Por Luiz Vale, TV Globo

A cantora estava hospitalizada na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação A cantora estava hospitalizada na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação

A cantora estava hospitalizada na Zona Norte do Rio — Foto: Divulgação

 

 Morreu, na manhã desta quarta-feira (4), a cantora e acordeonista Adelaide Chiozzo em um hospital na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Um dos grandes sucessos na voz da artista é a canção “Beijinho doce”.

De acordo com o neto de Adelaide, ela estava internada após sofrer uma queda em casa há 12 dias. A artista foi operada, mas contraiu infecção urinária e pulmonar e morreu às 8h desta quarta-feira (4).

O sepultamento de Adelaide Chiozzo será realizado nesta quinta-feira (5), a partir das 10h, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio.

Segundo o neto da cantora, Roberto Chiozzo, o último show de Adelaide ocorreu há quase dois anos, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Em depoimento sobre a “primeira namoradinha do Brasil”, de grande prestígio na chamada era de ouro do Radio no Brasil, aclamada atriz e acordeonista na época das grandes chanchadas da Atlântida, o colunista Artur Xexeo, lembrou no programa EstudioI, sob comando de Maria Beltrão, que César de Alencar em seu programa de enorme audiência na Rádio Nacional, chamava Adelaide Chiozzo. de “aquela que tem simpatia para dar e vender.Pura verdade. R.I.P. 

Do Jornal do Brasil

Coisas da Política

 

Charada à direita

WILSON CID

Compreender a intimidade de alguns problemas políticos da atualidade brasileira não está entre as questões mais simples. Diga-se, de passagem, que nada há de novo em tal afirmação, porque já a antecedia a percepção de inúmeros analistas. Na verdade são questões que se revelam sinuosas, favorecendo dúbias interpretações e não poucas incertezas, principalmente quando ocorre de o jogo do poder apresentar-se em forma de charada. É o que se observa, por exemplo, a partir da constatação do desejo cada vez mais latente do presidente Bolsonaro de governar sem maiores restrições e, se possível, acima de incômodos dos contrários. Então, sob a forma de enigma, tomemos o raciocínio imediato sobre a realidade da composição do Congresso Nacional, onde é conservadora a maioria absoluta dos seus membros. A Câmara dos Deputados e o Senado, as duas casas que o compõem, são dirigidos pelo DEM (ex-PFL), originalmente a ARENA (partido de direita no regime militar). Fácil concluir, portanto, sem embargo de restrições nas relações com o presidente, que se julga manietado, o que está em questão é que a luta pelo poder ocorre dentro do campo conservador; apenas dentro dos limites de seus interesses. Sim, porque sem ter conseguido superar totalmente o golpe que sofreu com as urnas de 2018, a esquerda ainda permanece fora do campo onde se trava o jogo imediato. Suas lideranças pouco têm conseguido além de pretexto para o discurso na disputa cultural de militantes de formação direitista. Conclusão inevitável é que quem está sob ataque, agora, é o baixo clero do Legislativo, que foi o espaço do deputado Jair Bolsonaro nos sete mandatos que exerceu antes de tornar realidade o projeto presidencial. Caindo no Executivo, as trincheiras mudaram de posição.

Diante de tal peculiaridade, os rumos da batalha intestina que travam os seguimentos direitistas ainda não autorizam previsões consistentes sobre o que está por acontecer.

As lideranças militares apoiam o projeto Bolsonaro desde a última campanha eleitoral. Sejam membros das forças armadas ou das forças de segurança públicas estaduais, elas nunca deixaram dúvidas quanto à sua dedicação. Mas seriam elas, sob a bandeira dessa lealdade, suficientemente fortes e prestigiosas para empresas mais arrojadas ou um avanço sobre as instituições, mesmo ao sabor do pretexto da governabilidade? Outra fortaleza da direita são as elites econômicas do país. Diferentemente do comportamento que tiveram em 64, estariam dispostas a dar seu aval a qualquer aventura golpista?

