Patrícia na sua matinal entrevista em frente ao Palácio da Alvorada”, alega a defesa da repórter da Folha.

“Os danos sofridos por Patrícia são gravíssimos, podendo ser facilmente constatados diante do assédio sem precedentes sofrido por ela após a manifestação do presidente”, diz outro trecho da ação.

Os advogados de Patrícia afirmam que “os danos morais, no caso em tela, além de servirem como reparação pela ofensa à honra e dignidade da autora, também devem possuir um caráter punitivo pedagógico, com o intuito de desestimular a conduta indevida do réu e de terceiros, sabendo que terão de responder pelos danos causados”.

Na ação civil específica contra o ex-funcionário da Yacows, a defesa da jornalista afirma que “o réu [Hans] se vale de evidente injúria sexual, de cunho machista, na tentativa de desmerecer a autora, o que tem efeitos sociais graves para além dos danos individuais, e merece dura reprimenda”.

A terceira ação cível de reparação por danos morais foi apresentada contra Allan dos Santos, apresentador do programa Terça Livre, no Youtube.

Segundo a petição inicial do processo, edição do Terça Livre veiculada em 12 de fevereiro teve como título “O Prostíbulo em Desespero” e propagou novas informações falsas sobre o episódio envolvendo Hans.

Ante o fato de Patrícia ter apresentado em reportagem as mensagens trocadas com Hans, autenticadas por meio de ata notarial, que desmentiam a versão dada por ele na CPMI, “o réu [Allan] mentiu ao afirmar que as mensagens trocadas entre Patrícia e Hans River foram ‘forjadas’ e ‘um golpe'”, alega a defesa de Patrícia.

O texto da petição relata que Allan passou a incentivar seus seguidores a publicarem montagens e imagens sobre o tema, e traz a reprodução de um post dele no Twitter com os dizeres: “Não deixe o meme morrer, não deixe o meme acabar. O morro foi feito de meme, o meme que faz a gente zoar. Continue com os memes hoje, por favor”.

Os três processo cíveis, que contam com o suporte da Folha, têm como fundamento legal o artigo 186 do Código Civil, que enquadra como ilícitos os atos daqueles que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violarem direito e causarem dano a outras pessoas, ainda que exclusivamente moral.

Nas causas cíveis contra Bolsonaro e Hans, o valor pedido de indenização é de R$ 50 mil. Na demanda relativa a Allan também é indicada como ré a pessoa jurídica Terça Livre, e o montante do ressarcimento requerido é de R$ 100 mil.

Os processos estão tramitando na Justiça estadual de São Paulo.

Nas petições iniciais, Patrícia se compromete a doar metade das indenizações que eventualmente receber ao Instituto Patrícia Galvão de Comunicação e Mídia, que atua na defesa dos direitos das mulheres.

Segundo a advogada Taís Gasparian, integrante da defesa de Patrícia, “uma semana depois de a Folha de S.Paulo ter desmentido Hans, apresentando provas de que o que disse era mentira, o presidente da República dá uma entrevista e reafirma a ofensa, em tom de zombaria”.

“Não satisfeito em propagar uma mentira, o presidente ainda posta o vídeo da entrevista na sua página do Facebook, que obviamente possui repercussão nacional e internacional.”

“A indicação de que a jornalista teria oferecido sexo como modo de facilitar sua atividade profissional é infame e muito grave. Hans, Allan dos Santos e o presidente da República ofenderam não apenas a jornalista, mas todas as mulheres, tocando em um ponto muito sensível à sociedade brasileira, que é a violência contra a mulher”, afirma Taís.(FolhaPress)

mar
10

 

As penas variam de cinco a seis anos de reclusão em regime semiaberto, mais multa. Outros dois indiciados foram absolvidos por falta de provas.

Por G1 SP — São Paulo

A jornalista Maria Júlia Coutinho, apresentadora do Jornal Hoje, da TV Globo. — Foto: Globo/Reinaldo Marques A jornalista Maria Júlia Coutinho, apresentadora do Jornal Hoje, da TV Globo. — Foto: Globo/Reinaldo Marques

A jornalista Maria Júlia Coutinho, apresentadora do Jornal Hoje, da TV Globo. — Foto: Globo/Reinaldo Marques

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou nesta segunda-feira (09) dois homens acusados de racismo e injúria racial contra a apresentadora Maju Coutinho, da TV Globo.

