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 DO EL PAÍS

Governador Camilo Santana agradece Exército sem citar presidente. Coronel diretor da Força Nacional, casado com bolsonarista, elogia amotinados. Ausência de condenação de ministro e presidente a greve ilegal foi lida como apoio tácito

 Beatriz Jucá
Ministros Sérgio Moro e Fernando Azevedo sobrevoam a capital cearense.
Ministros Sérgio Moro e Fernando Azevedo sobrevoam a capital cearense.Alexandre Manfrim

A guerra política desenhada durante a crise de segurança do Ceará permanece latente nos bastidores, mesmo depois que policiais militares decidiram encerrar o motim no Estado no domingo. Enquanto agentes de segurança retomavam suas atividades após uma paralisação de 13 dias ?período no qual o número de homicídios triplicou no Estado, tornando o mês de fevereiro o mais violento dos últimos dois anos no Ceará?, o ex-presidenciável Ciro Gomes, o ministro Sergio Moro e até o presidente Jair Bolsonaro trocavam alfinetadas públicas e reivindicavam a paternidade do fim do impasse. A crise já vinha sendo explorada exaustivamente por políticos locais e nacionais nas últimas semanas, e a queda de braço travada na seara da disputa política entre eles movia diretamente o tabuleiro de decisões tomadas dentro dos quartéis.

Ciro Gomes vinha subindo o tom contra o presidente Jair Bolsonaro desde o ápice de tensão da crise, quando seu irmão, o senador Cid Gomes, acabou baleado ao tentar invadir um quartel com uma retroescavadeira para barrar o movimento. Verborrágico, Ciro passou a chamar o presidente diretamente de “miliciano” e “canalha-mor”. Viu no episódio uma oportunidade de também ganhar espaço como voz antagonista ao bolsonarismo. Ao comemorar a assinatura do acordo com policiais amotinados nesta segunda-feira, provocou o ministro Sergio Moro. “Aprende, Bolsonaro e seu capanga Moro: no Ceará está o seu pior pesadelo! Generais, aqui manda a Lei!”, publicou no Twitter.

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