O presidente deve saber que uma contestação mais vigorosa sobre a autonomia do Legislativo sempre comporta algum risco, mesmo quando se contar, nesse particular, com a simpatia simplista da parcela da opinião pública que vê inutilidade nos mandatos parlamentares. Na década de 60 o presidente Jânio Quadros escorregou e caiu, quando pretendeu levar o povo às ruas para bradar contra o “clube de ociosos”, como gostava de definir o Congresso. O foco do movimento em curso também embute uma reprimenda contra o Congresso Nacional, a partir dos presidentes Rodrigo Maia (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado).

Se nesse quadro faltasse uma curiosidade, bastaria lembrar que muitos parlamentares bolsonaristas apoiam um anunciado ato político contra o poder Legislativo, do qual são parte e para o qual foram eleitos recentemente…

São reflexões que surgem a partir da iniciativa do presidente da República de incentivar as manifestações de rua, em todo o Brasil, marcadas para domingo, 15 de março; o que acontecerá se a marcha do coronavírus não desaconselhar aglomerações desse tipo, perfeitas condutoras de contágio.

O tempo quaresmal recém-começado não consegue dissimular as dificuldades institucionais em curso. Oxalá passem com a Páscoa, e melhores dias surjam no cenário político.

“Traduzir-se”,· Nara Leão e Fagner: Do álbum Romance Popular, produzido por Fausto Nilo, lançado em outubro de 1981. A poesia universal de Ferreira Gullar  vira pura magia musical na fabulosa interpretação de Nara e Fagner. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Dispensada por Regina Duarte, pastora Jane afirmou que a futura secretária Especial de Cultura de Jair Bolsonaro a trocou por uma pessoa extremamente de esquerda. A fala é uma referência a escolha de Odecir Luiz Prata da Costa para ser o adjunto na subpasta.

“Ela não trocou seis por meia dúzia. Trocou uma pessoa extremamente da direita por uma pessoa extremamente da esquerda”, afirmou a postara, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Mais nova assessora parlamentar do gabinete da deputada federal Alê Silva (MG-PSL), Jane Silva pediu para acompanhar a posse de Regina nesta quarta, no Planalto. Ela disse que não guarda ressentimentos, mas reclama da postura da atriz.

“Tudo que eu tenho da Regina são momentos lindos, maravilhosos. Mas achei estranho que ela nem tenha me ligado, porque a Regina não me achou na rua, né?”.

 DO EL PAÍS

Rio de Janeiro registrou cinco mortos e 5.000 desabrigados nas chuvas que atingem a região desde o fim de semana. Na Baixada Santista, que amanheceu debaixo d’água, são 18 mortos e 30 desaparecidos

Guarujá foi a cidade mais afetada pelas chuvas na Baixada Santista.
Guarujá foi a cidade mais afetada pelas chuvas na Baixada Santista.AMANDA PEROBELLI / REUTERS (Reuters)

As fortes chuvas que atingiram a região Sudeste do país na primeira semana de março deixaram vítimas, desaparecidos, desabrigados e deslizamentos nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Na Baixada Santista, no litoral paulista, a Defesa Civil do estado confirma ao menos 16 óbitos e 200 desabrigados. Já no Rio, onde os locais mais afetados estão na capital e na Baixada Fluminense, os números chegaram a cinco mortos e aproximadamente 5.000 desabrigados. Os transbordamentos, deslizamentos e mortes nas duas regiões repetem os destinos de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, Estados que sofreram com enchentes devido ao volume de chuva nos primeiros meses de 2020.

No caso do Rio de Janeiro, as chuvas provocaram enchentes desde sábado, dia 29 de fevereiro. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros confirmaram quatro mortes até a segunda-feira, 2 de março: sendo um homem de 44 anos que se afogou no bairro de Acari, zona norte da capital, ao tentar salvar uma mãe e duas crianças ilhadas; um homem de 40 anos que estava em um imóvel atingido por um desabamento no bairro do Tanque, zona oeste do Rio de Janeiro; também na zona oeste, uma idosa de 75 anos que foi vítima de uma descarga elétrica no meio da enchente; e um idoso de 62 anos atingido por um desabamento na Estrada Feliciano Sodré, na cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Na manhã desta terça-feira, o corpo de uma quinta vítima foi localizado na cidade de Queimados, na Baixada Fluminense. O jovem de 21 anos estava desaparecido desde domingo e foi arrastado pela enxurrada. Também nesta terça, seis casas desabaram no bairro de Jardim América, na zona norte da capital fluminense, em uma região que é cortada pelo Rio Acari, que transbordou com o grande volume de água. Não há informações sobre feridos até agora, mas a Defesa Civil e Bombeiros falam em um número em torno de 5.000 desabrigados e 800 chamados de emergência na cidade, a maioria concentrada nos bairros da zona oeste do Rio. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, culpou a população por jogar lixo nas encostas, bueiros e ruas em entrevista dada no fim de semana, em um dos locais atingidos pelos desabamentos. Ele também disse que “todas as encostas são perigosas, mas as pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi e ficarem livres daquilo”.