O juiz Eduardo Pereira dos Santos Júnior, da 5ª Vara Criminal da Capital Paulista, entendeu que Erico Monteiro dos Santos e Rogério Wagner Castor Sales utilizaram perfis falsos nas redes sociais para acessar a página da emissora e proferir injúrias contra a apresentadora, em 2015.

“Na liderança da comunidade cibernética denominada ‘Warning’, e sob pena de exclusão, ordenaram que seus membros efetuassem postagens de cunho preconceituoso e discriminatório contra a raça negra e a cor preta, o que efetivamente aconteceu, e de modo maciço e impactante. (…) “O ataque racista, desse modo, não estaria restrito a um gueto ou ao submundo da internet no qual transitavam os acusados. Ao atacar figura pública emblemática, os réus visavam – e de alguma forma obtiveram – ampla repercussão de suas mensagens segregacionistas”, disse o juiz na sentença.

Pelos crimes, Erico foi condenado a seis anos de reclusão e Rogério a cinco anos em regime semiaberto. Na sentença, o juiz também entendeu que os dois réus cometeram corrupção de menores por terem induzido três adolescentes à prática dos mesmos crimes.

 

Os dois condenados poderão recorrer da sentença em liberdade, segundo o entendimento do juiz.

Os réus Kaique Batista e Luis Carlos Felix, que também tinham sido denunciados pelo Ministério Público como parte do mesmo grupo, foram absolvidos pelo juiz por falta de provas.

Histórico

Os quatro réus foram denunciados em 2016 pelo Ministério Público de São Paulo, após ampla investigação sobres os ataques que vinham acontecendo nas redes sociais desde 2014. Eles utilizavam pseudônimos e contas falsas para promover os crimes, de acordo com os promotores.

O inquérito de 18 páginas contra o grupo afirma que os réus marcavam dia e horário para atuarem juntos nos ataques, com ajuda de profissionais de informática. Eles induziram outros quatro menores a participar da pratica dos crimes e eram chefiados por Érico Monteiro dos Santos.

A polícia chegou até o grupo depois que o computador de um Kaique Batista foi apreendido.

O caso ganhou repercussão nacional e foi um dos assuntos mais comentados em 2015 nas redes sociais, gerando as hastags #SomosTodosMaju e #SomosTodosMajuCoutinho, que chegaram até os apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos.

 
 
Equipe do Jornal Nacional grava mensagem de apoio a Maju

Equipe do Jornal Nacional grava mensagem de apoio a Maju

 

Trajetória da sucesso

Funcionária da TV Globo há vários anos, Maria Júlia Coutinho,a Maju Coutinho, foi escolhida para falar sobre meteorologia em 2013, quando Eliana Marques tirou licença. Informando sobre a previsão do tempo no Hora 1 de uma forma diferente, mais conversada, como se tivesse na sala do espectador, ela ganhou simpatia e afeto do público, estreiando no Jornal Nacional em 27 de abril de 2015.

Com muito talento e simplicidade, a jornalista passou a apresentar o Jornal Hoje em 30 de setembro de 2019, onde diariamente mostra aos brasileiros todos as notícias do Brasil e do mundo no início das tardes da TV Globo.

mar
10
Posted on 10-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-03-2020

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

O duque e a duquesa de Sussex encontraram-se com os membros da família real para assistir à missa do Dia da Commonwealth na Abadia de Westminster.

 Harry e sua esposa Meghan fizeram, nesta segunda-feira, sua última aparição oficial como membros da realeza britânica, acompanhando a rainha Isabel II num evento em Londres.

O duque e a duquesa de Sussex juntaram-se a outros membros da família real, incluindo o pai e o irmão mais velho de Harry – Charles e William, respetivamente – para assistir a uma missa, por ocasião do Dia da Commonwealth, na Abadia de Westminster.