Na Baixada Santista, as cidades do Guarujá, São Vicente e Santos foram as mais afetadas nas chuvas que atingiram a Baixada Santista, região no litoral sul do estado de São Paulo, na manhã desta terça-feira. Até o início da noite, a Defesa Civil paulista havia confirmado 18 mortes na região causadas pelas enchentes, a maioria (15) no Guarujá, onde estão também 22 pessoas desaparecidas e o prefeito Valter Suman declarou estado de emergência. Entre as vítimas, dois bombeiros que trabalhavam para resgatar duas pessoas no Morro dos Macacos, um dos locais mais afetados na cidade. Entre os desaparecidos, pelo menos 28 moravam em barracos da comunidade do Morro Vila Baiana.

A Defesa Civil confirmou dois óbito e 6 desaparecidos em Santos, onde os Bombeiros atenderam a 70 ocorrências de enchente. A rodovia Anchieta foi interditada na altura do quilômetro 45, e as rodovias Cônego Domênico Rangoni e Doutor Manoel Hipólito Rego, que permeiam todo o litoral paulista, tiveram ao menos seis quedas de barreiras ao longo do seus trechos. Em São Vicente, foram confirmados um óbito e dois desaparecidos. O prefeito da cidade, Pedro Gouvêa, decretou estado de calamidade. O governador de São Paulo, João Doria, prestou soliedariedade às vítimas das enchentes através das redes sociais e sobrevoou a região de helicóptero no início da tarde. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para salvar vidas e amparar as vítimas dessa triste tragédia”, reforçou o tucano.

As situações vividas no Rio de Janeiro e Baixada Santista se assemelham às de Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, Estados que também foram atingidos por chuvas mais fortes do que o esperado e sofreram consequências durante o verão atual. Na capital mineira, o deslizamento de encostas e o transbordamento de rios e córregos desalojaram mais de 38.000 pessoas e resultaram em 53 mortos em cinco dias no fim do mês de janeiro, escancarando a falta de planejamento urbano e prevenção. No mesmo mês, cerca de 10.000 pessoas tiveram que deixar suas casas no Espírito Santo pelas enchentes. Em São Paulo, centenas de moradores ficaram desabrigados quando a maior chuva de fevereiro em 37 anos paralisou a capital com 132 pontos de alagamento no dia 10 de fevereiro. O Estado registrou quatro mortes na oportunidade, mas nenhuma na capital: foram três em Botucatu, uma em Marília e uma em São Bernardo.

Naquele 10 de fevereiro, São Paulo amanheceu debaixo d’água porque choveu na cidade metade do esperado para todo o mês de fevereiro durante três horas, na madrugada de domingo para segunda-feira. Os cálculos são parecidos no Rio: as regiões mais afetadas da capital registraram 155,3 mm de chuva, metade do esperado para todo o mês de março, em 24 horas. O volume foi ainda maior na Baixada Santista, onde Guarujá teve 282 mm e Santos teve 218 mm nas primeiras 12 horas desta terça-feira.

A previsão é de chuva moderada a forte em todo o litoral de São Paulo, o que engloba a Baixada Santista, até o fim da terça-feira. No Rio de Janeiro, o tempo também deve continuar instável, com chuvas fracas e moderadas durante tarde e noite.

mar
04

 

DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

 

Aparentemente, tudo separa Michael Bloomberg e Bernie Sanders. Mas o milionário, feroz defensor do capitalismo, e o senador, que se apelida de “socialista democrático”, também têm muito em comum: da idade – têm 78 anos – à religião – são ambos judeus. Com 14 estados a votos, a Super Terça-Feira,deste 3 de março, é o primeiro embate entre eles nas urnas.