A rainha, de 93 anos, aproveitou o momento para pedir aos 54 países da organização que “prosperem ao mesmo tempo que protegem o planeta”.

Após o evento, Harry, de 35 anos e sexto na linha de sucessão ao trono, retornará com sua esposa ao Canadá, país membro da Commonwealth.

No final de março, o casal deixará de representar a rainha e começará uma nova vida financeiramente independente com seu filho Archie, de 10 meses.

Harry e Meghan, de 38 anos, sacudiram a monarquia britânica em janeiro, quando anunciaram que abandonariam suas obrigações oficiais como membros da família real. Ambos manifestaram sua dificuldade em suportar a enorme pressão da imprensa britânica sobre a realeza.

Harry acusou os tabloides de assediarem Meghan e denunciou comentários racistas contra a ex-atriz americana. A princípio, a decisão provocou indignação e consternação entre os partidários da realeza britânica.
Mas o casal foi calorosamente recebido na sua última ronda de compromissos oficiais no Reino Unido, na semana passada.

Harry e Meghan foram recebidos com aplausos no início do show de uma banda militar no Royal Albert Hall, em Londres, no sábado. E a duquesa de Sussex provocou furor entre os estudantes de Dagenham, leste de Londres, quando fez uma visita inesperada à sua escola na sexta-feira.

Numa visita para comemorar o Dia Internacional da Mulher, Meghan prestou homenagem às mulheres cuja greve na fábrica da Ford Motor em 1968 ajudou a pavimentar o caminho para a lei de igualdade salarial de 1970.

Harry é o filho mais novo do herdeiro do trono, Carlosl mas a partir do final deste mês ele e a sua esposa Meghan deixarão de usar o título de Altezas Reais e de coletar fundos públicos, exceto para sua segurança.

O príncipe, que serviu duas vezes como soldado no Afeganistão, também teve que abandonar seus deveres oficiais no exército.

No entanto, o casal manterá seus patrocínios privados. Assim, Meghan foi ao Teatro Nacional de Londres na quinta-feira para promover uma exposição.

mar
10
Posted on 10-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-03-2020



 

Zé Dassilva,NO

 

mar
10
Posted on 10-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-03-2020
Inspeção em avião da Emirates.
Inspeção em avião da Emirates.AFP PHOTO / HO / EMIRATES

Na terça-feira a polícia prendeu um caminhoneiro britânico no porto de Tânger. O homem tentava retirar ilegalmente do país 100.000 máscaras pensando que esses pedaços de papelque custam alguns centavos poderiam chegar a valer 30 euros (156 reais). Não estava enganado: desde a explosão do coronavírus, sua venda na Amazon se parece cada vez mais com um leilão de joias na Sotheby’s.

Medo, pânico, desespero, cobiça. A mesma sequência está sendo vista na economia, que queima em seu próprio pesadelo além do quão grave possa ser a emergência sanitária. “O pior está por vir”, era a manchete de um relatório do banco Nomura na quinta-feira. Bem-vinda a prudência. A Índia, o maior fornecedor de medicamentos genéricos do mundo, decidiu nessa semana restringir as exportações de uma dúzia de princípios ativos para proteger seus inventários, em perigo pelo surto. Entre eles, o simples paracetamol. A Alemanha tomou medidas para limitar a exportação de equipamentos de proteção como máscaras. Aumentam os anúncios de empresas “à beira de” algo terrível. A Flybe, uma companhia aérea britânica, acaba de quebrar levada pela situação, não sem antes pedir auxílio ao Governo de Boris Johnson (tinha o caixa vazio há tempos). A General Electric acha que a epidemia reduzirá seu resultado em 300 milhões de dólares (1,4 bilhão de reais) no primeiro trimestre.