Not a socialist.” É esta a mensagem estampada em letras brancas nos bonés que a campanha de Michael Bloomberg está vendendo no seu site. Custam 17,76 dólares, um piscar de olho ao ano em que os EUA declararam a independência, e têm um alvo claro: Bernie Sanders. Bloomberg não esconde a aversão ao senador do Vermont e num dos debates entre candidatos à nomeação democrata para as presidenciais de 3 de novembro nos EUA não hesitou em lançar: “Acontece que o mais conhecido socialista da América é um milionário com três casas”, provocando a ira do rival. Apesar da vitória de Joe Biden nas primárias de sábado na Carolina do Sul – que marca o regresso do ex-vice-presidente à corrida – e de apenas restarem cinco candidatos na corrida, após as desistências de Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, vai ser a Super Terça-Feira 3 de março, com 14 estados a votos, a lançar mais alguma luz sobre quem será candidato democrata. E uma dúvida que parece instalada entre muitos eleitores democratas é esta: quem será melhor para tirar Donald Trump da Casa Branca, o socialista Sanders ou o capitalista Bloomberg?

Citando uma sondagem do Pew Research Center de 2019, a campanha de Bloomberg lembra que “o número de americanos que têm uma imagem positiva do capitalismo é o dobro dos que têm imagem positiva do socialismo”. Ora, o estudo em questão diz, de fato, que 42% dos americanos veem o socialismo de forma positiva, contra 65% no caso do capitalismo. Mas o que a equipa do milionário não refere é que, quando se reduz a amostra a democratas, as opiniões positivas aproximam-se, ficando perto dos 38% para ambos.

Mas será que a América está disposta a pôr um autodenominado “socialista democrático” na presidência? Bloomberg espera que não, mas a verdade é que neste momento Sanders é o claro favorito à nomeação democrata – depois das vitórias nas primárias do New Hampshire e do Nevada e de um segundo lugar no Iowa, em que obteve mais votos populares do que o vencedor, Pete Buttigieg, que suspendeu a candidatura no domingo, depois de ter feito história ao tornar-se no primeiro candidato presidencial assumidamente gay.

E se a Carolina do Sul, deu a Joe Biden um novo fôlego depois dos maus resultados que tinha tido até então e se o ex-vice-presidente até obteve o apoio tanto de Klobuchar como de Buttigieg, a Super Terça-Feira é o momento determinante para Bloomberg. O milionário ex-mayor de Nova Iorque, que até agora optou por uma corrida paralela centrada em anúncios televisivos nos quais já gastou muitos milhões da sua vasta fortuna pessoal, vai pela primeira vez a votos nos 14 estados em disputa a 3 de março. Mas as sondagens parecem não lhe ser muito favoráveis. Segundo a média feita pelo site FiveThirtyEight ainda antes de Buttigieg e Klobuchar desistirem,Sanders parecia ir arrebatar uma curta maioria dos estados, conquistando a maior parte dos 1357 delegados em jogo nesse dia, com Biden a subir. Para garantir a nomeação, um candidato precisa de chegar à convenção de Milwaukee, marcada para julho, com pelo menos 1991 delegados. E, uma vez que nas primárias democratas os delegados são distribuídos proporcionalmente, de acordo com a percentagem de votos de cada candidato, quem sair da Super Terça-Feira em vantagem ganha um balanço difícil de contrariar até à convenção.

Rivais sob ataque

Se Bloomberg só estreia nas urnas neste 3 de março, a sua primeira prova de fogo foram os debates no Nevada e na Carolina do Sul, em que aceitou participar. E, se no primeiro foi o milionário o alvo de quase todos os ataques – desde a sua relação com as mulheres ao fato de estar a usar a fortuna para “comprar” a eleição, até à defesa que fez da política de buscas da polícia de Nova Iorque, que, quando ele era mayor, tinha luz verde para parar um cidadão em plena rua e fazer uma revista se suspeitasse de que podia estar envolvido num crime e na posse de uma arma (o chamada stop and frisk – parar e revistar) -, no segundo Sanders esteve na mira. Com o estatuto de favorito reforçado, o senador do Vermont foi atacado devido a recentes comentários nos quais expressou admiração pelo impulso na educação em Cuba dado por Fidel Castro. “Não estou ansioso por um cenário em que tudo se resuma à nostalgia de Trump pela ordem social da década de 1950 e à nostalgia de Bernie Sanders pela política revolucionária da década de 1960”, explicava Buttigieg no debate.

“Não estou ansioso por um cenário em que tudo se resuma à nostalgia de Trump pela ordem social da década de 1950 e à nostalgia de Bernie Sanders pela política revolucionária da década de 1960”

Apesar de muitos americanos associarem socialismo a comunismo, o próprio Sanders em 2015 explicava que o socialismo “significa que, quando olhamos para os países do mundo que têm registos positivos na implementação de programas para a classe média e famílias trabalhadores, automaticamente olhamos para países como a Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e outros Estados que têm governos trabalhistas e sociais-democratas. E o que descobrimos é que nestes países a segurança social é um direito para todos, a educação superior é virtualmente gratuita, as pessoas reformam-se com boas pensões, os salários são mais altos, a distribuição da riqueza é mais justa e o seu sistema de educação é mais forte do que o nosso”.

Apesar das explicações, não falta quem aproveite para brandir a ameaça do comunismo. Bloomberg considerou “comunista” a posição do senador sobre a riqueza. E no debate no Nevada sublinhou: “Não vamos deitar fora o capitalismo. Já tentámos isso. Outros países tentaram. Chama-se comunismo. E não funciona.”

O próprio presidente Trump já usara o termo “comunista” para descrever Sanders. E, caso seja ele o nomeado democrata, alguns setores mais moderados do partido democrata temem que os republicanos usem contra ele a sua passada defesa de regimes repressivos na Nicarágua, Cuba ou União Soviética.

Se obtiver a nomeação, Sanders será o candidato mais à esquerda e antissistema a apresentar-se a umas presidenciais desde George McGovern, em 1972. E muitos ainda terão na memória a vitória esmagadora de Richard Nixon nesse ano, com o republicano a conquistar 49 dos 50 estados americanos.

 Judeus, velhos e (mais ou menos) ricos

À primeira vista, Bloomberg e Sanders não podiam ser mais diferentes. Mas não é só a idade – ambos têm 78 anos, com o milionário a ter celebrado o aniversário a 14 de fevereiro, cinco meses depois do milionário – que os candidatos partilham. Ambos nasceram em família judaicas: Bloomberg em Boston, no Massachusetts, filho de um contabilista numa empresa de laticínios, e Sanders em Nova Iorque, filho de um vendedor de tintas nascido em Slopnice, na atual Polónia, e emigrado para os EUA nos anos 1920. Ambos têm antepassados russos. A eleição de um deles para a Casa Branca significaria que os EUA teriam o primeiro presidente judeu da sua história.

Até o fato de partilharem a mesma religião tem servido para os candidatos lançarem farpas um ao outro. “Eu sei que não sou o único candidato judeu à presidência. Mas sou o único que não quer tornar a América um kibbutz”, garantiu Bloomberg, numa referência às aldeias comunitárias muito comuns em Israel, sobretudo na altura da formação do Estado em 1948 mas que ainda existem hoje.

Em 1963, Sanders e a primeira mulher passaram alguns meses como voluntários num kibbutz israelita. O casal separou-se três anos depois e Sanders voltaria a casar-se em 1988. O seu único filho, Levi, é filho de uma relação que teve entre casamentos. Bloomberg, por seu lado, tem dois filhos do casamento com a britânica Susan Brown. Divorciado desde 1993, vive desde 2000 com a sua atual parceira, Marjorie Tiven.