As empresas aéreas podem perder até 113 bilhões de dólares (522 bilhões de reais) em renda nesse ano, de acordo com uma estimativa da patronal IATA. Um relatório do Credit Suisse fala que o impacto nas vendas da Inditex poderia ser (sempre no condicional) de quase cinco pontos no segundo trimestre. A revisão dos números de crescimento por parte de órgãos internacionais é constante. Porque a doença viaja sem controle pelas cadeias de fornecimento e o medo causa reações variadas. A decisão do Governo espanhol de estudar a possibilidade de que os trabalhadores afetados por expedientes de regulamentação de empregos temporários não gastem dias de paralisação enquanto o vírus estiver ativo é um exemplo de como a venda chega antes da ferida. A Volkswagen está avaliando a possibilidade de fazer essa parada (ERTE) em Navarra pela falta de peças de um fornecedor italiano, mas ainda não tomou a decisão, e a Fujitsu fez o mesmo em sua fábrica de Málaga, ainda que não a tenha consumado

Nessa linha, a avaliação que a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), agência da ONU, acaba de fazer sobre os efeitos econômicos do Covid-19 tem muitos ingredientes preocupantes, mas a maioria é mero efeito dominó. A contração de 2% da produção da China durante o último mês, na verdade a verdadeira origem do tsunami, se revela com capacidade para frear a economia do planeta através das redes de valor regionais, de Washington a Tóquio, passando por São Paulo —no Brasil, empresas já anunciam férias coletivas por falta de insumos eletrônicos, enquanto o setor automobilístico lança os primeiros alertas. As perdas estimadas nos primeiros dias chegam aos 50 bilhões de dólares (231 bilhões de reais).

É algo tão grave? Uma crise de oferta, com a paralisação da atividade das fábricas, pode se restabelecer. O problema é que o sistema parece estar reagindo como se fosse o fim do mundo pelo impacto da demanda (se deixa de viajar, de consumir). “É possível comparar com um ataque cardíaco; é um choque repentino que leva a uma contração abrupta da atividade econômica”, diz em uma análise Yves Bonzon, do banco privado Julius Baer.

O corte dos juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) foi o sinal mais amargo contra o inimigo invisível. “O Fed está indicando seu pessimismo a longo prazo”, avalia Philippe Waechter, diretor de pesquisa econômica da Ostrum AM em uma nota aos clientes. O analista acha que todas as taxas de juros se manterão baixas durante um prolongado período, “isso reflete a incerteza associada ao coronavírus: não sabemos quando haverá uma vacina e se o final do inverno acabará com a epidemia” acrescenta. O Goldman Sachs já anunciou que espera que o Banco da Inglaterra faça algo para evitar uma recessão no Reino Unido. Mas é bem pouco provável que isso melhore as coisas. “Os bancos centrais podem desperdiçar sua munição centrando-se no custo do dinheiro baixando os juros em vez de aumentar o acesso ao financiamento”, diz David Lafferty da Natixis.

O oportunismo, esse eco do capitalismo, ressoa forte. Luis Garvía, professor de Finanças do ICADE, diz que a decisão do Fed é extraordinária por várias razões, e nem todas têm a ver com a emergência sanitária. “Uma das ideias principais é a velocidade com que as coisas ocorrem. Não falo de algo ilegal: o mundo se tornou mais complexo e fatores se misturam, é difícil separar uns efeitos de outros”. Um deles se chama eleições nos Estados Unidos. Garvía lembra que o Fed fez seu anúncio na “Superterça” democrata, e que o presidente Donald Trump tem os olhos voltados às eleições do segundo semestre. “Ele pedia há semanas esse corte dos juros, e nenhum político faz algo assim se não estiver pensando em seus eleitores. Antes ou depois o país precisava corrigir seu crescimento. Acho que Trump calcula que essa é uma oportunidade para enviar uma mensagem de tranquilidade”.

Calcanhar de Aquiles

A sorte parece estar lançada. O citado relatório do Nomura define que o Governo chinês pode ter vencido a batalha contra a doença, e seu cenário base assume que os bloqueios no país asiático terminarão no final desse mês, “mas será tarde demais para evitar que o PIB se desacelere”.