 

Quando acusado por Bloomberg de hipocrisia por ter três casas, Sanders defendeu-se explicando que uma delas é em Washington, onde trabalha, a outra no Vermont, onde vive, e a outra é uma pequena casa de praia. Mas a verdade é que a fortuna do senador não é em nada comparável à de Bloomberg. Este, o oitavo homem mais rico do mundo segundo a Forbes, terá 56,2 mil milhões de dólares. Um valor que consegue fazer que Sanders, com os seus 2,5 milhões de dólares, pareça pobre.

 

 

 

 

Resultado de imagem para Ararinha azuis vão para Curaçá
Blog Edenevaldo Alves

Do  Jornal do Brasil

Cinquenta ararinhas-azuis devem desembarcar no Brasil, na tarde desta terça-feira (3), no Aeroporto de Petrolina, em Senador Nilo Coelho (PE). As aves, vindas da Alemanha, serão levadas para a cidade de Curaçá, na Bahia, onde um centro de reprodução foi construído especialmente para elas.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por medida de segurança, as araras vão passar por um período de quarentena para adaptação e treinamento. Depois disso, serão soltas na natureza para viver em vida livre. A primeira soltura está prevista para 2021. O ICMBio informou que existem hoje pelo mundo 163 aves da espécie.

Segundo o instituto a data – 3 de março – foi escolhida por ser o Dia Internacional da Vida Selvagem, com objetivo de lembrar a fauna e a flora do planeta, assim como alertar para os perigos do tráfico de animais silvestres no mundo.

Parceria

O ICMBio e a organização não governamental Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), da Alemanha, firmaram no ano passado um acordo que oficializou a vinda das ararinhas do país europeu para o Brasil. Entre os parceiros, estão, além da ONG alemã ACTP, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), o Criadouro Fazenda Cachoeira, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de São Paulo (USP).

Histórico

As aves foram descobertas no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie exclusiva do bioma da caatinga brasileira, que se se concentra na Região Nordeste do Brasil, teve sua população dizimada pela ação do homem. O último exemplar conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000, por ser alvo de caçadores e traficantes de animais. informou o Instituto.

O ICMBio explicou que os poucos exemplares que restaram em coleções particulares no mundo vêm sendo usados para reproduzir a espécie em cativeiro, todos no exterior.

A ararinha é considerada uma das espécies de ave mais ameaçadas do mundo. Em 2000, foi classificada como Criticamente em Perigo possivelmente Extinta na Natureza, restando apenas indivíduos em cativeiro. (Agência Brasil)

mar
04
Posted on 04-03-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-03-2020



 

Sinovaldo, no

 

DO EL PAÍS

Presidente do Chile se enrosca a seis dias da marcha do Dia da Mulher com uma polêmica declaração sobre a violência machista

A seis dias da manifestação do Dia Internacional da Mulher, a primeira de uma série de marchas programadas para março em meio a revoltas sociais no país, o movimento feminista chileno se voltou contra o presidente Sebastián Piñera. Em uma cerimônia em que promulgava na manhã desta segunda-feira a Lei Gabriela, uma norma importante que considerará feminicídio todo assassinato de uma mulher por razões de gênero, o presidente exemplificou: “Às vezes, não é apenas a vontade dos homens de abusar, mas também a posição das mulheres de ser abusadas”. Acompanhado por sua mulher, Cecilia Morel, e da ministra da Mulher, Isabel Plá, o presidente continuou: “Temos que corrigir o que abusa e também dizer à pessoa abusada que ela não pode permitir que isso aconteça. E que a sociedade inteira vai ajudá-la e respaldá-la para denunciar e evitar que esses fatos continuem acontecendo.”

Em um país onde em 2019 ocorreram 62 feminicídios, e apenas este ano já foram seis, segundo a Rede Chilena de Violência contra as Mulheres, a condenação às palavras do presidente foi geral. “Piñera não pode impedir que a misoginia lhe escape pelos poros e atrapalhe sua tentativa de cooptação”, acusou a Coordenação Feminista do 8M, que representa vários grupos e coletivos de mulheres que no domingo participarão da marcha e desde esta segunda-feira promovem diferentes ações em todo o Chile.

“A culpa não é nem nunca foi nossa. A culpa é dos que nos abusam e violentam e da estrutura institucional que os ampara. É o Estado, são os juízes, os pacos [carabineiros] e o presidente”, escreveu a coordenadora nas redes sociais, referindo-se à letra de O estuprador é você, que se tornou um hino mundial contra a violência sexual contra as mulheres, composto pelo coletivo chileno Lastesis.

A própria ministra Plá, que será interpelada no Congresso nesta terça-feira, precisou esclarecer as declarações de Piñera: “O que o presidente quis dizer nunca teve a ver com responsabilizar as mulheres. Ele disse que as mulheres de nosso país devem saber que, quando denunciarem, terão o apoio da sociedade e das instituições e poderes do Estado.” Então, o próprio presidente teve que vir à público para esclarecer suas palavras: “Quero ser muito claro: a posição do nosso Governo é de tolerância zero contra todos os tipos de violência e abuso contra mulheres. É por isso que exorto as mulheres a denunciarem imediatamente qualquer risco ou ameaça contra sua integridade ou vida.”

Não é a primeira vez que Piñera é acusado de machismo. Em 2011, em seu primeiro mandato (2010-2014), no encerramento de uma cúpula no México, ele disse: “Você sabe qual é a diferença entre um político e uma dama? Quando o político diz sim, ele quer dizer talvez; quando ele diz talvez, quer dizer que não e quando diz que não, não é político. Quando uma dama diz não, ela quer dizer talvez; quando ela diz talvez, quer dizer sim, e quando ele diz sim, não é uma dama”, disse o chileno no encerramento da XIII Cúpula de Chefes de Estado e de Governo na cidade de Tuxtla. Mais uma vez, suas palavras foram amplamente condenadas no Chile, especialmente pelo movimento feminista.

Em junho de 2017, em meio à última campanha presidencial, em uma atividade na cidade de Linares, cerca de 300 quilômetros ao sul de Santiago, ele novamente tentou fazer uma piada aludindo ao assédio às mulheres: “Bem, pessoal, acabam de me sugerir uma brincadeira muito divertida. É muito simples: todas as mulheres se jogam ao chão e se fingem de mortas, e todos nós nos jogamos por cima e nos fingimos de vivos. O que vocês acham, pessoal?”, perguntou Piñera, para logo encerrar o ato de campanha e se despedir dos participantes.

As declarações foram condenadas por diferentes setores e provocaram a reação da presidenta Michelle Bachelet, que governava, em seu segundo mandato (2014-2018): “Uma violação é uma expressão da maior violência contra as mulheres. Brincar com isso é desprezar todas nós, e não é aceitável ”, escreveu a socialista. Há três anos, acossado pelas críticas, Piñera se desculpou: “Peço desculpas por uma piada de mau gosto que não afeta meu apreço e respeito por todas as mulheres. Lamento o uso político que isso gerou.” Posteriormente, seu comando de campanha divulgou um vídeo de sua mulher: “Sebastián já se desculpou. As chilenas sabem do compromisso que ele teve e continuará tendo pelo avanço de seus direitos.”

Nos últimos anos, a elite chilena enfrentou vários episódios sexistas. No final de 2016, em um jantar da Associação de Exportadores de Manufaturas, a Asexma, essa associação empresarial deu uma boneca inflável ao ministro da Economia de Bachelet, Luis Felipe Céspedes. A figura estava nua e tinha uma faixa cobrindo sua boca, onde se podia ler: “Para estimular a economia”. No palco, ao lado de Céspedes, estavam dois líderes destacados da centro-esquerda, que festejaram o episódio com risadas: o ex-secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e o senador e ex-candidato à presidência Alejandro Guillier. Diante da controvérsia, os envolvidos, incluindo a Asexma, tiveram que apresentar desculpas públicas.

Piñera não escolheu o melhor momento desta vez. No próximo domingo se espera a repetição das manifestações gigantescas de 8 de maio de 2019, quando meio milhão de chilenas foi às ruas para protestar contra a violência machista. Este ano haverá um componente político adicional, porque o Chile debate a paridade de gênero no processo constituinte. Em 26 de abril, o Chile definirá em um plebiscito se substitui a Constituição de Pinochet, de 1980 e, se for o caso, o órgão que estará encarregado de redigir uma nova Carta Fundamental.

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