A China espirra, o mundo fica resfriado. Como lembram no Boston Consulting Group (BCG), o peso do PIB chinês na economia mundial se multiplicou por quatro em somente duas décadas. A produção e a subcontratação para baratear custos se concentraram demais nesse país e a restrição na circulação de pessoas fez com que províncias como Hubei, uma das dez mais importantes na geração de manufaturas, sejam agora uma ratoeira para muitas multinacionais. A União Europeia em primeiro lugar, seguida pelos Estados Unidos, Japão, República da Coreia e Vietnã são os primeiros prejudicados. O índice PMI de gestores de compras chinês, um indicador adiantado de produção, caiu 22 pontos em fevereiro e tamanha diminuição, dizem na UNCTAD, “equivale a queda de 2% do fornecimento de bens intermediários ao longo do ano”. Outro indicador, que mede a carga de contêineres em Xangai, continua baixando, “o que indica um excesso de capacidade de envio e uma menor demanda de navios porta-contêineres”. Em suma, 20% do comércio mundial de produtos intermediários de fabricação se origina no lugar que passará à história como berço do Covid-19. Se a mesma doença surgisse em 2002, seu efeito econômico teria sido muito diferente, porque a China à época só era responsável por 4% desses produtos.

Empresas de instrumentos de precisão, maquinaria, automação, equipamentos de comunicação, material elétrico, plásticos, material de escritório, produtos têxteis e papel foram os primeiros afetados. O golpe na Bolsa foi enorme na Europa. Desde 21 de fevereiro os bancos, as agências de viagem, as empresas de alimentação, seguros, indústria e automação estão vivenciando quedas de valor acima de 10%. O índice VIX, um medidor de volatilidade dos mercados, disparou, ainda que bem longe dos níveis atingidos durante a Grande Recessão.

Supermercado no norte de Paris, com estantes vazias, an semana passada.  
Supermercado no norte de Paris, com estantes vazias, an semana passada.  – / AFP

A Espanha é, como outros Estados, um ator convidado a essa festa do descontentamento. Mais de 160 empresas espanholas estão na China, as exportações a esse país somaram mais de 6,8 bilhões de dólares (31 bilhões de reais) no ano passado, 67% a mais do que há cinco anos, e as importações pesam bem mais, 29,154 bilhões de dólares (135 bilhões de reais), 46% a mais do que há cinco anos. A Corporación Mondragón é uma dessas empresas, nesse caso cooperativa, implantadas na China, ainda que não no epicentro do vírus. Oscar Goitia, o presidente de sua divisão internacional, fala que as medidas tomadas lhes devolveram à normalidade, ainda que não 100%. “Um olhar a curto prazo nos dá a perspectiva de que a queda [na cadeia chinesa de fornecimento] será pontual”. Começam, entretanto, a temer que a situação derrube projetos de investimento associados à energia, matérias primas e setor turístico. “Um entrave que se somaria ao que já tínhamos” derivado do esgotamento do ciclo, a guerra comercial e o Brexit.

Em 2019, até 700.000 chineses visitaram a Espanha, número que não chega a 1% do total de turistas do país, mas sua capacidade de gasto pode impactar seriamente em setores como o luxo. O contágio já espalhado pela Europa acrescenta mais pressão. José Luis Bonet, presidente da Câmara da Espanha, acaba de sair de uma reunião com empresários do turismo. É quarta-feira 4 de março. “O assunto é sério”, começa dizendo. “A doença pode retroceder graças ao verão, essa é a parte que me permite ser otimista”. Lembra que o cancelamento do Mobile em Barcelona foi a ponta do iceberg. “No melhor cenário, o turismo não será afetado no verão, mas a Semana Santa com certeza será”, reconhece. Volta a dizer que o assunto deve ser levado a sério. Fala de medidas financeiras, créditos mais suaves, de não aumentar impostos, de moratórias “e o que for preciso”. “As pessoas têm medo, deixam de viajar se for necessário. Não há porque dramatizar, mas não é só a questão dos aviões, isso arrasa outros setores, como o agroalimentar, porque se não vierem turistas para comer na Espanha… será um problema. Além disso, muitas empresas estão mandando as pessoas trabalhar em casa”.

Ángel Asensio, seu homólogo na Câmara de Madri, também preside a Federação Espanhola de Empresas de Confecção. Lembra que quando a crise explodiu as produções da coleção primavera-verão estavam carregadas em navios e já haviam chegado à Espanha. “O problema são as prévias de outono-inverno, fabricadas [na Ásia] entre março e abril. A produção atrasou, os contêineres vazios causaram engarrafamentos. Soube que os produtores estão procurando alternativas em países próximos (Turquia, Marrocos, Portugal) e na Espanha”.

Perguntada, a Inditex, a empresa da Zara, não se pronunciou. A Mango tomou medidas para recuperar a produção perdida. Na Tendam dizem que por volta de 30% das peças de suas diversas marcas (Springfield, Cortefiel, Pedro del Hierro e Women’secret) são produzidas na China. “Contamos com uma rede de produção espalhada em mais de 30 países, o que nos permite, também, margem de manobra suficiente se a situação se prolongar por mais tempo”.

Os fabricantes de automóveis estão na mesma situação. A porta-voz da patronal Anfac, Noemi Navas, fornece dois dados: as fábricas de carros trabalham normalmente (apesar da ameaça da Ford) e por enquanto o desabastecimento de componentes, se existir, está sendo contornado. A China preocupa menos, diz, porque a cadeia do automóvel é parecida à têxtil. “Os componentes procedentes desse país de fornecedores principais (chamados Tier 1) costumam ser estocados e viajam de navio. Mas as redes são muito longas, e o problema pode vir do lado de baixo”. As marcas estão fazendo duas coisas: procurar alternativas em outros países e tentar trazer provisões de avião e até mesmo por rodovia, da mesma forma que as empresas têxteis. Outra questão que preocupa é a possibilidade de que na Europa as fábricas deixem de trabalhar por problemas de contágio entre os funcionários. E em relação ao mercado, as matrículas podem se ressentir por duas vias: queda das empresas locadoras por efeito do turismo e a demora na chegada dos carros importados.

Analisar todas as arestas do problema seria impossível. Mas há uma muito importante, a saúde. O presidente da patronal Aspe, Carlos Rus, reconhece por e-mail que estão preocupados “por todas as empresas que estão sendo obrigadas a repatriar trabalhadores em áreas de risco, pela suspensão de provisões em algumas indústrias, pelo cancelamento de eventos e congressos…”. Frisa, entretanto, que a Espanha tem um dos melhores sistemas de saúde do mundo e que as empresas “estão preparadas” para uma situação excepcional como essa.

A questão mencionada por Bonet paira sobre o setor alimentício e de consumo. A Nielsen registrou aumentos de compras espetaculares de certos produtos. A carne suína vive sua própria montanha russa. Até o final de dezembro, as exportações à China haviam crescido 209% em valor (1,44 bilhão de euros – 7,5 bilhões de reais), de acordo com a Anice, a associação de indústrias da carne da Espanha, informa Eva Sáiz. Esse aumento era explicado pela falta de abastecimento sofrido pelo país asiático pela peste porcina. Ainda não foram publicados os dados relativos a janeiro, mas os sinais parecem ter mudado. Já se fala em diminuição pelo impacto do envio de mercadorias nos portos chineses.

Reação coordenada

E entre tanta urgência, quase não há lugar para debates mais profundos. Talvez seja o momento de parar para pensar e ligar essa crise à climática, com a necessidade de terminar com o “usar e descartar”. Talvez possa servir para que as multinacionais deixem de fabricar em um único lugar, e para revisar as políticas de estoque das empresas, para desenvolver a produção 3D, fomentar o trabalho remoto. Federico Steinberg, pesquisador principal do Instituto Elcano, acha que pelo menos a boa notícia é que os países começaram a reagir. “Se não existir coordenação global teremos um problema”. Ele lembra que a nível europeu poderiam ser ativadas cláusulas de excepcionalidade, como relaxar as regras de déficit em relação ao gasto público sanitário. E diz que o Covid-19 não tem nada a ver com a crise de 2008. “Quanto tempo isso irá durar? Se a crise for curta tudo o que não está sendo consumido agora irá se recuperar. Mas a demanda depende muito da confiança. O maior risco está em uma população atemorizada durante mais tempo”.

A única certeza é que hoje os céus de Xangai estão mais claros do que há um mês. A poluição caiu, de acordo com alguns relatórios, 40%.

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